A Irmãzinha

4 Capítulo Três


Notas iniciais
Oi Irmãzinhas :) espero que voces gostem, boa leitura.

A luz fraquinha do sol de inverno adentrou o meu quarto me fazendo acordar. Eu me espreguicei sorrindo, fazia tempo que eu não dormia tanto e era bom finalmente acordar depois do sol para variar.

Eu me levantei de muito bom humor, principalmente por saber que eu veria Edward em breve. Fiz minhas orações e desci para tomar café da manhã, ainda usando a camisola de flanela comprida e quentinha que eu usava em casa. Na cozinha minha família estava sentada tomando café e Edward estava junto deles o que só deixou meu dia ainda melhor. Assim que me viu, ele abriu um lindo sorriso, tão grande quanto o meu.

—Isso são horas, irmã Isabella? – Jasper perguntou com deboche assim que me juntei a eles.

—Deixa ela em paz, Jaz – minha mãe me abraçou me defendendo – aposto que ela acorda muito cedo todo o dia e ela merece acordar um pouquinho mais tarde quando está em casa.

—Ainda por cima nem está tão tarde assim, não sei o porquê do alarde – mostrei a língua para o meu querido irmão e dei um beijo no meu pai antes de sentar do lado de Edward na mesa. Ele me abraçou, os braços em volta da minha cintura e me deu um beijo estalado na bochecha, me fazendo arrepiar quando sussurrou no meu ouvido:

—Bom dia, irmãzinha dorminhoca.

—Bom dia – respondi completamente corada. Ele abriu um sorriso magnífico e acariciou minha bochecha que ficou ainda mais vermelha com o carinho.

—Bella? – Minha mãe me chamou me fazendo desviar a atenção dos olhos verdes que eu tanto amo.

—Sim?

—Esme, Alice e eu vamos comprar algumas coisas que faltam para a ceia e depois vamos começar os preparativos. Você vem conosco?

—Eu...

—Hmm... Renée eu queria levar a Bella para ir visitar o padre Harry se a senhora não se importar – Edward respondeu antes que eu pudesse e ela riu.

—É claro que não Edward, podem ir. Eu deveria imaginar que vocês tinham planos, afinal ninguém consegue separar vocês dois, não é?

—A irmã Irina consegue – Edward resmungou baixinho de cara fechada e eu fiz uma careta.

—Ei, Edward você pode assistir futebol no seminário? – Ele riu da pergunta do meu pai e os três começaram a conversar sobre esportes. Minha mão estava entrelaçada na dele, debaixo da mesa enquanto a minha mãe me falava dos planos para o fim do ano que estavam fazendo. Até que meu pai se despediu para ir para o trabalho.

—Charlie, me dá uma carona para a casa dos Cullen?

—Claro que sim, querida, vamos – minha mãe deu um beijo em cada um de nós e saiu. Edward continuava concentrado no papo furado de Jasper e eu apenas os ouvia, sem saber o que dizer. Logo depois Emmett chegou, entrando em casa como um verdadeiro furacão, querendo que Jasper saísse logo, ele foi buscar algo no quarto e pediu que Edward fosse junto ficando apenas Emmett e eu na cozinha.

Eu me levantei e comecei a tirar a mesa colocando a louça suja na pia sendo observada por um Emmett um pouco sem graça, o que era totalmente incomum. Será que é por que eu ainda estou de camisola? Até parece que ele nunca me viu assim.

Edward e eu já tínhamos dormido muitas vezes um na casa do outro, nossa amizade fez com que as nossas famílias se tornassem amigas também já que estávamos juntos o tempo todo, sempre.

—O que foi Emm? Você está meio estranho, quieto demais e sabemos que você não é assim – ele riu fraco – aconteceu alguma coisa? Quer conversar?

—Na verdade eu queria te fazer uma pergunta...

— Pode mandar.

—Hmm... Sabe aquela moça loira... A que estava ontem com você, lá no convento?

—A Rosalie?

—Rosalie – ele falou de vagar testando o nome dela, com um sorriso brincando em seus lábios – esse é o nome dela?

—Sim – eu ri – o que você quer saber Emm?

—Eu queria saber se... Se ela é uma reverenda madre assim como você.

—Emmett eu não sou uma madre, nem freira eu sou ainda – eu revirei os olhos rindo dele.

—Você me entendeu, Bella, então responde. Ela está lá para ser freira também?

—É para isso que as moças entram no convento – dei de ombros.

—E ela está feliz lá? É o que ela sempre quis, assim como você?

