A Intocável
15 Capítulo Catorze
Notas iniciais
Foi em uma sexta-feira que tudo aconteceu, Bella estava dormindo com Edward na casa dos Cullen quando sentiu a dor lombar, algo leve, apenas um incomodo que a tirou o sono por alguns minutos até que ela voltasse a dormir enroscando-se nos braços do noivo. Pela manhã ela parecia melhor, tomou café com a família do noivo enquanto ria e ajudava a sogra a preparar panquecas.
Tudo parecia bem, ela se sentia bem.
Ela e Edward, após o café, reuniram-se na sala com Renesmee, ajudando a garotinha com desenhos que ela estava fazendo. Bella sentiu o desconforto outra vez, então algum tempo depois dor abdominal.
— Amor, você está bem? — Edward perguntou notando ela pálida, uma expressão preocupada no rosto.
— Sim, eu vou ao banheiro. — Bella lançou um sorriso confiante a ele, enquanto se levantava do chão, bagunçou os cabelos de Renesmee, que sorriu para a cunhada, antes de seguir para o banheiro.
A dor já parecia maior quando chegou ali, uma cólica. Ela tentou se manter calma, colocando em sua cabeça que era apenas um mal estar.
Lavou o rosto na pia, agradecida por não estar vomitando aquele dia, então foi ao vaso. O susto começou ali, ao ver sua calcinha suja de sangue.
— O-O que? — gaguejou ao ver a mancha e, ao notar que ainda sangrava. — Edward?! — gritou pelo noivo, já em desespero. — Edward, socorro!
Poucos segundos depois ele entrava no banheiro e, estancou na porta ao ver o que a noiva também via.
— Eu estou sangrando e com dor — ela sussurrou. — Eu não devia estar sangrando, Edward, isso é errado.
Edward sentiu o nó em sua garganta, sem saber o que fazer ou falar. Mas, tomou uma lufada de ar, sabendo que Bella precisava dele.
— Mãe?! — ele gritou por Esme, enquanto ia até mais perto de Bella, que o olhava em pleno estado de medo. — Vai ficar tudo bem, amor, não é nada demais. — Afagou o rosto dela, que assentiu, querendo que as palavras dele fossem verdadeiras.
— Edward? — Ouviram a voz de Esme.
— Mãe, aqui, estamos no banheiro! — Edward falou, ainda afagando o rosto de Bella que estava gelada e tremia.
— O que aconteceu? — Esme perguntou próxima ao banheiro, então entrou ali. — Bella?
— Ela está sangrando e sentindo dor — Edward respondeu. — Isso é normal, não é? Nada demais, apenas...— Ele parou de falar, sentindo-se enjoado.
Esme arfou.
— Melhor a levarmos até a clinica do seu pai, ver se está tudo bem — falou.
— Mãe, me diga que Bella e Lira estão bem! — Edward exigiu, já chorando.
— Por isso estamos a levando até seu pai, filho — Esme disse gentilmente. — Vai ficar tudo bem, filha, é apenas um susto. — Tocou nos cabelos de Bella, que não conseguia dizer nada. — Vou buscar roupas para você e, chamar Emmett e Rosalie na casa dos seus pais para eles tomarem conta de Ness — Esme avisou, então saiu do banheiro, tentando ficar calma.
— Você a ouviu. — Edward forçou um sorriso a Bella. — É apenas um susto, Lira está bem.
Bella permaneceu em silêncio, desviando o olhar de Edward.
Logo depois Esme apareceu com roupas novas para Bella, deixando com que Edward ajudasse a noiva a se vestir. Ele praticamente a tomou nos braços e a carregou para fora, enquanto deixavam o banheiro.
Rosalie e Emmett, juntos de Renesmee na sala, tinham expressões parecidas no rosto. Medo predominava suas faces.
— Vocês tem certeza de que não querem que eu vá? — Rose perguntou em um fio de voz, agarrada a mão de Emmett.
