A Infância de Inu Yasha
4 Capítulo 4: Ciúmes
Notas iniciais
Mais um dia ensolarado que se iniciava... Em um lugar bem longe do vilarejo em que um certo hanyou vivia, três homens conversavam:
- Então você vai mesmo até lá? – indagou o primeiro para um dos homens.
- É claro! Não vou perder uma oportunidade dessas! – responde o outro, que aparentava ter entre trinta e cinco a quarenta anos, o qual usava uma roupa toda pomposa designada a um senhor feudal, era de um horrível verde musgo, a veste comprida, mais parecia um kimono de mulher, só que com hakama ao invés do caimento do tecido que seria do kimono feminino – caso o fosse – sem falar que tinha um porte por demais convencido.
- Eu acho que você vai se dar mal, assim como os outros que já estiveram lá antes de você! – disse o terceiro homem com um tom de tédio na voz.
- Eu sou diferente dos outros, sou muito rico, culto e bonito. – rebateu o senhor feudal, convencido.
- Caro amigo! Permita-me discordar dessa última parte! – disse o primeiro homem, num tom de deboche, o qual junto com o terceiro começaram a rir de seu companheiro.
O homem com roupa de musgo começou a ficar bravo com os outros, ele se achava realmente bonito, e quando os outros tentavam abrir seus olhos para a verdade, ele apenas dizia que não sabiam apreciar a verdadeira beleza — pobre ilusão. Seus companheiros eram senhores feudais de outras regiões que sempre o vinham visitar para tratar-lhe de negócios ou simplesmente conversar sobre coisas levianas.
- Ora! O que vocês entendem de beleza!? – respondeu, finalmente – Eu vou até aquele castelo e conquistar o coração da bela Izayoi, me casar com ela e herdar uma boa parte de seu dinheiro, ou mais até! – estufava o peito enquanto contava seus planos fúteis.
- E você acha que ela vai gostar de você? Você sabe que a beleza dela é comentada por toda região! E além do mais dizem que ela não aceitou mais ninguém depois do mononoke, pelo qual dizem que ela se apaixonou, ter morrido. – disse o primeiro homem, se referindo a história que todos contavam, uns dizendo que era lenda, outros distorcendo os fatos. – Ela rejeitou todos os seus pretendentes até agora.
- Se ela se apaixonou por um mononoke, por que não por mim? – o nobre insistia em sua conquista.
- Mas... – cortou o terceiro homem, se fazendo notar – Dizem também que a princesa tem um filho hanyou, ele pode ser um obstáculo!
- Depois de me casar com ela, eu dou um jeito nele. Dizem que ainda é só um pirralho! – rebateu com naturalidade o pretendente.
OoOoOoOoOoOoOoO
No castelo, Izayoi tomava seu chá na varanda ao ar livre, observando as árvores ao farfalhar da leve brisa, enquanto pássaros cantavam e voavam de um lado a outro...
A princesa se atenta então a uma cena curiosa que passou a presenciar: o pequeno inuhanyou se encontrava não muito distante dali, este se mantinha abaixado ao chão se tal forma que parecia um felino espreitando a presa, com suas orelhas alvas posicionadas para trás e olhar atento a alguma coisa a sua frente. Estreitou os pequenos orbes dourados abaixando-se ainda mais ao chão enquanto matinha seu olhar e seus sentidos totalmente compenetrados na sua ‘caça’.
A hime não poder conter um sorriso com a visão de seu ‘filhote’ a agir como um verdadeiro cãozinho, cuja inexperiência leva a experimentar tudo a seu redor, transformando tudo a cerca dele em alvo de suas brincadeiras. Ela quase não pode segurar o riso ao vê-lo pulando sobre sua presa; esta, leve e colorida borboleta sai voando a farfalhar suas belas asas deixando para trás um frustrado hanyou que imediatamente voltava sua atenção a outro inseto qualquer. Segurou seu ímpeto de chamá-lo e lhe indagar o que estivera a fazer, não queria estragar a divertida brincadeira.
Nessa hora uma serva se coloca a sua frente, olhando para o solo em sinal de submissão, e lhe dirige a palavra:
- Izayoi hime! O príncipe Konoharu-sama está aqui e quer falar com a senhora.
- Mande-o entrar então. – responde Izayoi um tanto chateada, odiava esses assuntos burocráticos.
