A Irmãzinha

6 Capítulo Cinco


Notas iniciais
Oi irmãzinhas :) Nossa... eu nem sei o que dizer desse capitulo... Só que eu espero sinceramente que voces gostem. Boa Leitura!

Eu me aproximei bem devagar da cama e de Edward, repentinamente nervosa demais com a situação tanto que estava torcendo para não tropeçar no escuro. Enquanto eu me aproximava, Edward foi se deitando de lado e erguendo o edredom, me convidando a deitar com ele.

—Você está com sono? – Ele me perguntou assim que eu deitei enquanto ajeitava o edredom sobre mim e pegava minhas mãos.

—Não, nenhum pouco.

—Que bom – ele sorriu – porque eu não quero dormir.

—Está sem sono também?

—Um pouco, mas a verdade é que eu tenho medo do dia que vai amanhecer e vai te afastar de mim. Eu não quero isso – eu franzi o cenho e suspirei.

—Se for começar com esse papo triste eu dormir com a Alice. Ao invés de lamentar pelo tempo que acabou, vamos aproveitar o que ainda temos, tá bom? Vamos nos concentrar no aqui e agora.

—Você está certa, me desculpe.

—Tudo bem – eu sorri, mas Edward não viu, já que estava olhando para as nossas mãos juntas.

Depois de um momento e um longo suspiro, ele soltou nossos dedos que estavam entrelaçados e bem devagar foi passando o dedo indicador pelas costas da minha mão e foi subindo pelo braço, deixando minha pele arrepiada por onde ele passava.

Edward olhava atentamente seu dedo acompanhando o caminho que fazia. Quando chegou ao meu ombro, acompanhou delicadamente a linha da minha clavícula indo até a base do meu pescoço, brincando com a pequena cavidade ali só por um momento antes de continuar pelo meu colo, de um lado para o outro, acompanhando o decote da blusa que eu usava.

Seus olhos estavam concentrados no trajeto que fazia e meus olhos estavam concentrados nele. Seu rosto ficou muito vermelho quando acidentalmente seus dedos passaram do limite da blusa, mas sua expressão não mudou continuava serena e decidida.

Eu prendi a respiração quando senti sua mão percorrendo minha pele daquele jeito e era tão bom, tão diferente de qualquer toque que eu já tinha recebido na vida que eu não queria que acabasse então eu permaneci ali, recebendo, aproveitando.

Seus dedos continuavam ali roçando minha pele e, seus olhos subiram olhando para mim com atenção parando na minha boca. Depois de um momento seus olhos encontraram os meus e eu tentei desvendar o se passava na cabeça dele, mas eu simplesmente não fazia ideia do que ele poderia estar pensando, e eu ficava cada vez mais curiosa enquanto ele corava.

—Edward, no que está pensando? – Perguntei enfim bem baixinho enquanto ele desviava os olhos recolhendo a mão.

—Eu... eu estou pensando... pensando em... em... em sexo – o choque de suas palavras me fez dar uma risadinha nervosa.

—Sexo? – Repeti incrédula e ele assentiu – é sério? – O canto de sua boca se retorceu em um meio sorriso.

—Por que o espanto?

—Não sei, eu acho que é por que eu não penso muito sobre esse assunto e pensei que você não pensasse também.

—Eu penso às vezes. Você não pensa nunca?

—Não, não sei muita coisa sobre o assunto já que como eu sempre quis ser freira minha mãe achou que eu poderia ficar livre da “conversa” e por que você sempre me fazia matar as aulas de biologia sobre esse assunto – ele riu com a lembrança.

—Eu me lembro. Desculpe por isso, mas eu não queria ficar sozinho e não podia suportar ficar numa aula dessas.

—Eu nunca entendi muito bem o porquê...

—Bem, ao contrário de você eu não tive a sorte de escapar da “conversa”. Eu tinha 13 e o Emmett tinha 16, estava começando a sair com algumas garotas e meu pai resolveu falar com ele e comigo também. Meu Deus, foi constrangedor! Não só a parte da conversa, mas principalmente as perguntas que o Emm fazia a ele. Eu tive que implorar para meu pai me deixar ir embora de lá – eu ri.

