A Irmãzinha
7 Capítulo Seis
Notas iniciais
Pov. Edward
As aulas que me fascinavam não mais prendiam a minha atenção, eu não conseguia mais pensar em nada, me concentrar em nada já que a minha cabeça e meu coração estavam do outro lado da rua, dentro dos muros altos do convento com a Bella... minha Bella, meu amor.
Há três meses eu vivo assim, com o tempo passando lentamente só para me torturar, só para ferir ainda mais meu coração já tão machucado. As pontas dos meus dedos tinham o formato das contas do terço que ela me deu já que eu sempre o mantinha comigo como se realmente fosse um pedaço dela e aquilo era a única coisa que eu tinha que me mantinha são, que me mantinha inteiro. Eu rezava desesperadamente todos os dias pedindo, implorando a Deus que eu pudesse ter coragem e me ajudasse a encontrar um jeito de trazê-la para mim.
Sabia que a qualquer momento eu poderia enlouquecer já que a cada vez que eu fechava os olhos a noite em que Bella passou comigo voltava a minha cabeça e eu me lembrava vividamente de cada segundo. Eu já tinha dormido com ela outras vezes enquanto crescíamos, mas essa vez foi diferente porque o que eu sentia por ela era diferente.
Naquela noite, eu passei o tempo todo acordado, vendo-a dormir tão tranquila, tão linda e ali em meus braços! Eu não pude deixar de imaginar como seria se ela fosse realmente minha... – suspirei sentindo meu corpo inteiro estremecer – meu Deus, como eu queria que Bella fosse minha!
Todas as vezes que eu me lembrava disso, a mesma angustia me tomava. Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração doía tanto, de saudade, de desespero e de amor.
—Edward? – Levantei a cabeça, tirando os olhos do livro que eu não lia quando padre Garrett se aproximou sorridente trazendo um envelope – aqui, chegou para você.
—Obrigado – falei enquanto ele se afastava com um envelope idêntico ao meu. Sem interesse algum, eu o abri e comecei a ler, mas foi ficando cada vez mais difícil por causa das lágrimas que inundaram meus olhos.
Aquilo era um convite.
Um lindo convite, todo delicado com letras bem desenhadas, endereçado a mim, me convidando para a A consagração das Aspirantes Rosalie Lilian Hale e Isabella Marie Swan onde elas orgulhosamente fariam seus votos e se tornariam Noviças. E a fatídica data estava marcada para daqui a dois meses.
Não consegui controlar meu choro sentado no meio da biblioteca com aquele convite tão delicado na mão. Enquanto eu o olhava, uma onda de arrependimento devastadora caiu sobre mim fazendo meu coração bater descompassado e, instintivamente, puxei meus cabelos em desespero tentando desviar a dor intensa em meu peito por pensar que eu poderia ter evitado tudo aquilo.
Eu tive a oportunidade perfeita para ter impedido Bella de ter voltado para o convento e agora não tinha mais nada que eu poderia fazer...mas, mas há três meses eu estava cheio de coragem, eu já tinha dito tanta coisa, seria tão fácil contar a ela que estou apaixonado, me aproximar e provar de seus doces lábios... só que ela me interrompeu, contando de como estava feliz no convento e como covarde e imbecil que eu sempre fui, desisti... deixei para lá e agora me arrependo tanto!
Solucei sem me importar se tinha plateia para a minha dor ou não, só pensando que na época eu achei que não precisava fazê-la sofrer com o que eu sentia por isso decidi que guardaria os meus sentimentos e viveria com isso pelo resto de meus dias, mas agora, enquanto vislumbro o futuro, enquanto imagino esta mesma dor para sempre sei que eu não posso mais fazer isso... sei que eu não aguento mais!
Não posso mais fazer como naquela noite, ficar apenas fantasiando que ela é minha, eu preciso tê-la para mim! Eu não posso ficar de braços cruzados enquanto ela se torna noviça, não posso... E não vou. Preciso contar a ela como eu me sinto.
