A Infância de Inu Yasha
2 Capítulo 2: Rejeição
Notas iniciais
OoOoOoOoOoO Alguns anos depois OoOoOoOoOoOo
O sol já brilhava com força apesar de ainda ser manhã, podia-se ouvir o canto dos pássaros e o som das folhas das árvores farfalhando ao vento outonal, os animais noturnos já se escondiam enquanto outros acordavam, pessoas se atarefavam enquanto as crianças brincavam alegres em frente as suas casas...
- Mamãe! Estou saindo! – avisa o pequeno hanyou.
- Está bem! Mas cuidado meu filho, não vá para a floresta! — diz Izayoi com um tom de preocupação na voz.
- Tá! — respondeu animadamente o garotinho de longos cabelos prateados quase até a cintura, olhos dourados e pequenas orelhas caninas alvas no topo da cabeça; aparentava ter entre sete e oito anos de idade e usava um haori todo vermelho, que lhe era um pouco folgado inclusive.
Inu Yasha já sabia que teria que arranjar uma forma de se entreter sozinho, pois os filhos dos aldeões não brincavam com ele, sequer lhe dirigiam a palavra. Sempre que ele tentava se aproximar, as outras crianças se afastavam, paravam qualquer brincadeira que estivessem tendo e simplesmente saíam, ignorando-o como se ele não estivesse ali.Ele não entendia o motivo disso: “Por que ninguém brinca comigo? Por quê será que se afastam quando vou falar com eles?”. Eram perguntas que freqüentemente assaltavam sua mente...
O jovem hanyou caminhava em busca de algo com que pudesse matar o tempo: “Que chatice, não tem nada pra fazer aqui!”. Subiu numa árvore não muito alta com auxílio de suas pequenas, porém já afiadas garras. Sempre que estava entediado gostava de subir nessa árvore; recostou-se num dos galhos da mesma e ficou ali por um tempo, apenas observando as nuvens por entre as folhas da árvore frondosa. Fechou os olhos e ficou assim por tempo indeterminado, até que ouviu um som muito próximo dele.... parecia um choro de criança.
Rapidamente o hanyou levantou-se e foi procurar a origem do som. Olhou para baixo e avistou, então, uma garotinha mais ou menos da sua idade, chorando num canto, próxima a árvore em que ele estava. Inu Yasha observou por alguns segundos, mas logo resolveu descer e ir ver o que havia acontecido; não sabia por que, mas aquele choro lhe incomodava, queria que aquela criatura parasse de chorar...
— Oi! Por que você está chorando?
— Hã!? — indagou limpando as lágrimas.
— Eu perguntei por que você está chorando! Você é surda por acaso!? — pergunta mais uma vez o hanyou impaciente
— Eu não sou surda! — disse brava a garotinha
— Pelo menos você parou de chorar! — respondeu triunfante — E então, por quê estava chorando? — insiste ele.
— É que aqueles meninos chatos.. — disse apontando para alguns meninos brincando mais ao longe — Não querem brincar comigo, eles falaram que não brincam com meninas bobas! — disse quase chorando novamente.
— Não! Não chora! — disse Inu Yasha antes que ela recomeçasse o lamento — Eles também não brincam comigo. Mais eu nem ligo pra eles!
— É mesmo? — disse a menina olhando pra ele esperançosa — Eu me chamo Haru e você? — indaga a garota
— Inu Yasha.
— Brinca comigo Inu Yasha? — pergunta a garota, alegre.
— Você quer brincar comigo!? — pergunta o hanyou sem entender — Mas por quê?
— Por que eu achei você legal, oras! Vamos! — ela diz puxando ele pelo braço.
Ele ainda confuso com aquela situação apenas segue a menina até um campo aberto. Lá eles se divertem muito, brincam juntos à tarde inteira. Parecia uma utopia sem fim. Como seria bom que momentos felizes como esses – tão raros na vida do hanyou – durassem para sempre...
O inuhanyou sempre acabava levando a melhor por ser mais forte e mais resistente que a pequena humana, mas deixava ela ganhar de vez em quando para que não ficasse triste...mas só as vezes...
