Notas iniciais
Inu Yasha nom não me pertence T__T
O que acontece quando um hanyou ataca um humano?

Era inverno em Sengoku Jidai....os animais ficavam a maior parte do tempo escondidos em suas tocas...as árvores não tinham mais suas folhas e pequenos flocos alvos de neve caíam lentamente até o solo, formando um tapete branco e macio no chão.

Apesar do incômodo do frio, Inu Yasha gostava de correr e brincar naquela paisagem branca, pois o chão parecia uma macia e gelada cama e lhe era divertido tentar dar forma aos amontoados de gelo fino. Mas sua maior diversão era jogar bolas de neve nos aldeões incautos que passavam a caminho da plantação. Ao receberem o ataque, eles ficavam bravos e começavam a proferir toda a sorte de maldições, alguns deles se desequilibravam e caíam, para o divertimento do jovem hanyou.

Depois de cansar da brincadeira, ele deita na neve fofa para descansar um pouco... Quando sente uma picada de inseto, o qual é prontamente esmagado por ele.

— Velho Myouga!? É você!? – indaga enquanto olha o pequeno inseto esmagado em sua palma.

— Ah! Inu Yasha-sama! Vejo que o senhor está vivo... e inteiro! – responde a velha pulga analisando-o.

— Não graças à você, seu covarde! Aquele dia você fugiu e me abandonou! – protestou o hanyou enquanto espremia a pulga entre os dedos indicador e polegar.

— Eu!? Fugir!! – diz Myouga indignado – Eu nunca fujo, amo Inu Yasha!

— Então aonde você foi!? – indaga o hanyou não acreditando na explicação da pulga covarde.

— Eu...er....ham....

— Eu sabia que você era covarde...

Myouga ficou sem resposta, ele inegavelmente era um covarde. Sempre abandonava Inu Taishou também quando as coisas ficavam perigosas...

Nesse momento, um grupo de meninos ia passando, eram três e eram um pouco maiores que Inu Yasha, mas a diferença de idade não deveria ser muita. Os três pararam a curta distância quando viram o jovem hanyou, e se puseram a conversar entre eles aos sussurros enquanto o olhavam de esguelha indicando claramente estarem falando sobre ele.

- O que estão olhando!? Nunca viram não? – desafiou Inu Yasha fazendo cara de poucos amigos.

- Só estávamos admirando o show de aberrações! – disse um deles com cinismo.

O hanyou, que já estava com uma cara nada amigável, fechou mais ainda a expressão e levantando-se do chão, ficou encarando os três com fúria.

- O que foi, esquisito!? Não gostou não!? – completou o humano.

- E essas orelhas aí, são de quê? Cachorro? – disse outro.

- Acho que é isso mesmo! – disse o terceiro garoto com um sorriso no canto dos lábios.

Inu Yasha estava ficando cada vez mais nervoso e sem que pudesse se dar conta, estava rosnando para aqueles meninos.

- Oh! Cuidado senão ele vai morder você! – disse o outro fingindo medo. Os outros riram-se.

- Meu pai disse que ele é um monstro! – disse outro garoto parando de rir – Mas ele é só um hanyou fracote!

- O que isso quer dizer? – perguntou um dos garotos curioso.

- Significa que ele não é nem humano nem youkai. – explicou o menino anterior.

- Então ele não é nada!? – perguntou o outro novamente; como era ingênuo.

- Isso mesmo! – voltou a dizer o outro rindo.

- Minha mãe disse que a mãe dele deve ser louca pra ter tido alguma coisa com um youkai. – interrompeu o terceiro.

- E ainda por cima ter um filho hanyou. – completou o outro.

Agora era a última gota, eles estavam falando mal de sua mãe. Não, isso ele não podia permitir, não ia deixar que aqueles garotos humanos ficassem debochando se sua genitora e saírem ilesos dessa. Myouga vendo a explosão que o hanyou estava prestes a ter, tentou inutilmente acalmá-lo:

- Calma, Inu Yasha-sama! Calma! – disse receoso.

Mas Inu Yasha ignorava os apelos de Myouga, estava fora de si, e rosnava mais alto ainda, tentando controlar a voz disse aos garotos:

- Não falem da minha mãe!!

- Ou você vai fazer o que vira-lata!? – disse um deles, agora olhando desafiadoramente.

- Eu acabo com você! – ameaçou o híbrido, cheio de fúria no olhar.

- Ai que medo! Olha só como eu tô tremendo! – debochou novamente.