Olhei para o convite preparado com tanto carinho, me lembrei de como minha Bella estava animada com a possibilidade dos votos, como se sentia feliz com sua vida nova e me lembrei de cada uma de suas palavras em meu quarto naquela noite, me lembrei do quanto ela sonhou em ir para o convento por tantos anos e soube que tinha um grande obstáculo que me impedia de ficar com ela: o seu amor imenso pela igreja.
Mesmo sabendo disso, eu não posso mais ignorar o que eu sinto por ela, não posso mais, estou decidido a abrir meu coração e dizer a Bella como eu me sinto, mesmo que isso não dê em nada.
.
Pov. Bella
Era uma tarde comum no comecinho de maio.
Nesses cinco meses que se passaram eu não consegui cumprir a minha promessa, não consegui ir as missas no seminário para ver Edward. Dessa vez não foi por causa da Irmã Irina já que como eu imaginei ela já não me proibia de ir, mas eu estava muito atarefada com a preparação da celebração dos meus votos. Aos fins de semana íamos visitar outros conventos, outras congregações e participávamos da consagração de muitas noviças nos preparando assim para nossa.
Rose e eu aprendemos muito nesses meses, tanto que nem os vimos passar, a tal ponto de que de uma hora para outra éramos nós quem estávamos recebendo as noviças que nos visitavam para a nossa própria consagração.
Nossa! A partir de amanhã, eu seriei uma noviça!
Balancei minha cabeça incrédula pensando em tudo o que eu passei para estar aqui e em tudo o que eu ainda tinha pela frente. Amanhã, teríamos uma celebração aonde iríamos ser consagradas e diremos os votos, nos comprometemos a respeitá-los desde já até que chegue o dia da nossa profissão solene onde Rose e eu diríamos nossos votos perpétuos e nos tornaríamos freiras.
Eu sorria eufórica pela data finalmente ter chegado, mas o meu sorriso aos poucos foi morrendo ao me dar conta de que não era por causa da celebração que eu estava esperando tão ansiosamente, mas que lá no fundo eu sabia que era porque eu finalmente veria meu Edward depois de tanto tempo.
Cinco meses era uma eternidade para a gente que nem nos desgrudávamos antigamente e mesmo que eu vivesse cheia de coisas para fazer e pensar eu nunca deixava de pensar nele, em como estava, se estava em paz e feliz. Eu finalmente vou saber amanhã!
Suspirei me obrigando a prestar a atenção no que estava fazendo.
Rosalie e eu estávamos em nosso quarto confeccionando as últimas lembranças que entregaríamos depois da celebração de amanhã e eu resolvi tagarelar alguma coisa para parar de pensar em Edward e deixar de ficar tão ansiosa por finalmente vê-lo.
—Minha mãe está muito mais ansiosa por amanhã do que eu. Acredita que ela tem ligado tanto aqui que a irmã Irina está pensando em desligar a campainha do telefone? – Disse a Rosalie e nós rimos – tem sorte da sua mãe não ser uma desesperada como a minha – eu ri e ela não me acompanhou dessa vez. Apenas deu um longo e profundo suspiro antes de dizer.
—A minha mãe morreu quando eu nasci, Bella.
—Ah... me perdoe, Rosie, eu não sabia. Sinto muito, muito mesmo – ela assentiu e voltou a atenção para a lembrancinha que fazia – Mas... o resto da sua família vem amanhã, não é?
—Na verdade, não.
—E por quê?
—Eu não chamei – ela deu de ombros.
—Eles são contra?
—Em parte. Meu... meu pai com certeza preferiria me ver casada – Rosie disse tentando parecer despreocupada, mas eu pude sentir algo de frenético em seu tom de voz.
—Conta para mim – pedi verdadeiramente preocupada com a minha amiga.
—É complicado Bella... – ela mordeu o lábio parecendo indecisa, mas eu não ia insistir. Fiquei em silencio esperando que ela tomasse sua decisão. Um minuto se passou até que ela respirasse fundo e começasse a falar em voz baixa.