—Agora está explicado – meu sorriso foi morrendo ao encontrar o olhar de Edward. Ele estava sério, intenso.

—Você não tem curiosidade de saber como é, Bella? – Ele perguntou baixinho me fazendo corar.

Há muito tempo, quando eu sonhava que um dia ele ia me querer como mulher, eu pensava nisso sim, pensava em me unir a ele, ser dele de todas as maneiras possíveis, de todas as maneiras que ele me quisesse. Obviamente eu não diria isso a ele, de jeito nenhum. Só a hipótese de ele imaginar o que eu pensava me deixou completamente corada e eu desviei meus olhos dos dele, com medo de que ele poderia de alguma forma saber o que eu estava pensando.

—Não sente vontade de tentar? – Edward continuou quando eu não respondi – Não sente vontade de experimentar as sensações que as pessoas tanto falam?

—Sensações?

—É... Dizem que o sexo é arrebatador, que é um prazer inigualável, inexplicável – eu franzi o cenho.

—Onde escutou tudo isso se sempre fugia do assunto?

—Mesmo que eu não queria Emmett acabava sempre me contando... sabe, algumas coisas – ele deu de ombros.

—E é por isso que você ficou curioso?

—Não, não foi por isso não. O que Emmett me contava só me dava repulsa – ele balançou a cabeça como se estivesse espantando algum pensamento ruim.

—Então o que te fez pensar nisso? – Ele olhou para mim, encontrando o meu olhar por um instante antes de corar e olhar para baixo.

—Você – arregalei os olhos ofegante e Edward não olhou para mim enquanto falava – bom... eu estava pensando em você e como os seus votos estão perto e que você vai fazer um voto de castidade, vai prometer que não vai fazer sexo com ninguém.

—Não é como se isso fosse mudar alguma coisa – falei muito constrangida e a cada palavra baixava minha voz cada vez mais baixa – você sabe que eu nunca fiz sexo e... eu não tenho planos de mudar.

—Eu sei e é por isso que eu não paro de pensar – Edward segurou meu queixo me fazendo encará-lo – Bella, será que você não vê tudo o que nós não experimentamos e nem vamos experimentar por causa da nossa escolha?

—O que mais pode haver?

—Um relacionamento por exemplo. Sabe o amor entre um homem e uma mulher, namoro, casamento, o próprio sexo. Nós nos focamos em nossa vocação tão cedo, desde os doze anos sabíamos exatamente o que queríamos e então nós não tivemos nem a experiência do primeiro beijo, a primeira paixão, a primeira vez... nada disso! Bella, você não gostaria de experimentar antes que fosse tarde?

—Você gostaria? – Perguntei tentando me esquivar da pergunta – Você faria se tivesse uma oportunidade?

—Se fosse só por desejo eu não faria porque é pecado, mas se eu tivesse apaixonado eu me entregaria de corpo e alma. É assim que tem que ser amor e sexo andando de mãos dadas.

—Mesmo sem se casar? – Ele assentiu – E a castidade?

—Essa é uma questão tão polêmica. Devemos ou não nos manter castos até o casamento?

—É claro que devemos, é o que Deus espera de nós – falei alarmada e ele me deu um sorriso torto.

—Eu sempre achei que esse mandamento é mais para aqueles que só sabem pensar em sexo desenfreado, sem consequências, sem pudor, apenas por luxuria. Já quando se faz amor não tem regra, não tem pecado, não importa o momento ou as consequências – ele suspirou – você não pensa assim?

—O mandamento é muito claro, Edward, não tente ver nas entrelinhas. O que está escrito, está escrito.

—Mas vale uma interpretação. Por exemplo, se... se eu amo você, com todo o meu coração e quero fazer amor com você – Edward desviou o olhar e continuou falando baixinho – é muito diferente se eu te encontro na rua, sem nunca ter te visto, faço... sexo com você e depois me esquecer que você existe. Qual pecado é maior?