— Alguém tem que ficar com Renesmee — Esme disse. — Emm, querido, ligue para seus pais e avise o que está acontecendo, sua mãe provavelmente irá querer ir até lá.
— Okay — concordou. — Você vai ficar bem, Bella. Volte logo para a gente, irmã.
Bella não conseguiu falar nada com ele também, apenas concordou com um aceno de cabeça, deixando Edward levá-la até o carro de Esme. Os dois entraram no banco de trás e, ela passou o caminho inteiro nos braços de Edward, vendo a cidade passar por si como um borrão enquanto a sogra dirigia até a clínica do marido.
Carlisle já esperava por eles quando chegaram a clínica, ele sorriu confiante para a Bella e o filho, prometendo que tudo ficaria bem logo e, levou a nora para exames. Foram os piores minutos da vida dela, enquanto não sabia o que estava realmente acontecendo, enquanto não sabia se a filha estava bem.
Mas, ela soube, no minuto que Carlisle ligou a máquina de ultrassonografia, que estava tudo errado. Viu nos olhos dele, viu que toda a confiança de antes tinha desaparecido.
— Pai? O que está acontecendo? — Edward indagou, segurando a mão fria de Bella entre as suas, Carlisle engoliu em seco antes de se voltar para o filho e para a nora, limpando a barriga de Bella.
— Eu lamento... — ele se interrompeu.
— Lamenta o que? Pai! — Edward gritou, o rosto ficando vermelho. — Pai, diga que Lira está bem. Diga que minha filha está bem!
— Bella está abortando, eu não posso fazer nada para impedir.
Bella soltou a mão de Edward, levando até seu rosto, enquanto se encolhia na maca hospitalar e controlava a vontade de chorar.
— Não, claro que você pode! — Edward voltou a gritar.
— Edward...
— Pai, faça alguma coisa. Dê algum remédio a Bella, faça o sangramento parar, você é um médico, droga, salve a vida de Lira! É a sua neta, faça algo! — O rosto dele já estava tomado por lágrimas e soluçava com a ideia de estar perdendo sua filha.
— Não há nada que eu possa fazer, Edward — Carlisle disse, tocando no rosto do filho. — Bella?
— Eu estou bem — ela disse ríspida, ainda escondida atrás de suas mãos.
— Vou deixá-los sozinhos por um tempo, nós precisamos fazer alguns procedimentos, então conversamos melhor. — Sentindo-se derrotado Carlisle saiu da sala.
— Bella, Bella! — Edward chamou por ela, tentando afastar as mãos da noiva do rosto. — Amor, por favor. Papai está errado, vamos ao hospital, eles vão interná-la e te medicar melhor. Você e Lira estão bem, é um engano.
— Carlisle não está errado, você sabe disso — sussurrou com a voz rouca.
Edward sabia, mas não queria acreditar. Não queria acreditar que estavam passando por aquilo, estavam absurdamente felizes aquela manhã, então o mundo começava a ruir. Tocou na barriga de Bella, ouvindo a noiva fungar.
— Lira, por favor, filha.
Sua cabeça tombou para frente, enquanto chorava mais.
— Bella? — olhou para o rosto da noiva, que o encarava com uma expressão torturante. — Amor...
— Eu a perdi, Edward.
***
Quando Bella acordou na manhã daquele dia dez, a primeira pessoa a vir a sua mente foi Edward. Ela olhou para a tatuagem em seu pulso, analisando a constelação lira tatuada ali, gravada em sua pele como a filha sempre estaria gravada em sua mente.
No dia dez de julho, anos antes, ela perdia a filha. Foi a data que deu inicio a todo o horror e a todas as péssimas decisões que vieram depois.
— Oi querida, é bom ver que já acordou. — Alice entrou no quarto, falando em um tom de voz gentil e doce, sabendo muito bem que dia era aquele. — Quer que eu peça algo para você comer? Sua mãe ligou, ela perguntou se nós não gostaríamos de ir almoçar com ela em algum restaurante da praia com seu pai.
Bella negou com um aceno de cabeça, os olhos ainda presos a tatuagem.
