A Irmã De Renesmee 1ª e 2ª temp- Fanfic em revisão
81 2x39 No limbo da queda (E)
PDV Renesmee.
Minha mente despertou, e eu sentia como se fosse de um sono bem pesado. Eu não me lembrava de nada desde a queda. Nem sei se estava viva. E que se estivéssemos, se Carl estivesse, ela se culparia por ter deixado isso acontecer.
Escutei uma conversa num tom casual, mas ao mesmo tempo parecia que era séria. Consegui distinguir a voz do vovô Carlisle e do papai. Eu tentei abrir os olhos para ver onde estávamos, mas não conseguia. Pelo menos eu sabia que era em casa, ou em algum ambiente fechado, pois eu estava deitada em algo macio que me parecia um colchão.
Eu não conseguia mexer meu corpo. Ele parecia dormente. Droga. Eu estava morta. Eu não havia sobrevivido a queda. Não sabia se estava no céu. Pelo menos ouvir a voz do meu pai e do meu avô parecia ser o paraíso, mas o fato de eu estar paralisada e impossibilitada de conversar com eles, de alcança-los, parecia algum castigo que só o inferno teria.
— Bella está chegando? – ouvi a voz de meu pai falar baixinho. – Ela deve estar com o seu escudo-
Ahh, como era bom ouvir a sua voz calmante, aveluda e perfeita. Isso acalmava meu espírito. Sim, com certeza era o céu. Não tem como eu me sentir bem com a voz do meu pai estando no inferno.
Senti alguém se debruçar sobre mim, tão leve que quase não captei.
— Ouço seus pensamentos. – ele sussurrou, parecendo impressionado, ou desacreditado em algo.
— Como?
Senti uma mão gélida e dura se unir com a minha. Tentei apertar, mas meu cérebro não me obedecia.
— Ela está dopada no momento. Essa pode ser a razão. – ele explicou. – Mas está tudo tão confuso.
O que? Ele não estava me ouvindo completamente? Estranho...
— Muito estranho. – meu pai falou, completando meu pensamento.
E então a escuridão veio e me levou novamente com ela.
PDV Seth.
Chegando em casa, fomos para o escritório de Edward, que agora mais parecia um consultório médico.
Lá estavam elas. Lá estava ela.
Carlie.
Sua perna estava enrolada em um enorme gesso, cobrindo-a quase toda. Desde a ponta dos pés até o alto da coxa. Havia também uma faixa em torno de suas costelas, e presumi que estava fraturada. No alto de sua testa, um curativo.
O que aquela desgraçada fez com a minha Carl?!
— Por que seus corações batem devagar? – Jacob perguntou, sua voz tremeu. Ele estava ao lado da Nessie.
— Elas estão desacordadas, Jacob. – Edward respondeu. – A queda as deixou inconsciente.
Engoli em seco e me sentei na cadeira ao lado da cama, sem nunca desviar de seu rosto. Uma cor roxa estava escapando do band-aid.
PDV Carlie.
Minha mente despertou, e fiquei um pouco aliviada. Na verdade, eu gostaria de saber se estava morta ou havia sobrevivido a queda. Eu esperava que, pelo menos minha irmã tivesse sobrevivido.
Minha cabeça doía muito. Eu não conseguia mexer minhas costas. Elas estavam imobilizadas. Porcaria. Eu não sabia onde eu estava, mas sentia algo macio, como um colchão, sob meu corpo. Eu não tinha ideia se estava em casa, ou aquela bruxa maluca arrumou um cativeiro para a gente, depois que caímos.
Se eu tiver morrido? Oh, Deus! Seth deve estar destruído. Meu filho, coitado. Nem entende isso. Nem entende que não tem mais uma mãe.
Eu tentei abrir os olhos para garantir de que estava morta, e pronta para encarar as portas do inferno. Mas me surpreendi quando meus olhos captaram... o escritório do meu pai.
Apertei meus olhos para me acostumar com a claridade, e voltei a abri-los. Tentei me sentar, mas mãos geladas me impediram. Olhei e vi meu pai. Me senti tão bem ao vê-lo.
— Deite-se, querida. – ele falou, gentilmente, me colocando de volta na cama. – Você precisa descansar. Não se preocupe, está salva agora.
