A Intocável
4 Capítulo Três
Notas iniciais

Jasper circulava pelo bar cumprimentando todos, tanto clientes que não conhecia, como aqueles que já eram figuras carimbadas no estabelecimento. Logo estava atrás do balcão, ajudando a servir bebidas, quando viu o amigo e sócio entrar no bar pela porta da frente, roubando pelo menos uma dúzia de olhares femininos e alguns masculinos.
Edward e Jasper foram colegas de quarto no dormitório da Universidade de Berkeley, então moraram juntos em um pequeno apartamento próximo ao campus a partir do segundo ano na faculdade. Considerando o fato de que Edward tinha tido uma melhor amiga durante quase toda sua vida, ele considerava Jasper então, seu melhor amigo e, sabia que pelo menos ele não ia abandonar tudo como Bella tinha feito.
— Quer beber alguma coisa? — Jasper perguntou, pegando duas garrafas de vodca de trás do balcão e estendendo a uma garçonete que as levou até uma mesa cheia. — Tequila? Você está com cara que merece uma dose de Tequila.
— Não, estou bem. — Edward sentou-se em um dos poucos bancos vagos próximo ao balcão. — Que horas você vai fazer seu showzinho de aniversário?
— Cara, não, você sempre está estragando meus planos! — Jasper reclamou, fazendo uma bebida para si mesmo.
Quando Jasper e Edward saíram de Berkeley, com diplomas em administração, foram para Santa Cruz decididos a montar um negócio. Eles não sabiam exatamente o que, então, enquanto enchiam a cara em um bar e jogavam sinuca, decidiram que era aquilo que queriam. No dia seguinte, mesmo com ressaca, os amigos começaram a planejar tudo. Um ano depois, o 100 Bottles estava indo muito bem, para alívio dos donos que tinham investido tudo no bar.
O bar abria ao meio dia, funcionando mais como um pequeno restaurante, até o inicio da noite, quando realmente cumpria com sua missão inicial, bebidas, sinuca e karaokê para os desavergonhados. Assim como Edward, Jasper era um amante de música, então tinham aquilo em comum também.
— Onde está Maria? — Edward perguntou se referindo a namorada de Jasper.
O texano, de cabelos cor de mel, esticou-se por cima do balcão, tentando localizar a namorada no bar. Então, riu ao encontrá-la.
— Em uma mesa com Victoria.
— Ah merda! — Edward gemeu, passando a mão por sua cabeça, sentindo-a começar a doer por precipitação.
— Cara, desista, essa mulher vai segui-lo até o inferno. — Jasper fez mais uma bebida para si, servindo tequila para Edward, que não reclamou.
— Bom, pelo menos ela sabe o que fazer com a boca, não posso reclamar quanto a isso. — Edward bebeu sua dose de tequila em um único gole, fazendo uma careta ao terminar. — Já que estamos comemorando meu aniversário, vou garantir um presente.
Ele pulou do banco, caminhando até a mesa onde Maria e Victoria estavam. Maria tinha conhecido Jasper na festa de ano novo que o 100 Bottles ofereceu, ela e o sócio de Edward estavam juntos desde então e, eles até tinham começado a morar juntos dois meses antes. E, no pacote Maria, vinha junto Victoria.
Cabelos pintados de vermelho, um corpo digno de uma ex-líder de torcida e, recém-formada em Marketing pela Universidade de Santa Cruz. Edward tinha se envolvido com ela logo depois do namoro dos melhores amigos de ambos começarem, ela era jovem como ele, então no começo adorava o fato de terem apenas sexo casual — o único tipo de envolvimento que o Cullen tinha com qualquer garota —, mas não demorou muito para as insinuações de Victoria começarem. Ela queria se tornar namorada de Edward, mas ele não queria uma namorada.
— Olá meninas! — Edward sentou-se entre Victoria e Maria, colocando seus braços ao redor das cadeiras delas, ganhando um revirar de olhos de Maria, que afastou o braço dele de si, mas recebendo toda a atenção possível de Victoria.
— Oi gatinho, por onde você esteve durante a semana inteira? — Victoria perguntou com a voz baixa, passando seus dedos pela tatuagem de teclas de piano que Edward tinha em seu antebraço direito.
— Onde você esteve? — Edward rebateu, piscando para Victoria, que suspirou.
