A Infância de Inu Yasha
9 Capítulo 9: Meio irmão
Notas iniciais
O dia amanhecia ensolarado novamente. Dentro de uma caverna, um hanyou acordava preguiçosamente, incomodado pelos raios de sol.
- Ohayou, Inu Yasha-sama! – cumprimentou Myouga.
- Ah, você ainda está aí velho Myouga! – o hanyou dizia, olhando para a pulga, com cara de sono e recordando que ele estava lá desde o dia anterior.
- Mas é claro que estou! – respondeu Myouga intrigado.
- Então vamos Myouga! – disse Inu Yasha se levantando, após se espreguiçar um pouco.
- Vamos pra onde?! – indagou a pulga, desconfiada.
- Vamos explorar por aí! Até agora eu não conheço nada por aqui. Como vou morar num lugar que não conheço? – disse o inu hanyou com simplicidade.
- Mas....é perigoso ficar andando por aí! – Myouga tentava refutar temeroso.
- E por acaso aqui é seguro? – rebateu o hanyou, já um pouco mais alterado.
- Bem....não..mas...
- Então vamos!
- Hã...eh....boa sorte para o senhor, amo Inu Yasha! – dizia a pulga já se despedindo e preparando-se para saltar. Mas Inu Yasha o segura, impedindo a pulga de fugir novamente.
- Você vem comigo! Você deve conhecer essa floresta! – o hanyou falava encarando a pulga, presa entre seus dedos indicador e polegar.
- Era isso que eu temia... – Myouga balbucia baixinho.
- O que disse?! – gritou o hanyou, irritado.
- Nada não. ¬¬
OoOoOoOoO
Em outro lugar da floresta, um ser observava o nascer do sol com uma certa indiferença, mesmo diante de fenômeno tão bonito da natureza. Sua aparência poderia ser considerada a de um humano, não fosse alguns detalhes em particular que davam a certeza de tratar-se de um youkai, e não qualquer youkai, um youkai imponente, usava roupas luxuosas, talvez por ser um príncipe ou ter algum tipo de posto elevado na hierarquia dos youkais.
O mononoke continuava impassível, até que um cheiro familiar chamou sua atenção, o cheiro de um youkai de sua espécie, porém havia uma diferença neste cheiro....havia o cheiro de humano misturado ao cheiro de youkai....
Começou a caminhar calmamente na direção de onde o cheiro vinha. Em seu rosto, nenhuma expressão se manifestava, seus olhos sempre frios não deixavam transparecer nenhum sentimento, em sua cintura uma espada que nunca havia sido desembainhada por seu dono atual.
- “Finalmente me encontrarei com você, hanyou!” – pensava o imponente youkai enquanto caminhava.
OoOoOoOoOoOoO
- Ei, velho Myouga, onde estamos? – perguntava Inu Yasha, olhando em volta.
- Bem...eu acho que.... – Myouga tentava se recordar.
- Você num sabe? – indagava o hanyou com uma sobrancelha arqueada.
- É...claro que sei. Nós estamos... entrando em Higuri no Mori. – responde a pulga com cara de sábio.
- Tem certeza? – pergunta Inu Yasha, sarcástico.
- É claro que tenho!
- Ha, ha! Não era o que parecia! – responde divertido.
E eles continuavam adentrando mais e mais a floresta. As copas das arvores nesta região, eram muito mais densas do que na anterior, a luz do sol passava com muita dificuldade pelas folhas muito próximas umas das outras. Era um clima úmido e sombrio em Higuri no Mori, o que justificava seu nome.
A umidade facilitava o crescimento de musgos e cogumelos ao mesmo tempo em que a parcial escuridão dificultava o crescimento de diversas plantas que dependiam da luz do sol.
- Inu Yasha-sama! Olhe ali! – chamou Myouga.
- Hã?
- Aquelas plantas são ótimas para curar qualquer tipo de ferimento. – disse apontando.