— Eu quero vê-lo, Alice — murmurou. — Eu preciso estar com ele. — Suspirou.
— Você tem certeza de que é uma boa ideia? Não é uma data fácil para os dois.
— Por isso mesmo. — Bella se sentou na cama, finalmente olhando para Alice. — E-Ele é o único que entende a dor desse dia.
Alice assentiu, sabendo o que ela queria dizer. Então, sua mente começou a trabalhar. Fazia três dias que Bella não via Edward, ou sequer falava com ele, desde quando ela foi até o loft dele na quinta-feira. A massa de paparazzis tinha diminuído, apenas alguns mais insistentes continuavam ali, então ela ajudou Bella a ir até Edward.
— O bar já está aberto, será que ele está ai? — Alice falou quando o carro parou na frente do 100 Bottles.
— Não, ele está no loft — Bella disse com convicção, colocando os óculos escuros.
— Bella. — Alice segurou na porta, impedindo que ela saísse. — Eu sinto muito, por tudo que aconteceu. — Abraçou a amiga, Bella aceitou o abraço de bom grado, apertando Alice em seus braços por um minuto.
— Obrigada por tudo, Alice. — Beijou a bochecha dela. — Talvez você devesse ir para o bar e, quem sabe conversar um pouco com Jasper — sugeriu.
Alice concordou, saindo do carro com Bella e os seguranças. A assessora seguiu para a entrada do bar, enquanto Bella ia até a lateral do loft, subindo as escadas, estava prestes a bater na porta, quando essa se abriu e Jasper saiu.
— Hey Bella! — Ele parecia surpreso, falando em um tom de voz baixo, olhando uma vez para o interior do loft, ela não conseguia ver nada lá dentro, nem mesmo Edward.
— Oi Jasper, é bom te ver. Nós não tivemos a oportunidade de conversar sobre toda aquela confusão, eu sinto muito por sua namorada, se eu puder fazer algo.
— Não, está tudo bem, não se preocupe com isso — Jasper disse.
— Ele está aqui? — Bella questionou.
— Sim — Jasper confirmou. — Mas, ele não está bem. Bebeu muito ontem à noite e não dormiu quase nada, eu na verdade estava indo ligar para Rosalie vir checá-lo...
— Não, eu vou ficar com ele — Bella afirmou. — Quer dizer...
— Eu acho uma boa você ficar com ele. — Jasper sorriu para ela. — Qualquer coisa eu estarei no bar, você pode pegar o celular de...Não, o celular dele está destruído. — Bella achou aquilo confuso, mas não comentou sobre.
— Eu darei um jeito de chamá-lo se algo acontecer — Bella garantiu, enquanto Jasper caminhava até a escada. — Alice está no bar esperando por você — contou, sorrindo para ele.
— Ela está? — O rosto de Jasper se iluminou ao ouvir isso.
— Cuide dela, okay? — Bella pediu. — Alice é maravilhosa.
— Eu vou — Jasper prometeu. — Cuida de Edward?
— Sim. — Bella sentiu as lágrimas em seus olhos, Jasper assentiu, então começou a descer, enquanto Bella entrava no loft.
Ela chutou os saltos que usava de seus pés, largou a bolsa e óculos escuros no sofá da sala, viu um celular com a tela completamente quebrada sobre a mesinha, então subiu até o mezanino, sorrindo rapidamente ao ver a televisão que antes estava na sala ali. Edward estava deitado de bruços na cama, usando apenas shorts, o que deixava a tatuagem em suas costas a mostra.
Ele respirava com tranquilidade, aparentando estar dormindo. Isabella contornou a grande cama, podendo olhar no rosto dele. Tinha os lábios entreabertos, exatamente como ela se lembrava que ele ficava quando dormia.
Sentou ao lado dele na cama, o deixando dormir. Ela, melhor do que ninguém, sabia como uma ressaca podia ser destruidora.