— Eu tinha muito trabalho a fazer essa semana, a agência está uma loucura — contou. — Mas eu posso ficar no loft hoje, claro, se você não tiver algo melhor a fazer. — Tinha um tom raivoso em sua frase, já que a última vez que ligou para Edward, ele a dispensou por ter outra por perto.
Edward não a enganava, desde o começo deixou claro que ele não namorava e que não era exclusivo. E, quando Victoria tocou no assunto namoro, ele disse que adorava ficar com ela, mas que se a garota insistisse nisso, eles teriam de parar de se ver. Victoria aceitou, era melhor tê-lo em partes, do que não tê-lo de nenhuma maneira.
— Oi, oi, oi! — Uma empolgada Rose chegou a mesa onde eles estavam, acompanhada de Emmett. — Feliz aniversário, irmãozinho! — Ela se inclinou sobre a mesa para depositar um beijo na bochecha de Edward. — Você foi a melhor camisinha furada da história. — Victoria riu. — Oi Vick! — Rose beijou a bochecha dela também. — Maria!
Emmett cumprimentou todos ali também, então os dois se sentaram. Jasper logo se juntou a eles e, não muito tempo depois Kate, que era prima de Edward e Rosalie, chegou junto do namorado Garrett. Os oito bebiam e riam, conversando sobre suas semanas, reclamando dos seus trabalhos, menos Jasper e Edward que estavam muito bem com os dele e, os casais aproveitavam para trocarem caricias, Victoria estava quase implorando que o Cullen a levasse de uma vez para seu loft.
Edward estava distraído com uma conversa de Victoria sobre um cliente irritante na agência de publicidade que trabalhava, quando ouviu o toque do celular de Emmett, mesmo com a música alta do bar, ele não conseguia deixar de ouvir. Era como se sempre fosse poder ouvir a voz dela cantando a música do AC/DC. Ele viu a irmã dizer algo para o noivo, uma expressão irada em seu rosto, então, Emm desligou a ligação e guardou o celular no bolso, nada contente também.
— Leah, uísque, por favor — Edward pediu a garçonete que passou por eles.
— É pra já chefe — ela concordou, indo buscar uísque para ele.
Edward queria poder arrancar Bella de sua cabeça, pelo menos por aquela noite. Ela devia estar muito bem em alguma festa em New York, ele queria estar bem também.
— Então, você vai passar a noite comigo, certo? — perguntou a Victoria, falando diretamente no ouvido dela, enquanto deslizava sua mão pela coxa da falsa ruiva, que usava um vestido preto curto.
— Sou toda sua essa noite, Edward. — Victoria devolveu a provocação, levando sua mão diretamente ao pau de Edward por cima da calça jeans que ele usava, por sorte a mesa e a pouca luz cobriam o que estavam fazendo.
— Hora dos parabéns! — Jasper exclamou quando Leah voltou um tempo depois com o uísque para Edward e disse algo ao outro chefe.
— Valeu Leah — Edward agradeceu, bebendo sua dose. — Jasper, se você ousar a cantar parabéns está muito fodido.
— Tarde demais, nós temos até um bolo. — Jasper se colocou de pé, fazendo todos outros se levantarem também. — Vick, querida, me ajude a levar nosso aniversariante para o palco.
Lançando um olhar malicioso para Edward, Victoria segurou na mão dele, o puxando até o palco. Jasper fez ele subir ali, aproveitando que ainda não tinham liberado o karaokê, Victoria e os outros ficaram perto do palco, gritando o nome de Edward, que estava detestando aquilo.
— Olá clientes que pagam minhas contas! — Jasper pegou o microfone. — Primeiramente meus sinceros agradecimentos por vocês estarem aqui no 100 Bottles consumindo e enchendo nosso caixa. — As pessoas riram, todos se voltando para ver o que aconteceria no palco. — Agora, peço que se juntem a mim ao coro de Parabéns para o homem que gerencia esse incrível bar comigo, Edward Cullen!
Jasper puxou uma salva de palmas e, todos ali se juntaram a ele. Logo o texano começava a cantar e, Edward tentava não parecer um estúpido envergonhado ali em cima, rindo de Rose e Kate abraçadas cantando juntas.
Seus olhos se perderam em todos ali cantando também, todos bêbados demais para sequer se importarem se conheciam ou não, Edward. Então, alguém no fundo do bar chamou sua atenção, na verdade foi o boné, ele reconheceria a droga daquele boné tão bem quanto a dona dele.
