A Ira de um Surto Obscuro
1 Capítulo único - Manchas.
Notas iniciais
Larguei a navalha no copo de uísque cheio. Os meus dedos estavam formigando, talvez pelo o que eu acabei de fazer.
Larguei a navalha ali e rodopiei-a dentro do copo com o dedo indicador da mão direita. Levei o mesmo até a boca e o gosto de ferro do sangue misturado com o do uísque amargo e fervente que escorria pelas paredes da minha garganta me dominavam, deixando-me perdida em minha própria loucura.
Aproximei-me do espelho do quarto e me observei.
Os meus olhos queimaram de forma rápida quando encontraram o ser infeliz, louco e miserável em sua frente.
Do reflexo do espelho ainda proveitei para observar mais uma vez a calamidade que ocupava grande parte de minha cama. Acompanhei minuciosamente o sangue pingando sobre o assoalho de madeira. Dei as costas ao espelho e me dirigi até a porta.
Olhei uma última vez para tudo aquilo...
Virei para o lado oposto e desci as escadas daquela casa que eu tanto conhecia, sorrindo.
Quando cheguei à sala de jantar, me aproximei até as cortinas brancas de cetim e esfreguei os dedos sujos de sangue com avidez, para que o DNA ficasse impregnado ali. Eu queria deixar claro que nem o sangue dela eu queria. Uma certa aversão ao seu rosto e sangue, quando esses pensamentos me rodeavam, me provocavam um enjoo acentuado.
Depois de um pouco mais de trinta meses na cadeira, talvez eu esteja começando a aprender o que é paz. Mas, o medo e a culpa sempre me perseguiam antes de meus olhos pesarem o bastante para empurrar esses sentimentos e caírem em êxtase de sono.
Mas... Que culpa? Ela apenas teve o que merecia.
Medo... De quê? Eu já estava condenada há um pouco mais de vinte e anos atrás das grades, desde o dia em que a ira tomou severamente conta de mim. O dia em que manchei de sangue dela os lençóis brancos da minha cama. Talvez a mancha ainda esteja com ela, dentro do caixão.
E, eu permaneci com essa mancha em minha vida, para sempre. A sombra escura de um assassinato que me amedrontava de forma cruel. E, inutilmente, eu usava o álcool para afogar tudo isso em meu próprio ser. Mas, de forma culposa e dolorosa, hoje eu escrevo nesse papel, os reais motivos por estar aqui.
Tudo começou quando nossos pais morreram e deixaram uma empresa para mim e para minha irmã.
De inicio, tudo corria bem; Nós duas éramos casadas e tínhamos uma grande intimidade.
Mas, alguns meses depois, Catarina descobriu estar sendo traída por seu marido, então se separou.
A empresa ia tão bem, que precisamos contratar mais uma pessoa para a administração.
Essa pessoa foi o meu marido, Alex.
Minha irmã, então ficara muito próxima dele, deixando-me morta de ciúmes. Era patético, eu sabia, mas tudo o que faziam depois se refletiu em uma série de mentiras. Então, logo veio a desconfiança de uma traição.
Cada vez mais ficávamos mais distantes.
Assim, os negócios começaram a cair, e logo Alex começou a encher a minha cabeça de que ela estaria roubando as verbas da empresa.
Depois, Alex e eu conversamos, e o mesmo deixou-me feliz, pois pediu desculpas e, finalmente nos acertamos.
Mas, comecei a cuidar minuciosamente a administração da empresa.
Percebi que havia um grande furo e, que gradualmente o dinheiro estava sendo tirado. Foi, então que chamei Catarina para conversar em minha cada. Na época, o alcoolismo estava acima de tudo e de todos em minha vida, não muito diferente de agora.
-Eu traí você, irmã. Me perdoe. – Dizia ela, olhando para mim. As lágrimas escorriam.
Não acreditando no que estava ouvindo e, ao mesmo tempo em choque, lembrando-me da atuação de Alex perante os meus pés, jurando nunca ter traído minha confiança.
Aquilo foi o estopim para a minha ira.
Fui até o banheiro, deixando-a sem resposta.
Procurei por todo o banheiro a tesoura, mas o que encontrei foi uma navalha.
Saquei-a com voracidade e fui em direção à minha irmã, determinada acabar com a minha própria vida miserável, mas mudei de ideia e acabei espedaçando a vida da minha irmã.
...
Com o papel nas mãos trêmulas, no pátio da cadeia, vi quando um rosto familiar entrou pela porta principal, algemado.
Aproximei-me. A raiva dominava-me.
-O que está fazendo aqui? – Perguntei a Alex.
-O mesmo que você. –Respondeu, sorrindo.
-Você matou alguém? –Perguntei ansiosa.
-Sim. –Ele disse olhando em meus olhos.
-Quem? – Perguntei parada a sua frente.
-Você. –Ele respondeu, sorrindo ao observar que minha expressão desmoronou.
-O que? –Eu perguntei exasperada, recuando alguns passos para trás, mas sem me desconectar de seus olhos.
-Era eu quem roubava o dinheiro da empresa. –Ele disse rindo histericamente, vitorioso por minha desgraça.
-Então... –Eu concluía, apavorada.
-Você matou a sua irmã em vão. –Ele disse, dando de ombros.
As lágrimas começaram a riscar a minha face.
-Esse é o preço por matar a pessoa que eu mais amei. Terá que carregar essa culpa. –Ele disse, encarando o céu.
Fingi que não ouvi a provocação e continuei a chorar.
A culpa, a raiva e o álcool tomavam conta de mim.
E, já não aguentando mais enxergá-lo em minha frente, alcancei uma pequena navalha no meu tornozelo, dentro dos coturnos.
E, acho que agora eu estou pronta para mais um assassinato e dobrar a minha pena criminal.
Notas finais
Espero comentários! o/
Jovens, se quiserem dar uma olhada na minha fanficion nova é "Sem as Linhas" e você a encontra no meu perfil, na segunda página.
Beijoooooooos. *-*
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