—Eu não conheço muito bem a história dela, Rose não se abre muito com ninguém, mas eu vi que ela estava aliviada por estar no convento no dia em que chegou. E é difícil dizer se ela está feliz – falei sinceramente por causa das noites que ela ainda passava chorando, mesmo depois de um ano. Emmett assentiu voltando a ficar pensativo sem dizer nada.

Jasper voltou e logo saiu com o Emmett enquanto eu lavava a louça do café, Edward se aproximou e me ajudou a lavar. Hoje ele estava bem melhor, mas ainda parecia divagar às vezes, estava pensativo, longe. Quando terminamos eu joguei o pano de prato nele.

—Eu vou me arrumar e já volto – subi para o meu quarto e me vesti. Coloquei uma saia longa e um suéter azul claro, penteei meus cabelos, deixando-os lisos e esticados sobre os ombros como todo o dia e voltei para o quarto para vestir os meus sapatos e vi Edward deitado de costas na minha cama olhando para o teto.

Ele se virou para mim no exato instante em que eu entrei no quarto e deu uma batidinha ao seu lado, me chamando. Eu fui sem hesitar, me jogando ao seu lado. Edward me abraçou apertado sem olhar para mim e suspirou. Eu sabia que alguma coisa estava acontecendo com ele e precisava saber o que era.

—Edward, o que foi? – Ele me olhou com o cenho franzido – Você está tão estranho.

—Estranho como?

—Não sei... Calado demais, principalmente depois que eu contei sobre os meus votos provisórios – Ele não disse nada, apenas continuou com o carinho nos meus cabelos. Eu me afastei e olhei para ele tentando ler as suas expressões – é por isso Edward? Fale comigo.

—Se eu dissesse que não seria mentira, e não ia adiantar de nada já que você me conhece tão bem, não é? – Olhei para ele esperando que ele continuasse – Eu só fiquei um pouco assustado com a notícia.

—Por que você se sente assim? Nada vai mudar Edward.

—Como não Bella? Você vai ser noviça. Isso é uma mudança muito grande – acariciei seu rosto tentando tranquilizá-lo.

—Você sabe que os votos provisórios são só... provisórios. Eles são quebrados o tempo todo, desde que eu entrei para o convento duas noviças quebram seus votos e voltaram para casa. Mudança de verdade será com os votos perpétuos.

—Mas é um grande passo Bella, você vai estar comprometida agora, será a noiva de Jesus – eu franzi o cenho.

—Por que você está tão... perturbado com isso Edward? Não foi isso o que sempre combinamos? O que sempre sonhamos? Nós já sabíamos que isso aconteceria, lembra? Está acontecendo tudo como planejamos. Vou fazer meus votos perpétuos só quando você for ser ordenado.

—Eu sei Bella, mas está tudo indo rápido demais... – eu ri.

—Está tudo mudando para mim e é você quem parece perdido – ele arregalou os olhos me olhando com sinceridade, sua voz estava tremula quando ele falou.

—É por que eu me sinto perdido Bella, muito perdido.

—Não tem por que se sentir assim. Ainda serei eu, a sua irmãzinha.

—Pois é... a minha irmãzinha comprometida, quem diria – ele sorriu fazendo gracinha e eu revirei os olhos.

—Para de ser bobo, Edward. Você não precisa ficar com ciúmes afinal, nós vamos nos casar com a mesma pessoa – eu ri e ele franziu o cenho ficando sério de repente, parecendo pensar em algo e eu me arrependi do que tinha dito. Então eu me levantei e falei tentando parecer animada.

—Eu acho melhor a gente ir. Eu não vejo à hora de ver o padre Harry – Edward se levantou enquanto eu calçava os meus sapatos, quando eu estava pronta ele pousou a mão nas minhas costas me guiando para fora e para o seu carro parado em frente à minha casa. Ele sorriu satisfeito ao dar a partida.

—Você adora esse carro, não é? – Ele assentiu e eu sabia o orgulho que tinha desse carro. Ele juntou dinheiro por muito tempo e quando fez dezesseis anos ele o comprou praticamente sozinho. Era um Volvo prata de segunda mão, mas isso não tirava a felicidade e o orgulho que sentia.

—Eu senti muita saudade de dirigi-lo.

—Viu? Por mais que a gente tenha se adaptado a nossas novas vidas, voltar para casa sempre tem suas vantagens – paramos em um sinal vermelho e Edward soltou o volante pegando uma das minhas mãos que estava em meu colo e a beijou, me dirigindo um de seus magníficos sorrisos que me deixavam sem ar enquanto a familiar corrente elétrica passeava pelo meu corpo.

