A Intocável

7 Capítulo Seis


Notas iniciais
Tem uma música que achei a 'cara' da história, então vou compartilhar aqui com vocês. O link para ouvirem o cover que acho a versão mais bonita do que a original: https://www.youtube.com/watch?v=Q7VTsNPWnV8 E a tradução:https://www.vagalume.com.br/kelly-clarkson/already-gone-traducao.html Boa leitura! ♥

Naquele tarde Bella tocou a campainha da casa dos Cullen, no céu o Sol tinha sumido mesmo que ainda estivessem no verão, em seu lugar uma nuvem escura colidia com os pensamentos da jovem de 17 anos. Quando Edward abriu a porta, o olhar preso em uma expressão tão triste quanto a dela, Bella pensou em voltar atrás em suas escolhas, mas não conseguiu.

Ela não conseguia ficar ali, não conseguia ficar perto dele.

— Bella? — ele a chamou, não se falavam desde o aborto, ela esteve trancada em sua casa recusando qualquer visita que fosse. — Amor, por favor, fale comigo — Edward pediu desesperado, ela entrou, para alivio dele, foram até a sala, mas Bella ignorou os sofás e poltronas ali. A casa estava vazia e ela sabia disso, os pais dele no trabalho e as irmãs na praia com Emmett.

— Isso é seu, Edward. — Bella tirou o anel de noivado de sua mão, sob o olhar confuso do até então noivo.

— O quê?! Bella, o que você está fazendo?

— Indo embora, eu vou para outra faculdade — falou séria, contendo as lágrimas só para si. — E-eu não posso ir para Berkeley com você, nem posso me casar.

— Bella, amor, não. Você está confusa. — Ele tentou tocá-la, mas ela se afastou. — Isabella, por favor, sente e me escute, por favor.

— Não há mais nada aqui para mim, Edward.

— Eu estou aqui, Bella, eu estou aqui! — Edward afirmou nervoso. — Eu não vou a lugar algum sem você, amor, sabe disso.

— Nós não precisamos mais casar, Edward, não estou mais grávida. Não precisamos casar, não precisamos morar juntos nem nada disso. Você pode ir para Berkeley conhecer outras garotas...

— Porra Bella, não quero conhecer ninguém, eu quero você! — gritou, lágrimas em seus olhos verdes deslizaram por todo seu rosto. — Eu te amo, Bella. Eu te amo muito, sei que está tudo uma merda agora, mas vai melhorar, nós vamos fazer isso tudo passar.

Bella balançou a cabeça, ele estava errado, ela não conseguia mais ver o futuro funcionando em harmonia para os dois. Não conseguia olhar para ele e não se sentir culpada por toda a dor que estava causando, por ter sido fraca ao perder Lira.

— Edward nós dois estamos juntos há tanto tempo, não conhecemos muito do mundo, não conhecemos muito de nós mesmo.

— Foda-se o mundo, eu te amo! — O rosto dele já estava tomado pelas lágrimas. — Amo você Bella, amo você desde que chegou a essa cidade, sou apaixonado por você desde o nosso primeiro beijo. Eu não preciso conhecer o mundo, não preciso conhecer outras pessoas.

— Nós a perdemos, isso não significa nada para você? Como um sinal de que não funcionaríamos juntos?

— Bella, por favor, se escute! — ele implorou. — Amor, você precisa ir ao grupo de apoio, precisa de ajuda médica.

— Eu não sou uma viciada, ou uma maluca que precisa de um grupo de apoio! — Bella gritou.

— Isabella, nós perdemos uma filha, nós precisamos cuidar disso. Juntos, você entendeu? Não vou sair do seu lado, nós vamos superar toda a dor, vamos ser fortes.

— Não posso estar com você, Edward. — Colocou o anel na mão dele.

— Bella. — Tocou no rosto dela. — Eu amo você, não vá embora, por favor. Preciso de você, Bella. Isso tudo está sendo difícil para mim também. Nós podemos ter um tempo, nós podemos ir para Berkeley e ficar em dormitórios, podemos adiar o casamento o quanto for preciso, só não se afaste.

— Não posso estar com você, não posso — ela respondeu se afastando, sentindo o coração dilacerado, mas sabia que era a melhor escolha, não podia prender Edward ao seu lado, não depois deles perderem tudo. — Eu vou embora amanhã.

— Nós temos uma vida juntos, temos um futuro a nossa frente, Bella.

— Não mais — ela negou. — Eu quero ir para outro lugar, quero recomeçar lá.

— Sozinha?! Bella!

— Sim, sozinha.

***

Alice observava a amiga dormir na cama do hotel, parecendo muito com a Bella ferida que chegou a New York. Foi um tempo difícil e, mesmo que tivessem acabado de se conhecer, Alice não pode a deixar sozinha, então a amizade começou.