Bella estava ali. Ele implorou para aquilo ser efeito do uísque, talvez Leah tivesse lhe dado alguma droga por estar insatisfeita com seu salário, ele preferia qualquer coisa a ter de acreditar que Isabella estava no seu bar.
Mas, no fundo, Edward sabia que não era uma alucinação. Não quando mesmo a distância e, praticamente escondida, ele ainda podia reconhecê-la por debaixo do boné e dos óculos de grau. Na verdade, aquela se parecia muito mais com a Bella de antes, do que com a queridinha da América, Marie.
Em algum momento ele viu Victoria aparecendo com um bolo diante de si, com mais de duas dezenas de velas sobre. Edward respirou fundo, então assoprou elas, ganhando uma nova salva de palmas de todos ali. Victoria, mesmo com o bolo em mãos, conseguiu se inclinar e beijá-lo na bochecha.
Ainda assim, com uma garota a um palmo de distância. Era a outra intocável no fundo do bar que povoava sua mente, ele pulou do palco, Jasper já tinha passado o microfone para o primeiro corajoso da noite que queria cantar no karaokê. Seguindo a passos rápidos, Edward foi até ela, para gritar, brigar, ele não sabia o que fazer, até que parou de andar, quando viu que Emmett chegou antes dele. O cunhado falava com rispidez para a morena, então segurando na mão dela a levou para fora do bar, sem dar tempo de Edward sequer processar o que estava acontecendo ali.
— Vem comigo! — Rosalie o puxou para os fundos do bar e, ele foi, enjoado.
***
Tinha sido tudo muito rápido para Bella também, ela e Edward se olhando a distância, uma garota aparecendo com o bolo e o beijando. Então, ele saindo do palco e indo até ela, suas mãos suavam e, mesmo com todo o treino que fazia para ter resistência muscular, parecia que suas pernas a levariam ao chão.
Porém, quem chegou antes foi Emmett. Um bravo Emmett e, tirar o irmão do sério não era algo tão fácil assim.
— Que merda você está fazendo aqui, Bella? — Ela quis responder, mas não conseguia falar. — Porra Bella, você não devia estar aqui! — Emmett agarrou a mão da irmã, a puxando para fora do bar, sendo seguido pelos seguranças e Alice.
Bella estava enjoada, não tinha comido nada e, mesmo assim sabia que poderia vomitar ali mesmo. O irmão a levou até seu carro, então foi quando o caos começou.
— Desculpe Emmett, mas Bella vem comigo! — Alice impediu-o de colocá-la no banco do jeep.
— A irmã é minha, Alice! — Emmett disse irritado. — Você é apenas paga para cuidar dela como se fosse sua babá, então não finja que se importa!
— Eu não sou a babá dela e, me importo com Bella.
— Eu vou com ele. — Bella interrompeu Alice, que a olhou horrorizada. — Vamos para o hotel, não se preocupe, vai ficar tudo bem.
— Avisei que a merda dessa cidade não ia te fazer bem algum! — Alice exclamou para Bella. — Venham comigo! — ela ordenou aos seguranças, indo com eles até o carro que estavam usando em Santa Cruz.
Bella entrou no jeep, colocando o cinto e tirando o boné e, soltando seus cabelos quando estava escondida ali dentro. No começo o irmão dirigiu em silêncio, mas logo ele estava gritando.
— O que você veio fazer aqui do nada?
— Eu quis fazer uma surpresa, vim passar as férias aqui e, vim para seu casamento — ela murmurou, ainda pensando em Edward. Tinha estado tão, tão perto dele. — Nós estávamos indo jantar no antigo restaurante que ficava lá, então eu vi seu carro e fui atrás de você.
— É o bar de Edward! — Emmett socou o volante, massageando sua testa em seguida.
— Não sabia que ele tinha um bar, você nunca me contou nada, como queria que eu adivinhasse? — Ela passou a gritar também.
— E por que diabos eu deveria mantê-la informada sobre a vida do cara que você deixou para trás? — Emmett encarou a irmã, suspirando. — Qual seu hotel? — Voltando a murmurar ela respondeu.
— Você deveria ter atendido seu telefone, eu estava te procurando, isso podia ter sido evitado.
— Ah claro, a culpa de você estragar a comemoração do aniversário de Edward é minha agora. Sim, Bella, continue nisso, aja como uma garotinha mimada que foge dos problemas como você faz de melhor.
— Para o carro, Emmett! — ela ordenou.
— Eu não vou para a merda do carro, você quer ir andando para a droga do seu hotel e ser reconhecida por todo mundo?