—Tem mesmo, muitas vantagens – ele dirigiu com uma mão só por todo o caminho e eu nervosa e feliz com o seu toque comecei a tagarelar qualquer coisa, cuidadosamente escolhendo assuntos que não tinham nada a ver com o convento, para não acabar com o seu bom humor. Até que finalmente chegamos a pequena igreja de São Francisco de Assis.

Assim que entramos eu suspirei me sentindo em casa. Olhei em volta e vi que tudo estava do mesmíssimo jeito que sempre foi: as paredes de um amarelo bem desbotado com os quadros da via sacra pendurados, fileiras e fileiras de bancos de madeira no chão inclinado até o presbitério que era um nível mais alto do que o resto da igreja. O altar bem no meio com uma cruz enorme bem em cima, do lado direito um quadro de São Francisco e do lado esquerdo um de Santa Clara, sua amiga e companheira de caminhada e de toda uma vida.

—É tão bom estar aqui – falei verdadeiramente feliz.

—É... – Edward me puxou pela mão e me levou para um dos bancos no fundo da igreja, que era o nosso banco de muitos modos – Esse lugar traz tanta paz – ele concluiu quando estávamos sentados.

—Eu sei. Acredito que Deus está em todos os lugares, mas nenhum lugar melhor do que a casa dele para sentirmos a sua presença.

—Todas as igrejas são assim, mas para mim, essa mais do que qualquer outra.

—Por quê?

—Por tudo o que eu... ou melhor, o que nós vivemos aqui. A nossa história está cravada nessas paredes, nesses bancos. Em todos os lugares que eu olho eu me lembro de alguma coisa que vivemos. Esse banco, por exemplo, foi bem aqui que a gente se conheceu. Lembra?

—Lembro – eu ri – você tinha acabado de se mudar e foi amizade à primeira vista – olhei para ele na verdade, olhando para o menino que eu conheci há tanto tempo.

.

Meu pai me deixou na igreja às três horas da tarde. Hoje era sábado e muitas crianças estariam aproveitando que o sol resolveu aparecer por aqui para brincar ao ar livre, eu provavelmente seria uma dessas crianças em qualquer outro dia, mas hoje eu queria mesmo estar aqui.

O padre Harry tinha acabado de se mudar para a nossa paróquia e ele estava chamando novas crianças para se tornarem coroinhas e ajudá-lo durante as celebrações e eu estava muito empolgada para isso, eu sempre quis ser coroinha!

Entrei na igreja e lá estavam vários amigos meus, da escola e da catequese e eu fiquei feliz em ter alguém que eu conhecesse. Depois que passou a euforia de encontrar os meus amigos, eu comecei a reparar nas crianças que estavam ali e que eu não conhecia, e que eu esperava que se tornassem meus amigos um dia. Mas havia um menino estava sentado bem quietinho no fundo da igreja que me chamou a atenção.

Ele era magrinho com o cabelo todo bagunçado e umas roupas arrumadinhas demais para uma criança. Ele estava com a mão no bolso e olhava para baixo. Um garoto começou a rir muito alto e todos olharam para ele, menos o menino de cabelos bagunçados no fundo da igreja.

Eu fiquei triste por ele, que parecia estar muito triste sozinho ali e então, sem pensar muito, eu fui até ele.

—Oi – eu falei me aproximando e ele me olhou com os olhos verdes muito bonitos. Eu sorri para mostrar que queria ser amiga dele.

—Oi – ele falou baixinho e sorriu de volta. Mais confiante eu me sentei ao lado dele.

—Eu sou a Bella, Bella Swan.

—Eu sou o Edward Masen... quer dizer é Cullen, Edward Cullen – eu ri

—Você não sabe o seu nome direito?

—É que às vezes eu esqueço que mudou – ele deu de ombros e eu franzi o cenho.

—Mudou? Como assim?

—É que eu mudei de família. Agora eu tenho um pai novo, uma mãe nova, um irmão grande e uma irmã pequenininha.

—Por que você mudou de família?

—Por que a minha primeira mamãe morreu e agora eu sou filho de outra pessoa. É isso que acontece quando as mamães morrem.

—Ah bom – falei mesmo sem entender direito – e por que você está aqui sentado sozinho?

—Por que eu não conheço ninguém aqui, não sei se eles vão querer ser meus amigos. Na onde eu morava antes ninguém queria.

