A Intocável
25 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
“O bebê de Marie
Aconteceu no último fim de semana em São Francisco o festival de música Outside Lands, que tinha como programado ser encerrado pela Queridinha da América, a cantora pop, Marie Swan.
Porém, não foi isso que vimos, tecnicamente não vimos nada. Instantes antes do horário que deveria entrar no palco, Marie Swan simplesmente cancelou a apresentação no festival. E, aqui você irá saber com exclusividade o que motivou a decisão abrupta da cantora.
Fontes próximas a ela afirmam que a cantora estava muito debilitada mentalmente para comparecer ao palco e, isso tudo se deve a fato de que ela está novamente namorando Edward Cullen, que no passado já lhe prejudicou muito.
Segundo informações, quando tinha 17 anos Marie engravidou de Edward e, ele a obrigou passar por um aborto. Chocante, sabemos!
E, depois disso Marie ficou completamente fragilizada, o que explicaria ela estar em um estado mental conturbado agora que está novamente envolvida romanticamente com o californiano.
Isso tudo a levou a desistir do show de encerramento do festival, agora devemos esperar para ver onde irá acabar a carreira de Marie Swan e seu relacionamento destrutivo com Edward Cullen.”
***
Edward pegou a xícara de chá da mão de Alice, ainda segurando seu celular contra sua orelha, ouvindo o discurso de Carlisle do outro lado da linha. Ele caminhou até a escada do duplex, seguindo em direção ao segundo andar.
— Eu sei, pai, Bella também sabe, fique tranquilo quanto a isso — Edward pediu. — Nós nunca desconfiaríamos que você divulgou qualquer informação sobre a gravidez dela, além do mais você não trabalha com esse tipo de coisa na sua clínica. Bella, Alice e eu temos certeza de que Jacob está por trás da divulgação dessa informação. Não sabemos exatamente como chegou até ela, mas ele tem dinheiro suficiente para conseguir ter o que quer.
— Rosalie e Emmett querem ir para New York, eles acabaram de voltar do hotel fazenda — Carlisle anunciou, fazendo Edward parar na porta da suíte do quarto de Bella.
— Pai, não, por favor. — Edward suspirou. — Charlie e Renée chegarão aqui amanhã para ajudar. E, Bella precisa de paz, já tem gente demais a cercando. Eu sei que eles estão preocupados com ela, mas os convença a ficarem em Santa Cruz. Eu levarei Bella para casa assim que isso tudo acabar, eu prometo.
— Tudo bem, filho, eu farei sua irmã ficar aqui. — Carlisle suspirou. — Como Bella está?
— Ela está exausta, não dormiu nada o dia inteiro e se recusa a tomar qualquer calmante. Eu tenho mesmo de desligar agora e ir ficar um pouco com ela, qualquer coisa eu lhe ligo, nós podemos precisar de suas informações da clínica.
— Tudo bem, filho, mantenha-me informado. Sua mãe está mandando um beijo para você e Bella.
— Outro para ela. Até mais, pai. — Edward desligou o celular após a despedida do pai, enfiando o aparelho no bolso e entrando na suíte. O quarto estava mergulhado em escuridão, ele imediatamente ligou a luz, fazendo Bella coberta dos pés a cabeça se remexer na cama. — Hey, Alice preparou um chá para você, ela disse que é seu preferido e que tem princípios naturais capazes de te acalmar. E, ela falou isso tudo muito rápido, então talvez ela precise de um pouco também. — Brincou, puxando a coberta para longe do rosto dela, enquanto se sentava ao seu lado.
Bella tinha os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. Sua vida tinha se tornado uma montanha russa que não parava nas últimas horas, o estresse pré show, o cancelamento, então a noticia de que ela tinha abortado o bebê por ordens de Edward.
— Como você consegue estar tão calmo? — ela perguntou, analisando o rosto de Edward.
— Eu não estou, mas quero te ver bem, então não irei me desesperar. — Colocou a xícara sobre a mesinha ao lado da cama, segurando o corpo de Bella e a colocando sentada.
— Estou tão preocupada.
— Eu sei, mas vai ficar tudo bem, Bella. — Envolveu as mãos dela entorno da xícara de chá. — Isso tudo irá se resolver.
— Eles estão dizendo que eu abortei, que eu fiz isso porque você queria. Edward, é nojento. Nós amávamos Lira.
Edward afagou o rosto dela, o livrando de lágrimas.
— Nós sabemos disso, Bella, nós dois sabemos de toda a verdade e isso ainda é mais importante.
