A Infância de Inu Yasha

20 Capítulo 20: Kuro Shinju


Notas iniciais
Inuyasha não me pertence.

OoOoOoOoO 80 anos depois OoOoOoOoOo

O outono pintava a paisagem com tons alaranjados e vermelhos, os quais tingiam as folhas das árvores, outrora verdes e vistosas, agora apresentavam-se secas e sem vida, mas não deixando porém que seu tom se passasse desapercebido pelos que gostavam de admirar a beleza daquelas cores outonais. Uma leve brisa fez algumas folhas caírem suavemente ao chão formando um belo e macio tapete que já cobria uma boa parte do solo da floresta.

Algumas folhas secas caíam sobre uma figura adormecida sobre um galho de árvore, sem acordá-lo, no entanto.

Invariavelmente, uma picada de inseto é um incômodo maior que as leves folhas secas á sua volta, causando a reação imediata por parte do adormecido hanyou, que com um tapa esmagou o inseto, em seguida abrindo lentamente os olhos dourados, ainda preguiçosamente a fitar uma pequena pulga esmagada em sua palma estendida.

- Myouga. O que quer aqui? – pergunta com voz de sono.

- Inu Yasha-sama, há quanto tempo. – responde animada a pulga – O senhor não mudou nada. Nem lembro da última vez que o vi.

- Foi quando você fugiu enquanto éramos atacados por um youkai. – respondeu sem alterar o tom de voz.

- Bem... he, he. – balbucia sem jeito.

- O que quer? – perguntou novamente, não se dando ao trabalho de levantar e conversar a sério com a nomiyoukai.

- Ora, eu preciso de um motivo para visitá-lo, Inu Yasha-sama?! – disse indignado.

- Então, vejamos.... Deve estar fugindo de alguma coisa. Estou certo? – perguntou desinteressado.

- Er... bem...

- Eu sabia.

- Isso não vem ao caso! – tentou desviar do assunto – Como está o senhor? Sente algo estranho? – perguntou suspeitosamente.

- Como assim!? Do que está falando!? – indagou, desconfiado.

- Oh... Nada não, esqueça. – disfarçou — “Então Inu Yasha-sama ainda não percebeu. Mas não posso contar-lhe, prometi a Oyakata-sama que não diria nada.” – ele pensava consigo mesmo.

Inu Yasha resolveu não dar importância à pulga velha que parecia já estar ficando gagá, ou ao menos era isso que pensava o hanyou. Myouga por sua vez, estava embrenhado em pensamentos, estes vagavam até uma região distante, em um tempo muito antes do atual.

------------------- Flashback--------------------

A velha pulga mais um vez pegava ‘carona’ nos ombros de seu mestre, como sempre fazia. Porém, o fato de não saber o destino daquela viajem começava a incomodá-lo, de modo que arriscou uma pergunta:

- Oyakata-sama, onde estamos indo? – perguntou curioso.

- Vamos visitar um velho amigo. – respondeu o daiyoukai, sem tirar os orbes dourados do caminho que seguia.

Após mais um tempo de caminhada, chegaram a um enorme lago. Myouga fitou o lago, curioso com o que seu mestre pretendia fazer ali. Oyakata olhou para o mesmo como se quisesse enxergar o fundo da água turva, chamou então:

- Housenki! Está em casa? – falou um pouco alto para que o velho youkai ouvisse.

Alguns instantes depois, a água do lago começou a se agitar, bolhas que vinham a superfície indicavam que alguma coisa grande emergia das profundas e escuras águas. Myouga não tirava em momento algum os olhos daquela cena curiosa. Repentinamente, uma gigantesca concha de marisco saiu do meio da água e ficou a flutuar sob ela. Lentamente a concha foi se abrindo e dela surgiu um youkai enorme. Possuía uns chifres em forma de galhadas na cabeça, tinha longos cabelos brancos, sua aparência era pacífica apesar de tudo, aparentava também ter muita idade.

- Inutaishou! A que devo sua visita?! – disse o youkai, feliz.

- Como tem passado amigo? – perguntou de volta o daiyoukai cão.

- Muito bem. Ah entre, entre. – ofereceu dando-lhe passagem.

