A Intocável
3 Capítulo Dois
Notas iniciais

Isabella tinha 4 anos de idade quando os pais anunciaram a mudança, sendo apenas uma criança, ela adorou. Não tinha grandes amigos na escola básica e, nem gostava tanto assim da casa que viviam, desde que sua avó faleceu, alguns anos mais tarde ela descobriu que foi exatamente pela morte da mãe que seu pai quis mudar.
Ela se mudou com a família, o irmão mais velho e os pais, para a Califórnia, saindo de Seattle, indo diretamente para Santa Cruz no litoral californiano. Bella tinha ficado imediatamente impressionada com a cidade, quando para agradar os filhos, o pai fez o caminho mais longo passando pela praia para que eles pudessem observar o mar.
A praia, o parque de diversões, as cores, tudo fez Isabella se sentir muito bem. Ela nem se lembrava mais de Seattle ao ver tudo aquilo. Santa Cruz era seu novo lugar preferido, por isso não entendia como Emmett, seu irmão mais velho, ficava reclamando a todo instante da mudança, quando para a garota eles tinham se mudado diretamente para o que parecia ser um paraíso.
Charlie e Renée, os pais de Bella e Emmett, tinham comprado uma casa na cidade, decididos a firmar raízes ali. A casa era grande o suficiente para os quatro moradores, tinha um belo jardim e, era verde clara. Bella também gostou muito dela, principalmente por ser espaçosa suficiente para abrigar o piano de sua mãe, que ela tanto gostava e estava aprendendo a tocar.
A garotinha estava passeando pelo mar de caixas na sala, quando ouviu a campainha e, seguiu sua mãe até a porta da frente. Do lado de fora, uma mulher alta e muito bonita, segurava uma bandeja de comida e, ao seu lado estava um garotinho de curiosos olhos verdes.
— Oi, sou a Bella! — ela se apresentou a ele.
— Sou o Edward!
Era 20 de junho, dia do aniversário de Edward. E, nenhum dos dois conseguiria esquecer aquela data.
***
A morena baixinha, de longos cabelos negros ondulados andava com confiança pelo apartamento, dando ordens para todos os empregados e funcionários. Com o fone de seu celular no ouvido, ela falava com pelo menos mais dez pessoas, alternando ligações, confirmando Buffett, decoração e tudo mais que seria necessário para aquela noite.
Desligando o aparelho, entrou na suíte master, que estava submersa na escuridão, ela encontraria o controle de luzes sem problemas, mas sabia que apenas luz artificial não resolveria o desafio a sua frente. Sendo assim, caminhou até uma das janelas do quarto, que iam do chão ao teto, afastando as cortinas, deixando o Sol forte de verão penetrar no ambiente.
Na cama, a outra mulher gemeu ao ouvir o alto barulho das cortinas sendo movidas e pela luz que lhe atingiu. Sem nem abrir os olhos, ela puxou sua coberta até a cabeça, cobrindo-se por completo.
Alice apenas contornou a grande cama, indo até a outra janela e repetindo a abertura das cortinas.
— Bella, hora de acordar, querida. — Puxou a coberta, mas a outra continuava a apertar o grosso cobertor branco envolta de si.
— Eu estou exausta, por favor, me deixe dormir — Bella implorou, a voz mais rouca do que esteve no dia anterior.
— Bella, você não pode dormir mais, já estamos no meio da tarde. Não se esqueça de que hoje é a festa. — Alice tinha acabado de falar, quando Bella afastou a coberta de si, sentando-se na cama, encarando a outra com olhos castanhos.
— Cancele a maldita festa, Alice Brandon! — ordenou. — Você me prometeu férias, eu não quero uma festa.
— Isabella, você sabe que essa festa é importante. Você fez uma turnê maravilhosa, agora é hora de agradecer aos patrocinadores por todo investimento. Não vamos cancelar a festa, você pode aguentar mais um dia até ter suas queridas férias. Por falar nisso, para onde deseja ir? — Alice sentou-se na beira de cama de Isabella, que estava encolhida, sentindo-se irritada e chateada por ter mais um dia longo pela frente.
