A Infância de Inu Yasha

19 Capítulo 19: Rixas e despedidas


Notas iniciais
Voltei, depois de tanto tempo.
A fic está mesmo no final, então resolvi postar.
Ainda que ninguém deve mais se lembrar dela, mas se uma leitora ainda estiver lendo já é um motivo.
Então estou postando graças a Yukiko ;D
xD

ah sim, Inuyasha não me pertence. (sério?)

Já completavam-se três dias que o hanyou ficava por ali. Já estava praticamente curado dos ferimentos, restando apenas algumas marcas que logo sumiriam. Para sua sorte os aldeões não costumavam passar por ali, por isso sua estadia não foi notada. Porém o que foi notado foram as diversas saídas de Haru do povoado, e quem as notara era alguém que sempre a espreitava enquanto esta saía, muitas vezes com objetos na mão que nem sempre voltavam com ela.

O garoto se quedava observando mais uma vez a garota sair da floresta com uma cesta vazia em mãos, cesta essa que não estava vazia quando ela saiu, o que era por demais estranho.

- O que você está escondendo Haru...? – fala num sussurro.

- Falando sozinho Tatsu? – a voz do amigo o pega de surpresa por um instante.

- Ah, é você Koji. – fala sem muita animação.

- O que estava fazendo?

- Observando uma coisa muito estranha... – responde fazendo ar de compenetrado.

- O que seria? – olha na mesma direção do amigo – Está espionando a Haru de novo? – fala em tom de deboche.

- Eu não estou espionando! – responde indignado – Mas digamos que... Ela anda agindo estranho ultimamente.... E acho que sei por quê.

- Como assim? – pergunta sem entender.

Depois explicar um pouco de suas suspeitas ao amigo ele o convence a acompanhá-lo até o local se certificar do que a menina escondia de todos. Ao cair da noite ambos se armam com tochas e partem para a floresta, tomando o mesmo caminho que a garota. A escuridão tomava conta do local sombreado pelas árvores, só conseguia-se enxergar até onde as tochas iluminavam.

- Hei Tatsu! Tem certeza que é por aqui? – o garoto pergunta temeroso.

- É por onde sempre vejo a Haru indo. Só pode ser nessa direção. – responde sem tirar os olhos do caminho.

- Mas... Por que você acha que aquele hanyou está por aqui?

- Por que logo depois que ele lutou contra aquele youkai que atacou o vilarejo e depois fugiu a Haru correu pra cá. E depois disso ela vem sempre para essa parte da floresta. É óbvio que ela o esconde aqui. – explicou pela segunda vez.

- Mas o que você vai fazer se estiver certo? – torna a perguntar, levemente mais temeroso.

- Vou me vingar é claro! Ou por acaso se esqueceu do que ele me fez a nove anos atrás? – disse apontando a cicatriz.

- Claro que me lembro. – afinal ele era um dos garotos que fugiram depois do ataque de fúria do pequeno hanyou – Mas por que você ainda insiste nisso? Já faz tanto tempo...

- Mas eu nunca vou perdoá-lo! – diz irritado fechando os punhos – Vou fazer justiça e acabar com aquele desgraçado!

O amigo não disse mais nada, apenas seguia o outro, pensando no por quê de ter aceitado ir com ele correndo risco de ficar perdido numa floresta à noite e ser atacado por youkais. Tatsu pára de andar a uma certa distância de uma árvore, fazendo com que Koji parasse também. Ambos fitam tudo a seu redor iluminando com as tochas todas as direções, porém só vendo árvores e mais árvores.

- Não tem nada aqui. – pronuncia Koji, desanimado.

- Não é possível. Eu não posso estar errado! – o outro responde quase aos gritos.

- Acho melhor não fazermos tanto barulho... – o amigo tenta avisar.

Um som de folhas e galhos chama a atenção dos dois, que agora fitavam silenciosos as árvores intentando procurar a origem do som. Outro barulho, dessa vez mais perto deles os põe em alerta.

- Vamos embora daqui! – Koji quase suplica ao amigo, tremendo de medo.

