Hirogaru yami no naka Kawashiatta Kakumei no chigiri

Imerso nas prolíferas trevas
Aishita yue ni mebaeta aku no hana

Troquei votos de revolução.
Kore kara saki otozureru de arou subete o

Pois não posso permitir

Dare ni mo jamasaseru wake ni wa ikanai kara

Obstáculos em meu caminho.

Recostado no embaçado vidro do carro, Morpheus dorme. Em seu sonho ninguém lhe cobra nada. Nele, o mundo é feito apenas de sentimentos, não de pessoas. Em seu sonho não há maldade. Nele a paz reina absoluta.

- Morpheus, acorde. Chegamos.

A voz da mãe é firme e autoritária. É áspera.

- Pronto, desça.

Parado em frente a um imponente edifício, Morpheus vê o carro de sua mãe sumir no meio de tantos outros. Ele da graças por isso. Sabe que pelo menos por essa tarde, ele poderá ficar em paz. Como em seu sonho. Nele não é necessário ser perfeito para se viver.

- Morpheus, entre.

Um homem de terno preto segue com as mãos nas costas, guiando o pequeno garoto por entre os corredores. O pequeno sabe que o que lhe aguarda não é terrível, mas triste. Deprimente.

- Morpheus, sente-se. Vejo que não teve tempo de se arrumar hoje, huh?

A voz da mulher gorda em sua frente é como a de sua mãe, como a do homem de terno: indiferente. Morpheus sabe que, se aquele comentário chega aos ouvidos de sua mãe, a punição será severa. Ela exige que ele seja belo, impecável. Trata-o como seu troféu. Talvez seja por isso que a mãe adora mostrá-lo para as amigas. Para elas sentirem inveja de não terem filhos como Morpheus.

Kajitsu ga tsugeta mirai

No futuro que a fruta me contou
Risei o wasureta machi

Esta cidade foi desprezada.
Kuroku yuganda ima o

A realidade distorcida no tempo de trevas.
Yume, risou ni kaeru

Sonhos tornam-se ideais.

À tarde, ao chegar em casa, não tem descanso. Aula de aritmética e bons modos. Não bastavam as malditas aulas de filosofia com aquela maldita gorda feia...

- Morpheus você está um trapo. Vá tomar banho, minhas amigas estão prestes a chegar.

O garoto caminha com lentidão até a porta do banheiro. Olha-se no espelho e se sente feio. Não por fora, mas por dentro. Como sua maldita mãe...

- Morpheus, penteie seus cabelos. Minhas amigas estão chegando.

Morpheus caminha em direção à seu quarto e pega uma escova. Penteia seus longos cabelos e amarra-os com uma linda fita azul. Porque a mãe tem a necessidade de fazê-lo se parecer com uma garota? Talvez porque suas amigas consideram isso bonito...

- Morpheus, venha até aqui! Quero que conheça a Srta. Fulana. E ah! Se puder busque mais chá para nós, sim?

As mulheres riem alto na sala enquanto bebem xícaras de chá. Ele segue até a cozinha com aquele maldito laço azul no cabelo...

Dare mo ga nozonda \"owari\" o...

Todos desejam um fim.

Riem. Aquelas malditas só sabem rir. Riem de nada, riem de si mesmas. Todas gordas, feias. Elas não sabem, mas eu também rio delas. Rio de sua mediocridade. Rio da infelicidade delas. Elas não sabem, mas eu rio muito mais que elas.

Morpheus segue até elas e lhes entrega as xícaras. As malditas riem mais ainda e comentam:

- Seu filho é realmente muito fino e educado, Sra. Duvall.

Mais essa. Fino e educado. O que eu mais queria era poder dizer a elas o que penso. Que eu as considero medíocres. Feias.

Itsuka boku ga misete ageru Hikarikagayaku sekai o

Um dia mostrar-lhe-ei um mundo de esplendor.

Sei que estou destinado a algo grande. Quando crescer poderei, enfim, apagar do mapa essas pessoas medíocres e feias. Sei que poderei acabar de vez com a maldade no mundo. A humanidade será composta apenas de pessoas perfeitas, como eu. E talvez assim, enfim, reine a maldita paz.

Notas finais
Enjoy! (Excella Gionne, Resident Evil 5)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!