- Essa aqui? – pergunta o hanyou se aproximando de uma.
- Não! – alarma Myouga – Essa não! Essa é venenosa, não toque nela!
O hanyou rapidamente recolhe a mão que ia tocar a planta perigosa. Enquanto Myouga pula na planta ao qual estava se referindo anteriormente e fita o pequeno hanyou com uma expressão reprovadora:
- Desse jeito o senhor não vai durar muito. Se eu não estivesse aqui...
- Ah, cala a boca, velho! — grita Inu Yasha.
- Isso não foi educado! – a pulga youkai parecia desgostoso com a resposta do filhote de cachorro.
- Bah! – desdenha o hanyou enquanto cruza os braços.
Mas, do nada, Inu Yasha descruza os braços e fita atentamente um ponto da floresta, como se estivesse esperando algo sair de lá. Myouga sentindo a tensão, arrisca uma pergunta:
- O que foi? – indaga temeroso.
- Estou sentindo um cheiro estranho vindo de lá! – o hanyou responde sério, ainda com os olhos fixos no mesmo ponto.
- O que é? – Myouga pergunta novamente, ainda mais temeroso.
- Não sei direito....mas, não é humano.
Inu Yasha fareja um pouco o ar, tentando identificar o cheiro. Na certa deveria ser de youkai, pois parecia muito com o que ele sentiu na primeira vez que se encontrou com um, porém, esse era diferente, não era o mesmo monstro...
Um barulho vindo da floresta fez o hanyou pular pra trás e ficar em posição de ataque, esperando um provável ‘inimigo’ aparecer.Mas ele não esperava pelo que viria a seguir...
Um youkai bem diferente dos que ele já tinha visto, com uma aparência bem mais ‘humana’, parecida com a dele próprio. O ser possuía também, longos cabelos prateados, e olhos cor de âmbar, tal como Inu Yasha, estes porém não demonstravam nada menos que indiferença e desprezo.
O youkai tinha duas marcas vermelhas de cada lado do rosto e uma meia lua na testa, trajava roupas brancas e uma reluzente armadura, e no ombro uma espécie de estola branca e felpuda, que Inu Yasha não soube identificar o que era; aparentava ter uns 25 anos, mas deveria ter muito mais.
O hanyou não podia entender o porquê, mas sentia um grande poder vindo daquela figura misteriosa, e isso o fazia sentir um arrepio na espinha, uma coisa que nunca tinha sentido antes, mas se manteu firme no lugar. O youkai olhando diretamente em seus olhos o fazia ficar ainda mais nervoso.
- Demorou para me notar. Já fazia um certo tempo que estava aqui. – diz finalmente o youkai com voz fria.
- Q-quem é você? – pergunta o hanyou tentando não transparecer o nervosismo.
- Não reconhece seu próprio meio-irmão? – indaga o youkai sem alterar a voz.
- Meio....irmão? – repete o hanyou tentando entender.
- Sesshoumaru-sama! – diz repentinamente Myouga.
- Ah, você está aqui. Se escondendo de novo, sua pulga covarde? – o youkai diz dirigindo-se a Myouga.
- Você o conhece velho Myouga? – o hanyou pergunta confuso.
- Então quer dizer que aquela imprestável da sua mãe humana não lhe contou nada? – o youkai cachorro volta a falar com Inu Yasha.
Inu Yasha cerra os dentes à menção de sua mãe daquela maneira, e olha furioso para o youkai à sua frente com todo aquele ar de superior. Sesshoumaru olhava o hanyou de cima a baixo, analisando-o.
- Você é patético. – pronuncia o youkai – Não posso crer que temos parte do mesmo sangue. – termina ele, com desprezo.
O pequeno hanyou, agora furioso, começara a rosnar para o youkai à sua frente.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo!? – grita corajosamente.