— Eu me sinto tão idiota. E, eu te arrastei para tudo isso, o que estão falando de você...
— Pouco me importa o que estão falando de mim, Bella, sinceramente. — Edward a fez beber um pouco do chá. — Minha família e a sua sabem a verdade dessa história, Jazz que é meu melhor amigo sabe. Eu nunca cogitei a ideia de pedir que você abortasse o bebê e sei disso, minha consciência está limpa. Não fui um covarde com você e com Lira, então que o mundo se foda sobre o que estão insinuando sobre mim. Nós perdemos nossa filha, esses abutres estão apenas querendo comer em cima do nosso sofrimento.
— Não tenho ideia de como e quando Jacob descobriu a verdade. — Ela apoiou a testa no ombro de Edward. — Isso foi minha culpa, eu não devia ter tentado ser maior do que ele com o lance do show e de Marie.
— Não, não repita isso, você estava entrando em colapso antes de entrar no show, né?
— Eu acho, eu não conseguia parar de pensar sobre todas aquelas pessoas gritando por Marie e, como ela tinha sido criada desde o começo para agradar. Jacob pensou em tudo, estilo musical, visual, tudo.
Edward tocou nas costas dela, tentando fazê-la relaxar um pouco.
— Apenas tente dormir um pouco, Bella, por favor — pediu a ela. — Você passou o dia inteiro chorando, precisa descansar.
— A reunião...
— Alice adiou, ela vai querer conversar amanhã com você sobre alguns planos que tem em mente para o que ela chama de contenção de danos, mas nada que não possa esperar por algumas horas até que você relaxe.
— Você vai ficar comigo? — ela perguntou, o olhando aflita.
— Ei? Sou seu namorado, não é? Eu aceitei seu pedido. — Beijou os lábios dela por um instante. — Não vou a lugar algum sem você, Bella, garanto. Nós resolveremos toda essa confusão, então voaremos para a Califórnia e poderemos queimar o sofá do loft como você tanto quer. — Ela deu uma risada sufocada ao ouvir aquilo, sem acreditar de que mesmo com todo aquele caos ele era capaz de fazê-la rir.
— Amo você, Edward.
— Amo você também, Bella. — Beijou sua testa. — Vamos, beba esse troço que Alice preparou.
— É gostoso — Bella murmurou, voltando ao chá. — Você deveria experimentar.
— Não confio nas ideias de Alice — Edward afirmou.
— Ela tem algumas ideias realmente boas, talvez eu devesse ir falar com ela sobre o que está...
— Não. — Edward a interrompeu, tirando a xícara já vazia das mãos da Swan. — Você irá deitar e dormir, sua mãe e seu pai estarão aqui no começo da manhã e, todos nós poderemos conversar e achar uma maneira ideal de sair de todo esse caos, mas agora só quero que durma, Bella.
— Vai deitar comigo? — Ela colocou sua mão esquerda na esquerda dele, suas tatuagens nos pulsos se aproximando.
— Sempre. — Edward chutou seus sapatos, tomando um lugar maior junto dela a cama.
Bella inspirou fundo, deitando e sentindo Edward deitar atrás dela, a abraçando e puxando-a para perto. Não demorou muito para que ela finalmente dormisse, sendo vencida pelo cansaço, mas a mente dele ainda estava completamente em alerta.
O que pareceu ser por volta de uma hora depois, Alice colocou sua cabeça para dentro do quarto.
— Dormindo?
— Sim, ela apagou, seu chá funcionou — Edward murmurou para ela.
— Ótimo, calce seus tênis e venha comigo, Cullen — ordenou.
— O que? Alice, eu...
— Você vai adorar, venha!
A cabeça dela sumiu e, a porta foi fechada.
Mesmo que contrariado, Edward afastou-se de Bella, certificando-se de que ela estava dormindo e, enfiando seus pés nos sapatos, saiu atrás de Alice. A assessora estava no corredor, esperando por ele com um sorriso de orelha a orelha.
— Eu devo me preocupar com o que você está tramando?
— Sim, nós corremos o risco de sermos presos — ela falou sinceramente.
— Alice, isso...O que você está planejando?
— Eu sei onde Jacob Black mora e, fui informada que ele já está de volta a New York.
— Como você sabe?
— Contatos. — Alice balançou seu celular na frente do rosto de Edward.
— E o que tem em mente? Ir lá e matá-lo?