— Pare o carro! — ordenou novamente.
— Eu não sou a porra de seu motorista, Isabella! — Emmett freou com tudo, o motorista do carro atrás dele o contornando enquanto tocava a buzina sem parar, bravo com aquilo. — Sou seu irmão, você não manda em mim, entendeu? Não sou nenhum dos seus empregadinhos que estão a serviço 24 horas da queridinha da América.
Ela apenas encarava o painel do jeep, sentindo-se uma criança recebendo bronca dos pais. Emmett voltou a dirigir e, eles não falaram nada até o hotel. Para alivio de ambos, o lobby estava vazio pelo horário, então puderam subir até a suíte presidencial que ela ocupava pelo elevador privativo sem serem importunados ou reconhecidos.
— Desculpe, okay? — ela pediu quando entrou com o irmão no seu quarto, sentando-se no sofá branco que tinha ali. — Eu não estava planejando estragar nada, só queria um tempo de diversão.
— Isso vai ser uma grande bosta. — Emmett bufou. — Estou tão arrependido de ter te convidado para o casamento. — Passou as mãos pelo rosto, sentando-se no outro sofá ali.
— Eu sou sua irmã — Bella choramingou ao ouvir aquilo.
— Sim e, você quase estragou tudo para mim e Rosalie quando foi embora, Bella. Edward é irmão dela, você era a melhor amiga de Rosalie e, o que você fez mesmo? Fugiu, foi para New York, apenas devolveu o anel de Edward e pegou um avião, você sequer se despediu da sua melhor amiga. Sequer se despediu de qualquer um deles, os Cullen são como nossa segunda família.
— Não consegui, Emm. — Bella começou a chorar para valer.
— Eu te amo, irmã — Emmett disse. — Mas amo Rosalie também, estou prestes a me casar com ela. Não vou deixar você ficar em nosso caminho, nós dois já brigamos muito por você, ela não te queria no casamento, eu insisti. Então, se você quer mesmo estar lá, fique longe de Edward.
— Não estava atrás dele, Emmett. Eu nunca entraria naquele bar se soubesse que era de Edward. Deus, ele estava comemorando o aniversário dele, eu sou uma cretina! — Bella se abraçou.
— Eu vou embora, Bella. Não posso lidar com isso agora, estou irritado demais. Nós nos falamos depois, você vai ficar bem, né? Tem aquele Anão de Jardim te vigiando mesmo.
— Quem? — Bella parou de chorar por um segundo.
— Alice — Emmett esclareceu, rindo assim que Bella riu. — Desculpe, Bella, eu fui rude. Mas, eu amo Rose, não quero perdê-la.
— Não, não deixe isso acontecer — Bella disse olhando nos olhos do irmão. — Vá, o Anão de Jardim logo aparecerá para tomar conta de mim.
Emmett beijou a cabeça dela.
— Mesmo com essa merda toda estou feliz em te ver, Bella.
Bella assentiu, o deixando ir, enquanto voltava a chorar. Alguns minutos depois Alice, brava, mas ainda preocupada, aparecia ali, carregando garrafas de bebida em cada mão.
— Achei que você precisava encher a cara.
— Valeu. — Bella pegou uma garrafa, mesmo sabendo que nem todo o álcool do mundo ia tirar de sua mente a visão do olhar torturado de Edward aquela noite quando a viu.
***
Rosalie passou a noite no loft do irmão, dizendo a Victoria que ele não se sentia bem para que ela fosse embora e, ignorando as mensagens e ligações do noivo. Ela estava preocupada demais com Edward, ele não dizia nada, apenas ficava encarando a televisão, que passava um programa qualquer.
— Eu sinto muito, você não deveria tê-la visto sem estar preparado para isso — ela sussurrou para ele.
— Nada ia me preparar para vê-la pessoalmente, Rose — Edward falou por fim, a mão percorrendo por seus cabelos acobreados.
— Eu também não estava — Rose falou com a voz chorosa, o que fez Edward a olhar, ela tinha lágrimas em seus olhos azuis. — Toda vez que pensava em encontrá-la, eu me imaginava indo até ela e, a chamando de vadia por ter te deixado para trás. Então, ela ia pedir desculpas, mas eu falaria que era tarde demais para que tentasse uma redenção.
— Sabe que não tem raiva dela apenas por ela ter me largado, Rosalie. — Edward recostou as costas no sofá, ainda olhando para a irmã. — Também está magoada por ela ter ido sem sequer falar com você.