O hanyou não se segurou mais, num movimento rápido, correu na direção do garoto que o provocara, com as garras em riste. Nunca tinha lutado antes, agia por puro instinto; o humano percebendo que ia ser atacado até que tentou desviar, mas não foi tão rápido....

Em segundos, o garoto humano estava com três cortes em forma de garras no rosto, os ferimentos não eram muito fundos ou graves, mas fora o suficiente para o garoto abrir o berreiro. Seus dois ‘amigos’ fugiram correndo os mais depressa que puderam, enquanto o outro, agora no chão, chorava alto, com a mão sobre o ferimento que agora sangrava, manchando de vermelho a neve pura. O garoto chorava tão alto, que logo os aldeões estavam todos vindo na direção daquele lamento, muito preocupados.

Inu Yasha até então apenas observava a cena, estático, como se não acreditando no que acabara de fazer, sabia que havia feito algo muito grave e que provavelmente teria que enfrentar as conseqüências de seus atos, e é claro tudo o desfavorecia. Myouga, percebendo a situação tratou de ‘despertar’ o hanyou de seus devaneios:

- Inu Yasha-sama! Corra, depressa!

- Hã.... O quê... – disse Inu Yasha ainda meio ‘fora do ar’.

- Fuja, Inu Yasha-sama! Ou vão matar você! – berrou Myouga.

Ele tinha razão, aqueles humanos já o odiavam tanto, que não seria nada difícil o matarem ali mesmo, devido a ele ter atacado um humano. Os aldeões todos foram alertados com o som daquele choro, e se reunindo em um pequeno grupo foram procurar a origem do som. Ao chegarem ao local, viram o garoto ferido, chorando muito, e foram prontamente socorrê-lo.

Enquanto isso um certo hanyou corria o mais depressa possível para longe daquele local; parou um pouco para tomar fôlego, encostando-se no tronco uma árvore, tomando cuidado para que não fosse visto.

- Eu disse pro senhor se controlar Inu Yasha-sama! – disse Myouga com voz de conselheiro – Agora o senhor feriu um humano! Na certa vão querer matá-lo!

- Obrigado pelo consolo! – respondeu, irônico.

Foi então que escutou um barulho de vozes e uma certa agitação. Mexeu um pouco as orelhas caninas, apurando a audição e pôde ouvir o que eles diziam:

- Você está bem garoto? – perguntou um aldeão para o garoto ferido, que nada respondia apenas chorava.

- O ferimento não é muito grave! – disse outro aldeão analisando de perto o menino

- Quem fez isso com você? – perguntou novamente o primeiro.

O garoto parando de chorar, viu uma oportunidade de vingança ali, e sem hesitar respondeu:

- Foi aquele hanyou!

- Eu sabia que isso ia acontecer um dia! – esbravejou o homem – Quando eu pegar aquele bastardo ele vai desejar nunca ter nascido!

E dizendo isso ele se dirigiu onde estavam os outros:

- Vamos acabar com aquele monstro de uma vez por todas! Vocês estão comigo?! – gritou o homem para os outros, que gritaram um “sim” e todos foram em busca de armas ou qualquer coisa do tipo, enquanto outras pessoas cuidavam do garoto que estava ferido.

Inu Yasha estremeceu ao ouvir essa última parte. E agora? Estavam atrás dele, e com intenções nem um pouco saudáveis. O único jeito era fugir e se esconder.

- Inu Yasha-sama! O que vamos fazer? – pergunta Myouga aflito.

- Cala a boca! Me deixe pensar um pouco!! – olhava para todos os lados procurando um meio de se esconder.

Nada encontrou além de árvores, escolheu uma que seria perfeita: tinha a copa densa e galhos fortes. Deu um pouco de trabalho subir na planta, a árvore era meio alta, o que era outra vantagem para ele, assim seria mais difícil ser visto. Sentou-se em um galho e encostou-se no tronco lenhoso da arvore e esperou...

Não sabia por quanto tempo teria de ficar ali, só pensava em ir pra casa, mas a todo o momento via aldeões passando com tochas e forcados, procurando-o.

O empíreo se tornava escuro, a medida que o frio aumentava. Começaram a cair pequenos flocos brancos que cintilavam em meio ao escuro entardecer, se acumulavam aos poucos nas copas das árvores e nas distantes casas, tornando aquela paisagem ainda mais branca e mais gelada do que já estava. O sol se punha no horizonte, enquanto que o vento gélido atingia em cheio o hanyou que agora se encolhia no galho de árvore tentando se manter aquecido, aquele vento invernal se assemelhava a navalhas afiadas lhe penetrando sua pele. Se o pequeno híbrido não desse um jeito de sair de seu desfavorecido esconderijo,

certamente congelaria até a morte. Checou o lugar pra ver se não havia mais ninguém por perto.