— Foi minha primeira ideia, mas quero antes disso ver você o socando novamente, porque aquilo era o que eu queria fazer por muito tempo quando ele ficava para cima de mim bancando o chefe dono do mundo e desprezando minha função. E, ele mexeu com Bella, ninguém mexe com Bella e passa ileso por mim, vamos lá acabar com a raça daquele filho da puta.
— Nós podemos ser presos — Edward lembrou.
— Nós podemos. — Ela assentiu. — Mas tenho contatos de bons advogados também, nós sairemos em um dia da prisão, no máximo. E, se tivermos sorte conseguimos descobrir como ele sabia sobre Lira.
A mente de Edward se despertou com aquilo.
— Okay, vamos lá.
— Isso! — Alice comemorou. — Eu sabia que seriamos uma boa dupla, Cullen! — ela exclamou seguindo com ele para as escadas. — Queria que Jazz pudesse estar aqui para nos ver socando a cara de Jacob, ele perderá toda a diversão.
— Claro, muito divertido.
— Nós estamos em New York, tudo aqui é divertido, menino Califórnia — ela declarou. — Agora, vamos, Bella está dormindo e eu deixei Pam responsável por ela, elas se dão bem.
— Alice, se formos presos eu vou matá-la. — Ele anunciou.
— E ai você ficará preso por mais tempo, gênio.
***
Alice ignorou completamente a campainha, praticamente derrubando a porta enquanto batia nela. Com charme e ingressos para um jogo de basquete, ela tinha conseguido que o porteiro do prédio de Jacob liberasse a sua entrada e a de Edward sem avisá-lo, alegando ser uma surpresa de amigos.
Seria uma surpresa, mas não de amigos e muito menos agradável.
— Você tomava energético no lugar de leite quando criança? — Edward perguntou a ela, quando a baixinha voltou a socar a porta.
— Não me irrite, o que esse babaca está fazendo?
— Eu vou matá-lo, Alice, você sabe, né? Você é baixinha e magra demais, não será capaz de me deter. Bella ficará furiosa por você ter me trazido até aqui. — Edward apertou a ponta do seu nariz, tentando manter a calma.
Eles ouviram passos no interior do apartamento, então Alice parou de bater. A porta logo se abriu e um Jacob despenteado, com apenas uma calça moletom e o queixo inchado apareceu.
— Ei, o que vocês estão fazendo aqui? — perguntou alarmado.
— Cala a boca! — Alice ordenou, empurrando-o pelo peito, fazendo com que o ainda sonolento Jacob cambaleasse para trás, ela entrou no apartamento, sendo seguida por Edward que fechou a porta com um chute. — Foi você, não é?
— Não sei do que está falando. — Jacob cruzou os braços, evitando olhar para Edward.
— Vamos fazê-lo se lembrar. — Alice sorriu para Jacob por um segundo, antes de dar um chute entre as pernas dele.
O Black se engasgou, enquanto caiu de joelhos no chão, gemendo alto de dor.
— Sua cretina! — exclamou com a voz trêmula.
— Belo chute — Edward parabenizou, ainda controlando-se para não quebrar Jacob como sabia que podia.
— Fiz alguns anos de artes marciais. — Alice deu de ombros. — Agora, você, seu filho da puta. — Se voltou para Jacob, que tinha uma lágrima escorrendo pelo rosto. — Como você descobriu sobre o bebê da Bella?
— Não fui eu — Jacob murmurou, claramente mentindo.
— Ah, que se foda! — Edward rosnou, agarrando os cabelos de Jacob com brutalidade, puxando a cabeça dele para trás, fazendo com que ajoelhado diante de si o Black olhasse para cima. — Como você descobriu sobre minha filha, seu pedaço de merda?
— Sua filha — Jacob debochou. — Ela nem chegou a nascer, supere!
Edward o empurrou contra o chão com força.
— Você tem dois minutos para dizer tudo antes de eu deixar Edward lhe dar um soco — Alice anunciou, ligando o gravador do seu celular. — Ah, você não irá falar? Edward, você pode...
O Cullen não precisou demais incentivo para fazer Jacob se levantar e levar seu punho ao nariz dele, tudo tão rápido que o Black não conseguiu reagir.
— Porra, que merda é essa? — Jacob respirou, sangue saindo de seu nariz. — Você mora na droga de uma academia, cara?
— Como você descobriu sobre a minha filha? — Edward gritou, o jogando no chão mais uma vez.