— Ela era a droga da minha melhor amiga. — As lágrimas rolaram pelo rosto da loira. — Eu a amava também, Edward. Pareceu tão fácil para Isabella ir, deixando tudo bagunçado para trás. Nunca vou perdoá-la por ter te machucado, você é meu irmão, eu não gosto de te ver sofrendo.
Edward suspirou, puxando a irmã para seus braços, deixando que ela chorasse. Emmett ligou pelo resto da noite e, Rosalie continuava o ignorando.
***
Quando Bella acordou no domingo, estava deitada no sofá da suíte, Alice dormia no outro, as garrafas de bebidas espalhadas pelo chão, assim como o jogo de cartas que tinham as distraído por boa parte da noite passada. Foi tomar um banho, passando muito tempo sob a água gelada, querendo se livrar da ressaca, ainda assim, não tinha um jeito de se livrar do choro.
— Eu me sinto uma merda — Alice falou cerca de uma hora depois, enquanto Bella terminava de se vestir.
— Tome algum remédio e descanse.
— O que pretende fazer hoje? — Alice indagou.
— Eu devia voltar para New York, eu vou acabar criando mais confusão.
— Devo planejar nossa volta?
— Só preciso ver meus pais, eu vou almoçar com eles, então quando voltar acertamos tudo. É sério, descanse um pouco, já pedi que Paul me acompanhe até lá.
Alice concordou, voltando-se a afundar no sofá.
Algum tempo mais tarde, Bella deixava o carro, dizendo que ligaria para o segurança quando ela fosse ir embora e, seguiu para o interior da casa dos pais. Charlie a recepcionou tão amigavelmente quanto no dia anterior, mas não via Renée em lugar nenhum.
— Ela está com Emmett — Charlie disse, servindo o almoço da filha.
— Eu vi Edward ontem, pai — Bella murmurou para ele, pegando o prato com macarronada.
— Fiquei sabendo disso. — Charlie sentou diante a filha a mesa da cozinha. — Você vai embora, não é?
— Não vou conseguir ficar aqui. Emmett e Rosalie não merecem que eu prejudique tudo para eles. Rosalie sonha em se casar desde que sabia falar, não vou estragar o grande dia dela.
A campainha tocou e, pedindo licença Charlie foi ver quem era.
— Bells. — Ele voltou aparentemente preocupado, torcendo a boca, fazendo seu bigode ficar em um ângulo estranho. — Você tem visita.
— Eu? Algum jornalista? Não acredito que já descobriram...
— Não, não é um jornalista. Vá lá na sala — Charlie aconselhou.
Hesitante, Bella foi. Perto do piano de Renée, o homem alto de cabelos acobreados estava virado de costas para ela.
— Como você sabia que eu estava aqui? — perguntou baixinho.
— Você pode ter ferrado tudo entre a gente, Isabella — ele falou ignorando a pergunta dela, ele não tinha uma resposta, simplesmente sabia. Bella engoliu em seco ao ouvir a voz rouca e baixa dele. — Mas, eu não vou permitir que você faça o mesmo com nossos irmãos.
Edward se voltou para ela, seu rosto preso em uma expressão de raiva.
— Rosalie e Emmett não vão entrar em colapso por sua culpa, Marie — ele disse com desdém, observando o rosto de Isabella. Ela certamente tinha tido uma noite tão de merda quanto a dele.
— Eu estou indo embora, vou voltar para New York — Bella contou, desviando o olhar do de Edward, vendo a tatuagem de teclas de piano que ele tinha em seu antebraço direito.
— Claro, partir quando fica difícil demais é seu esporte preferido.
— Edward! — exclamou brava, voltando a encará-lo nos olhos verdes.
— O quê? — A voz dele se elevou de tom. — Não foi o que você fez no fim daquele verão? Foi embora, sequer tentou recomeçar ao meu lado, sequer pensou em como eu também estava sofrendo. Você é uma grande estrela agora, com uma vida mais interessante do que teria comigo, não é? Por que diabos você fez a merda dessa tatuagem? — Apontou para o pulso de Bella, já gritando para valer. — Lira nunca nasceu! — Edward sentiu a dor em seu coração ressurgir, enquanto a cantora fechava os olhos com força ao ouvir o nome. — Lira nunca nasceu — ele repetiu melancólico. — E, você foi embora para longe de tudo que te lembraria dela, você me deixou. Então, sim, volte para a droga de New York e suma da minha vida!
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