—Eu estava noiva antes de vir para cá. Meu pai é dono de um banco em Rochester, mas os negócios iam mal e ele resolveu fazer um... trato com outro banqueiro de lá. Eles queriam unir os bancos tornando um só, e isso se daria através do casamento entre mim e o filho de seu sócio. Eu tinha dezesseis anos quando eles fecharam o acordo e a partir daí eu passei a me encontrar com Royce, como em um namoro de verdade. Eu mal o conhecia, mas achava que ele era um cara legal porque estava adorando ter alguém que conversasse comigo e me desse atenção. Aos poucos eu me via realmente formando uma família com ele e eu queria uma família bem grande com muitos filhos para que eles não crescessem sozinhos assim como eu cresci – ela deu um sorriso triste e continuou.
—Sabe, eu fui criada por inúmeras babas e não havia uma só coisa que eu desejasse e não tivesse, meu pai me dava de tudo, tinha muito dinheiro, mas nunca estava comigo, jamais se sentava a mesa para comermos juntos ou me perguntava como tinha sido o meu dia na escola – ela balançou a cabeça depois de respirar fundo algumas vezes – Naturalmente, aos poucos, fui começando a confiar em Royce e já estávamos “namorando” há seis meses quando ele me levou para conhecer a casa que ele tinha comprado para nós e o pior é que quando chegamos lá, ele me mostrou a casa toda e eu fui logo imaginando como seria viver ali, fazendo planos pensando em mudar os móveis de lugar e deixar tudo a minha cara – uma lágrima escapou de seus olhos e ela limpou rapidamente antes de continuar.
—Eu estava muito feliz e satisfeita, até que ele me levou para conhecer o que seria o nosso quarto. E então... ele me colocou sobre a cama e começou a me beijar e me fazer uns carinhos que eu não estava acostumada. Eu vi logo aonde isso ia dar e pedi para ele parar, que eu não estava pronta, mas ele insistia, insistia e eu lutava com todas as minhas forças... até que ele me bateu e... e... – eu segurei as mãos dela oferecendo apoio quando suas lágrimas não a deixaram continuar e nem precisava seu lindo rosto estava cheio de dor enquanto revivia esse momento horroroso então eu a abracei deixando que chorasse e se acalmasse, o que ela fez depressa desesperada para continuar contando.
—Quando... quando voltei para casa triste, humilhada e morrendo de medo, contei tudo ao meu pai, mas ele disse que éramos namorados e essas coisas aconteceriam entre nós uma hora ou outra e que eu não podia ficar me fazendo de difícil devia me entregar ao meu noivo quantas vezes ele quisesse.
—Rosie... isso é terrível! – Ela assentiu fungando e secando seu rosto tão transtornado pela dor.
—Depois desse dia eu passei a ter medo de Royce e não queria ir com ele a lugar nenhum. Tentei fugir, mas ele reclamou para o meu pai que ficou furioso e adiantou a data do casamento, me entregando pessoalmente todos os dias para Royce, assim eu não escaparia. Meu noivo — Rosie cuspiu a palavra com desprezo – era cada dia mais violento, me batia muito, abusava de mim sempre que podia, quantas vezes conseguia e eu não aguentava mais, estava desesperada afinal se ele me tratava assim naquela época, imagina quando fossemos casados? – Minha amiga estremeceu – nós íamos nos casar na véspera do natal, há dois anos e a data se aproximava cada vez mais que num ato desesperado eu roubei um dinheiro do meu pai e fugi para o mais longe que o dinheiro poderia me levar. Sabia que se ele me encontrasse ia me obrigar a voltar e a me casar e então a única solução que encontrei foi vir para o convento. Ele não pode fazer nada comigo, principalmente enquanto eu estiver aqui.
—Rose, eu sinto muito, muito mesmo – eu a abracei tentando confortá-la, mas seu choro sofrido não tinha fim.
—Tudo bem Bella, agora eu estou bem – ela falou fungando mesmo parecendo não estar – às vezes esse pesadelo ainda me assombra, mas posso lidar com isso. Pelo menos aqui dentro eu tenho paz.
Ainda abraçada a ela, esperando que se acalmasse eu me lembrei de seu primeiro dia aqui e de como ela desejava encontrar a paz. Agora eu a entendia por que ela se sentia assim, entendia o choro e os pesadelos que ela tinha. Eu me afastei quando ela parou de chorar e sequei suas lágrimas com carinho.