Olhei ao redor do quarto, procurando por pistas de que Renesmee estaria aqui, e bem. E fiquei aliviada quando a encontrei. Jake estava sentado na cadeira ao lado de sua cama.
— Ela sofreu um pouco mais que você, na queda. – ele falou, ao ver meu olhar. – Teve ferimentos mais graves, porém nada com o que se preocupar.
Então pude respirar mais leve.
— Você está se sentindo bem? – ele perguntou docemente, escorregando a mão pelo meu cabelo.
— Minhas costas, cabeça, perna e braço doem. – admiti, sentindo-os latejarem quando tentei mexe-los.
— Não se mova muito. – ele aconselhou. – Você precisa se recuperar.
— Não quero ficar na cama. – reclamei, tentando levantar.
— Pare de ser uma criança mimada. – Jacob reclamou, enquanto meu pai me mantinha na cama. – Precisa se recuperar. Escute seu pai.
Revirei os olhos quando meu pai sorriu agradecido para ele.
— Aonde está o Seth? – perguntei, quando acabou o assunto. Eu estava louca para vê-lo.
— Seth foi pegar Harry, que acordou segundos antes de você acordar.
Assenti.
— Tem alguém que está vindo te ver. – papai anunciou.
— Quem? – perguntei, curiosa.
— Claire. – ele falou.
— Claire. – sorri. Fazia algum tempo que eu já não a via.
— Ela ficou preocupada. – ele continuou. – Eu me ofereci para comprar a passagem dela e de Quil. Ela deve ter ficado desesperada para ver vocês, porque não demorou para aceitar.
Eu ri. Bem a cara dela.
— Estamos desacordadas há quanto tempo? – perguntei, curiosa. Será que estive de coma?
— Cerca de dezenove horas. O machucado em seu rosto, aquele arranhão... Foi ela?
A raiva rasgava em sua voz.
Meu lábio inferior se transformou em um biquinho manhoso por ter que confessar tal situação.
Escutei passos andando atrás da porta, e Seth apareceu com Harry nos braços.
— Harry. – sussurrei, lágrimas descendo em meu rosto. Eu me esqueci de tudo. Da bronca que eu estava prestes a levar do meu pai, do meu corpo enfaixado, da bruxa que quase nos levou à morte, quase até do meu nome assim que encontrei aquele par de olhos verdes que eram a cópia dos meus.
Um biquinho se formava em seus lábios, cujo o superior estava franzido e o inferior esticado para fora. Suas lindas esmeraldas cheias de lágrimas, e seus braços esticados para mim.
Eu fui esticar meus braços para mostrar que eu queria pegá-lo, porém o esquerdo latejou, me fazendo encolhe-lo.
— Amor, você não pode pegá-lo agora. – Seth falou, olhando meu corpo engessado.
Portanto, se sentou a cadeira, ao lado oposta da cama onde meu pai estava, com nosso filho em seu colo, para eu poder vê-lo melhor.
— Mamãe. – ele falou, chorando. E se esticou em minha direção, as mãos de Seth sempre o impedindo. – Eu quelo minha mamãe!
Ele começou a se debater nos braços de Seth.
— Harry, não está vendo como sua mãe está? – ele o repreendeu, porém sua voz estava suave ao falar. – Ela não pode te pegar até estar boa.
— Eu quelo minha mãe. – ele falou. Seus pequenos olhos estavam brilhando pela luz que refletia suas lágrimas.
Estiquei minha mão boa para afagar seu cabelo. Ele soluçou quando fiz isso.
— Eu ficarei bem, filho. – prometi, num tom carinhoso.
— Não chola. – ele pediu, e se esticou, limpando as minhas lágrimas.
— Vou tentar. – falei, encostando meu dedo em seu nariz. E ele riu.
O deixe deitar comigo. Pedi a Seth. Ele colocou Harry ao meu lado, o alertando para não fazer movimentos bruscos. Seus soluços cessaram, e ele abraçou o meu braço imobilizado. Seth abriu a boca para o repreender, mas o assegurei de que eu estava bem. A presença do meu filho me trouxe uma paz de espírito que eu nem sabia que precisava.
Escutei uma movimentação muito leve, quase vaga, na cama ao meu lado. Era minha irmã acordando.
— Nessie. – engasguei. – Ness, me perdoa por não ter conseguido nos segurar, eu sinto muito por isso, eu...