Viu, dia após dia, Bella recusando ligações de qualquer um que tinha o sobrenome Cullen. Dizendo aos pais e irmão que não queria que eles dissessem onde ela estava. Viu Bella recusando procurar um psicólogo, viu Bella tirando notas terríveis e, por fim, viu Bella desesperada pedindo por ajuda em uma noite no fim de novembro, depois de ter atendido uma ligação de Edward, onde só ele falou. Bella trocou o número e, nunca mais recebeu ligações de nenhum Cullen, mas Alice sempre soube que ela tinha o número de Edward gravado em sua mente, pronto para usá-lo quando por fim percebesse que não conseguia ficar longe dele como achou que seria melhor ao ir embora de Santa Cruz.

No dia seguinte elas buscaram por um psicólogo e, Bella começou a se tratar. Mas, assim como a própria Bella, Alice sabia que não iria ser algo que simplesmente sumiria da cabeça dela. Toda dor, todo arrependimento.

Bella por vezes pegou o celular e discou o número de Edward, por vezes quis falar com ele, mas sentia-se péssima por ter partido, por ter recusado ficar ao lado dele. Então, ela nunca completou as ligações. E, quando foi passar aquele Natal em casa, ela não conseguiu falar com nenhum dos Cullen também.

Foi em Maio de 2012, que Alice conseguiu ver Bella melhor, não 100%, mas consideravelmente melhor. Sorrindo animada, contando que tinha sido abordada por um empresário na cafeteria que tinha tocado aquela tarde. Ela costumava fazer aquilo, pequenos shows em cafés e lanchonetes, às vezes em um ou outro bar, quando conseguia vencer as regras de idade. E, no fim do verão de 2012, Marie Swan nascia para o mundo como a nova promessa da música em seu primeiro álbum, já com uma grande gravadora por trás de si.

Enquanto isso ela deixava Isabella para trás e agarrava-se em Marie e a nova vida que essa oferecia, Alice foi junto, precisava cuidar de Bella. Mas, ela sabia que não tinha feito isso tão bem.

— Querida, hora de acordar. — Alice afagou os cabelos de Bella, fazendo com que a cantora se remexesse na cama. — Eu pedi algo para você comer e, trouxe um analgésico para sua cabeça. Você quer tomar um banho de banheira? Eles tem uma realmente grande aqui, com hidromassagem como gosta. E, você recebeu uma dezena de presentes de fãs, estão na sala esperando que os abra.

Bella abriu os olhos, sentindo a cabeça doer e todo o resto do corpo mole. Não sabia o quanto tinha bebido na noite passada, mas certamente foi muito.

— Fui uma vadia com você ontem, por que ainda está aqui preocupada comigo? — perguntou a Alice.

— Bom, em primeiro lugar porque nós já fomos vadias uma com a outra uma porção de vezes. Em segundo, porque eu não vou deixá-la sozinha nunca. E, em terceiro, porque eu não tenho outro lugar para ir, não é? Sou sua amiga, mas ainda sou sua assessora e tenho de ficar ao seu lado.

Bella assentiu, suspirando.

— Aceito aquele banho de banheira.

—Você sempre aceita. — Alice riu. — Vamos Bella, levante-se, ainda a tempo de recomeçar.

A Swan não sabia se ela se referia ao dia quase na metade, ou a toda a vida que ela perdeu quando deixou Edward para trás. Ela se agarrou a ideia de recomeçar o dia, pelo menos.

***

Edward estava ajudando no balcão do bar aquele dia, fazendo as bebidas tão mecanicamente como um robô. Jasper não parava de olhá-lo, enquanto mantinha o resto do bar funcionando na agitada noite de sábado, o amigo ainda não tinha falado sobre o jantar da noite passada, que com muita insistência tinha o convencido a ir, mas agora estava receoso de ter sido uma péssima ideia.

Jasper conseguia lembrar muito bem de quando conheceu Edward, irritadiço, bravo, ignorando o colega de quarto. Ele chegou a Berkeley em Dezembro, para os cursos de inverno e, começaria o semestre oficialmente em Janeiro.

Foi em uma festa de ano novo, que Jasper descobriu toda a história por trás do fechado Edward Cullen, depois de muitas doses de tequila. A grávidez no fim do colegial, o medo inicial de não conseguir ser suficiente para a namorada e o bebê, então o noivado quando tudo que Edward tinha certeza era de que amava tanto Bella e o bebê, que queria passar o resto da vida ao lado delas. Então, a paz, o amor do começo da grávidez, as semanas fazendo planos, escolhendo a data do casamento, pensando na filha que teriam e que amavam incondicionalmente. E, por fim a perda e a dor. A reclusão de Bella e, depois ela partindo.

Por meses Edward ficou em Santa Cruz, recusando-se a ir para Berkeley sem Bella, recusando-se a cumprir parte de um plano que tinha fracassado. Esperava ela voltar, ele sabia que ela ia voltar. Ligava quase todo dia, implorava aos pais dela que lhe dissessem para onde ela tinha ido. Então, em novembro, ela atendeu, mas só ele falou.

Por uma hora Edward falou, enquanto ela apenas escutava. Implorou que ela voltasse, pediu para que ela dissesse algo, pediu por apenas um encontro para que pudessem conversar. E, ao dizer que ainda a amava, pelo que parecia ser a milésima vez durante aquela ligação, Bella desligou e, o número nunca mais existiu. Edward se viu vencido e partiu para Berkeley, indo viver um plano que não tinha mais uma das peças fundamentais.