— Quando me tornei o empresário de Marie — Jacob respondeu por fim, ainda com o nariz jorrando sangue, largado no chão e morrendo de dor. — Ela não falou muito sobre o passado, claramente escondia algo, eu não podia estar por trás dela sem saber sobre cada aspecto de sua vida, principalmente um que podia me comprometer no futuro. Eu investiguei tudo sobre ela, desde sua vida em Seattle, sua partida para Santa Cruz, então cheguei aos históricos médicos pelo seguro saúde, foi incrivelmente fácil, não faz ideia de tudo que o dinheiro pode comprar, Cullen. Então, soube do aborto, lamento por isso — zombou.
— E você divulgou isso a imprensa? — Alice indagou, continuando a gravar.
— Claro, eu estou perdendo rios de dinheiro com a ideia absurda de Marie de parar, eu tinha de prejudicá-la também.
— O que você prefere? — Edward se agachou ao lado de Jacob, pressionando sua mão na garganta do outro. — Contar a imprensa pessoalmente sobre seu plano idiota? Ou deixar com que Alice e eu divulguemos o que gravamos?
— Você sabe que eu estive com ela, não é? — com a voz rouca Jacob provocou Edward. — Que eu a beijei e a chupei, que a fodi.
Edward apertou ainda mais a mão no pescoço de Jacob, que perdeu o ar na mesma hora, engasgando, tentando afastar a mão de Edward de si desesperadamente.
— Acho que isso responde nossa pergunta, você será devidamente exposto pela gravação e, isso será ainda mais vergonhoso do que se desculpar publicamente pelo que fez — Alice falou, cutucando Edward para liberar o ar para Jacob, o que relutantemente ele fez.
— Seu filho da puta! — Jacob gritou para Edward quando esse se afastou, mas o Black rapidamente se encolheu e rolou no chão para longe ao ver o olhar ameaçador do Cullen.
— Você é um rato — Edward disse com nojo.
— Fique longe de Isabella, ou nós voltaremos aqui e queimaremos seu pau! — Alice gritou, entusiasmada demais com toda a adrenalina da situação. — E se você chamar a polícia nós iremos ser presos e voltaremos aqui dessa vez como presidiários para foder sua bunda!
Edward revirou os olhos, puxando Alice para longe do apartamento e de um Jacob quebrado.
— Isso foi demais, nós devíamos abrir um serviço de segurança pessoal e ir atrás de criminosos e foder com eles! — Alice exclamou enquanto apertava o botão para chamar o elevador.
— Claro. — Edward bufou. — Você teve uma boa ideia, Alice. Bella estava certa, eu posso gostar de você.
— Todos sempre acabam gostando de mim, Edward Cullen — Alice declarou. — Somos amigos agora?
— Não force.
Assim que os dois entraram na sala do duplex de Bella, viram a mesma sentada no sofá, enrolada em um roupão, os encarando com visível raiva.
— Onde diabos vocês se meteram?
— Nós fomos cuidar de Jacob! — Alice sentou ao lado dela. — Temos provas do que ele fez e, eu acho que o Black não poderá ter filhos.
— Vocês bateram nele? — perguntou perplexa de Alice para Edward. — Vocês podem ser presos, o quanto você ainda pretende bater nele até que a policia te arraste para uma delegacia? — perguntou a Edward.
— Não batemos em ninguém, alguém disse isso? — Edward sentou do outro lado dela, compartilhando o sorriso zombeteiro de Alice. — Ele investigou sobre seu passado — falou sério. — Até suas informações privadas do seguro saúde descobriu, foi como chegou a saber do aborto e, ele sempre soube disso, desde que começou a trabalhar com você.
— Hipoteticamente se você tivesse batido nele, o quanto ele sofreu? — Bella perguntou, queimando de raiva ao saber sobre a investigação.
— O suficiente para ele ficar longe de você. — Edward a puxou para seus braços. — Não vou deixá-lo atingi-la mais, eu prometo. — Beijou a testa dela.
— O que nós faremos agora? — Bella perguntou a Alice.
— Eu estive pensando em Tanya Martin — Alice respondeu.
— Tanya Martin?
— É uma jornalista daqui de New York — Alice explicou a Edward. — Tem seu próprio programa na TV. Ela entrou em contato mais cedo querendo uma entrevista exclusiva com Bella.
— Eu gosto dela, é uma boa jornalista — Bella disse para Edward. — Uma das primeiras que me entrevistou, foi realmente gentil e agradável.
— Bella devia dar essa entrevista amanhã? — Edward questionou Alice.
— Sim. — Alice acenou positivamente com a cabeça. — Ela ainda precisa ir a reunião na gravadora, ainda há contratos e Jacob não foi oficialmente demitido. Mas podemos adiar mais um pouco, antes ela precisa contar toda a verdade ao mundo.