— Carl, – ela me interrompeu, sua voz quase sumindo pela falta de uso, segurando minha mão pela curta distância de nossas camas. – não foi culpa sua.
— Foi sim. – lágrimas deixaram meu rosto tão rápido quanto se formaram. – Se eu tivesse sido mais forte, eu teria aguentado!
— Pare com isso. – ela pediu, franzindo o cenho. – Não foi sua culpa, e sabemos disso.
Dei um leve aperto em sua mão, apenas feliz de ela ter acordado.
— Cadê a Sarah? – ela perguntou. Em sua voz, estava evidente a sua preocupação.
— Bells está cuidando dela. – Jake falou, acariciando seu rosto.
— Claire está vindo visitar vocês. – papai informou a Nessie.
— Sério? – seus olhos cor de chocolate brilharam de felicidade.
Papai assentiu. Eu queria muito poder me mexer, mas estava imobilizada com essa droga em minha costela. Argh.
— Quero levantar. – gemi.
— Sabe que não pode. – Seth alertou, mais como uma ordem do que qualquer outra coisa.
Gemi novamente e relaxei minha cabeça.
A porta da frente foi aberta, e segundos depois, mamãe apareceu na porta do aposento.
— Carlie, Renesmee. – ela chorou sem lágrimas, e deu um beijo na testa de ambas. – Como estão se sentindo?
— Eu quero levantar. – ambas resmungamos, e os outros riram.
Nossos tios também vieram nos cumprimentar.
— A bruxa já era. – mamãe informou ao meu pai. – Você tinha razão. Eles realmente estavam precisando do meu escudo.
Estremeci. O que ela fez a eles?
Mais tarde, papai foi conversar com o meu avô. Mamãe e tia Rose iam dar banho na Sarah e no Harry, para que Seth e Jake pudessem nos monitorar.
— Sua cabeça ainda dói? – Seth perguntou, acariciando meu rosto delicadamente.
— A dor é bem vaga. – menti, não querendo preocupá-lo. Não era vaga, mas também não era intensa. – A pior parte é de que eu queria levantar. Ficar deitada é um saco. E a realmente pior é que a formatura da minha mãe vai ser mês que vem. Falta quantas semanas para o mês que vem?
— Duas semanas e dois dias. – Renesmee respondeu.
— Em Harvard. – Jake falou, orgulhoso da sua melhor amiga.
Mamãe levou Harry para tomar um banho. Jacob e Renesmee começaram a conversar sobre outras coisas, e Seth e eu ficamos quietos. Ele afagava meu cabelo, passava seu polegar em meus lábios, e me olhava nos olhos.
Levantei meu dedo indicador, e fiz um gesto para ele chegar perto de mim. Ele o fez. Agora fiz com a mão, e então seu rosto estava a dois centímetros do meu. Fiz um biquinho, num gesto convidativo. Ele sorriu e me beijou. Inclinei minha cabeça, pretendendo aprofundar o beijo, sentir o gosto da sua língua, eu necessitava daquilo.
— Eca. – Renesmee fez um som de nojo, nos fazendo separar. – Tem gente nesse quarto. Por favor!
— E quase morremos, me deixe aproveitar meu marido. – falei, e voltei a beijá-lo.
Eu ouvi o barulho de um carro se aproximando, e paramos de beijar. Nos olhamos, curiosos. Não era o motor do Volvo ou da Mercedes.
Segundos depois, a campainha foi tocada. Devido ao escritório ser no fim do corredor, eu não ouvi direito, mas parecia uma voz de mulher. Poucos instantes depois, passos subindo pelas escadas e andando pelo corredor.
Fiquei feliz quando Lauren apareceu na porta do escritório.
— Puxa vida, eu vim fazer uma visita e a irmã de vocês explicou que tiveram um acidente. Eu sinto muito, garotas. – e nos abraçou.
— Obrigada por vir. – Ness falou, retribuindo o abraço.
— É, obrigada. – agradeci também.
Lauren, apesar de ser cunhada do William, era uma amiga muito legal. Nos tratou super bem quando nos conheceu, e é uma pena que tenhamos que cortar laços em alguns anos. Além de ter o meu ex na questão, eles são todos humanos. E isso era uma droga.
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