A Infância de Inu Yasha
22 Capítulo 22: Fim não, apenas o começo...
Notas iniciais
OoOoOoO 53 anos depois OoOoOoOo
Apesar do passar dos anos, sua aparência não mudava em nada. Mesmo com cento e cinqüenta anos de idade, o hanyou ainda aparentava ter apenas dezessete. E assim ainda seria por muito tempo. Para os youkais o tempo de vida de um humano nada mais é além de um sopro breve e decadente. Sua personalidade também pouco mudou, ficando apenas um pouco mais endurecida com as batalhas pela sobrevivência, e se fosse possível sua arrogância ficar ainda maior, na certa seria outro ponto a ser visto.
A floresta, sempre seu lar, era um lugar em que poucos humanos se atreviam a cruzar, a não ser que fossem exterminadores ou então extremamente burros. Outros youkais no entanto eram freqüentes, e no momento Inu Yasha se encontrava no encalço de um. O oni olhava em volta, tentando visualizar seu oponente em meio as árvores, mas só ouvia passos rápidos e quando fitava a direção que os ouvia, só tinha tempo de ver um borrão vermelho passando depressa.
- Onde você está?! Onde se escondeu!? Hanyou! – gritava a criatura.
- Eu estou aqui!
Ao olhar para cima o oni só teve tempo de ver o dito hanyou que num pulo altíssimo já estava praticamente sobre sua cabeça. Este desceu em grande velocidade até o inimigo:
- Sankon Tessou!
Em segundos o oni estava cortado em dois. O híbrido olhou os restos da criatura com a expressão raivosa:
-Imbecis! – disse asperamente – Continuem me chamando de hanyou e não terão uma vida muito longa.
Assim como anos atrás, ele comprovou que não importava o tempo que passasse nem a habilidade que adquiria, nunca seria respeitado pelos outros youkais, por ser exatamente o que ele odiava que o chamassem: um hanyou. Mas os que cometiam esse erro acabavam por ter o mesmo destino daquele oni.
Um som vindo da floresta despertou a atenção do híbrido. Mas antes que pudesse sentir de onde vinha, um estrondo e algumas árvores vieram ao chão, em seus troncos, marcas de garras indicavam a ação de um youkai. Do lugar de onde foram derrubadas, surgiu um oni muitíssimo parecido com o que tinha acabado de ser morto pelo hanyou. A criatura de um olho só, parecia nervosa em ver os restos do outro.
- Seu maldito! Vai pagar por isso! – gritou indo em sua direção.
O hanyou saltou por cima do youkai indo parar atrás deste, mas antes que pudesse executar o golpe, sentiu uma presença atrás de si. Sem que tivesse tempo de desviar, uma par de garras acertara seu ombro o jogando a uma certa distância. Levantou e segurou o local ferido sentindo a dor e voltou a mirada aos dois onis que vinham em seu encalço raivosamente. Sem outra saída o hanyou correu e se abrigou atrás de uma rocha, recuperando o fôlego e tentando parar o sangramento do ombro recém-ferido.
O youkais, por sua vez, destruíam tudo pelo caminho a procura dele:
- Você não irá escapar hanyou! – disse um deles.
- Nós viemos vingar a morte do nosso irmão! – completou o outro.
De seu esconderijo o hanyou só podia esperar que o encontrassem:
- “Droga! Então ele tinha mais companheiros?”
- Lá está ele! – disse uma das criaturas.
Ao seguir a direção da voz, viu o monstro bem a sua frente. Tão logo quanto o encontrou, o oni atacou com as garras, destroçando a pedra atrás do hanyou, que por ter desviado em tempo não teve o mesmo destino que ela.
- Não adianta correr! – gritou o outro youkai, correndo em sua direção.
O híbrido molhou as garras no próprio sangue que fluía do ferimento em seu ombro:
- Tome isso! – gritou ao oponente – Hijin kessou! – e diversas navalhas vermelhas atingiram o rosto do monstro, cegando-o do único olho que possuía.
Prontamente o outro oni se pôs na frente do irmão:
- Maldito! Você não passa de um simples hanyou! – retrucava enquanto corria freneticamente até o inimigo com as garras em riste.
O hanyou desviando habilmente do golpe que apenas acertou o chão, pulou o mais alto que pôde e usando a enorme rocha como apoio desceu a velocidade vertiginosa ante os dois onis:
- Eu já disse pra não me chamar de hanyou!!! – grita.
- O que? – se surpreende o oni ao ver o salto prodigioso do oponente e seu iminente golpe.
- Sankon tessou! – o golpe dado com ambas as mãos, despedaçou os dois youkais de uma vez.
Depois de pousar novamente ao chão, sentiu a dor no ombro e rapidamente levou a mão ao ferimento numa tentativa de aliviá-la.
- Droga! Acabei ferido pelos malditos amigos dele... – exclamou para o nada – “Eu preciso ser mais forte... Eu preciso... Eu preciso de mais poder!”