- Inu Yasha-sama! – avisa Myouga
- Hu! Seu pirralho! – responde Sesshoumaru – Hanyou desprezível! Tem sorte que não estou a fim de matar uma coisa tão ridícula como você! Seria como esmagar um inseto!
- Ora seu....! – o hanyou diz, tremendo de raiva e também de medo daquele youkai que parecia poder matá-lo com estrema facilidade.
Sesshoumaru então sem dar explicação alguma se vira e parte dali calmamente, voltando a desaparecer na floresta escura, deixando pra trás um hanyou bastante confuso.Inu Yasha então, com expressão séria e ao mesmo tempo curiosa, indaga a Myouga:
- Quem era ele?
- Como ele disse, ele é seu meio-irmão, Sesshoumaru. – responde a pulga com simplicidade.
- Eu num sabia que tinha irmãos. – responde o hanyou inocente.
- Bem... Sesshoumaru-sama é filho de seu pai, mas com uma youkai. Ou seja, vocês têm o mesmo pai, mas não a mesma mãe. É por isso que diferente do senhor, o Sesshoumaru-sama é um youkai completo.
- “Ele é um youkai completo. Não é um hanyou como eu.” – pensa tristemente Inu Yasha – "Cara mais metido! Num gostei dele!" — pensa agora com raiva — "E pelo visto ele também não gostou de mim!....Mas eu nem ligo, um dia eu serei mais forte que ele!” – se anima.
- Inu Yasha-sama! Vamos embora daqui, está escurecendo e aqui vivem diversos youkais perigosos. – avisa Myouga temeroso.
Atendendo ao pedido de Myouga, Inu Yasha parte dali. Realmente, aquela floresta era um tanto sinistra, estranho que não tivesse aparecido algum youkai faminto em busca de um petisco...talvez a youki de Sesshoumaru tenha assustado até mesmo as inimagináveis criaturas que deveriam existir ali.
OoOoOoOoOoOoOoO
O tai-youkai Sesshoumaru caminhava calmamente, afastando-se dali, ainda tendo em mente o ‘diálogo’ que acabara de ter com seu meio-irmão:
- “Um hanyou pirralho e fraco como ele....Pai, foi por isso que você se sacrificou?” – divagava o youkai, condenando o pai em sua mente – “Você era o único youkai mais forte que eu, mas morreu desse jeito ridículo....protegendo um hanyou e uma humana.... Eu não serei fraco como você, eu, o grande Sesshoumaru, seguirei o caminho da dominação.... Nunca uma humana vai me enfraquecer, como fez com você.”
E com esses pensamentos, o tai-youkai cachorro segue seu caminho, decidido a nunca se deixar levar por sentimentos – que pareciam ser inexistentes no mesmo – ou por humanas, que eram as criaturas que mais desprezava – seguido de perto por hanyous – tal como fora com seu pai...
OoOoOoOoOoOoO
Enquanto caminhava o hanyou olhava para o céu acima de si, agora escurecendo pouco a pouco. As primeiras estrelas apareciam e a lua podia ser vista fracamente no céu, enquanto os últimos raios de sol desapareciam. A lua estava em sua fase minguante, e agora quase não podia ser vista, só se via um fino fio em forma de meia lua. Inu Yasha sabia muito bem o que isso significava, apesar da pouca idade já havia passado por isso várias vezes, era nesse dia que sua mãe não o deixava sair de casa, era nesse dia que ficava mais vulnerável...
- “Amanhã será lua nova...” – pensava ainda olhando para o céu estrelado.
Agora sua mãe não estaria lá para lhe dizer que no dia seguinte tudo ficaria bem, para lhe proteger de quem quisesse lhe fazer mal, para tranqüilizá-lo para que pudesse dormir sem preocupações, agora não tinha mais ninguém....
Tinha um meio-irmão, mas este parecia odiá-lo antes mesmo de conhecê-lo, e Myouga era o sujeito mais covarde que conhecera. Agora ele só dependia de si mesmo pra sobreviver...
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