Num pulo rápido, o inuyoukai estava dentro da enorme concha aberta. Depois se ser bem-recebido pelo velho youkai e Myouga ser devidamente apresentado, foram enfim ao assunto do motivo da visita de Inutaishou:

- Então... Que bons ventos o trazem até aqui? – perguntou gentilmente o youkai.

- Vim lhe pedir um favor... Na verdade, vim lhe fazer um pedido. – disse Oyakata.

- Pois diga velho amigo, terei prazer em ajudar.

- Você disse-me uma vez que fabricava jóias que tinham o poder de levar qualquer pessoa ao outro mundo... – explicou-se o youkai – Gostaria que me desse uma dessas jóias.

- Claro que lhe darei uma. – respondeu prontamente Housenki, feliz por ser útil a seu amigo – Terei prazer em fazer uma especialmente para Inutaishou-sama.

- Ficarei muito grato se o fizer.

- Uma jóia que pode levar ao outro mundo? – perguntou-se Myouga – Isso é incrível!

- De fato Myouga. – assentiu o inuyoukai.

- Mas... não sabia que tinha interesse em ir ao mundo dos mortos, Inutaishou. – disse Housenki com curiosidade.

- Não é para mim, é para meu filho. Ele é quem vai usar a jóia. – respondeu com simplicidade.

- Para o Sesshoumaru-sama? – perguntou Myouga incrédulo.

- Não. Meu outro filho, que está para nascer. – disse novamente com naturalidade.

- Não entendo o que Oyakata-sama planeja. – retruca a pulga.

- Mais tarde saberá Myouga, mais tarde... – disse apenas, fazendo mistério.

OoOoOoOoOoOoOoO

No caminho de volta Myouga forçava a mente tentando entender o que seu mestre planejava com uma jóia que levava ao outro mundo, e o fato dele ter dito que daria a jóia ao filho por nascer só tinha deixado-o mais curioso e com cada vez menos esclarecimentos em sua cabeça. O daiyoukai apenas caminhava calmamente, sua face séria e compenetrada como o costumeiro não deixava nenhuma pista para que a pulga ‘lesse’ seus pensamentos. Pensamentos esses que não estavam muito longe do que a nomiyoukai tentava descobrir:

- “Sesshoumaru quer a Tessaiga, pude perceber isso... Não posso dá-la a ele. Enquanto ele não aprender o quão importante é ter alguém a quem proteger, não poderá brandir uma espada como essa”. – pensava fitando o cabo da espada em sua cintura – “Mas talvez uma espada como a Tenseiga possa ensiná-lo... Uma espada que não mata... O quão decepcionante isso será para você, Sesshoumaru?” – um sorriso irônico ameaçou se formar em sua face, o que chamou a atenção de Myouga, que ficou ainda mais intrigado.

----------- Fim do flashback -----------

- “Naquele dia, Oyakata-sama já planejava tudo... Mesmo sem saber que morreria tão cedo, já pensava nos dois filhos...”. – a pulga continuava a divaguear, esquecendo-se inclusive de Inu Yasha, que havia voltado a dormir como se nada o tivesse incomodado. – “Apenas não entendo por que ele não me disse sobre seu plano antes de morrer...”

-----------Flashback---------

- Ainda não me disse a que lhe devo sua ilustre visita Inutaishou-sama. – dizia uma voz velha e falha.

- Saya-dono. Vim tratar de um assunto muito importante. – respondeu o inuyoukai. Á sua frente, um ser de aparência curiosa: seu corpo pequeno tinha quase o tamanho de uma bola de temari, suas roupas eram tão brancas quanto sua barba e cabelos; o ser era translúcido como um fantasma e flutuava a alguns centímetros do chão.

- E que assunto seria esse? – pergunta, curioso.

- É sobre meu testamento. – o youkai tinha o olhar sério como sempre.

- Testamento? Vai acontecer alguma coisa? – pergunta, com um leve tom de preocupação.

- Não posso saber... Mas se algo ocorrer, quero que saiba meus últimos desejos. – o youkai cão diz sem se alterar.

- Mas... por que eu? Poderia ser Myouga ou Toutousai... – o velho parecia querer jogar a carga para outra pessoa ao invés de levá-la sozinho.