— Eu quero que você sonde Aro Volturi — Bella sussurrou para Alice.
— O pai de Alec? O que tem ele? — Edward indagou.
— Ele tem uma gravadora e, por muito tempo faz convites para que eu me una a ela, nós nos encontramos no festival quando fui apresentar Ness a Alec. Eu preciso ter alguém na chamada de emergência caso a porra da Black Records me quebre.
— Okay, então você terá sobre a Black Records a vantagem do mundo saber sobre a história de vocês. — Alice gesticulou de Bella para Edward. — A gravadora do Volturi na manga, mesmo que isso possa ser muito incerto agora. Como acha que quer lidar com isso? Se Billy ceder a todos seus pedidos você continuará ligada a eles?
— Não, o único pedido que quero que ele aceite é a quebra contratual sem processos, de resto que se foda. Não volto aquela gravadora como parte da equipe deles, eu não sei se Aro ainda irá me querer como parte da dele depois de tudo isso, mas prefiro dar um tiro no escuro do que continuar presa a Black Records.
— Billy pode propor que você não processe Jacob, se ele não processá-la — Edward falou, chamando a atenção de Bella.
— Sim, eu pensei nisso também. O que acha disso?
— A escolha é sua, Bella. Eu adoraria ver o Black respondendo por ter te investigado como se você fosse uma criminosa, mas se você e Billy entrarem em um acordo que te livre de ambos e de Marie e, se isso é algo de sua escolha, eu te apoiarei. — Edward olhou fixamente nos olhos dela. — Basta apenas fazer aquilo que acha melhor para si mesma, Bella.
— De qualquer forma Jacob estará totalmente queimado no mercado depois de divulgarmos a gravação — Alice se pronunciou. — Ele ainda tem as costas quentes pelo pai, mas isso não o manterá ileso. Nós podemos atingi-lo sem um processo, mas na imprensa, onde realmente pessoas desse meio são julgadas.
— Vamos fazer isso. Entrevista. Black Records e esperar que Aro Volturi ainda queira me contratar — Bella declarou, sentindo-se confiante.
***
Bella se deixava ser maquiada, enquanto Renée massageava suas mãos carinhosamente, tentando fazer a filha ficar calma diante o que viria a seguir. A sala do duplex estava montada para a gravação da entrevista que ela concederia a Tanya Martin.
Alice conversava com Edward, que tinha concordado em participar de parte da entrevista, uma vez que estava diretamente ligado a todo o assunto. Ele prestava atenção a cada dica e instrução de Alice, tendo de concordar que ela era realmente boa com isso.
— Como estou? — Bella perguntou a mãe quando a maquiadora terminou.
— Linda. — Renée sorriu confiante a ela. — Mas tem certeza de que quer fazer isso, bebê?
— Sim — Bella confirmou. — É necessário, nós precisamos contar a verdade ao mundo. Lira não pode ser mais um segredo, principalmente quando estão fazendo um julgamento completamente errado sobre o que aconteceu naquele verão.
— Nós estaremos aqui lhe dando apoio. — Charlie se uniu a filha e a esposa. — Sabe que a amos, não é, Bells?
— Eu sei. — Ela sorriu para eles, deixando uma mão junto a mãe e colocando a outra junto a de Charlie. — Obrigada, vocês são maravilhosos. Vocês ficaram do meu lado até mesmo quando eu estava fazendo tudo tão errado e, eu os amo, muito, por cuidarem de mim.
Charlie e Renée imediatamente a abraçaram.
— Bella, podemos começar? — Tanya que tinha acabado de conversar com o produtor do programa chamou por ela.
— Sim — Bella respondeu a loira. — Edward? — Ele logo se uniu a ela.
— Okay, eu quero que saibam que se eu os deixar desconfortáveis ou se precisarem de uma pausa é apenas pedir. — Tanya comunicou aos dois, que sentaram em um dos sofás da sala juntos, enquanto ela assumia seu lugar em uma poltrona.
Atrás das câmeras Alice estava junto dos Swan e, com toda a equipe do programa de Tanya.
— Boa sorte — Edward sussurrou no ouvido dela, antes dele se afastar para perto de Renée.
Tanya fez a apresentação do programa para a câmera, então se voltou para ela.
— Hoje estou no apartamento de Marie Swan em New York, junto dela e mais tarde conversarei com seu namorado Edward Cullen. Como todos sabem, algo saiu de percurso no domingo no festival Outside Lands em São Francisco. Marie, nos conte um pouco sobre o que aconteceu aquela noite.