Levou uma de suas mãos aos cabelos macios dele, os afagando gentilmente em uma cafuné. Edward sempre desmaiava quando ela fazia cafuné nele, era praticamente automático, Bella sorriu com a lembrança, deslizando a mão para o rosto do ruivo, contornando com a ponta do dedo o nariz dele.
— Bella? — Ela parou ao ouvi-lo falar.
— Como você sabia que era eu?
— Jasper não tem a mão macia. — Edward abriu levemente os olhos, estavam avermelhados. — Não que eu saiba muito sobre a mão dele.
Bella riu baixinho, afagando a bochecha de Edward.
— Como se sente? Quer que eu busque algum remédio? — perguntou a ele.
— Não. — Ele negou balançando a cabeça. — Já tomei um, depois de Jasper chutar minha bunda de volta para cá quando eu disse que queria beber mais. O que está fazendo aqui? — indagou, olhando os olhos castanhos de Bella avermelhados como os dele.
— Eu queria estar perto de você hoje — ela respondeu sinceramente. — Foi por causa da data de hoje que bebeu tanto ontem?
— Também. — Edward assentiu, sentando-se na cama, o rosto visivelmente cansado. — Por que queria estar comigo?
— Porque você é o único que entende o que esse dia significa, o quanto ele dói . — Bella mordeu o lábio, impedindo-se de chorar. — Eu posso ir embora. — Avaliou o rosto sério de Edward.
— Não, você pode ficar — ele falou, suspirando. — Eu preciso dormir de qualquer forma. — Edward voltou a deitar e a fechar os olhos.
— Eu vou assaltar sua geladeira, espero que não se importe. — Ela saiu da cama.
— Não vou, desde que você me faça algo como panquecas — ele murmurou quase dormindo novamente.
— Você é um bêbado exigente! — Bella declarou. — E é quase meio dia, isso soa como café da manhã.
— Por favor — ele implorou, se agarrando a um travesseiro.
— Bacon?
— Aham — ele resmungou, antes de apagar de vez.
***
Quando Edward acordou cerca de vinte minutos depois, o loft cheirava muito bem com o delicioso aroma de comida. Sua cabeça não doía mais, mas a boca ainda estava seca como um deserto por conta de tanta bebida do dia anterior.
Ele se sentou na cama, olhando para o lado vazio ao seu lado, perguntando-se se Bella estava mesmo ali antes, ou se ele finalmente tinha enlouquecido e estava alucinando. Mas, o loft inteiro cheirava a comida, era ela cozinhando? Ou sua mãe? Esme tinha uma chave, que ele nunca soube como ela arranjou e, aparecia vez ou outra para inspecionar tudo, ela podia estar ali cozinhando.
Arrastando-se até o banheiro, Edward tentou colocar a mente em ordem. Estava tudo uma bagunça desde a volta de Bella para Santa Cruz, mas desde a festa de despedida de solteiro de Emmett e Rosalie, a coisa toda parecia mais fora de linha ainda.
O sexo, a conversa, todo o choro. Então, a ligação de Jacob Black, empresário de Marie, na quinta-feira.
Edward encarou seu reflexo no espelho, vendo a raiva em seus olhos ao pensar em Jacob. E, pior ainda, em Jacob ditando regras a ele.
— Você não pode me dar ordem alguma, Jacob Black! — Edward tinha gritado ao telefone aquele dia. — Muito menos dizer se eu devo, ou não ficar perto de Isabella — frisou o nome dela, odiando como Jacob tinha corrigido anteriormente para Marie.
Então, seu celular tinha sido jogado contra a parede, uma perda total. Ele se arrependia disso, era uma droga não ter mais celular e, estava sem paciência alguma para sair e comprar por outro.
Depois de sair do banheiro, desceu do mezanino, logo deparando-se com Bella na cozinha. Ela estava de costas para ele, voltada para o fogão, enquanto fritava bacon, tinha uma porção exagerada de panquecas sobre o balcão, junto com ovos e suco em uma jarra.
— Ei.
Bella olhou para Edward.