—Os dois são errados. Você sabe que não há uma escala para medir pecados – ele sorriu.

—É claro que o segundo é mais grave, irmãzinha. O amor deixa tudo mais leve – eu ri balançando a cabeça sentindo o meu rosto pegar fogo.

—Pelo o que eu estou vendo você andou pensando muito nisso...

—Sim, pensei muito mesmo – ele riu também, mas depois suspirou – mas falando sério, eu fico pensando será que não vamos sentir falta do que não tivemos em algum momento no futuro? Não vamos nos arrepender de não ter... aproveitado todas as oportunidades quando tivemos tempo...

—O que isso quer dizer exatamente? – Edward chegou mais perto e tocou meu rosto.

—Será que a gente não deveria tentar e... você sabe – ele sussurrou com um sorriso tímido – deveríamos experimentar todas essas coisas antes... fazer nossos votos e nos comprometer?

—De onde veio tudo isso? – Ele balançou a cabeça mais uma vez e se afastou um pouquinho.

—É que... Bella, eu não quero cair em tentação... algum dia.

—Você está mesmo confuso, não é? – Ele negou.

—Eu sei muito bem o que eu quero Bella, eu só estou... infeliz – senti um aperto no meu peito.

—Você se sente assim por que estamos longe um do outro?

—No começo eu me sentia bem e feliz, enquanto te via toda semana, não era o suficiente para mim, mas mesmo assim eu estava feliz. Só que... quando você não apareceu no primeiro domingo e eu fiquei preocupado a semana inteirinha pensando em você e no que poderia ter acontecido. Os dias que se passaram foram de agonia, você não aparecia e eu não sabia o que poderia ter acontecido. Eu só rezava para que você estivesse bem – Edward suspirou e pegou minhas mãos apertando com força.

—Três meses depois eu já não aguentava mais. Liguei para a sua mãe para saber se ela tinha notícias suas já que não me falaram nada quando eu liguei para o convento. Ela me garantiu que você estava bem, eu fiquei aliviado, mas a angustia não passava. Eu via você em todo o lugar em que olhava e, te via principalmente quando fechava os olhos.

Tudo o que ele sentiu era um reflexo do que eu tinha sentido longe dele, mas eu tinha tentado seguir em frente e me adaptado ao convento tentando ser feliz, mesmo sem ele e com muito esforço eu tinha conseguido. Mas ao que parece Edward não.

—No dia do seu aniversário – Ele continuou – o padre Garrett pediu que eu fosse resolver uns assuntos para ele no centro da cidade e eu sabia que você ia para o orfanato naquele dia e eu nem pensei direito, só fui para lá, na esperança de te ver pelo menos de longe e quando dei por mim, você estava na minha frente...

Edward fechou os olhos e respirou bem fundo. Quando abriu eles estavam muito intensos cheios de uma emoção que eu não consegui decifrar ao certo. Ele chegou bem perto de mim, a mão colocada com carinho na minha bochecha e a testa grudada na minha. Sua respiração ofegante e seus olhos ainda nos meus.

—Meu Deus Bella – ele falou com dificuldade – foi aí que eu entendi o que estava acontecendo comigo, entendi o motivo pelo qual eu não conseguia me sentir bem. Quando eu te encontrei, encontrei um pedaço que faltava em mim, eu me senti completo ao seu lado e... quando eu te dei aquele beijo... – Edward novamente fechou os olhos parando de falar quando eu ofeguei.

Eu me lembrava exatamente daquele dia e do beijo que ele me deu, como eu poderia esquecer, aquela única vez que nossas bocas se encostaram minimamente, por um leve segundo, um doce acidente. Eu nunca me esqueceria e pelo visto ele se lembrava tão bem quanto eu. Estiquei minha mão e toquei o seu rosto. Edward abriu os olhos no mesmo instante olhando para mim.