— Não sei. — Bella suspirou. — Vou pensar nisso depois. Peça para alguém trazer algo para eu comer, okay? Depois eu tomo um banho e você me terá disposta para a festa.
— Tudo bem, Jacob chegará cedo, então não demore.
— Sim, que seja, saía! — Bella ordenou, saindo de sua cama e indo trancar-se no banheiro.
Com um nó na garganta, ela passou alguns minutos no banheiro, quando voltou para o quarto encontrou uma das empregadas servindo um lanche.
— Olá senhorita Swan, boa tarde.
— Oi Pam, tudo bem? — Bella forçou um sorriso, vestindo-se com um roupão por cima do short e camiseta que usava para dormir da faculdade de New York.
— Tudo sim. — Pam sorriu, mas era um sorriso de verdade, ela não precisava fingir como a patroa. — Lhe trouxe algo leve, a senhorita Brandon disse que você não poderia comer algo muito pesado.
— Sim, ela está certa — Bella falou, sentando-se a mesinha que tinha ali, onde muito comumente fazia refeições sozinha, pela janela próxima ela podia ver o Central Park. — Eu terei a festa mais tarde e, não posso estar passando mal por me atolar em gordura trans, não é?
— Se quiser posso lhe traficar um hambúrguer, senhorita Swan — Pam cochichou, fazendo Bella rir, daquela vez sem fingimento. Ela adorava Pam, não tinha certeza a quanto tempo a mulher, que já devia ter seus trinta anos, estava trabalhando ali, mas sabia que tê-la por perto sempre acabava sendo divertido.
— Irei lhe cobrar esse tráfico de hambúrguer outro dia, Pam. — Bella serviu-se com um suco de uva. — Você pode ir agora, muito obrigada por trazer algo para que eu comesse — agradeceu.
— Deseja algo mais?
— Não, estou bem — Bella garantiu, vendo Pam sair do seu quarto logo depois.
Suspirando, ela começou a comer, imaginando poder comer algo gorduroso. Quem sabe um bom pedaço de carne assada por seu pai, ela sentia tanta falta do churrasco de Charlie Swan.
Deixando a comida de lado, Bella levantou-se e buscou por seu celular no criado mudo junto a cama. Discou o número de casa sem precisar conferi-lo na agenda, ela nunca esquecia o número de casa, ou dos celulares do irmão e dos pais e, o de Edward, se é que ele ainda usava aquele.
Pensar nele lhe deu dor de cabeça, ainda estava frágil depois do dia anterior. O dia dele, o dia que eles se conheceram tantos anos atrás. Não era uma época fácil do ano.
— Alô! — Renée atendeu.
— Mamãe, sou eu — Bella falou, ouvindo um gritinho animado do outro lado da linha.
— Bella, meu amor, que bom falar com você, princesa! — Renée exclamou. — Já assisti aos vídeos do show de ontem, Alice me mandou alguns e, rodei a internet para ver outros, seus fãs devem ter gravado tudo. — Riu. — Ah querida, eu amei o show, foi maravilhoso, você esteve incrível.
— Obrigada, mãe — Bella agradeceu, sentando-se na cama. — Como você está?
— Empolgada demais — Renée realmente parecia extremamente entusiasmada, mais do que o costume. — Eu fui ao atelier com Emm, ver a prova final da roupa dele para o casamento. Meu menino vai casar, isso é maravilhoso!
— Sim, é maravilhoso — Bella sussurrou, pensando na noiva do irmão, quis perguntar sobre ela e, toda a família da casa ao lado, mas conteve sua língua. — Ele parecia muito feliz ontem, falei com ele rapidamente, estava vendo o Buffett ou algo assim.
— Ah sim, eles foram escolher os pratos. Você ainda está naquela dieta vegana? Acho que devemos avisar sobre isso.