—Ah, mas eu quero! Eu vou ser a sua amiga agora – sorrimos um para o outro e eu sabia que ele queria ser meu amigo também.

.

—Sim – Edward falou me tirando dos meus devaneios – eu ainda estava super-tímido e tinha problemas em fazer amigos desde... sempre até que certa menininha de tranças me acolheu – eu sorri contente.

—E nos tornamos amigos desde então.

—Sim, melhores amigos. Quando te conheci eu ainda estava me acostumando a todas as coisas que tinham mudado na minha vida, família nova, cidade nova, casa nova... E ter você me ajudou muito – ele me olhava intensamente, os olhos brilhando cheios de sinceridade – era para você que eu corria sempre que eu queria contar alguma coisa, fosse triste ou feliz, era para você que eu desabafava. Você sempre foi a minha força, minha melhor amiga, a minha... – Edward fechou os olhos e respirou bem fundo antes de continuar.

—Isabella você se tornou a coisa mais importante do mundo para mim, a mais importante da minha vida – Eu arregalei os olhos e o meu coração batia muito forte. Antigamente eu me encheria de esperanças de que uma luz tivesse acendido na cabeça dele e estando iluminada, ele finalmente veria que nutria sentimentos por mim e ficaríamos juntos.

Hoje eu sabia que isso não ia acontecer, mas mesmo assim o meu coração acelerou em um ritmo frenético, tanto que eu tive medo de que ele saísse pela minha boca a qualquer instante. E para piorar a situação, Edward acariciou o meu rosto, enquanto me olhava nos olhos, cheio de carinho, cheio de tantas coisas não ditas. Eu tentava controlar a respiração, os meus batimentos loucos e os pensamentos, mas ele simplesmente não me deixava pensar continuava falando com a voz macia e sussurrada.

—Bella, esse tempo que eu passei sem te ver foi tão doloroso, tão ruim. Eu me senti como se o meu coração não estivesse mais comigo, como se me faltasse um pedaço... e eu morri todos os dias longe de você – ele respirou fundo e eu o imitei dando conta de que estava prendendo a respiração, Edward colou sua testa na minha e falou baixinho – Bella... eu...

—Edward! Bella! – Padre Harry gritou lá do outro lado da igreja – Como é bom ver vocês, minhas crianças! – Edward me deu um sorrisinho sem graça e separou de mim. Nós nos levantamos juntos e fomos em direção a ele, que não tinha mudado nada nesse ano, continuava com os mesmíssimos cabelos grisalhos, o sorriso fácil e a pele enrugada em volta de seus olhos. Nós o abraçamos com todo o carinho que sentíamos por ele.

—Vieram para o natal? – Assentimos animados – sabia que iam vir, mas imaginei que só os veria na hora da missa.

—A gente estava com saudade, não dava para esperar.

—Eu quero que me contem tudo. Vamos lá na casa paroquial e a gente conversa – Nós o seguimos e passamos boas horas conversando com ele que me perguntou absolutamente tudo sobre o convento e eu contei. Ficou bem contente quando contei sobre os meus votos provisórios que estavam por vir ele me garantiu que iria.

Eu contei também do castigo que a irmã Irina tinha me dado confessou que não gostava muito dela, Edward me olhou com o canto dos olhos e concordou imperceptivelmente com a cabeça, eu segurei o riso.

Depois o padre e Edward começaram a falar sobre as matérias que ele estava aprendendo. Eles falavam sobre teologia, de igual para igual, afinal, desde que Edward contou ao padre Harry que ele queria ser padre ele se propôs a dar algumas aulas a ele e Edward sempre me trazia com ele, mas eu preferia ficar apenas ouvindo e observando, era o que eu fazia agora.

Os olhos de Edward brilhavam de fascínio. Ele mesmo disse estar perdido, e eu não sei bem o porquê de ele se sentir assim, já que o seminário é tudo com o que ele sempre sonhou. Se eu era a força dele, precisava convencê-lo a ficar cada vez mais firme no seu propósito.

Precisamos encerrar a nossa visita as três da tarde. O Padre tinha muitas coisas para resolver além de preparar a celebração de natal, logo mais à noite, então fomos para a minha casa e ao chegarmos lá vimos que ela ainda estava vazia. Nós nos sentamos no sofá e Edward me abraçou apertado.

Eu sabia que ele precisava desse contato tanto quanto eu, agora eu entendia isso, apesar de que era de uma forma bem diferente do que eu precisava dele, mas ainda assim, Edward precisava de mim e eu tinha que ajudá-lo. Abraçados no sofá eu tinha a orelha em seu peito e eu sentia seu coração bater tão forte como o meu. Ele acariciava meus cabelos com carinho demonstrando uma calma que ele não estava sentindo de verdade.