Como não encontrou viva alma a vagar pelos campos brancos arriscou descer da árvore, fora mais fácil que subir. Já estava consideravelmente escuro, apenas a lua iluminava fracamente o caminho, mas ao longe podia-se ver as luzes das fogueiras que as pessoas começavam a acender para se aquecer do frio.

Foi se guiando pela luz até que reconheceu a entrada do castelo. — “Estou em casa”- pensou esperançoso. Mas ao dirigir-se para lá foi visto por alguém que prontamente avisou os outros:

- Eu o encontrei! Por aqui!

Logo os homens do vilarejo inteiro estavam correndo em sua direção. A única coisa que Inu Yasha pôde fazer foi correr para o castelo. E ao chegar lá, a pessoa mais gostaria de ver nesse momento estava na porta vendo tudo o que acontecia, com uma expressão de preocupação e indignação.

- Mamãe! – gritou o hanyou, enquanto se escondia atrás de Izayoi.

- Mas o que está havendo aqui? – disse a princesa olhando feio para os homens.

- Esse hanyou atacou uma criança! Ele deve ser detido agora! – tentou explicar um deles, quase dando uma ordem, na verdade.

- Esse ‘hanyou’ é meu filho! E que autoridade acha que tem para tomar uma atitude dessas? – respondeu Izayoi quase no mesmo tom.

- ..... – o homem não sabia o que responder, não tinha realmente autoridade para tanto.

- O que ele disse é verdade meu filho? – pergunta ela à Inu Yasha. Este apenas abaixa a cabeça encarando o chão – Tenho certeza que há um motivo para isso. – continua, agora para os homens. – Mas, vamos resolver isso amanhã, agora já está tarde!

Terminando de dizer isso, se virou e adentrou os quentes cômodos do castelo junto com seu filho, este aliviado, agradeceu por esse gesto. Os aldeões voltavam para suas casas inconformados e desgostosos, proferindo toda a sorte de maldizeres e injúrias.

Dentro as dependências do castelo, Izayoi, após enrolar seu filho em algumas cobertas para aquecê-lo, sentou-se à sua frente:

- Agora, conte-me o que aconteceu. – ela dizia com sua costumeira voz calma.

Inu Yasha ainda olhava para o chão sem encarar a mãe. De repente, um pequeno inseto sai do meio dos cabelos prateados do hanyou, era Myouga. Até mesmo o púbere se esquecera da presença da pulga youkai

Ao ver a princesa, o velho youkai lhe dirige a palavra

- Izayoi-sama! Há quanto tempo não a vejo!

- Quem disse isso? – pergunta confusa, a donzela

- Aqui! Sou eu, Myouga! Não lembra de mim? Eu era amigo do senhor Inutaishou! – Myouga dizia e pulava ao mesmo tempo, para ser visto por ela.

- Ah sim... – tinha um tom pensativo — Você não era aquele que sempre fugia? – esclareceu-se Izayoi

-...

- Vocês já se conhecem? – pergunta Inu Yasha muito confuso.

- Eu já havia visto Izayoi-sama na época em que seu pai era vivo, Inu Yasha-sama! – explicou a pulga – Ele falava muito da senhora. – disse se dirigindo a mesma.

- Eu também já ouvi falar de você, era muito amigo dele... – ela interrompe as próprias palavras repentinamente, começara a se lembrar do youkai por quem se apaixonara um dia, e seu olhar se tornou distante e nostálgico por alguns segundos.

- Mamãe? – pergunta Inu Yasha preocupado.

- Hã...O que foi?

- Tudo bem com a senhora?

- Sim, eu estou bem. – respondeu a princesa voltando ao seu tom normal – Mas agora eu quero saber o que aconteceu hoje. – retomou o assunto.

O hanyou voltou a encarar o chão, não queria falar sobre isso, não havia desculpa para o que tinha feito, sabia que poderia até mesmo ser punido, mas, será que sua mãe faria isso?

Myouga vendo o silêncio, então resolveu falar:

- Eu estava lá e vi tudo o que aconteceu!

- Então conte-me Myouga-sama.