OoOoOoOo
Era um fim de tarde. O sol se punha lentamente, tingindo o céu de laranja, as sombras começavam a tomar conta das planícies e florestas. Um hanyou corria desesperadamente. O motivo? Essa seria noite de lua nova, quando perderia todos os seus poderes e se tornaria nada além de um mero humano. Precisava encontrar abrigo e rápido.
Uma explosão vinda da floresta e um forte cheiro de sangue chamaram sua atenção. Foi até o local, onde pôde visualizar centenas de corpos de youkais despedaçados ao chão. Perto deles, uma mulher vestindo um kimono de miko e portando um arco como arma, parecia ser a responsável pelo massacre. Ela parecia ferida e esgotada.
O hanyou abrigo-se na copa de uma árvore para poder fitar melhor a cena. Mas não contava que a mulher sentisse sua presença e olhasse em sua direção, avistando apenas o tronco da árvore porém.
- “Uma mulher humana? Será que ela realmente é uma mulher?” – ele se perguntava, vendo o poder que ela possuía.
Logo, sem que percebesse o sol já tinha se posto e seus poderes o abandonaram, tinha se tornado humano.
- Quanto tempo mais você pretende fiar escondido? – diz a mulher, virando-se em seguida para a árvore em que estava – Você também está atrás da Shikon no Tama? – lhe perguntou, ignorando a chuva torrencial que começava a cair nesse instante.
- Shikon no Tama? – perguntou o hanyou – O que é essa Shikon no Tama?
- Se você não sabe, então tudo bem. – lhe respondeu – Porém, se você não quiser morrer, é melhor não chegar perto de mim.
Dito isso, ela se virou para partir, mas a dor das feridas da batalha a fez levar a mão ao peito, e logo em seguida caiu ao chão desmaiada. O agora ‘humano’ desceu da árvore e se aproximou da figura inconsciente, analisando-a mais de perto.
- O que? Uma miko... – reconheceu pelos trajes que vestia.
A mulher tinha longos cabelos negros presos por uma fita branca e usava um kimono branco e vermelho. Enquanto ainda a fitava, ouviu vozes na floresta procurando por alguém:
- Kikyou-sama! – o nome ao qual chamavam deveria pertencer àquela mulher.
Logo as tochas dos aldeões puderam ser vistas e sem perder mais tempo ali, o hanyou tratou de se embrenhar novamente na floresta.
[...]
Mais tarde ainda naquela noite, ele pensava sobre quem seria aquela miko. Ela parecia ter muito poder, dado a como matou todos aqueles youkais. Uma voz se fez ouvir na noite:
- Está perto! Está perto! – exclamava a voz monstruosa, porém feminina – A Shikon no Tama... Preciso pegá-la depressa e restaurar meu youki. – a dona da voz era uma youkai centopéia. Metade de seu corpo era de mulher e a outra metade que deveria ser de inseto estava cortada praticamente ao meio, ainda assim voava pelo céu, procurando o dito objeto.
- Entendi! Então é isso! – disse o hanyou a si mesmo após ouvir o que a criatura disse – Shikon no Tama, hein? – tinha um sorriso confiante – Isso me parece interessante. – naquele momento lhe veio a mente a imagem daquela mulher que havia visto anteriormente e que mencionara a tal jóia – Ela se chamava Kikyou, certo? – Inu Yasha pensou por um breve instante que nunca vira mulher tão bonita quanto àquela. Mas agora isso não importava, precisava encontrar a tal miko para tomar-lhe a Shikon, mesmo que isso significasse ter que matá-la.
[...]
Mas, algumas tentativas do hanyou em pegar a jóia mais tarde resultaram falhas. E com esses constantes encontros com a sacerdotisa nasceu um amor que nem o tempo romperia. Parecia ser um daqueles sentimentos eternos, que nunca se extinguiria não importando o que acontecesse, ainda que fosse errado do ponto de vista de outrem.
Porém, sempre há outros sentimentos que tentam ultrapassar e corromper os sentimentos puros. O dono de tais sentimentos vis, que mais tarde se denominou Naraku, desejava corromper os sentimentos da sacerdotisa e do hanyou e junto com eles a Shikon no Tama.
Acaso do destino ou não, ele conseguiu fazer com que ambos se atacassem e se destruíssem, mas apesar disso o maligno ser não conseguiu o objeto de seu desejo...
A pequena jóia encontrou seu destino em outro corpo, ao qual a alma de sua protetora também se instalara. Isso há duzentos anos à frente, numa época muito posterior aquela. Porém por acaso novamente, talvez, ou pelo destino gostar de brincar com os mortais, um poço intercalou as eras e permitiu que os sentimentos perdidos pudessem ser reencontrados. Mas a história não termina aí...
OoOoOoOoOo 50 anos mais tarde OoOoOoOoOoO
Um curioso grupo composto por uma exterminadora, um monge, uma colegial de duzentos anos a frente daquele tempo, dois youkais e por último, um hanyou bastante temperamental, caminhavam ainda em sua jornada em busca de vingança contra o ser que os afligiu de diferentes formas.Por causa deste ser maligno e invejoso, todos estavam unidos para um bem em comum.