- Não vou desistir agora. – responde, apesar de também estar temeroso.

Repentinamente um vulto pula na frente dos dois, quase os matando de susto. Tatsu ilumina o ‘ser’ com sua tocha a tempo de ouvir uma voz lhe falando:

- Estava me procurando? – tinha um tom sarcástico.

O fogo da tocha ilumina o hanyou bem à frente deles, os fitando com cara de poucos amigos. A visão pareceu aterrorizar Koji que deu dois passos vacilantes pra trás. Tatsu tentava se manter firme, apesar de a parca iluminação da tocha fazer aquele momento parecer mais sombrio e assustador.

- Finalmente te encontrei hanyou! – ousa o garoto.

- Acho que eu é que os encontrei. – responde sem se alterar muito.

- Farei você pagar pelo que me fez no passado! – ameaça lhe apontando a tocha como se fosse uma espada.

- Pode vir então. – retruca aprontando as garras.

O suposto ‘amigo’ do garoto, que não parara de tremer desde então, sai correndo floresta adentro gritando histericamente sobre o monstro que os tinha atacado. Tatsu olha o caminho trilhado pelo ‘amigo’ covarde, atônito. Pela segunda vez o abandonava numa situação de perigo, talvez devesse reconsiderar sobre como escolher melhor suas companhias...

Voltou seu olhar ao hanyou que o mirava debochadamente:

- Se for esperto, saia correndo como seu amigo. – caçoou.

- Eu não vou fugir como aquele covarde. Vou acabar com você de uma vez por todas! – voltou a ameaçar – No passado não o exterminaram, mas agora eu vou te mandar pro inferno de onde você nunca devia ter saído!! – termina, revelando uma pequena adaga que estava oculta em sua cintura.

- He, acha que vai me derrotar com isso?! – debocha.

[...]

No vilarejo, Koji chegava ainda desesperado e agora também ofegante. Seus gritos puderam ser ouvidos por todo o vilarejo e os aldeões vinham em seu encontro intentando ver o que se passava.

Haru, que também tinha ouvido o alvoroço, tentava se aproximar para ver o que acontecia, mas ao ouvir a palavra ‘hanyou’, ela não precisou ouvir mais nada, correu imediatamente para o já conhecido local em que o amigo sempre ficava, temendo pelo que teria acontecido.

Depois de alguns minutos de corrida sendo apenas guiada pela fraca luz da lua e o conhecimento que tinha sobre o caminho, a garota finalmente chega ao local, presenciando a cena de Tatsu apontando uma adaga para o hanyou e este, com as garras preparadas para golpeá-lo. Ela, sem pensar se põe entre os dois intentando evitar o confronto:

- Parem com isso! – ela grita.

- Haru?! – o humano pergunta confuso. Inu Yasha, embora também surpreso, não se manifestou.

- Não me impeça! – o humano volta a gritar.

- Não quero ver vocês se matando! – ela retruca.

- Saia da frente! – diz Tatsu a empurrando para o lado. Porém o fez com a mão que segurava a adaga e acabou fazendo um corte no braço da garota que caiu ao chão.

O garoto não se mostrou arrependido, embora aquela não fosse sua intenção; porém o hanyou parecia transtornado, mirava o humano com fúria evidente. O híbrido, num golpe rápido demais para o humano ver, o segurou pelo pescoço contra uma árvore; enquanto preparava as garras da mão livre para lhe infringir-lhe um golpe fatal. Podia-se ouvir um rosnado vindo do inuhanyou, o que evidenciava sua raiva, parecia fora de si.

Tatsu tentava inutilmente se desvencilhar da mão do oponente. Com o ar já faltando e uma voz fraca diz ao inimigo:

- Me mate.... termine o que começou.... É isso que monstros fazem, afinal...

O hanyou pareceu não se importar com aquelas palavras e estava prestes a matar o humano, mas foi impedido pela voz de Haru, que com lágrimas nos olhos, lhe gritava:

- Pare! Não faça isso. Senão você estará tornando as palavras dele verdade!