—Continue... – pedi baixinho ansiosa para saber o que ele me diria, meu coração batia freneticamente cheio de uma esperança impossível de conter, mas ele apenas balançou a cabeça devagar e suspirou.

—É isso Bella. Eu não sei se consigo ficar longe de você, não tenho forças para mais nada. Não vou conseguir suportar sentir o que eu senti longe de você, de novo não...

Eu não aguentava ver a dor nos olhos de Edward então eu o abracei com força escutando seu coração bater desesperado no peito e permaneci abraçada a ele por um longo tempo como ele não se acalmava, eu me afastei para olhar para ele e então falei:

—Edward, olha... Deus é e sempre será a sua força. Recorra a Ele quando você estiver angustiado, triste e principalmente se algum dia esses pensamentos vierem a você novamente. Ele virá ao seu auxilio e assim você não cai em tentação. Tenho certeza que ele vai te mostrar o caminho certo, não importa qual ele seja.

Eu sorri, mostrando confiança e Edward ficou me olhando por um longo momento, com os olhos indecifráveis. E novamente eu não fazia ideia do que ele estava pensando. Até que de repente seu rosto mudou em uma expressão de deboche.

—Você está me enrolando, Isabella, não respondeu nenhuma das minhas perguntas – ele estreitou os olhos e sorriu – Não sente curiosidade... ou vontade? Conta para mim, você tentaria? – Eu senti meu rosto muito quente e não sabia o que dizer o que só fez o sorriso de Edward aumentar – você está com vergonha... – ele acariciou meu rosto com a voz encantada – Bella, não precisa ficar assim. Fala para mim, por favor.

—Eu não sei Edward... eu já disse que não penso muito sobre esse assunto – falei envergonhada – mas eu acho que assim como você, se eu estivesse apaixonada, eu me entregaria sim de corpo e alma.

—Não foi bem isso que eu te perguntei, mas eu aceito a resposta – eu ri baixinho e ele me acompanhou.

—Agora já chega desse assunto, por favor.

—Tudo bem então – ele falou sorrindo e eu fechei os olhos para apreciar o carinho que ele fazia em mim. Edward acariciava minha testa delicadamente, descendo pela bochecha até que seus dedos tocaram minha boca. Seu polegar desenhou o contorno dela lentamente e o seu suspiro me fez abrir os olhos.

—Bella... – Sua voz era suplicante e seu cenho estava franzido – eu tenho tanta coisa para te dizer...

—Faz um tempo, não é? – Ele me olhou com curiosidade – eu percebi, Edward.

—Você me conhece muito bem mesmo. Eu quero sim te dizer isso há um tempo já...

—Então diz.

—Eu... eu não sei que palavras usar, como te falar... Bella eu... não sei por onde começar a falar o que tem no meu coração – Edward gaguejava e sua mão estava fria sobre o meu queixo. Ele estava nervoso.

—O que você quer me dizer é tipo uma confissão? – Ele ficou lívido por um instante, mas logo recuperou sua expressão.

—Bem... de certa forma... é. Sim.

—Você quer que eu confesse algo primeiro para te dar coragem? – Ele franziu o cenho parecendo confuso.

—Você tem algo para confessar para mim?

—Para dizer a verdade eu não ia te contar isso – falei num tom conspiratório com um sorriso – mas eu quero que se sinta seguro e me conte o que quer que seja.

—Você é tão incrível, Bella... tão maravilhosa – ele parecia agradecida e eu sorri ainda mais confiante.