Diferente de como fora por toda sua vida, o hanyou agora não estava mais sozinho. Inclusive uma cura para seu coração ferido por um amor antigo, vinha na forma de uma humana que por acaso era a reencarnação da outra, mas em quase nada tinham em comum senão a aparência. Esta, chamava-se Kagome. Estava sempre alegre e sorrindo, e antes que se desse conta o hanyou passou a querer muito estar em sua companhia — o tempo todo se lhe fosse possível.
O grupo faz uma parada para descanso dos humanos. Inu Yasha ainda se perguntava como podiam essas criaturas se cansar tão rápido. Indiferentes a seus protestos, se quedaram perto de uma alta árvore frondosa, que proporcionava uma sombra fresca e convidativa para um cochilo. Aproveitando-se disso, o hanyou afastou-se para a floresta. Viveu durante tantos anos sozinho que lhe era ainda um pouco difícil se acostumar a estar perto de tantas pessoas.
Ao caminhar um pouco, o caminho foi lhe parecendo familiar. A cada passo que dava, lembranças do mais profundo de sua memória lhe mostravam imagens daquele mesmo lugar pela qual caminhava, mas a muito tempo atrás. Sem mais dúvidas, soube que aquela era a floresta na qual viveu a maior parte de sua infância, uma parte triste e solitária a qual não gostava muito de lembrar.
Após mais alguns minutos de caminhada silenciosa, chegou ao lugar que parecia ter certeza que estaria ali. Seus pés o guiaram com exatidão à lápide de pedra com o nome de sua mãe gravado nela. Abaixou-se até ficar na altura da pequena pedra e poder ler o nome nela escrito. Junto com o nome vieram as recordações, e com essas uma ponta de tristeza. Coisa com a qual aprendeu a viver, e que se tornara como uma companheira indesejável.
Recolheu algumas pequeninas e delicadas flores rosas de sakura de uma árvore florida e depositou algumas na lápide. Lembrava que aquelas eram as flores favoritas de sua mãe. Dando-se por satisfeito, ia se levantando para partir, mas por um motivo desconhecido, olhou para uma direção em que não havia nada além de uma enorme clareira, uma planície lisa. Era naquela direção que ficava o vilarejo em que vivia com sua mãe a muito tempo atrás. Balançou a cabeça afastando as memórias que insistiam em incomodar-lhe neste dia por algum motivo.
Pôs-se a caminhar de volta para o acampamento antes que dessem por sua falta. Uns passos a frente e um tropeção – da qual resultou em algumas exclamações indignadas – o deteve, abaixou o olhar para ver o que o impedia de prosseguir e avistou uma pedra parecida ao do túmulo de sua mãe, encontrava-se em meio a diversas folhas e parecia parcialmente quebrado. O hanyou, agora curioso, tirava algumas plantas para que pudesse ler os inscritos naquela pedra, que sem dúvidas era outra lápide.
Estreitou os olhos para os símbolos que formavam o nome, tentando compreendê-los. Alguns segundos de concentração depois, o nome se formava em sua mente:
- Ha... ru. – pronunciou, conforme lia.
Aquele nome não lhe era estranho... Forçou a mente e um rosto apareceu vagamente em sua memória. Sim, como pode esquecer sua primeira amiga? A única que quis sua amizade quando todos lhe diziam para se afastar dele, o qual denominavam de monstro. Fitou com carinho a pedra entalhada, lembrando na pessoa que foi talvez o mais próximo de uma irmã que teve naquela época. Pegou algumas flores restantes e as pôs na base da lápide, desejando-lhe que descansasse em paz...
Uma voz feminina o chamou ao longe:
- Inu Yasha! Inu Yasha!
Sem dar resposta ele foi em direção ao chamado. Em minutos o hanyou estava de volta para junto de seus amigos. No plural, por que agora tinha muitos amigos. E estes estavam preocupados e indignados por sua demora, em especial uma colegial:
- Inu Yasha! Onde esteve? – pergunta a jovem miko, desconfiada.
- Bah! Não interessa! – respondeu grosseiramente enquanto emburrava a cara.
- Por favor, não vão brigar agora. – dizia o monge, tentado evitar a discussão.
- Isso mesmo, temos que prosseguir. – concordou a exterminadora.
Ainda contrariado o hanyou decidiu seguir viajem, juntamente dos outros. Para trás ficaram as recordações, os eventos passados. O foco agora era o futuro incerto, futuro esse, que dependia do sucesso do grupo em sua longa jornada.
Quanto aos sentimentos ainda não esquecidos, o tempo se encarregaria deles. O tempo que sempre foi inimigo implacável, assassino dos mortais, podia também ser um aliado quando se tratava de esquecer eventos passados... E assim o tempo seguirá seu curso, por que ele não pára nem se curva mesmo ao mais eterno sentimento. As eras contaram a história de um hanyou que sobreviveu apesar de tudo, e mesmo através das piores adversidades, vivendo uma verdadeira aventura. Porém essa aventura estava apenas começando...
~Owari~
Notas finais
Acabou. Esse foi o último capítulo da fic. Espero que lhes tenha agradado.
E se não for muito pedir a opinião de vocês através de uma review, isso me deixaria muito feliz. ^^
Arigatou Gozaimasu por lerem ^^/
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