- Eles fariam muitas perguntas, e Myouga ficaria muito preocupado. Estou apenas tomando uma precaução.

- Então diga... – enfim Saya percebe que terá de ser ele a ouvir o testamento do amigo.

- Ouça com atenção... – começou – Quando eu morrer, quero que deixem minhas duas espadas para meus filhos. A Tenseiga deixarei para Sesshoumaru... – o youkai diz enquanto segura a dita espada com as duas mãos, observando-a como a um tesouro – Que ele aprenda que poder e dominação não são os únicos meios de existência... – em seguida tomou a outra espada em mãos e prosseguiu – A Tessaiga, deixarei para meu filho que está para nascer. Que com esta espada ele possa proteger a quem lhe for importante...

- Entendi. Mas Inutaishou-sama, não poderia o senhor mesmo dizer isso aos seus filhos? – finalmente pronuncia-se Saya, que até agora permanecia silencioso e atento ao que lhe era dito.

- Eu não sei se viverei o suficiente para isso... – ao ver que o amigo lhe olhava interrogativamente ele explica – Não sei quando posso morrer em uma batalha. Caso isso ocorra antes de meu filho mais novo ter idade para possuir a Tessaiga, quero que a lacrem junto a meu corpo no outro mundo, ao qual apenas ele terá acesso. – terminando de dizer isso ele se levanta para partir, antes pronunciando-se uma última vez – É bem provável que meus filhos não se dêem muito bem... – diz, lembrando-se da reação de Sesshoumaru ao saber que Izayoi estava grávida, e conhecendo seu filho como conhecia... – Espero que estas espadas possam uni-los mais tarde para um bem maior... — em seguida recoloca as espadas em sua cintura.

O daiyoukai vira-se em seguida para enfim partir dali, mas é detido pelas palavras do amigo:

- Inutaishou-sama fala como se soubesse de algo... Por acaso sabe quando virá sua morte? – seu tom de voz era calmo e não expressava preocupação, apenas uma certa curiosidade.

- Já lhe disse Saya... – responde, apenas virando brevemente a cabeça para observá-lo por cima dos ombros — Não tenho como saber uma coisa dessas... Apenas quero me precaver... – responde misteriosamente – Nos vemos. – se despediu, em seguida partindo.

Saya fica a sós com seus pensamentos. O inuyoukai havia agido de uma maneira muito misteriosa, parecia saber de algo a mais que não lhe contara. Seria ele capaz de prever sua própria morte? Provavelmente não, talvez apenas tivesse algum pressentimento ou algo que o incomodara. Afastou estes pensamentos e se pôs a repassar tudo o youkai havia dito para que nenhum detalhe fosse esquecido mais tarde... já que tinha fama de não ter uma memória muito boa...

--------- Fim do flashback ---------

Sobre o dito testamento, Myouga só veio a saber mais tarde, por meio de Saya, quando Inutaishou já estava morto. Ele nunca parava de se perguntar por que o tão estimado amigo não havia lhe contado sobre o testamento, talvez achasse que ele ficaria muito preocupado... e realmente ficaria se soubesse que seu mestre achava que morreria antes da hora. Foi novamente tirado dos devaneios quando Inu Yasha pulou do galho de árvore ao chão, quase derrubando a distraída pulga no processo, que conseguiu por pouco se agarrar ao haori vermelho do amo. O hanyou caminhava, aparentemente, procurando algo para comer. Mais uma vez a pulga voltou a seus pensamentos. Sua mente realmente estava dispersa naquele dia...

----------- Flashback ---------

Mais uma vez o lorde cão do oeste e a pulga conselheira faziam o caminho até a casa de Housenki. Haviam recebido a notícia que a jóia encomendada por Inutaishou estava pronta. Ao chegarem novamente ao já conhecido lago, tudo ocorreu como da última vez e em instantes estavam dentro de uma enorme concha aberta, conversando com o velho youkai.

- Tenho a honra de lhe entregar pessoalmente o que me pediu. – começou o youkai depois dos cumprimentos iniciais. Ele pegou um pequeno objeto em suas enormes mãos, não era possível visualizar o que havia nelas – Eis a pérola negra. – disse abrindo a mão e revelando uma pequena pérola, tão negra quanto o céu noturno sem estrelas.