Ela dirige-se à entrada, um cômodo pequeno aonde eram recebidos primeiramente os convidados e as visitas. Ele aguardava sentado, mas quando a viu pôs-se imediatamente de pé:
- Izayoi hime! Que prazer em conhecê-la! Creio que já ouviu falar de mim? – disse beijando-lhe a delicada mão e tentando passar uma boa impressão.
- Certamente que sim. Não foi o senhor que perdeu mais de oitocentos homens numa única batalha ao qual não lhe foi ordenado que participasse? – respondeu Izayoi asperamente, desvencilhado-se da mão do sujeito com um pouco de repudio.
- Aquilo foi uma triste conseqüência, de se ter incompetentes trabalhando para mim, pois não me informaram corretamente na ocasião da batalha – tentou rebater Konoharu, pois, espantado com a resposta da princesa ele apenas tentava jogar sua culpa em cima de terceiros.
Nessa hora aparece Inu Yasha – aparentemente havia se desinteressado por perseguir insetos — perto dos joelhos de sua genitora e segurando lhe o kimono rosado, bem firme como se quisesse dizer que ela era sua e ninguém a tiraria dele; e encara o homem à sua frente com ferocidade.
- Já conhece meu filho? Inu Yasha. – ela apresenta com orgulho.
- Já havia ouvido falar... – responde Konoharu lançando olhares ameaçadores para o pequeno hanyou, olhares estes sendo prontamente correspondidos pelo mesmo.
Inu Yasha certamente não havia gostado nem um pouco da visita, aquele homem de roupas de musgo muito feias, queixo pronunciado, e o cabelo (ao menos o pouco que tinha) amarrado em uma espécie de coque na cabeça (mais ou menos como os samurais faziam), deixando aparecer toda sua enorme testa brilhante. E ainda esse homem vinha cheio de galanteios, tentando cortejar sua mãe. Não era a primeira vez que homens vinham ali com esse mesmo objetivo, mas Izayoi rejeitava a todos; o único homem que amara um dia havia partido para sempre, e ela não queria nenhum substituto. Então por que este em especial achava que teria mais sorte que os outros?
Izayoi ignorando a guerra de olhares que os dois trocavam, convidou:
- Vamos à sala de chá! – dizendo isso foi saindo do aposento e entrando no seguinte, sendo seguida de perto por Inu Yasha, e à meia distância por Konoharu.
Quando a princesa estava um pouco à frente, Inu Yasha parou à porta do aposento, esperando que o homem passasse (ato que este pareceu não notar), e quando estava bem perto, o pequeno hanyou colocou ‘ocasionalmente‘o pé na frente, fazendo com que o outro tropeçasse no mesmo e caindo pesadamente no chão. Izayoi se virou com o estrondo, e fitou o homem caído no chão, segurou um riso e perguntou inocentemente:
- O que faz aí no chão?
- Eu tropecei em alguma “coisa”! – disse lançando olhares furiosos ao hanyou, que fazia cara de inocente.
- Então levante-se daí e vamos logo! – retruca a mulher ainda tentando conter o riso.
Konoharu apenas se levantou silencioso e obedeceu. Ao chegarem ao aposento seguinte, os três sentaram-se no chão, enquanto que Izayoi pedia a uma serva para que servisse o chá para a visita.
- E então! – começou Izayoi – Que assuntos o senhor tem a tratar comigo?
- Não seria melhor que seu filho se retirasse primeiro? Não é bom que as crianças ouçam as conversas dos adultos! – disse encarando o hanyou
- Eu não tenho nada a esconder de meu filho, se tem um assunto a tratar comigo, fale logo, por favor! – respondeu áspera a princesa.
O humano desconcertado, nem sabia onde enfiar a cara. Inu Yasha apenas sorria triunfante para seu ‘inimigo’. — “Bem feito pra você! Seu testudo!” — pensava o hanyou.
- Sim, sim! Eu direi logo então! – disse tentando esconder o nervosismo, por seu plano estar dando errado – Eu queria pedir sua mão em casamento, Izayoi hime!
Um silêncio tomou conta do lugar por um segundo, Konoharu esperando pacientemente a resposta, Inu Yasha espumando de raiva e Izayoi parecia não se surpreender com a proposta:
- Então... era só isso? – responde a princesa entediada – Muitos já me fizeram o mesmo pedido e eu não aceitei nenhum deles, assim como não vejo motivo para aceitar esse.