— Peguei você de novo!
— Ah! Você sempre me pega Inu Yasha! Eu nunca consigo te alcançar! – ela diz recuperando o fôlego.
— É claro! – ele se gaba.
Os dois, já exaustos de toda correria sentam-se na grama para descansar um pouco; de onde podem fitar o céu azul, por onde passavam nuvens brancas das mais variadas formas, dependendo de quem olhasse. Haru olhava insistentemente para o hanyou e este fica um tanto sem jeito.
- O que foi? – ele pergunta.
- Hã...eu – ela cora um pouco – P-posso pegar? – ela diz apontando para suas orelhinhas caninas.
O híbrido estranha o pedido, mas abaixa um pouco a cabeça para que a menina possa tocar suas orelhas. Esta pega com cuidado e depois de alguns segundos ela abre um lindo sorriso:
- Que macio! – ela confessa.
- ..... – o hanyou ainda um pouco sem graça; sempre achava que suas orelhas eram o principal motivo para se afastarem dele.
- Desculpe... – ela pensa que fez algo mal, pelo silêncio do hanyou.
- Está tudo bem! – ele a tranqüiliza.
Após voltarem para sua contemplação do límpido céu azul, o jovem híbrido só conseguia pensar em por que aquela garota não lhe tratava como os outros. Por que ela não se afastara dele?...E por que os outros o faziam?
- Você... – ele começa ainda olhando para as nuvens – Você não se importa de eu ser diferente?
- Como assim? – ela diz confusa, olhando pra ele.
- Eu sou diferente dos outros garotos, por isso ninguém chega perto de mim. – seu olhar se entristeceu. — Eles me acham estranho...
- Eu não te acho estranho. – ela dizia com um sorriso, ao que o hanyou lhe encarou também – Você é a pessoa mais legal que eu conheci.
- Mesmo? – ele pergunta, incrédulo.
- Sim – ela sorri novamente.
Desta vez ele lhe sorri de volta. Os dois ainda ficam um tempo fitando o céu azul e conversando sobre do que brincariam no dia seguinte...comentando sobre como os garotos do vilarejo eram chatos....falando sobre que formas as nuvens tomam quando se olha bem para elas....
- Haruuu!!! – uma voz feminina é ouvida ao longe.
- É minha mãe, preciso ir! – se justifica a garota, se levantando rapidamente – Amanhã nós nos vemos de novo, não é?
- Claro! – apressou-se em concordar.
- Até mais! – ela se despede já partindo.
- Até mais!
Inu Yasha chega em casa no final da tarde, onde foi recebido por sua mãe. Esta não pôde deixar de notar que seu filho parecia mais feliz do que o costumeiro, podia-se ver seu contentamento de longe.
- Se divertiu bastante meu filho?
- Sim! — disse sorrindo.
Ela ficou muito contente em ouvir isso. Há muito tempo não o via feliz assim, na verdade apesar dele ser sempre cheio de energia, eram raras as vezes em que estava realmente contente com alguma coisa, pois estava sempre sozinho, coisa que, apesar de não o admitir o entristecia. Ela apenas pedia que essa alegria durasse um bom tempo, para não ter mais que ver seu filho cabisbaixo ou desanimado ao voltar mais uma vez para casa após ter sido ignorado por todos do vilarejo que lhe lançavam olhares de desprezo quando se aproximava....
[...]
No amanhecer do dia seguinte o jovem híbrido sai à procura de sua nova amiga, porém sem encontrá-la de pronto. Depois de um tempo, onde ele havia procurado por toda a parte do local onde haviam brincado no dia anterior, sem encontrá-la, porém; ele se lembra de um local que ainda não havia procurado. Exatamente onde havia pensado, lá estava ela, sentada sobre a raiz da arvore onde a tinha visto pela primeira vez.
- Haru! Onde você estava? Eu te procurei esse tempo todo e... — o hanyou pára de falar ao notar a expressão de tristeza no rosto da menina enquanto olhava pra ele — O que houve?