—Posso começar? – Ele assentiu e eu respirei fundo – Mesmo tendo sonhado com isso a vida toda, eu nunca pensei que poderia ser tão feliz no convento sabia? – Olhei para baixo, mas senti Edward se retesar ao meu lado, mas não parei de falar – lá tem tanta paz, é tão... bom. Eu estou completamente encantada pelo trabalho que temos realizado no asilo e no orfanato. Amo muito a vida que estou levando, como eu nunca pensei ser capaz. Só que eu seria imensamente mais feliz se você estivesse lá. Sei que eu vou parecer uma boba, mas eu sinto uma saudade louca de você tanto que eu fico te imaginando do meu lado, pensando o que me diria quando eu escuto uma das suas músicas favoritas, quando leio alguma passagem da bíblia que você me explicou o significado ou no dia de algum santo da sua devoção, mas é na hora do terço que eu mais sinto a sua falta e ao mesmo tempo é a hora que eu te sinto mais perto de mim e é por isso que eu rezo por você todos os dias e vou continuar rezando, Edward. Quero que você seja tão feliz na sua escolha como eu sou na minha. Você é o meu melhor amigo e o que eu mais quero no mundo é a sua felicidade, sempre. Você não faz ideia do que eu seria capaz de fazer para te ver feliz.

Eu olhei para cima e Edward me encarava com uma expressão de dor. Ele parecia muito angustiado, mas mesmo assim sorriu ao ver a preocupação alcançar meus olhos e eu pude ver todo o esforço por trás daquele sorriso.

—Você sabe que eu quero o mesmo não é, Bella? Eu também seria capaz de qualquer coisa para te ver feliz, qualquer coisa. Eu te amo muito Bella, muito mesmo – seus olhos transmitiam exatamente o que ele dizia, mas eu não precisava olhar para eles para saber que ele estava dizendo a verdade.

—Eu sei Edward, eu também te amo demais – ele fechou os olhos como se saboreasse as minhas palavras e inspirou bem fundo ruidosamente. Edward apertou minha mão e a soltou quando abriu os olhos e ficou me olhando por um longo momento, ofegante.

Ele começou a mover os lábios sem emitir som nenhum, como se estivesse fazendo uma oração silenciosa, pedindo ajuda. Quando ele parou, abriu outro sorriso, dessa vez ele era mais autêntico, como se tivesse recebido a ajuda que tinha pedido.

—Eu já fiz a minha confissão, Edward agora está na hora de você fazer a sua – interrompi a sua linha de pensamento e ele estreitou os olhos para mim.

—Eu não tenho mais nada para dizer.

—Mas você disse que tinha algo que vinha de seu coração, uma coisa importante que guardou por muito tempo e precisava me dizer. Não guarde mais, fala!

—Tudo o que você disse é muito maior do que eu tinha para dizer, Bella. Só... por favor, reze por mim, reze pelo que eu sinto, reze sempre para que eu consiga fazer o que é certo.

—É claro que sim, sempre vou rezar por você.

—Obrigado, isso é tudo o que eu preciso — acariciei seu rosto preocupada com o que via em seus olhos.

—Tem certeza que não quer falar o que tem guardado, Edward?

—Eu tenho – ele foi firme – acho que o melhor que eu tenho a fazer é guardar para mim, não tem por que eu fazer você sofrer com isso.

—Não seja bobo. Você sabe que pode falar comigo, eu posso te ajudar no que quer que seja...

—É melhor não, Bella, mas obrigado mesmo assim.

—Vou respeitar sua decisão, mas saiba que quando você quiser falar eu vou estar sempre pronta para ouvir você.

—Eu sei que sim, minha irmãzinha – Edward me puxou para seus braços e beijou meus cabelos antes de me abraçar.

Nós nos afastamos para ficamos nos olhando sem dizer nada, de mãos dadas e os dedos entrelaçados. Eu olhava o seu rosto decorando todos os detalhes para os momentos que eu não poderia olhar para ele e Edward parecia fazer o mesmo. Ficamos assim por vários minutos, – ou horas – em silencio até que o sono começou a tomar conta de mim e eu bocejei.

—Bella... – Edward falou baixinho.

—O que? – Eu imitei o seu tom.

—Eu não quero ficar sem você – eu me arrastei até ele e o abracei com força.

—Nem eu, Edward, eu também não quero, mas eu te prometi e vou cumprir, a gente vai se ver mais, vamos dar um jeito de alguma forma, você vai ver – ele suspirou e me apertou mais forte. Estava tão bom ali, tão gostoso. Eu sentia que os braços do Edward era o meu lugar no mundo.