— Está melhor? Beba um pouco de suco de laranja, vai mantê-lo hidratado. — Deslizou o bacon para um prato ao lado do fogão, o levando até o balcão. — Seu bendito café da manhã no horário do almoço — anunciou, sorrindo um pouco.
— Isso é melhor do que almoço! — Edward exclamou. — Não entendo por que está reclamando.
— Alimentação saudável — Bella disse as duas palavras como uma professora ensinando algo, enquanto se servia. — Sabe, nutriente... — Edward fingiu roncar, o que a fez rir.
— Eu não estou fora do peso, ou qualquer coisa assim. — Ele começou a se servir também. — E você também não, então se dê ao luxo de comer alguma besteira fora de hora.
— Isso vai me deixar com colesterol alto — Bella falou, cortando um pedaço do bacon e levando a boca, a cara de satisfação dela ao comer aquilo logo chegou a Edward.
— Então, o que estava falando sobre nutrientes mesmo? — ele debochou.
— Eu cozinho tão bem. — Foi tudo que Bella falou, comendo mais.
Ele sabia disso, ela era uma cozinheira de mão cheia, então logo começou a comer também, confirmando que nem todos aqueles anos foram capaz de transformá-la em uma inapta da cozinha.
— Então, Alice e Jasper estão no bar — Bella informou.
— Que bom que o bar está em horário de funcionamento, ou eles acabariam na mesa de sinuca — Edward disse, fazendo Bella se engasgar. — Desculpe! — Ele entregou um copo de suco a ela. — Eles se acertaram? — perguntou mudando de assunto rapidamente.
— Alice esteve grudada ao seu celular mais do que nunca nos últimos dias e, tinha esse sorriso bobo no rosto, ou ela está apaixonada por algum dos caras que trabalham com a gente, ou ela estava falando com Jasper. — Bella deu de ombros.
Edward tentou não entrar naquele assunto, especialmente naquele dia, mas foi mais forte do que ele.
— Jacob Black me ligou.
Bella o encarou, a boca entreaberta, os dentes segurando um pedaço de bacon com a maior parte para fora. Edward tirou aquilo da boca dela, levando a sua, enquanto ela parecia sair de um transe.
— O que ele disse? — perguntou receosa, os olhos fixos nos de Edward.
— Me mandou ficar longe de você — respondeu.
— Jacob estava te dando ordens para ficar longe de mim? — Bella grunhiu, o rosto ficando vermelho.
— Sim, ele disse que eu devia parar de vê-la. — Edward tinha um sorriso assassino no rosto. — Foi muito engraçado — debochou. — Nem mesmo Charlie fez algo do tipo quando começamos a namorar.
— Cretino! — Bella cuspiu, largando o garfo sobre o balcão e contornando o mesmo.
— Ei, ei, o que você vai fazer? — Edward segurou no braço dela, a mantendo parada no lugar.
— Ligar para Jacob, mandá-lo ficar quieto em New York sem encher ainda mais a porra da minha paciência — reclamou. — Solte-me, Edward! — Tentou tirar seu braço da mão dele.
— Escute, por mais que eu fosse adorar vê-la gritando com aquele filho da puta, não faça isso hoje, não agora. — Edward a soltou por fim, ela respirou fundo, entendendo. O dia já era complicado demais sem precisar envolver Jacob no meio. — Volte a comer, Bella — instruiu.
Bella suspirou, voltando ao seu lugar inicial, mas já tomada por raiva. Jacob sempre teve a péssima mania de querer controlar tudo para ela, mas dar ordens a Edward era inadmissível para a cantora.
Edward e ela terminaram de comer em silêncio, evitando o olhar do outro. Bella levou a louça suja até a pia quando acabaram e, Edward foi ajudá-la a limpar tudo, acabaram rapidamente, então a tensão se transformou algo maior.
— Obrigado pela comida.
— De nada — Bella falou. — Talvez eu devesse ir, você...
— Eu disse que você podia ficar — Edward a interrompeu, sentido as lágrimas se acumularem em seus olhos. — Você consegue acreditar que está fazendo cinco anos? — Apoiou-se no balcão da pia.