- Uns garotos humanos estavam dizendo coisas provocativas a Inu Yasha-sama, e este se enfureceu e acabou por atacar um deles. – resumiu rapidamente toda a situação.

Izayoi ficara atônita com tudo isso, seu filho atacara um humano, será que ele estaria pegando ódio pelos humanos? Não podia deixar isso acontecer, não queria que ele fosse esse tipo de pessoa. E o que aconteceria agora? Os aldeões não iam deixar como estava. Como convencê-los de que seu filho não fizera isso por mal? E não querendo acreditar ela ainda pergunta:

- I-isso é verdade mesmo, meu filho?

-... É sim....Mas eles estavam me provocando, e também....eles falaram mal de você... – ele disse, finalmente fitando-a com seus olhos dourados suplicantes e as orelhas caninas caídas, um verdadeiro cãozinho pedindo pelo perdão de sua dona.

Nenhuma mãe resistiria aquele olhar, mas Izayoi precisava ser firme naquele momento:

- Você sabe que o que você fez foi errado, não sabe?

Ele apenas balançou a cabeça afirmativamente, e ela com seu olhar terno lhe disse:

- Naquele momento você devia estar nervoso, mas não é certo ferir alguém que é mais fraco do que você, mesmo que ele mereça. É claro que o que eles fizeram também foi errado, mas você devia mostrar que é diferente deles.... — pausou um pouco, ainda olhando-o – Tudo bem! Todo mundo comete erros. Apenas me prometa que isso nunca mais voltará a acontecer.

- Eu...prometo. – respondeu o hanyou ainda meio cabisbaixo.

Izayoi então o abraçou ternamente e disse com carinho:

- Eu não me importo que falem de mim... Não importa o que digam, eu sinto muito orgulho de você, meu filho.

- Mãe... – diz o pequeno hanyou também a abraçando.

- Bem, acho que eu já vou indo! – disse Myouga, fazendo-se notar.

- Mas, já? Não quer ficar aqui esta noite? – convida a princesa.

- Muito obrigado, mas não posso, tenho uns assuntos importantes a resolver. Até mais, Inu Yasha-sama, e espero vê-la de novo Izayoi-sama. – disse a pulga já saindo aos pulos.

- Agora vá dormir que já está tarde, mocinho. – falou Izayoi, agora ao filho.

Esta apenas concordou e lhe obedeceu.

OoOoOoOoOoOoOoO

O dia seguinte amanheceu com um tempo bem pior que o dia anterior; lá fora caía uma intensa nevasca. As árvores eram sopradas pelo vento forte e ficavam envergadas, pendendo para o lado de onde o vento vinha, os flocos de neve eram maiores e em maior quantidade que os do dia anterior, o sol nem ousava dar as caras.

No entanto, dentro de um castelo, um pequeno hanyou dormia confortavelmente em seu futon, bem aquecido contra o frio daquela noite. Mas alguma coisa quebrava o silêncio daquela mansão... algo como o som de uma conversa.... duas vozes distintas podiam ser ouvidas....vozes de duas mulheres:

- Izayoi-sama! Os servos e aldeões exigem que algo seja feito com respeito ao que aconteceu ontem.

- O que querem que eu faça? Ele é meu filho! – responde a princesa com uma certa indignação na voz.

- Sim Izayoi-hime, estou consciente dessa difícil decisão, mas se nada for feito, os aldeões poderão começar uma revolta! – tentava explicar a serva.

Há essa hora, o pequeno hanyou já estava bem acordado. Sua audição apurada havia captado aquela conversa que vinha do cômodo ao lado, e como o assunto lhe dizia respeito, achou melhor continuar ouvindo.

- Quero que me traga o menino que foi ferido; quero falar com ele! – ordenou Izayoi

- Sim senhora!

Dali a poucos minutos a serva volta com um garoto, que apresentava um curativo um tanto grande no rosto:

- Sente-se. – ela diz, e o acompanha com os olhos. Após ele estar acomodado à sua frente ela começa:

- Conte-me o que aconteceu ontem.

- Eu estava com meus amigos, quando vi aquele.... seu filho, aí nós fomos ‘conversar’ com ele. De repente ele foi e me atacou. – explicou o garoto.

- Tem certeza que foi assim? Eu escutei outra coisa. – Izayoi rebate – Por acaso você não o provocou?

- Eu nunca faria isso. Ele deve ter mentido. – defendeu-se o garoto

- Não, não foi o meu filho que disse isso. Foi outra pessoa que estava lá e viu tudo o que aconteceu.