— Você pode subir e descansar, Edward, eu posso dar conta de tudo — Jasper falou para o amigo, já no meio da noite.

— Não, eu já te deixei sozinho ontem, não vou te deixar tomando conta de tudo em outro dia cheio.

— Ei, tem uma garota atrás de você, Edward! — Leah apareceu junto a eles no balcão, colocando alguns copos vazios ali.

— Quem é? — perguntou com uma careta no rosto.

— Ela não disse o nome, mas é baixinha, tem cabelos escuros e olhos claros.

Edward prendeu a respiração, Bella estava ali?

— Você pode mandá-la ir até o escritório — Edward disse a Leah, já saindo para os fundos do bar, com Jasper o seguindo. — Não precisa me escoltar, Jazz.

— O quê? E te deixar sozinho? — Jasper entrou no escritório que tinham ali, o barulho das pessoas e da música no bar sendo parcialmente abafados.

Uma batida na porta soou pouco tempo depois e, ela se abriu. Não era Bella, era Alice.

— Quem é você? — Edward perguntou.

— Alice Brandon — ela disse. — Sou assessora da Bella.

— Não acho que nós dois temos o que conversar, Alice.

— Nós temos, acredite, Edward. — Alice murmurou. — Você pode nos dar licença? — ela perguntou a Jasper, que estava recostado a mesa de madeira ali.

— Oh não, lindinha, eu não deixo os meus sozinhos — Jasper afirmou.

— Sério, você acha que eu vou fazer o que? Matar Edward? — Alice indagou aborrecida. — Eu preciso conversar com ele a sós, saia.

— Ei, ei, isso não é seu bar para dar ordens aqui — Edward falou para ela. — Na verdade Jasper é um dos donos, então nós dois podemos te colocar para fora. Falando nisso, saia, eu não tenho mesmo o que conversar com você, Alice Brandon. — Edward escancarou a porta para ela.

— Edward, por favor — ela pediu nervosa. — Bella te ama...

Edward bateu a porta, fazendo Jasper e Alice se assustarem com o gesto bruto.

— Sério? Bella te mandou vir aqui de pombo correio? Ela acha que só porque é a queridinha da América pode mandar os outros fazerem o trabalho sujo em seu lugar. Bom, diga a sua chefe que não é assim que as coisas funcionam e, que eu não me importo com o que ela sente, como ela não se importou com o que senti.

— Não, não. Bella nem sabe que estou aqui, Edward. Ela está jantando no hotel com os pais, eu disse que ia dar uma volta — Alice disse a verdade.

— Ah, isso melhorou muito! — Edward zombou. — Você deduziu que ela me ama e está aqui querendo algo disso? Bom, não sei qual seu plano, Alice, mas eu não vou entrar nesse esquema midiático com Bella. É alguma forma de publicidade, ela precisa de um namorado de verão para levantar a imagem ou qualquer merda dessas? Bom, tem um bar cheio de caras ali que matariam para ter seus quinze minutos de fama, eu não quero, então me tire do seu jogo.

— Eu não estou aqui por...

— Vá embora! — Edward a interrompeu mais uma vez. — Você não é bem vinda aqui, sua chefe também não, então faça Bella tomar conhecimento disso. — Tornou abrir a porta, mas Alice permaneceu parada no lugar o encarando. — Jasper, você pode acompanhar a senhorita Brandon até lá fora?

Olhando para Edward uma última vez, Jasper segurou no braço de Alice e a conduziu para fora do escritório. Ela já tinha se soltado dele antes de chegarem ao bar, mas o texano a acompanhou ainda assim até o lado de fora.

— Ela realmente ainda o ama? — ele perguntou a Alice, que voltou seus olhos para o loiro.

— Ama. — Ela suspirou.

— Você não devia ter vindo aqui, Edward nunca vai escutar a visão de outros, ele precisa ouvir da própria boca dela. Precisam se entender, você não pode consertar a situação, Alice, nem eu posso. Só eles podem resolver isso.

— Isabella é minha melhor amiga — Alice murmurou, sentindo vontade de chorar. — Ela está mal, muito mal, detesto a ver assim.

— Não conheço Isabella, Alice, mas sei que só ela pode consertar isso para si mesma, então depois com Edward. Se você é realmente amiga dela, faça Isabella entender isso tudo.

— Você acha que Edward irá perdoá-la um dia? — Alice indagou irritada. — Estava naquela sala também, viu como ele agiu como um estúpido me interrompendo a todo instante.

— Ele vai.

— Como você tem tanta certeza? — Alice, mesmo baixinha, encarou Jasper como se fosse do tamanho dele, mantendo a expressão de desafio em seu rosto.

— Porque eu sou melhor amigo dele e, assim como você sabe que Bella ainda o ama, eu sei que ele ainda a ama também.

Notas finais
Não vou ter emocional depois dessa história hahah Vejo vocês nos comentário, beijos! Lola Royal. 05.09.16