— Bom, eu realmente apreciaria se você pudesse me chamar de Bella, não de Marie, Tanya — Bella disse a ela.
— Bella, então, por que a mudança?
— Isso é algo diretamente ligado a pergunta sobre o festival — Bella disse, sua voz não fraquejando um instante sequer, mas seus olhos atordoados. — Eu não me identifico mais com Marie.
— Por que não?
— Porque por muito tempo Marie Swan foi apenas uma artista projetada e manipulada para agradar todos, foi o que me fez cancelar o show no festival. Eu não poderia subir no palco e me apresentar como Marie, não sabendo que ela é na verdade um produto.
— Por que diz que Marie é um produto?
— Porque desde que fui descoberta por Jacob Black, meu ex empresário, ele projetou a artista perfeita em mim. Como vocês podem ver hoje eu estou sem lentes de contatos azuis, pois até isso ele interferiu. Eu era uma garota de música indie, mas ele me convenceu de que pop seria mais lucrativo.
— E você se abstém de tudo isso? Acha que foi apenas manipulada sobre a coisa toda? — Tanya inquiriu.
— Não, de forma alguma — Bella afirmou. — Eu era nova quando comecei nisso, apenas 18 anos, mas não era uma garota tola, sabia que estava acontecendo ao meu redor. Mas, ainda assim me deixei levar pelas promessas de dinheiro, sucesso e fama.
— E o que te levou agora a deixar Marie para trás? — Os olhos dela focaram em Edward junto de seus pais e Alice.
— Eu estive em casa durante as últimas semanas, junto de amigos e familiares que inconscientemente, ou conscientemente algumas vezes, fizeram com que eu percebesse o erro que estava cometendo a esconder a verdadeira pessoa por trás de Marie.
— E você se arrepende de ter tido uma carreira como Marie?
— Não, mas eu não podia dar continuidade, não quando isso é algo que tem me afetado diretamente.
— Conte-me mais sobre isso.
— Problemas de saúde mental, eu estive com depressão e transtorno de ansiedade. Eu realmente quis cancelar o último show da minha turnê no fim de junho, pois não pensei que aguentaria aquilo, então o show do festival estava prestes a acontecer e eu definitivamente não podia lidar com aquilo, não mais.
— E agora que não é mais Marie, quais os planos? Você pretende abandonar a carreira de cantora para sempre?
— Não, eu nunca poderia fazer isso. Estou no mundo da música desde que nasci, minha mãe é professora de música e desde sempre ensinou-me tudo que sei sobre isso. Música me manteve de pé em momentos muito complicados, mas eu não poderia mais usar de apoio a música de Marie. Estou disposta a embarcar no cenário indie, mas antes irei fazer uma pausa de um ano na carreira para descansar e cuidar um pouco de mim.
— Ficará em New York?
— Voltarei para Santa Cruz, há um loft esperando por mim. — Ela sorriu para Edward, que sorriu de volta.
— E quanto a sua gravadora? Continuará ligada a ela?
— Isso será discutido em breve, não possuo informações concretas quanto a isso.
— E você disse que Jacob Black não é mais seu empresário, certo? Há um novo alguém ocupando esse cargo?
— O cargo será discutido em breve também, mas há uma pessoa em minha mente perfeita para isso.
— E quanto aos seus fãs, Bella? Ou devo dizer os fãs de Marie? Há algo que queira dizer a eles?
— Sim. — Assentiu, sentindo o nó na garganta. — Primeiramente quero pedir desculpas por ter cancelado o show e fugido das minhas responsabilidades, foi errado e muito desrespeitoso, mas eu não podia seguir em frente com aquilo por mais nenhum momento. Quero que eles saibam que me motivaram e me mantiveram nisso de verdade, que todos meus agradecimentos e contato que tive com cada um deles sempre foi algo real para mim, Bella, não parte do produto Marie. Eu amo cada um e, como eles podem ser gentis e carinhosos. Muitas das músicas que eles tanto amam não tiveram interferência minha em composição, ou arranjo, mas minha voz estava lá e eu sempre dei o melhor de mim neste caso e, nos shows eu estava realmente disposta a fazer do jeito certo. Mas, isso acabou, Marie acabou e lamento por todos que podem sair decepcionados disso.
— No próximo bloco falaremos com Bella Swan e Edward Cullen sobre um assunto que tem sido comentado por cada pessoa no país nos últimos dias — Tanya disse para a câmera quando Bella acabou, então a gravação foi cortada. — Você foi muito bem, Bella. Precisa de alguma pausa?