E foi ali que eu dormi feliz.

Quando eu abri os olhos no dia seguinte, mais uma vez Edward me encarava sorrindo.

—Bom dia — Edward beijou meu rosto afastando o cabelo da frente de meus olhos parecendo tão feliz quanto eu estava — Eu adoro ver você acordar Be... irmãzinha.

—Bom dia para você também. Dormiu bem? – Perguntei com o cenho franzido por causa da sua aparência cansada. Ele sacudiu a cabeça.

—Você não ficou quieta, não me deixou dormir – ele riu e eu me apavorei.

—O que eu disse?

—Você me chamou a noite toda. Eu respondia achando que você estava acordada, mas você estava dormindo – ele riu de novo.

—Eu só te chamava?

—Só... Toda a vez que você me chamava eu te abraçava forte e você sorria antes de dormir outra vez – ele beijou a minha testa – eu nunca vou esquecer essa noite – ele falou tão baixo que eu não tive certeza se ele queria que eu ouvisse e então não disse nada. Olhei para o lado e vi o despertador que marcavam nove da manhã.

—Você prometeu para a minha mãe que me levaria bem cedo para a casa, mas eu não quero ir...

—Nem eu queria que você fosse – eu suspirei e fui me levantando, mas Edward me segurou – vamos rezar primeiro irmãzinha.

Nós nos sentamos e ele segurou minhas mãos enquanto rezávamos. Eu não cansava de admirar seu rosto, como sempre. Ele estava com os olhos fechados e o cenho franzido enquanto repetíamos aquelas palavras que conhecíamos muito bem. No fim, ele apertou um pouco mais minhas mãos e rezou com a voz rouca:

—Meu Deus, Bella e eu vamos ficar longe outra vez. Eu te peço muita força para conseguirmos ficar todo esse tempo longe – ele abriu os olhos e sorriu para mim – Cuida bem da minha irmãzinha, que ela seja muito feliz – eu sorri para ele também e rezei.

—Que meu Edward possa ser muito feliz também. Está um pouquinho confuso, perdido, mas ele te ama, senhor, assim como eu. Ele só precisa se acostumar e por favor, me ajude a cumprir minha promessa e que eu o veja todos os domingos, assim o ano vai passar bem rapidinho para a gente ficar juntos outra vez. Amém.

—Ah Bella... – ele suspirou e me abraçou com força – vou te levar para casa se não a sua mãe não te deixa dormir aqui nunca mais – eu ri.

—Tudo bem – eu me levantei e fui para o quarto de Alice. Ela ainda estava dormindo então eu fiz de tudo para não fazer barulho. Peguei as minhas roupas que eu tinha deixado ali ontem à noite e fui para o banheiro dela me trocar.

Eu me vesti o mais rápido que pude e quando ia saindo do banheiro Alice resmungava em seu sono. Eu fui saindo bem de fininho para não acordá-la e fui andando em silencio pelo corredor, mas quando passei pelo quarto de Esme ela abriu a porta e me olhou confusa.

—Bella? Já está acordada? Ainda é muito cedo, querida.

—Esme, eu não queria acordar a senhora... me desculpe...

—O que você está fazendo de pé assim tão cedo? Você foi dormir tão tarde ontem...

—Eu não durmo muito, eu estou acostumada a acordar bem cedo.

—É verdade. Eu vou preparar alguma coisa para você comer...

—Não precisa, Esme, por favor, volte para a cama. Edward vai me levar para casa, minha mãe está nos esperando. Eu vejo a senhora no almoço lá em casa mais tarde, não é?

—É claro que eu vou querida. Você pode levar uns temperos que eu fiquei de entregar a sua mãe? Eu ia levar mais tarde, mas talvez ela precise para fazer o almoço.