— Nunca vou acreditar, Edward — ela sussurrou, detendo-se de tocar em sua barriga. — Is-Isso dói tanto — gaguejou, a garganta apertada, então sentiu as lágrimas que esteve guardando desde o começo do dia deslizarem por seu rosto. — Desculpe, isso tudo...
Ela tentou sair da cozinha, mas quando se deu conta Edward estava a puxando para si, passando a chorar com ela. Bella se agarrou a ele, escondendo o rosto no peito nu de Edward, enquanto os dois choravam juntos.
— Sinto muito, eu sinto tanto — ela disse com a voz sufocada. — Foi tudo minha...
— Não foi sua culpa, Isabella! — Edward a interrompeu mais uma vez. Tocou no rosto dela, fazendo com que ela o olhasse. — Não foi, ouviu? Nunca foi. Você não podia fazer nada para salvar Lira, ninguém podia. — Bella soluçou, assentindo, segurando-se as palavras dele como se fossem um bote salva vidas.
Ficaram juntos na cozinha silenciosa por um longo tempo, abraçados e chorando.
— Você precisa de algo? — ele perguntou, massageando o couro cabeludo de Bella, sabendo que ela sempre ficava com dor de cabeça após chorar.
— Não, eu estou bem — respondeu, parando de chorar aos poucos, ainda com o rosto repousado sobre o peito dele, podendo ouvir o coração de Edward. — E você?
— Alguma bebida.
— Nós não vamos beber. — Bella se voltou para olhá-lo. — Isso não ajudaria em nada, mas você tem sorvete, nós podemos nos afundar em sorvete. — Ela se soltou dele, indo até a geladeira.
— E quanto a sua alimentação saudável? — ele perguntou, já pegando duas colheres.
— Que se dane. — Ela abriu o pote. — Eu preciso de açúcar. Creme, sério? Você ainda não percebeu que chocolate é o melhor sorvete, Edward?
— Eu gosto de creme. — Edward mergulhou sua colher no pote, a levando até a boca. — Vamos ver TV.
Bella o seguiu até o mezanino, Edward e ela sentaram na cama, enquanto ele rodava os canais procurando algo para verem. Soltou o controle no momento que viu uma reprise de Friends passando, ia falar algo para Bella, mas se deteve ao ver o grande sorriso surgir no rosto dela, enquanto a garota se acomodava melhor a cama, deliciando-se com o sorvete, mesmo creme sendo um dos sabores que menos gostava.
— Eu amo Friends — ela disse contente, ainda sorrindo.
— Ainda é sua série preferida?
— Nenhuma outra roubará esse posto. — Bella se virou para Edward e sorriu mais ainda. — Você se lembra do episódio que o Chandler fica preso no banheiro sem roupas?
Edward gargalhou ao se lembrar.
— E aquele que o Ross usa a calça de couro? — Bella quase cuspiu o sorvete ao se lembrar da cena citada por Edward, enquanto ria. — Ainda que eu ache o episódio do clareamento dental mais divertido.
— Estou surpresa que você se lembre de tantos episódios, você era um viciado em Smallville, não Friends.
— Smallville era uma ótima série — Edward se defendeu.
— Admita que era péssima, você só gostava porque ficava fantasiando ser o Superman — Bella o provocou, cutucando as costelas de Edward, que imediatamente começou a rir sentindo cócegas. — Você tem 23 anos, homem, não acredito que ainda tem cócegas. — Ela largou o pote de sorvete sobre a cama, usando as duas mãos em Edward, que já se contorcia.
— Bella, pare! — ele implorou sem fôlego, o rosto vermelho, segurando as mãos dela.
Ela riu, afastando o cabelo do rosto, os dois estavam deitados na cama, ambos controlando a respiração.
— Estou feliz por estar aqui, Edward — Bella admitiu, seus olhos presos nos dele, o rosto sério ao dizer aquilo.
— Também estou feliz que esteja aqui, Bella.
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