—Você vai cortar os cabelos? – Edward perguntou do nada e eu olhei para cima sem entender o que ele queria dizer – sabe quando fizer seus votos. Vai oferecê-los a Deus?

—Acho que sim, não é obrigatório, mas eu sinto que devo fazer isso.

—Que pena. Eles são tão lindos...

—Mesmo que eu não os cortasse, quando eu for noviça eu vou começar a usar o véu, ninguém mais vai vê-los e ainda por cima é muito mais fácil lidar com o véu sem o cabelo para atrapalhar – dei de ombros.

—Mesmo assim, vai ser triste saber que você não vai mais tê-los. Quando eu olhar para você vou saber que não tem mais esses cabelos lindos que eu tanto adoro – ele deu uma risadinha fraca – apesar de saber que eu não vou ver mais você – ele me abraçou mais forte suspirando.

—Ei, Edward... eu sei exatamente o que você está sentindo. Eu também morro de saudades de você, eu também sinto que estou sem um pedaço de mim quando estamos longe, mas esse é o ônus da nossa escolha. Além do mais isso não vai durar para sempre. Pensa que em breve estaremos juntos...

—Em breve Bella? Ainda faltam uns seis anos para terminar os meus estudos e me ordenar padre. Fala para mim, como eu vou conseguir viver sem você todo esse tempo? – Edward me soltou e se afastou um pouco passando as mãos nos cabelos, deixando-os ainda mais bagunçados e eu pude ver o quanto estava nervoso quando voltou a falar gaguejando sem parar – Bella, eu não sei se... Eu não quero... eu acho que não quero voltar para o seminário – eu ofeguei ao ouvir aquilo e arregalei meus olhos olhando para ele.

—É claro que você quer, Edward – eu ri nervosa tentando controlar a minha voz – pensa em tudo o que você sonhou, em tudo o que nós sonhamos. Você não pode dar as costas assim...

—Bella, você não entende...

—Olha aqui, eu prometo que a gente vai se ver mais de agora em diante – eu coloquei minha mão em seu rosto. Ele estava com os olhos bem fechados e uma expressão de quem sentia dor – logo eu vou ser uma noviça e vou ter mais liberdade, além do que a irmã Irina nem deve estar se lembrando da minha punição a essa altura. Vou te ver todos os domingos, eu prometo – eu fiquei de pé e o puxei pela mão – Agora vem, eu tenho uma coisa para você.

Subi para o meu quarto e Edward me seguia em silencio. Ao chegar lá eu abri a minha gaveta do criado mudo e tirei um embrulho que tinha deixado ali mais cedo e estiquei para ele.

—Eu ia te dar mais tarde, ou talvez amanhã de manhã, mas acho que não há melhor momento do que agora – Edward sorriu e se sentou abrindo a caixinha. Quando viu o que tinha dentro franziu o cenho, mas ainda sorrindo ele tirou o terço vermelho que eu estava dando a ele – Eu sei que é um presentinho bobo e sei também que você tem milhares e milhares desses, mas você me deu o seu terço favorito, que você não largava desde criança para eu não me sentir sozinha e então eu quero te dar o meu terço favorito para que ele te faça companhia como o seu faz para mim, assim você vai ter um pedacinho de mim sempre junto com você, do mesmo jeito que eu tenho um pedacinho seu – Ele levantou os olhos me olhando com carinho e eu sorri para ele me sentando ao seu lado na cama. Assim que sentei ele me deu um abraço bem apertado.

—Agora você vai sempre me ter por perto – falei baixinho para ele.

—Ah irmãzinha, eu te amo tanto, tanto! – Apertei meus olhos com força me deliciando com as suas palavras, enquanto o meu coração disparava feito um louco.

—Eu também Edward, eu te amo demais!

Notas finais
E ai? O que voces acharam do capitulo? Contem para mim. Deu para entender o que se passa na cabeça do Edward? Confusão, confusão... E ao que parece a Bella é a cega da vez... Eu quero agradecer a voces que tem acompanhado a historia e deixado seu comentario, eu leio todos e vibro com a chegada de cada um, mas essa semana eu comecei em um emprego novo e eu estou suuper sem tempo, mas logo logo eu volto a responder voces tá? Ai ai.. Esse foi só o primeiro dia das férias de natal, tem mais por ai... Vejo voces na terça né? Beeeeeeijos