—Rosie – falei quando ela parecia estar mais calma – pelo que você me disse, tem certeza de que aqui é o seu lugar? Tem certeza de que quer fazer isso? Entendo por que quis fugir ficar longe do seu pai, mas não precisa ficar em um convento. Quem sabe você não encontra um cara legal que te ajude a superar tudo o que você viveu...
—Não, Bella, eu jamais conseguiria. Não sabe o quanto é difícil para mim, eu... eu mal consigo me aproximar de homem nenhum sem ficar assustada. Não consigo sequer cogitar a ideia de encontrar alguém nesse sentido.
—Nem todos os homens são iguais, Rose, você ainda pode realizar seu sonho e ter uma família grande com um cara que te ame de verdade. Eu vi em seus olhos quando disse que queria ter muitos filhos, esse é o seu sonho, essa é a sua vocação.
—É claro que eu sonho em ser mãe, Bella, quem de nós não sonha? – Ela me deu um sorriso tão triste e suspirou – toda a mulher nasce programada para ser mãe um dia, essa sem dúvidas é a parte mais difícil por trás da decisão de uma mulher em se tornar freira, ter de abrir mão desse sonho que já vem arraigado em nós e... por mais que estejamos felizes com nossas escolhas nada nunca vai substituir esse vazio em nós.
—Acho que você em razão, mas isso não muda o fato de que você deve pensar muito bem, Rose. Quem sabe o seu príncipe não está por aí esperando uma oportunidade de te fazer feliz?
—Eu não preciso ser feliz, Bella, só preciso viver em paz, e isso eu já consegui aqui – antes que eu pudesse pensar em alguma coisa para fazê-la ver a razão, irmã Carmem entrou no quarto toda sorridente.
—Aí estão vocês, as futuras noviças – ela deu uma risadinha animada – o que estão fazendo? – Antes de eu responder Rose o fez.
—Irmã, você pode cortar os meus cabelos? Quero oferecê-los a nossa senhora da paz.
—É claro que sim. Vamos lá – ela se levantou e a irmã olhou para mim – você vem Bella? – Eu hesitei. Antes eu tinha certeza que eu queria cortar, mas Edward disse que gostava dele assim – sabe que não precisa fazer isso se não quiser...
—Eu sei, e eu não quero cortá-los mais.
—Tudo bem, mas venha junto, sabe para dar apoio moral para Rose – eu ri e as acompanhei.
.
.
—Que bom que vocês chegaram! – Eu sorri agarrada a minha mãe. Meus pais, Jasper, os Cullen e o Padre Harry tinham chegado para a celebração às três da tarde a fim de passar um tempinho comigo antes da celebração.
Depois do encontro eufórico e de contarmos as novidades, de extravasar a ansiedade que todos estavam sentindo, eu os levei para conhecer o convento apresentando todo mundo cada uma que cruzava nosso caminho. Emmett estava um pouco inquieto olhando tudo com atenção como se procurasse por algo e por mais estranho que aquilo parecesse, fingi não notar. Eu os levei a todo canto mostrando com orgulho e alegria meu novo lar para aqueles que eu tanto amava: a capela, a sala de aula, a sala de música, meu quarto e deixei o refeitório por fim para gente comer alguma coisa antes do horário da missa.
Sentada em uma das mesas estava Rosalie com o seu novo corte de cabelo curtíssimo. Assim que nos viu entrar ela se levantou toda sem jeito e tentou sair sem ser percebida, mas eu a chamei.
—Rose, venha conhecer a minha família – ela se aproximou completamente vermelha e de cabeça baixa – gente essa é a Rosalie, minha melhor amiga aqui dentro e Rose esses são meus pais Renée e Charlie, meu irmão Jasper – fui apontando para cada um – o padre Harry, pároco da paróquia em que cresci. Aqueles são Esme e Carlisle, os pais do meu amigo Edward e Alice e Emmett que são irmãos dele.
—É um prazer conhecê-los, fico feliz que estejam aqui.
—Você é a outra futura noviça, não é? – Minha mãe perguntou e ela assentiu.
—Sou, sim senhora – Rose falou baixinho evitando olhar para Emmett olhava para ela sorrindo feito um bobo deslumbrado. Eu queria pedir para ele não fazer isso, eu sentia como ela estava desconfortável ao meu lado.