—Eu levo sim – Segui Esme para a cozinha e ela começou a pegar vários vidrinhos de tempero e me explicar para que cada um sirva e a quantidade que cada um deveria ser usado para que quando eu chegasse em casa pudesse explicar tudo a minha mãe. Meia hora depois eu voltei para o quarto do Edward, abri a porta e fiquei paralisada ali.

Ele estava sentado na cama perfeitamente arrumada, colocando seus sapatos, o cabelo molhado indicava que ele tinha acabado de tomar banho, mas o que me deixou paralisada foi o fato de ele estar sem camisa. Eu pensei em sair antes que ele me visse, mas ele ergueu a cabeça e sorriu.

—Ei, o que está fazendo aí fora?

—Hm... Eu... – gaguejei sem saber o que falar, quase nunca tinha visto Edward assim e não conseguia simplesmente agir com naturalidade.

—Vem, senta aqui, irmãzinha. Eu só vou pegar algumas coisas que eu quero levar e a gente já vai, tudo bem? – Eu assenti e me sentei onde ele estava antes sem conseguir desviar o olhar de seu corpo tão descoberto.

O cabelo dele estava molhado, pingando em suas costas nuas e eu suspirei baixinho enquanto eu as acompanhava até que se perdessem no cós da sua calça. Eu o observava se mover pelo quarto enquanto me lembrava do nosso assunto na noite anterior. O que será que ele queria me dizer e depois se calou? Por que estava tão angustiado? Será que ele se arrependia de não ter tido uma namorada quando éramos mais jovens? Será que se eu tivesse contado o que sentia naquela época estaríamos namorando hoje? Será que as nossas noites seriam diferentes de ficar só conversando e trocando confidencias? Será que seriamos amigos ou isso teria estragado a nossa amizade? Eu me arrependo de não ter contado nada?

Quando eu pensei nisso Edward olhou para mim, me pegou encarando e deu um sorriso tímido quando se deu conta de que ainda estava sem camisa. Pegou uma camiseta depressa e vestiu, depois pegou a mochila e me puxou pela mão me levando dali. Andando apressada ao lado dele, ainda de mãos dadas, eu me dei conta de que não me arrependia, eu estava feliz e, tê-lo ao meu lado do jeito que fosse.

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—Mãe... não fica assim vai, por favor – depois do almoço, Edward e eu estávamos prontos para partir. Emmett tinha gentilmente se oferecido para nos levar e tudo já estava dentro do jipe, inclusive Edward e Emmett. Já tínhamos nos despedido de todos, mas eu voltei para dar mais um abraço na minha mãe que chorava copiosamente, igualzinho no ano passado.

Meu pai a amparou enquanto eu entrava no jipe e acenava para ela. Edward passou os braços em volta da minha cintura me abraçando. Eu olhei para ele e meus olhos marejaram ao vê-lo tão triste. Eu queria dizer alguma coisa para confortá-lo, mas não tinha forças para isso.

Esses dias foram tão diferentes, ficamos juntos de uma forma que nunca tínhamos ficado e era ainda mais difícil ter que dizer adeus. Eu já estava morrendo de saudade, antes mesmo de me despedir.

O convento e o seminário ficavam em Port Angeles e então nós tínhamos uma hora juntos e eu tentava me concentrar nisso para não começar a chorar. Emmett dirigia em silencio, deve ter sentido o clima entre nós, já que ficamos assim durante toda à tarde.

Ficamos presos no olhar um do outro e muito cedo, o jipe parou em frente ao nosso destino. Eu desci devagar enquanto Emmett tirava minha bolsa e a de Edward do jipe e a levava para perto do portão enquanto olhava lá para dentro cheio de curiosidade. Depois se despediu de nós dois e foi embora. Assim que ele se afastou Edward se aproximou e colou nossas testas.

—Nervosa? – Ele perguntou baixinho e eu ri fraco me lembrando dessas mesmas palavras, um ano atrás.

—Não, dessa vez não... eu só estou um pouco preocupada com você – minha voz ficou embargada de repente – vai ficar bem não vai?

—É claro que eu vou, minha irmãzinha, não se preocupe. Eu só espero te ver no domingo – eu suspirei.