— Não, apenas quero continuar com isso — afirmou.
— Edward, você pode se juntar a gente agora — Tanya afirmou a ele, que caminhou até estar ao lado de Bella, uma maquiadora logo surgiu na frente dele, passando um pouco de pó em sua testa.
— Isso é realmente necessário? — Fez uma careta quando a mulher se afastou.
— Você está pronto para isso? — Bella perguntou a ele, tomando a mão de Edward na sua.
— Não, mas nós precisamos fazer isso, não é? Vamos lá.
Tanya recebeu o sinal verde deles, então pode continuar a gravação e, depois de fazer o retorno do bloco, voltou-se para o casal.
— Olá Edward, é um prazer conhecê-lo, nós temos ouvido falar muito sobre você ultimamente. — Ele apenas assentiu, envergonhado com as câmeras sobre si, Bella afagava a mão dele, tentando mantê-lo calmo. — Bella, por que você e Edward não nos contam um pouco sobre a história de vocês? — Tanya sugeriu.
— Edward e eu nos conhecemos quando ele tinha cinco e eu quatro anos de idade, quando me mudei de Seattle para Santa Cruz com minha família — Bella contou, voltando seu rosto para Edward e sorrindo para ele. — Nós nos tornamos amigos imediatamente depois daquilo. — Edward sorriu de volta para ela, afagando o braço de Bella com a mão livre.
— Ela era minha vizinha da casa ao lado e, nós crescemos juntos — Edward se pronunciou. — Minha família e a dela se uniram rapidamente em uma grande família, uma vez que nossos pais tinham filhos de idades próximas.
— Então Edward me pediu em namoro quando eu tinha 14 anos — Bella sorriu para Tanya. — E, nós passamos de apenas amigos para namorados.
— Então, você engravidou de Edward? — Tanya instigou.
— Sim — Bella respondeu, o rosto assumindo a dor que sempre sentia ao pensar e falar em Lira. — Eu descobri que estava grávida pouco depois da nossa formatura no colegial.
— Não foi uma gravidez planejada?
— Não — Edward respondeu por Bella. — Nós éramos novos e cometemos um deslize, como milhares de outros adolescentes.
— E vocês pensaram em entregar o bebê a adoção ou um aborto?
— Não — responderam juntos em perfeita sincronia. — Nunca — Edward completou sério. — Queríamos aquele bebê, nós o amávamos.
— Como foi para a família de vocês lidar com essa gravidez?
— Foi um choque, foi um para Edward e eu também, nós não estávamos planejando engravidar meses antes de partir para a faculdade, mas aconteceu. Nossos pais são maravilhosos, no entanto e, eles nunca deixaram de estender a mão para nos ajudar em nenhum momento e, tão rápido o choque inicial passou, todos nós estávamos comemorando pelo novo membro que ambas as famílias ganhariam.
— Quais eram os planos de vocês?
— Nós nos casaríamos em setembro, próximo ao aniversário de Bella — Edward contou sentindo-se nauseado ao pensar naquela época. — Então iríamos para Berkeley seguir o plano da faculdade, onde eu arranjaria um emprego de meio período e Bella focaria apenas nos estudos. Nós retornaríamos a Santa Cruz quando chegasse a hora do bebê nascer e, ficaríamos por lá até que Bella e ele pudessem voltar para Berkeley. Era perto de casa, eu conseguiria um emprego, nossos pais nos auxiliariam com dinheiro que faltasse. Não era um plano épico, mas estávamos dispostos a enfrentar tudo para manter o bebê protegido e ao nosso lado.
— E o que deu errado?
Bella soluçou, desviando o olhar para seu colo quando começou a chorar baixinho.
— Bella sofreu um aborto espontâneo quase no fim do primeiro trimestre — Edward falou, o olhar preso em Bella, enquanto a mantinha em seus braços.
— O que levou a isso?
— Uma má formação, nada que Bella, ou qualquer outra pessoa pudessem evitar. Inclusive meu pai era obstetra cuidando da gravidez dela, nem mesmo ele pode fazer qualquer coisa.
— Então, você não pediu a Bella que abortasse como as noticiais dizem?
— Noticiais falsas — Edward praticamente rosnou. — E, não, eu amava minha filha, nunca seria capaz de me desfazer dela. — Engoliu em seco, contendo a vontade de chorar.
— Edward e eu amávamos Lira, nós a queríamos — Bella conseguiu falar.