- Eu não posso mais brincar com você Inu Yasha...
- Como assim? Por que não?
- Quando meus pais ficaram sabendo, me proibiram de falar com você... – respondeu baixando os olhos
- Mas...Por quê? – indaga decepcionado.
Porém, antes que pudesse vir qualquer resposta da parte da menina, uma figura masculina se aproxima rapidamente das duas crianças, bradando ruidosamente:
- HARU! O que você está fazendo com esse monstro!? — diz o homem com fúria
- Papai! — diz a menina assustada
- Ontem mesmo eu disse para não chegar perto dele! — continua o homem ainda bravo — Você quer ficar de castigo?!
- Não, pai! Desculpa! — tenta consertar a púbere.
Ignorando a presença do hanyou ali o homem pega na mão da garota e a puxa com violência:
- Vamos pra casa!!
- Hei, larga ela! — grita Inu Yasha com raiva
- Não se meta seu hanyou sujo! E fique longe da minha filha! — esbraveja o homem, que em seguida vira as costas e parte dali levando Haru consigo, puxada por uma das mãos. A garota com lágrimas nos olhos se vira pra trás e se despede, muito triste:
- Adeus, Inu Yasha... – ao que depois de dizer isso foi obrigada por seu genitor a olhar o caminho à frente e desviar os olhos do amigo.
- Adeus. — responde tristemente.
Seus olhos se encheram de lágrimas, sentimentos se misturavam dentro de si, entre eles: mágoa, tristeza, raiva, confusão... sentia como se seu peito fosse explodir. A única pessoa que conversara e brincara com ele — além de sua mãe — havia sido afastada dele, e por quê? Só por ele ser diferente. Só por ele seu um hanyou...Afinal o que era um hanyou?
Por que todos agiam assim diante dele? Quando não o ignoravam, o olhavam com desprezo e apesar de não lhe dirigirem a palavra, ele já ouvido os aldeões falando sobre ele... Falavam sobre o monstro que vivia no vilarejo e que um dia traria desgraça para todos ali... Ele já havia notado, é claro, que era diferente dos outros: nenhuma criança de sua idade tinha cabelos prateados, ou olhos amarelos e muito menos orelhas caninas na cabeça. O que ele era afinal? Seria mesmo um monstro...?
Secou os olhos dourados com a longa manga do haori vermelho, e voltou pra casa, para o único lugar onde era aceito, mesmo que fosse por uma única pessoa...
Ao chegar no castelo foi recepcionado por sua mãe, que percebeu que o pequeno estava com os olhos vermelhos, sua expressão de tristeza e desânimo também não a deixavam se enganar com respeito a isso:
- O que aconteceu meu filho? Você parece triste... — disse preocupada.
- Nada mãe! Eu estou bem! — responde o hanyou baixando os olhos e encarando o chão, não queria preocupar sua genitora à toa.
Izayoi nada responde, seu coração de mãe já adivinhava o que havia acontecido, ela sabia o quanto os hanyous eram odiados tanto por humanos como por youkais... E com uma expressão acolhedora ela o abraça confortadoramente, um abraço cheio do carinho que só uma mãe podia dar, que mostrava todo amor que sentia por seu filho...
- Me desculpe meu filho... – de alguma maneira se sentia culpada pelo que lhe acontecia.
- Mãe!? — o pequeno hanyou não entendia as palavras de sua genitora, mas neste momento apenas queria ficar ali com ela, sentindo aquele carinho, aquela sensação boa de que tudo ia ficar bem, e que ele só sentia ao lado de sua mãe.
- Um dia você vai entender... – ela diz quase num sussurro, com sua costumeira voz doce.
Inu Yasha nada responde. Apesar da curiosidade a cerca de sua origem e sua aparência, resolveu guardar as perguntas para si. Naquele momento nada mais importava, só o que importava é que estava com sua mãe, a única que lhe aceitava e compreendia, a única em quem podia confiar e que estaria sempre ali para protegê-lo...
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