—Eu também. Vai dar tudo certo, eu prometo – olhei para o convento e a irmã Irina olhava para nós com a cara feia e eu suspirei – já está na hora, eu tenho que... – Edward me pegou num abraço e me apertou bem forte por um instante antes de me soltar.

—Tchau, minha irmãzinha – eu acenei para ele completamente incapaz de falar alguma coisa e andei devagar para dentro do convento, para iniciar mais um ano ali.

.

Pov. Edward

Bella se virou e foi embora.

Ela foi embora e eu não sei quando a gente vai se ver de novo. Meu Deus, eu estou mesmo aqui parado, vendo ela ir embora sem fazer nada? Eu sou mesmo um grande idiota! Estou mesmo deixando ela ir? Estou mesmo deixando que ela se afaste? Não... eu não posso permitir uma coisa dessas.

Dei alguns passos em direção a ela que estava prestes a passar pelos portões do convento, mas então eu parei quando eu me dei conta de que não podia fazer nada! Esse é o sonho dela, o que ela sempre quis e Bella está feliz assim, muito feliz e eu não posso ir contra a felicidade dela, não posso impedir que ela seja feliz.

Eu respirei fundo olhando para o céu, tentando conter as lágrimas que já inundavam meus olhos tentando respirar, mas meu coração doía tanto que puxar o ar fazia meu peito inteiro doer. Tudo o que eu conseguia pensar era em como eu conseguiria ficar de braços cruzados enquanto eu assisto a mulher que eu amo entrar em um convento?

—Meu Deus – sussurrei em meio a um soluço quando ela entrou e o portão foi fechado, o desespero, a perda caiu sobre mim e a dor que eu sentia ficou mil vezes mais forte – eu quero a Bella para mim!

Que droga! Baguncei meus cabelos em um ato de desespero, me segurando para não gritar implorando que ela voltasse, voltasse para mim. Por que eu não disse a ela... por que não contei que estava apaixonado, que eu a amo mais que tudo no mundo quando eu tive oportunidade?

Mas, por outro lado, como poderia dizer para a minha amiga, minha única amiga... Minha irmãzinha...que de uma hora para a outra... eu estava completamente apaixonado por ela? – Balancei minha cabeça mais uma vez, chorando desesperado no meio da rua, andando de um lado para o outro na frente daquele convento.

Que loucura, meu Deus... eu não podia ter deixado nada disso acontecer... se eu ao menos soubesse como lutar contra isso, eu teria feito. Faria qualquer coisa para evitar essa dor imensa que estou sentindo agora... mas é tarde, muito tarde. Eu estou amando, amando uma garota que passou a vida sonhando em ser freira, que em pouco tempo vai se casar com Jesus!

Eu não posso deixar isso acontecer... tampouco posso impedir. Como eu vou ousar pedir a ela que desista do seu maior sonho por causa de mim?

Eu prefiro mil vezes me magoar em silencio por não estar com ela, do que fazê-la sofrer contando o que eu sinto já que isso não mudaria nada, já que isso só a faria se lamentar por mim.

Não sei quanto tempo eu passei ali chorando e tentando me conformar com aquilo, mas não tinha saída. A única coisa a ser feita agora era voltar para o seminário e seguir o meu caminho, para quem sabe assim um dia ficarmos juntos nem que seja como freira e padre.

Puxei meus cabelos com força, tentando desviar um pouco a dor do meu peito e me obriguei a caminhar rumo ao seminário, me afastando do convento e da minha Bella, me afastando do meu amor.

De algum jeito, eu posso fazer isso. Vou guardar tudo isso bem no fundo do meu coração e deixar que ela seja feliz.

Só não sei até quando.

Notas finais
Ai ai ai. Para respira e conta para mim o que voce achou, por favor por favor *--* Imagino o q devem estar sentido, mas nao se preocupem, as coisas vao começar a acontecer em breve, eu prometo. Espero vocês na terça que vem. Beeeeeijoos