Inutaishou, após a observar por alguns instantes, a pegou cuidadosamente da enorme mão estendida do youkai. Passou a olhá-la mais atentamente na própria mão, tinha um brilho sem igual, chegava a ser difícil tirar os olhos da jóia. Virou-se para o amigo e agradeceu cortesmente:

- Arigatou gozaimasu, Housenki-san – disse-lhe com um sorriso de canto.

- Não precisa agradecer. A fiz com muito prazer para o amigo. – responde educadamente.

- Sinto não poder ficar mais, mas tenho que partir agora. – diz o nobre youkai, levantando-se.

- Ah, sim. Entendo.

[...]

- É uma jóia incrível, Oyakata-sama. – dizia Myouga, no caminho de volta – Mas ainda não sei o que pretende fazer com ela...

- Myouga, quero que seja o guardião da jóia. – fala o youkai repentinamente, ignorando a dúvida da pulga.

- Como?! – perguntou sem entender.

- Quero que fique com ela. – dizendo isso, lhe entregou a pérola. Myouga a recebeu com suas minúsculas mãos e olhou interrogativamente para o mestre.

- Mas Oyakata-sama... A pérola é sua... Não posso ficar responsável por algo tão valioso...

- Não confio em mais ninguém além de você para isso, Myouga. – responde o daiyoukai sem alterar seu costumeiro tom.

A nomiyoukai se viu emocionada e seus olhos encheram de lágrimas. Seu amo confiava apenas nele para isso... Para ele era uma grande honra poder ser-lhe útil.

- A protegerei com minha vida, Oyakata-sama. – disse com a voz embargada.

- Quando for a hora, quero que a entregue a meu filho mais novo. Mas não deve deixá-lo saber sobre a jóia, quando ele tiver idade suficiente vai notar por si próprio.

- Mas... como o entregarei sem que ele saiba? –perguntou, curioso.

- Apenas leve-a até ele, a jóia agirá sozinha. – o youkai não se mostra duvidoso de suas palavras, embora Myouga não fizesse idéia de como ele poderia saber tanto sobre a jóia.

Apesar da curiosidade em saber os planos do amigo, Myouga não pergunta mais, sabendo que novamente sua pergunta seria ignorada. Por algum motivo Oyakata não queria lhe contar o que pretendia. Focalizou então a pérola negra, que ficara enorme em suas mãos. Olhou desta para o amigo e soltou um suspiro de desistência, esperando não ser ouvido pelo mesmo.

OoOoOoOoOoOo

Três seres se viam em volta de um túmulo de pedra. Todos youkais já de idade, olhavam pesarosos a imensa rocha sobre a qual estava enterrado o corpo de um grande e nobre amigo, o poderoso inuyoukai do Oeste. Um deles, uma minúscula pulga, se derramava em prantos sobre a sepultura.

- Oyakata-sama! Oyakata-sama! – ele gritava em meio ao choro.

- Ora vamos Myouga, já chega agora. – Toutousai tentava fazê-lo parar com o drama.

A pulga levantou a cabeça em sua direção, uma expressão claramente indignada, como se dissesse com os olhos: “Seu insensível, desnaturado!”. O outro youkai apenas observava a cena, quando o ferreiro se virou para ele:

- Saya-dono. E sobre o testamento de Inutaishou, era só aquilo mesmo?

- Sim, foi tudo o que ele disse. As espadas deveriam ser entregues a seus filhos. – respondeu o velho youkai com voz cansada.

- Você selou a Tessaiga como Inutaishou pediu? – Toutousai perguntou a Myouga.

- Sim. Eu a selei junto ao corpo dele no outro mundo como ele pediu. – disse com voz chorosa.

- E você entregou a tenseiga ao Sesshoumaru, Toutousai? – pergunta Saya.

- Bem... Ele vai encontrá-la cedo ou tarde – respondeu coçando a cabeça e imaginando a cara que Sesshoumaru faria ao ver a espada pendurada em Bokuseno com uma plaquinha em cima com os escritos: ‘Para Sesshoumaru’ com um desenho de coração em baixo.