—Vamos nos sentar, Rosie, temos algum tempo ainda e você vai poder conhecer minha família melhor.
—Eu sinto muito, Bella, mas a irmã Carmem está esperando por mim, tem algumas coisas que eu gostaria de falar com ela antes da celebração, por isso eu já estava de saída, mas eu faço questão de conhecer todo mundo em nossa recepção depois da missa pode ser?
—É claro, querida, não se prenda por nós, vamos nos ver muito ainda. Temos a vida toda pela frente.
—É verdade – minha amiga sorriu para Esme e depois para mim – Bella eu espero você no quarto, tudo bem? – Eu assenti – com licença.
—Essa sua amiga é um amor – minha mãe disse enquanto a assistíamos quase correr do refeitório
—Ela é um anjo – Emmett balbuciou olhando para a porta que ela tinha acabado de passar. Olhei para ele de cenho franzido e Alice deu uma cotovelada nele, sussurrando algo em seu ouvido.
Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, Alice já tinha começado outros assuntos tão rapidamente que me fizeram esquecer do pequeno ocorrido. Nós fizemos um lanche muito gostoso entre risadas em família e eu achei aquele momento perfeito, mas que melhoraria infinitamente mais se meu Edward estivesse conosco, por isso, o tempo todo, eu segurei seu terço o trazendo para perto, para que de uma forma ou de outra ele estivesse ali.
Depois de comermos tive que deixar minha família para me preparar para a celebração. Tomei um banho e vesti o hábito branco que eu usaria a partir de hoje. Rose já estava pronta e pensativa quando voltei para o quarto e junto com algumas irmãs nós fomos de van para a catedral dos santos anjos, onde seria realizada a nossa consagração.
Assim que entrei na igreja, eu soube que Alice deu um jeito na decoração. Havia arranjos de todos os lados, tudo muito bonito e elegante. Acenei para a minha família sentada no primeiro banco quando passei por eles enquanto ia para a sacristia acertar.
Fiquei tão entretida falando com o bispo sobre os últimos detalhes que quando dei por mim, a catedral já estava cheia e estava na hora da missa começar. Passei meus olhos vasculhando a igreja à procura dos cabelos bagunçados do meu Edward, louca para finalmente vê-lo, mas não o encontrei.
De onde eu estava podia ver os seminaristas todos vestidos formalmente para a celebração, mas meu Edward não estava entre eles. Eu ainda o procurava com o olhar quando alguém me disse que estava na hora de me posicionar para o início da celebração. Apenas assenti com um sorriso, sentindo o meu coração se apertar: onde está Edward?
Passei por toda a igreja a caminho da porta, olhando em cada canto, em cada banco da igreja, mas foi em vão Edward não estava lá. Eu comecei a ficar triste. Toda a euforia que senti o dia todo, a semana toda ia se esvaindo de mim como poderia que ele não estaria presente em um dos momentos mais importantes da minha vida?
Mesmo desanimada eu não perdi a esperança quando me coloquei ao lado de Rose na frente da igreja esperando a nossa hora de entrar. Eu ainda olhava para todos os lados esperando que Edward aparecesse quanto eu senti a presença dele.
Olhei em volta e Edward estava se aproximando e eu sorri feliz. Ele estava tão lindo todo de preto a não ser pelo colarinho clerical – normalmente isso seria uma roupa de padre fora das missas, mas em celebrações como esta, os seminaristas estão autorizados a utiliza-las também, já que ainda não são paramentados. Seu cabelo estava completamente desalinhado e eu ri imaginando quantas e quantas vezes ele passou as mãos por eles eu o olhei por mais um momento, guardando aquela imagem só para mim, mas no instante seguinte eu já estava em seus braços o apertando com força desejando ter o poder de ficar assim para sempre.
—Eu achei que você não vinha – falei baixinho em seu ouvido.
—Acha mesmo que eu faria isso com você, Bella? Hoje é um dia muito importante para você! – Ele se afastou um pouco para olhar em meus olhos.