— Mãe, eu não vou ao casamento — Bella disse, sentindo lágrimas em seus olhos. — Eu...Mamãe, eu não posso ir, você sabe.
— Sim, você pode! — Renée exclamou, com revolta pintando sua voz. — Bella, é seu irmão que está se casando, entendeu bem? Seu irmão mais velho, você tem de estar ao lado dele nesse dia tão importante. E, eles te enviaram um convite, não é? Ninguém está te excluindo.
— Mãe, eu não vou conseguir vê-lo.
— Você fez suas escolhas, não foi Isabella? Romper o noivado, ir para New York, basta Edward aceitar isso. Ele não poderá te expulsar da cidade só pelo modo que o relacionamento de vocês terminou, Santa Cruz não é dele.
Bella pensava o contrário, Santa Cruz era de Edward. Ele esteve lá antes, ele era o nativo, ela a invasora que se dizia pertencer aquele lugar, mas que foi embora quando não suportou a carga pesada em seus ombros.
— Emmett ficará decepcionado e muito triste se você não estiver aqui para o casamento dele, Isabella. Espero que pense um pouco em seu irmão, não apenas em si mesma. Preciso desligar, vou sair com Esme e Rosalie. — Renée não esperou mais nada para desligar, deixando a filha ainda parada com o celular na orelha.
Bella desligou o celular, com o braço esquerdo abaixado, ela pode ver a tatuagem em seu pulso. A constelação tatuada ali lhe fazendo pensar no garoto de olhos verdes da casa ao lado. Ela tocou no pulso, começando a chorar.
***
A festa já tinha começado e, acontecia no piso inferior do duplex, enquanto Bella continuava em se quarto, protelando ao máximo. Queria se arrastar até sua cama e enrolar-se nos lençóis, talvez assistir um pouco de TV comendo pipoca e bebendo coca-cola, ela estava mesmo com vontade de ver alguns episódios de Friends, rir um pouco que fosse.
Uma batida na porta lhe despertou, mas ela não tirou os olhos da janela, por onde observava o Central Park naquela noite de terça feira. Ouviu os pisos abafados, então mãos quentes segurando em seus ombros.
— Você deveria estar lá embaixo, Marie — Jacob disse, massageando os ombros da cantora. — Todos estão ansiosos para vê-la, querida.
— Estou preparando-me para isso — falou, a voz carregada de tédio, odiando a massagem. — Não o vi no show ontem, você chegou a ir?
— Estava circulando pelos camarotes, enquanto você brilhava. Foi realmente um show incrível, aquilo de chorar enquanto cantava e tocava piano, todos estavam falando que foi uma de suas melhores performances.
Bella engoliu em seco, lembrando-se da noite passada enquanto tocava piano para uma multidão de pessoas, mas imaginava que estava tocando para Edward.
— Vamos! — Bella se colocou de pé. — Quanto antes isso acabar melhor — falou, alisando o vestido vermelho que usava, que chegava a seus joelhos e tinha um grande decote frontal.
— Marie, é apenas uma festa, não precisa ficar irritada. — Jacob estendeu o braço a ela e, Bella se uniu ao seu empresário, deixando-o a conduzi-la para fora do quarto.
Ela não respondeu, apenas continuou andando até a escada de cabeça baixa. Rapidamente levantando o rosto quando chegou ali, deixando um sorriso tomar conta de seus lábios, quando todos no primeiro andar voltavam-se para olhá-la, uma onde de aplausos preencheu o ambiente.
Jacob a levou para cumprimentar as pessoas mais importantes primeiro, os grandes patrocinadores, ou outros famosos que estavam ali marcando presença. Bella foi simpática e alegre com todos eles, mesmo que estivesse odiando tudo aquilo, principalmente o grande telão mostrando trechos dos shows da última turnê, não via necessidade daquilo, eles podiam estar ouvindo outros cantores, algo mais calmo.