— Vocês já sabiam o sexo?
— Sim, descobrimos logo no começo.
— E escolheram o nome Lira, certo? Alguma referência?
— Na noite que eu aceitei namorar Edward, estávamos no quintal da casa dele observando as estrelas e, ele me mostrou a constelação Lira e, falei que podia ser a nossa constelação. — O lábio dela tremeu. — No momento que soubemos que seriamos pais de uma menina nós sabíamos que o nome dela deveria ser especial e, que nos lembrasse de algo importante.
— Isso é bonito! — Tanya assentiu, piscando algumas vezes para não chorar. — Então, tudo que estão falando é mesmo mentira, Edward nunca te forçou a um aborto?
— Não, isso é estúpido! — Bella exclamou enfaticamente. — Edward nunca faria algo assim, nós éramos novos e com baixos recursos próprios se esquecêssemos o dinheiro dos nossos pais, mas Lira era nossa filha e, morreríamos por ela.
— E depois que a perderam?
— Bella precisou se afastar — Edward respondeu antes que ela pudesse abrir a boca, querendo poupá-la daquele assunto que tinham enterrado. — Nós nos separamos e seguimos caminhos diferentes, eu fui para Berkeley e ela para New York. Então, nos reencontramos em junho quando ela voltou a Santa Cruz para o casamento do irmão dela com a minha irmã e algumas semanas retomamos nosso antigo relacionamento. Essa é toda a história.
— E Edward tem algo a ver com a sua decisão de encerrar sua carreira como Marie, Bella?
— Não, ele nunca me pediu ou impôs que eu largasse isso, Edward sabe o quanto a música é significativa em minha vida e nós dois somos independentes demais para que ele agisse como um machista mandando e desmandando em mim. Eu nunca permitiria isso, mas não é algo que precise me preocupar sobre Edward, ele não é assim.
— E vocês tem alguma ideia de quem pode ter começado o boato do aborto?
— Jacob Black — Edward respondeu. — Ele não aceitou a decisão de Bella de abandonar Marie e decidiu atingi-la.
— De fato, nós temos uma gravação em áudio de Jacob Black confessando isso, vamos ouvir — Tanya disse para a câmera, a gravação sendo interrompida.
Renée apareceu com copos de água para Bella e Edward.
— Obrigada, mãe.
— Vocês só precisam falar mais um pouco sobre Jacob, então encerramos isso — Tanya disse gentilmente. — Eu sinto muito sobre Lira.
— Obrigada, de verdade, Tanya — Bella agradeceu, devolvendo o copo a Renée, Edward fazendo o mesmo. — Podemos continuar agora.
— Bella, como se sente sobre Jacob ter exposto, ainda mais de forma errônea, um assunto tão delicado sobre sua vida?
— Traída, eu confiava em Jacob, ele era meu empresário no fim das contas e esteve comigo desde o começo. Nunca expus a verdade sobre minha filha, pois perdê-la foi o momento mais difícil da minha vida e até pouco tempo atrás sequer pensar nisso me machucava muito. — Apertou a mão de Edward. — Ver as pessoas falando de mim e Edward como se tivéssemos aberto mão dela foi doloroso, pois nós dois sabemos perfeitamente o quanto amávamos Lira e o quanto sofremos ao perdê-la. Então, o que Jacob Black fez foi algo irreparável, pois ele não apenas nos pintou como vilões, como nos feriu ainda mais ao falar dessa forma sobre nós dois e nosso bebê amado.
Tanya finalizou a gravação com agradecimentos aos dois pela entrevista, então as câmeras foram desligadas. Edward foi levado por alguém da produção para tirarem seu microfone, enquanto Bella continuava no sofá, tentando convencer-se de que tudo melhoraria depois daquilo.
— Eu também sofri um aborto espontâneo — Tanya sussurrou para Bella, sentando ao seu lado, chamando a atenção de Bella para si. — Eu tinha acabado de entrar na faculdade, sei como se sente.
— Você tem uma filha, não é? — Bella perguntou, olhando nos olhos claros e marejados de Tanya.
— Sim, Melanie, ela tem dois anos. — Tanya sorriu. — Eu sei o quanto dói, Bella.
— Algum dia para?
— Não totalmente, você ainda sentirá isso vez ou outra, mas você pode se permitir ser feliz — Tanya alegou. — Não há nada errado nisso.
Os olhos de Bella varreram a sala a procura de Edward, o encontrando abraçado a Renée. Ela assentiu, entendendo o que Tanya queria dizer.
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