—Eu sei que não, obrigada por estar aqui – ele assentiu uma vez e me olhou. Seus olhos queriam me dizer algo e apesar de saber disso, eu não fazia ideia do que seria. Então Edward respirou fundo e deu um passo para trás pegando a minha mão e me levando com ele.
—Bella – Rosalie sibilou – Onde você vai? Já está quase na hora.
—Eu já venho – respondi e segui Edward sem hesitar para a lateral da igreja, longe dos olhares de Rose, onde ele me prensou contra a parede. Bem devagar ele estendeu a mão e acariciou meu rosto. Seus olhos olhavam nos meus, muito sérios e intensos.
Ficamos nos olhando naquele momento interminável e, de alguma maneira, era como se Edward estivesse me contando alguma coisa. Que boba! Apesar de já termos nos olhado assim tantas vezes, apesar de já termos ficado assim tão perto, meu coração sempre batia assim tão forte, eu sempre ficava sem folego, mesmo agora que estava prestes a me tornar noviça eu não conseguia evitar, meu coração o queria tanto, tanto!
—Bella... – ele sussurrou tão pertinho – eu preciso, preciso te dizer que... que eu te amo!
—Eu sei Edward – acariciei seu rosto sussurrando também com um sorriso bobo – Eu te amo também, sabe disso. Você é...
—Shhh... Bella shhh... – ele me interrompeu pousando delicadamente o dedo sobre o meu lábio – Você não está me entendendo! Eu... eu... – Ele fechou os olhos com força por um instante e quando abriu se aproximou de mim, tão perto a ponto das nossas respirações se misturarem. Seus lindos olhos verdes me encaravam gritando para que eu pudesse entender e então ele levou uma das suas mãos ao meu queixo e a outra abraçou a minha cintura.
—Eu te amo Bella, eu te amo! — Edward alternava olhando da minha boca para os meus olhos, um pouco hesitante para que eu me desse conta do que estava dizendo para que eu visse como ele me amava.
Hipnotizada e ofegante eu fazia o mesmo, olhando de seus olhos para seus lábios que se aproximavam cada vez mais dos meus até que eles finalmente estavam juntos, unidos delicadamente em um beijo.
Meu coração batia freneticamente, loucamente martelando em meus ouvidos quando a princípio ficamos parados os lábios unidos naquele doce primeiro contato. Logo nos demos conta de que aquilo era real, que estávamos nos beijando finalmente!
Sorrimos juntos por um instante nervosos e maravilhados com aquelas novas sensações e voltamos a nos beijar, dessa vez explorando, deixando que nossas bocas se movessem juntas à nossa maneira insegura e inexperiente, afinal aquele era o nosso primeiro beijo.
O sino da catedral bateu anunciando a celebração que estava prestes a começar e nem o barulho fez com que o nosso beijo fosse interrompido, muito pelo contrário, nós nos abraçamos ainda mais forte nos entregando aquele momento, nos entregando aquele beijo tão doce e delicioso me fazendo desejar que aquele momento durasse para sempre.
—Eu amo você, Bella – Edward sussurrou em meus lábios antes de uni-los aos seus outra vez.
—Bella! – Rosalie me chamou e nós nos separamos de pressa como se o encanto fosse quebrado. Edward e eu nos olhamos ofegante e o vento fez com que meu hábito branco se balançasse ao meu redor me lembrando onde eu estava, me lembrando que eu deveria me tornar noviça em alguns instantes. E pela forma com que Edward me olhou, ele se lembrou disso também, provavelmente estava pensando que um rapaz vestido como um padre estava beijando uma menina vestida como freira na porta de uma igreja, devia estar pensando em quanta coisa teríamos que consertar para que tudo estivesse finalmente em seu lugar. Não consegui nem ao menos recuperar meu fôlego ou organizar meus pensamentos já que no segundo seguinte em que me separei de meu amor minha colega estava ao meu lado me puxando pela mão – Vem já está na hora!
Eu estava tão atordoada pelo beijo, por saber que Edward me amava do mesmo jeito que eu e por me dar conta de que eu estava prestes a assumir um compromisso com a igreja que eu permiti que Rosalie me arrastasse sem dizer nada.
Edward ficou lá atrás, olhando para mim enquanto eu me afastava.
Fale com o autor