O nobre estava boquiaberto, foi rejeitado com uma incrível espontaneidade e rapidez. Inu Yasha estava mais que contente pela resposta de sua mãe. O pretendente, então, ainda sem desistir, tratou de demonstrar todas as suas ‘qualidades’:
- Eu posso lhe dar alguns motivos! Sou muito rico, culto e carinhoso. E a nossa união, unificaria os dois feudos, aumentando assim as chances de vencermos numa guerra, com mais soldados e armas. – pensou um pouco e finalizou – E modéstia a parte sou muito bonito! – aí já se via que modéstia não era seu forte.
O pequeno hanyou não se segurando mais, tratou de responder a esta última afirmação:
- Bonito!? Um oni é mais bonito que você, seu testudo!
Konoharu arregalou os olhos, para aquela pequena criatura que o desafiava. Sua expressão passando de espantada para raivosa em poucos segundos... Mas Izayoi interfere:
- Inu Yasha! Seja mais educado com as visitas! – mas sua expressão não era reprovadora, e sim, divertida. O jovem hanyou apenas sorriu com a aprovação de sua mãe, pelo visto ela também não gostara do sujeito tanto quanto ele.
- “Você ainda me paga pirralho!” — pensava o homem com raiva. Até que jovem donzela falou, se dirigindo a ele:
- Quanto ao senhor! Não estou interessada no seu dinheiro, nem em sua educação, e tampouco pretendo começar uma guerra! – ia mencionar o fato de ele ser realmente feio, mas resolveu deixar isso pra lá. Deu um gole no chá calmamente e, tendo em reposta o silêncio, continuou: — Quer mais chá?
O nobre não esperava por uma resposta repentina e negativa da parte da princesa, que dizia aquilo tudo sem nem mesmo mudar seu semblante e seu tom de voz, estes não demonstrando sentimento algum, além o descontentamento que aquela conversa lhe causava. Sem ter outra reação resolveu aceitar o que lhe era oferecido:
- Sim eu gostaria de mais um pouco de chá. – respondeu num fio de voz. Nem sabia mais o que ainda fazia ali, ainda não havia aceitado a idéia de que havia sido rejeitado.
- Eu pego pra você! – disse o hanyou, inesperadamente, levantando-se. Nem Izayoi entendeu até que viu seu filho pegar a chaleira que a serva estendia e derramá-la todinha na cabeça do visitante inconveniente.
- Ops! Caiu! – ironizou o hanyou
O chá estava muito quente, e o homem teve sorte em não sofrer queimaduras, mas gritava como uma mulher histérica. Quando enfim se acalmou, teve o impulso de tentar agarrar Inu Yasha pelo pescoço e esganá-lo:
- Você me paga, seu hanyou nojento! – gritou descontrolado enquanto tentava pegá-lo.
Inu Yasha foi mais rápido e se escondeu atrás de sua mãe, mostrando a língua para o zangado homem, debochadamente. A princesa viu nisso uma chance de se livrar do visitante:
- O que foi que o senhor disse? – falou num tom frio, de dar medo.
- Eu.... Me desculpe! Foi um impulso, eu não quis..... – balbuciou temeroso o homem, sem mais nenhum argumento a seu favor.
- Retire-se daqui imediatamente! – ordenou a princesa, um pouco mais energética.
- Sim! – respondeu apenas Konoharu, se retirando em seguida, pisando duro no chão e bufando de raiva, mas não sem antes lançar olhares faiscantes a Inu Yasha, que apenas observava a cena, com sorriso irônico nos lábios. — “Me livrei de mais um!” — pensava o pequeno enquanto via a silhueta do homem desaparecendo a distância.
Após ter a certeza que o visitante havia partido, Izayoi encara o filho:
- Ele podia ter se machucado. – dizia com um pouco de repreensão. Ao que o hanyou apenas abaixa o olhar – Mas ainda assim.. Obrigada, meu filho! Eu não sabia mais o que fazer para me livrar dele! – completou abrindo um sorriso.
- Eu não ia deixar aquele cara tirar você de mim, mamãe! – disse possessivamente, abraçando a mãe.
Ela o pega no colo com carinho:
- Ninguém vai me tirar de você, querido! Eu vou estar sempre aqui, com você. – diz docemente
O pequeno hanyou, feliz com a resposta, abraça com força sua mãe, como se a qualquer momento ela fosse desaparecer. Não queria que ela partisse nunca, sua única ente, a única que ele amava mais que tudo, e única que o compreendia e confortava, traduzindo: Sua mãe.
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