O garoto foi pego desprevenido, não contava com uma testemunha. Mas quem estaria lá? Na hora ele só se lembrava de que ele, seus amigos e o hanyou estavam no local, não se lembrava de mais ninguém. Talvez a princesa estivesse blefando:

- Não tinha mais ninguém lá, eu tenho certeza! – disse com convicção

- Você está chamando a princesa de mentirosa, garoto!? – disse indignada a serva que observava a conversa.

- Tudo bem Yami! – disse Izayoi para a serva.

Nesse momento outra serva entra e anuncia que o pai do garoto está do lado de fora:

- Ótimo! Mande-o entrar!

O homem entra e após se acomodar começa seu ‘discurso’:

- Izayoi-sama. Como a senhora já deve saber, meu filho foi atacado pelo seu ontem, e sem motivo algum. Eu devo lhe lembrar que ele é um hanyou e que, como pode perceber é perigoso, portanto...

- Não precisa me lembrar de que ele é um hanyou, ele é meu filho, lembra-se? – disse a princesa, interrompendo-o – E ele não é perigoso, e pelo que sei houve sim um motivo para o que ele fez!

O homem e seu filho apenas se entreolharam, e Izayoi prosseguiu, falando com eles como se estivessem em igual nível:

- Alguém que viu o que aconteceu, contou-me que seu filho provocou-lhe e que inclusive me ofendeu. Acho que isso é um motivo não acham?

- Você ofendeu a princesa!? – grita o pai indignado com o filho, não que ele também já não tivesse dito injúrias sobre a escolha da princesa, mas não podia acontecer dela descobri-lo.

- Não... eu não.... – o garoto tentava desesperadamente se explicar.

- Embora eu ache que foi errado o que meu filho fez, temos que concordar que a atitude de seu filho também foi errada!

- Mas... Izayoi-hime, posso perguntar quem foi que testemunhou? – pergunta o homem desconfiado.

- Não dirija-se à princesa dessa maneira! Não se esqueça que é apenas um servo! – grita novamente Yami, indignada por ele conversar de igual para igual com a princesa.

O homem percebendo que a serva tinha total razão, tenta consertar:

- Princesa....desculpe, eu.....

- Não se preocupe. Eu irei responder à sua pergunta. Quem me contou isso foi alguém em quem eu confio, e sei que não mentiu. Porém ele não está mais aqui, mas se ainda duvidar de mim...

- Não, princesa! Eu sei que está dizendo a verdade, me desculpe! – o homem diz fazendo uma profunda reverência – Meu filho receberá o castigo que merece!

- Acho que isso não será necessário. Ele já foi punido. – interrompeu Izayoi apontando para o curativo no rosto do menino.

O homem se enfureceu por dentro. Queria que o hanyou fosse punido pelo que fez, mas ao invés disso, sairia impune do que ele achava ‘imperdoável’. Mas, não podia demonstrar toda sua indignação, ou poderia acabar ele mesmo sendo morto. Devia saber que a princesa protegeria seu filho, e que ‘inventaria uma desculpa’ para tal.

- Agora! Espero que tudo esteja resolvido. Pode-se se retirar! – Izayoi fala para o homem, que sai juntamente de seu filho.

- “Eu sabia! Sabia que ia ser assim! Ela nunca faria nada contra o ‘filhinho’ dela! Aquele hanyou! Ele deveria ser exterminado!” — pensava o homem enquanto caminhava – “Ela até inventou uma ‘testemunha’! Aposto que é tudo mentira!” — e assim ele foi blasfemando enquanto ia embora, o garoto assustado lhe acompanhava pensando se seu pai realmente intentara por castigá-lo.

O hanyou então se levantou e foi até onde sua mãe estava. Esta o fitou longamente:

- Você ouviu...? – foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Inu Yasha apenas confirmou com a cabeça.

- Eu tentei fazer o possível, mas eu sei que os aldeões não vão se conformar. – ela prossegue – Tome muito cuidado, meu filho!

Ele nada responde, apenas fita a mulher a sua frente, que matinha um olhar sério sobre ele, olhar esse que deixava traspassar sua preocupação...

Lá fora, a tempestade já cessara, e apenas os flocos de neve, caíam placidamente ao chão, enquanto o empíreo se apresentava acinzentado. Poucas pessoas circulavam do lado de fora mas dentro de um castelo...um hanyou sabia que sempre poderia estar protegido ao lado de sua mãe humana....mas....até quando? [...]