O híbrido fita a garota surpreso, apesar de ferida por aquele garoto ela não desejava vê-lo morto. Viu as lágrimas que ela derramava e pensou que monstro ele era para fazer sua amiga chorar tantas vezes por sua causa. Meio relutante soltou o humano, que imediatamente levou a mão ao pescoço e tentava recuperar o fôlego. Se virou para ela e se aproximou analisando o ferimento com pesar, como se sentisse culpa por isso. A garota apenas lhe sorriu e o tranqüilizou:

- Eu estou bem.

Mas antes que mais algo fosse dito, diversos aldeões chegavam subitamente ao local, armados com tochas. Ao verem a cena de Haru ferida e Tatsu ajoelhado ao chão gritando algo sobre um monstro que tentara matá-lo, interpretam mal a cena e partem pra cima do hanyou. Este em apenas um pulo se abriga em cima de um alto galho de árvore, saindo do alcance dos humanos. Estes gritavam sentenças de ódio e indignação ao híbrido; ele apenas fita novamente a amiga antes de sumir entre as árvores.

OoOoOoOo

Naquela noite apesar do grande alvoroço, nenhum sangue foi derramado, o que não tranqüilizava os moradores da vila. Tatsu teve que se conformar em não ter obtido sua vingança sem-sentido, e Haru se afligia em pensar se seria essa a última vez que vira o hanyou.

[...]

No dia seguinte a garota consegue passar desapercebida pelos aldeões e vai até a floresta, decidida que aquela seria a última vez. Se não o encontrasse estaria certa em achar que ele tinha ido embora de vez. Caminhou pela região nos limites do vilarejo e depois de algum tempo avistou o que tanto queria, Inu Yasha estava bem ali não muito distante, olhando alguma coisa que a garota não se importou em saber o que era. Foi até ele e chegou perto cautelosamente crendo que este não notara sua presença, mirou a mesma direção que o hanyou e viu o que ele tanto fitava, uma lápide de pedra... nela jazia escrito o nome da princesa Izayoi, sua mãe.

Haru decidiu por não dizer nada que pudesse estragar aquele momento, mas ela não sabia que sua presença à muito havia sido notada:

- Tinha que visitá-la uma última vez. – ele diz sem tirar os olhos da lápide. A garota se surpreendeu momentaneamente para depois entristecer:

- Então... vai mesmo embora...? – mas ela já sabia a resposta àquela pergunta.

O hanyou desvia seu olhar para a amiga, sem responder com palavras, porém palavras não eram necessárias quando apenas seu olhar dizia que os temores da garota estavam certos. Esta reprime as lágrimas que teimavam em querer sair, força um sorriso e volta a falar:

- Sentirei saudades. – ela sorri tristemente. Algumas lágrimas conseguem escapar de seus olhos expressivos.

Sem dizer nenhuma palavra o híbrido simplesmente abraça a garota, sentindo seu pesar. Ela deixa de segurar as lágrimas e as deixa correr livremente, agora sendo amparado pelo tão querido amigo. Depois de um tempo e de perceber que ela já se acalmava lhe diz:

- Não quero que chore por minha causa. Me prometa que vai ser o mais feliz que puder.

- Eu... – ela diz com um pouco de dificuldade – Prometo.

Ele a força a olhá-lo e a garota tenta dar seu melhor sorriso para demonstrar que ia cumprir sua promessa. O hanyou dá um meio-sorriso de volta e separando-se a garota, dirige-se para a floresta, antes de sumir por entre as árvores olha pra trás uma ultima vez e acena para a amiga, que apenas acena de volta sem coragem de dizer um ‘adeus’, como se com isso pudesse tornar aquilo menos definitivo...

Depois disso ela vira de costas para não vê-lo partir, seca o rosto molhado de lágrimas e volta para seu lar, onde tentaria de alguma maneira cumprir sua promessa, porém sem nunca esquecer aquele com quem tivera seu primeiro beijo e que certamente se ficaria em seu coração pelo resto de sua vida...

Notas finais
Reviews fariam uma escritora baka feliz 8)