Isabella suportou toda a festa, sorrindo, tirando fotos, rindo e dançando. Paparicou quem tinha de paparicar, foi paparicada por quem tinha de paparicá-la.
Quando todos foram embora, a deixando apenas com empregados, Bella chutou os saltos para longe, subindo as escadas rapidamente para voltar para seu quarto. Alice foi atrás dela, levando os saltos que ela tinha deixado para trás.
— Quer comer algo? — Alice perguntou, saindo do closeth da suíte, vendo Bella tirar seu vestido e se enfiar em um roupão.
— Santa Cruz, eu vou passar minhas férias em Santa Cruz, Alice! — Bella anunciou decidida.
— Bella, você tem certeza? Isso pode não te fazer bem — Alice sussurrou, ela sabia sobre tudo.
Alice esteve com Bella logo que a morena chegou a New York, eram colegas de faculdade e imediatamente se tornaram amigas. Bella se apoiou em Alice, apesar de desentendimentos, ela não saberia viver sem a outra. Seja no campo profissional, ou pessoal.
— Tenho! — Bella assentiu. — Eu tenho de estar lá para o casamento de Emmett.
— É casamento de Rosalie também. — Alice lembrou. — Vocês duas não se falam desde sua partida, ela foge de você como se estar na sua presença fosse estar na presença do próprio diabo.
— Não estou indo por Rosalie. — Bella respirou fundo, lembrando-se da ex melhor amiga. — É por Emmett, Alice. Ele é meu único irmão e, está prestes a se casar, ele sempre esteve ao meu lado, preciso estar ao lado dele agora.
— Então, para quando eu devo programar sua partida? — Alice indagou.
— Nossa, eu não conseguiria ir sem você — Bella afirmou. — Sábado, nós vamos no sábado. Não deixe minha família descobrir, quero que seja uma surpresa.
***
No banco de trás do carro, Bella dava um sorriso tão grande que até assustava Alice, ela não via a amiga tão feliz desde o dia que ganhou o Grammy e, a assessora não entendia como estar naquela cidade podia ser comparado a ganhar o maior prêmio da música. Mas, para Bella, era ainda melhor.
A última vez que esteve ali, foi para passar apenas um fim de semana e, foi terrível, pois ainda era recente demais. Ainda que Edward estivesse fora para a faculdade, todos os outros que sabiam sobre a história deles, estavam lá e, ela sentia-se acuada.
— Oh, veja Alice, foi ali que eu me apresentei pela primeira vez com o coral natalino da cidade! — Bella apontou para o teatro.
— Animador — Alice murmurou, digitando em seu celular. — Por que essa cidade é tão quente? Por Deus! Paul, esse ar condicionado não está com defeito? — perguntou a um dos seguranças no banco da frente do carro.
— Não, senhorita Brandon.
Por pedidos de Bella, elas estavam viajando apenas com dois de seus seguranças pessoais. Felix e Paul.
— Eu mandei você usar algo mais leve, isso que dá teimar e se enfiar em roupas sociais — Bella acusou, gesticulando para a camisa social de Alice, de tecido pesado e a saia lápis de couro. Enquanto ela usava um short jeans curto e, uma regata preta, os cabelos estavam presos em um coque no alto da cabeça e, ela usava óculos de grau no lugar de suas lentes de contato.
— Você devia tirar uma foto com seus pais, ou algo assim. — Alice ignorou o comentário sobre sua roupa. — Não atualiza seu Instagram desde a festa na terça-feira, precisa movimentar sua conta.
— Não, sem fotos — Bella afirmou, voltando a olhar pela janela, apreciando a cidade passar por si. Estavam no fim da tarde e, o Sol estava começando a se pôr, era lindo.
Não muito depois, Felix estacionou na frente da casa verde. Mas, os olhos de Bella se perderam na casa azul ao lado, com um pequeno sorriso saudoso, ela saiu do carro, caminhando para a entrada da casa dos pais.