- Não entregou pessoalmente? – perguntou um incrédulo Myouga.

- Está maluco? Quero viver muito ainda. – retrucou, imaginando a fúria do daiyoukai ao saber que herdara uma espada ‘inútil’.

A nomiyoukai apenas balançou a cabeça em sinal de desaprovação. Os três youkais viraram sua atenção a uma espada prostrada sobre o túmulo. A terceira espada de Inutaishou, a mais poderosa delas. Estava ali, como que esperando decidirem seu destino:

- Saya, tem certeza que Inutaishou não disse nada sobre a Souunga em seu testamento? – pergunta o ferreiro youkai.

- Ele não falou nada sobre ela. – respondeu simplesmente.

- Talvez se entregássemos a Sesshoumaru... – cogitou a pulga.

-Não, a essa hora ele deve estar furioso por causa da Tenseiga. Com certeza nos mataria. – respondeu Toutousai, de pronto.

- Inu Yasha é apenas um bebê. – voltou a dizer a pulga.

- Essa espada é muito perigosa para ficar com qualquer um.

- Acho que posso selá-la por uns 700 anos. – prontificou-se Saya.

- Pode mesmo fazer isso? – Myouga descofiava.

- Sim. Soube que tem um poço na terra de Musashi onde se jogam restos de youkais e estes somem misteriosamente. – explicou – Joguem a espada lá depois que eu a selar.

Os outros dois assentiram com a cabeça e assim o fizeram.

OoOoOoOoOoOoOoO

[...]

Myouga encontrava-se em frente ao chibi hanyou adormecido. Fazia o possível para não ser ouvido, o que poderia despertar o pequeno amo de ouvidos sensíveis. Olhou para a pérola negra em suas mãos, tinha praticamente o tamanho dele mesmo. Olhou novamente para o hanyou sem saber exatamente o que fazer. Inutaishou apenas lhe dissera que levasse a jóia até o filho e ela agiria sozinha. Como se daria isso ele não sabia, mas ainda assim se arriscou a se aproximar mais, subindo em suas vestes e ficando em cima de seu peito. Seu peso era tão insignificante, que certamente o pequeno nem havia notado.

Quando se aproximou mais, a jóia em suas mãos começou a brilhar intensamente. Myouga prontamente a largou, se surpreendendo por ela não cair ao chão, mas flutuar sobre o adormecido hanyou. Inexplicavelmente a jóia foi em direção a seu rosto e entrou em seu olho direito através da pálpebra cerrada. Ela passava diretamente por ele, sem parecer incomodá-lo ou feri-lo. A pérola agira por conta própria como se soubesse exatamente o que fazer.

O brilho cessou. A pulga ainda observava o hanyou, apreensiva. Este apenas coçou o olho direito em leve sinal de incômodo, sem acordar porém. Voltou a seu sono sossegado como se nada tivesse acontecido, e Myouga agradeceu aos céus por isso. Agora sentia que havia cumprido sua missão, mas ainda tinha que manter segredo sobre a pérola negra. Por algum motivo Oyakata queria que o filho descobrisse sozinho sobre sua herança.

---------- Fim do flashback ----------

A pulga olhou de esguelha para o hanyou distraído, pensando no motivo dele ainda não ter notado a existência da jóia.

- “Talvez ainda não seja a hora certa...” – esse parecia ser o pensamento mais provável. O orgulhoso daiyoukai que era seu pai parecia querer que o filho descobrisse por conta própria, mas quando chegasse a hora certa... Talvez ainda fosse muito imaturo para isso.

Subitamente ele é tirado de seus pensamentos quando o hanyou para misteriosamente de andar e começa a farejar o ar, tentando captar melhor o odor que havia sentido. Após alguns segundos ele vira o olhar para uma direção da floresta e sem que percebesse estava rosnando para um grupo de árvores como se a qualquer momento fosse sair algo de trás delas. Myouga apenas observa apreensivo, somente para se surpreender grandemente com a figura que surgiu da direção apontada pelo hanyou...

Notas finais
kuro shinju: pérola negra (kuro: negro; shinju: pérola)
inuyoukai: youkai cachorro
Saya: bainha
Arigatou gozaimasu: Muito obrigado