Alice atrás dela reclamando do piso de pedra irregular, que estava destruindo seus sapatos. Bella tocou a campainha, ouviu o pai gritar que já ia atender e seu coração esquentou-se.
— Bells! — Charlie murmurou chocado a ver a filha em sua porta, ele e Renée não a viam desde que visitaram a filha cerca de dois meses antes, em uma breve pausa da turnê.
— Oi papai! — Bella pulou nos braços dele, sendo imediatamente retribuída.
— Ah filha, como é bom te ver pessoalmente! — Charlie beijou o rosto dela, puxando-a para dentro de casa. — Alice, oi. Como vai? — O dentista perguntou.
— É uma cidade muito quente, senhor Swan! — Alice declarou, entrando também, encostando a porta rapidamente, antes que alguém aparecesse na rua até então vazia e visse Bella ali.
— Você se acostuma! — Charlie riu, Bella sorriu ao ouvir a risada grave do pai, era como se fosse uma criança de novo, adorando a risada do pai. — Renée, nós temos visita! — ele gritou para a esposa, levando a filha e Alice para a sala.
Bella correu até o piano da mãe, tocando nele como se fosse a coisa mais delicada do mundo. Tinha uma infinidade de bons momentos relacionados aquele piano.
— Ela está se arrumando, nós estávamos quase saindo para jantar — Charlie explicou a Bella.
— Ah, eu apareci em péssima hora — Bella constatou, ficando constrangida.
— Bells, você nunca é mal vinda, querida. — Charlie afagou os cabelos dela.
Bella era parecida demais com Charlie, baixa, olhos e cabelos castanhos. Enquanto a mãe e irmão eram loiros, de olhos claros e altos.
— Charlie, que gritaria toda é essa? — Renée entrou na sala, paralisando a ver a filha caçula ali. — Bella? Ah meu Deus, Bella! — Ela correu em seus saltos até a filha, lhe dando um forte abraço.
Bella inspirou o perfume da mãe, era tudo que precisava para se sentir de vez em casa.
— Oi mamãe!
— Bella, por que você não disse que estava vindo? Alice, por que você não disse que ela estava vindo? — Renée começou a perguntar rapidamente.
— Eu queria que fosse uma surpresa — Bella explicou. — Estava morrendo de saudades.
— Nós também, meu amor, muito! — Renée beijou a bochecha de Bella, limpando-a depois para tirar a marca de batom que ficou ali. — Charlie, querido, ligue para Carlisle e cancele o jantar.
— Não, mãe, nem pensar! — Bella exclamou, seu estômago revirando ao ouvir o nome de um dos Cullen. — Não cancelem nada, eu que apareci de surpresa, não mudem seus planos por mim.
— Mas...
— É sério — Bella interrompeu a mãe. — Vocês podem sair para jantar, de qualquer forma Alice e eu ainda temos de ir para o hotel nos registrar.
— Hotel? — Charlie questionou. — Bells, vocês podem ficar aqui, Alice pode usar o antigo quarto de Emm e você ainda tem o seu, não precisam de um hotel.
— Já fizemos reservas, papai — Bella falou gentilmente. — Além do mais, eu acho que isso será melhor para todos — murmurou a última parte e, Charlie percebeu que ela não queria ficar no caminho de Edward, sendo a casa dos pais dele ali ao lado.
— Filha, você não precisa fazer isso — Renée frisou.
— Eu prefiro assim. — Bella se soltou da mãe. — Agora, vão para o jantar de vocês, okay? Eu estou realmente cansada de toda a viagem, vou para o hotel descansar um pouco, nós nos encontraremos amanhã.
— Claro. — Renée se deu por vencida. — Não suma, Isabella!
— Não vou, prometo! — Ela abraçou os pais mais uma vez, então saiu com Alice, evitando olhar para a casa ao lado.
***
Bella estava terminando de se arrumar sobre o olhar atento de Alice, que não gostava nada da ideia que a outra tinha tido para aquela noite.
— Bella, reconsidere isso — pediu. — Você vai ser facilmente reconhecida, nós podemos comer algo no quarto.
— Não, eu não voei de New York para comer trancada em outro quarto.
— Então, vamos para o restaurante do hotel, é mais fácil de escondê-la.
— Estou falando, Alice, tem um restaurante maravilhoso perto da praia — falou animada, enquanto passava mais uma camada de rímel em seus cílios, tendo boas recordações daquele restaurante.
— Oh Deus, isso não vai dar certo, estou falando. Vão cair em cima de você, Bella!
— É um restaurante, Alice, nós pegamos uma mesa reservada, acalme-se.
— Nem adianta discutir, levaremos Paul e Felix com a gente.
— Como você quiser. — Bella finalizou sua maquiagem, olhando o resultado final de sua produção no espelho do quarto.
Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, ela não tinha seus óculos ou suas lentes de contato. O rosto estava bem maquiado e, usava uma camiseta do AC/DC que tinha ganhado do irmão quando adolescente e, um short jeans.
— Use isto. — Alice tirou um boné de baseball de uma das malas de Bella, pertencia a Charlie, a filha tinha tomado posse dele quando era criança.
— Alice — Bella resmungou.
— Use! — Alice mandou, Bella pegou o boné, o colocando na cabeça e passando o rabo de cavalo pela abertura na parte de trás. — Isto também. — Alice estendeu os óculos para Bella. — Nem adianta ficar emburrada, só o que faltava era você criar uma grande confusão, eu devia ligar para esse restaurante antes de irmos e avisar que estamos a caminho e, se eles não tiverem seguranças para conter possíveis contratempos?
— Não, só vamos logo, estou morrendo de fome. — Bella colocou os óculos, enxergando muito melhor com eles, a armação era preta, grossa e antiga.
Alice respirou fundo, indo para o restaurante com Bella.
— Eu não acredito nisso — Bella gemeu de desgosto ao ver que o restaurante tinha se transformado em um bar, aparentemente lotado naquela noite de sábado.
— Vamos embora agora? Podemos comer no quarto e ver televisão — Alice disse cansada.
— Parece animado lá dentro, né? — Bella perguntou a Alice, observando a agitação do bar do interior do carro.
— Bella, nem pense nisso, te levar para um bar é pior do que um restaurante. Vai ser como um humano entrar em um local cheio de zumbis.
— Ei, é o carro do Emm! — Bella exclamou ao ver o grande jeep do outro lado da rua.
— Como você sabe? — Alice bufou.
— Eu reconheço o carro do meu irmão, Alice. — Bella revirou os olhos. — Emmett tem esse mesmo carro desde os 17 anos, vamos, ele está lá dentro.
— Bella, não. Ele nem te atendeu quando você ligou mais cedo.
— Porque ele não sabe que estou na cidade, vai ficar feliz em me ver!
Bella já estava fora do carro antes de Alice conseguir detê-la, ela saiu do carro, sendo seguida pelos seguranças. A cantora caminhou de cabeça baixa para o outro lado da rua, então para dentro do bar, onde começava um coro de parabéns, com a voz de um homem em sotaque sulista regendo tudo em um microfone.
Alice agarrou no braço dela, enquanto os seguranças as escoltavam como se fossem amigos, ou namorados abrindo caminho no meio da lotação do bar. Mesmo com aquilo sendo completamente arriscado, Bella não podia deixar de se sentir animada, tinha muito tempo que não fazia algo que realmente queria.
Tudo era sempre trabalho e mais trabalho, não sobrava tempo para diversão.
Quando Felix e Paul conseguiram uma mesa distante do palco, já que o bar era karaokê também, Bella levantou o rosto. Ela olhou em direção ao palco, por cima das cabeças de todos os clientes em pé ali, vendo o cara que devia ser do Texas que cantava e, ao seu lado, Edward. E, segundos depois, ela sentiu os olhos verdes dele sobre si.
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