A Infância de Inu Yasha

12 Capítulo 12: Treinamento


Notas iniciais
Inu Yasha não me pertence

Inu Yasha estava decidido a ficar mais forte, para não precisar mais ser salvo por ninguém. Cansara de ser fraco....aquele em que todos ‘pisavam’ em cima, que todos chamavam de ‘hanyou’ e de ‘monstro’. Seria respeitado pelo que podia fazer e não pelo que era... nem que para isso tivesse que usar a força.

Começaria a treinar então sozinho, só assim conseguiria ficar mais forte. Andou um pouco pela floresta até que encontrou a arvore perfeita: grande e resistente. Parado à frente da frondosa e alta árvore, a olhava como se fosse um inimigo. Preparou suas garras e desferiu o um golpe na planta, da mesma maneira que fizera com o humano. Só o que conseguiu foi fazer um arranhão na casca árvore.

Inu Yasha ficou um pouco desapontado consigo mesmo, mas não se abateu; afinal, seu objetivo era ficar mais forte e por isso não desistiria tão fácil. Pôs-se novamente em posição de ataque e desferiu vários golpes seguidos na árvore; estes surtiram mais efeito que o anterior, porém ele apenas conseguira arranhar a parte mais externa da casca da árvore, as outras camadas mais profundas estavam intactas, era realmente uma árvore bem resistente.

“Eu vou continuar atacando até fazer um buraco nessa árvore!” – pensava o hanyou decidido. E continuou a golpear a árvore incansavelmente durante várias horas...

Um bom tempo depois o hanyou ainda golpeava debilmente a pobre árvore. Completamente exausto, arranhava o tronco lenhoso com movimentos quase arrastados. Sua mente parecia estar em outro lugar, enquanto seu corpo ainda se movia com esforço, usando as últimas forças que ainda tinha. Estava tão absorto em ser forte que nem notara as horas passarem. Uma voz perto de seu ombro o faz retornar a realidade:

- O que está fazendo InuYasha-sama? – perguntava um curioso Myouga, enquanto visualiza por cima do ombro do hanyou. Mas ou ver a cena à sua frente a pulga quase caiu pra trás – Pare Inu Yasha-sama!! – ele grita.

- Hã... o que? — o hanyou pára o ataque, respondendo como se tivesse acabado de acordar.

- Olhe para suas mãos! – a pulga avisou, percebendo que o hanyou ainda não tinha se dado conta do que fizera.

Ao fazê-lo, Inu Yasha se assustou, suas mãos estavam completamente esfoladas e sangravam muito. Como pôde ficar tão distraído a ponto de não perceber que suas mãos estavam quase em carne viva? A árvore a sua frente estava com profundos arranhões, chegando a faltar pedaços da grossa casca.

- O que o senhor estava fazendo? – pergunta a pulga desconfiada.

- Eu estava treinando. – fala com naturalidade.

- Desse jeito vai perder as mãos antes de concluir o treinamento! – retruca Myouga.

- Eu preciso ficar forte logo! – se justifica

- E por quê tanta pressa?

- Eu cansei de ser salvo sempre, eu quero me defender sozinho!

- Sim, eu entendo. Mas é melhor parar por hoje, não acha? – aconselhou a pulga.

- É...acho que sim...

- ....Inu Yasha-sama, sabe...é que o cheiro de sangue pode atrair outros youkais. — aconselhou Myouga.

- Você tem razão! – disse o hanyou olhando as próprias mãos.

Dirigiu-se a um rio próximo dali. Durante o trajeto foi que viu como estava esgotado, mal conseguia mexer os braços e seus ombros ardiam. Chegou na margem e pôs as mãos dentro d’água, ao fazer isso sentiu aquela água fria como se fossem navalhas entrando em sua carne; o sangue se diluía na água e era levado pela correnteza.

Depois precisava encontrar um lugar para passar a noite, uma vez que não estava na região da floresta que costumava ficar e não conhecia bons esconderijos ali. Caminhou um pouco à procura de uma caverna ou coisa assim, mas não encontrou nada.

- Não é melhor o senhor descansar agora, Inu Yasha-sama? – perguntava Myouga

- É que eu estou tentando fazer, mas não encontro um lugar decente. – respondeu impaciente.

- Lugares altos são mais seguros às vezes. – insinuou a pulga.

O hanyou arqueou uma sobrancelha, desconfiado, mas logo entendeu o que ele quis dizer. Olhou em volta e encontrou uma árvore forte e não muito difícil de subir...ou assim parecia, pois, com as mãos naquele estado e cansado como estava, foi talvez, a árvore mais difícil de subir de toda sua vida. Quando finalmente chegou lá em cima, se acomodou num galho forte e adormeceu quase imediatamente. Myouga estava em seu ombro e decidiu ficar por ali, para auxiliar o hanyou com seu treinamento antes que se matasse por aí.

OoOoOoOoOoOoOoOo

No despertar do dia seguinte, o pequeno hanyou acorda contra a vontade, desperto pela voz insistente de Myouga no seu ouvido:

- Inu Yasha-sama! Acorde, Inu Yasha-sama!

- Me deixa em paz, velho! – retrucava emburrado, ainda tentando dormir.

- Como quer ficar mais forte sendo preguiçoso desse jeito!? – Myouga estava sendo insuportável ultimamente.

- Cala a boca! – gritou virando para o lado....mas havia se esquecido de um detalhe...

Ainda estava em cima da árvore. Quando ele se mexeu, quase caiu de lá de cima, conseguindo, por pouco, se segurar no galho, ficando pendurado apenas por uma mão.

- He, he! Eu tentei lhe avisar, Inu Yasha-sama! – caçoou a pulga youkai.

- Quando eu sair daqui eu acabo com você sua pulga velha! – falou de forma ameaçadora.

[...]

Enquanto caminhava, o hanyou fitava as próprias mãos, agora completamente curadas. Sempre fora assim, desde pequeno ele se curava muito mais rápido de ferimentos do que qualquer humano comum. Porém, antes, o pequeno hanyou não reparava muito nisso, aliás, ferimentos eram raros, já que vivia protegido no vilarejo (apesar da hostilidade dos aldeões). Mas agora que estava se virando sozinho percebia o quanto era diferente daqueles com quem convivia antes..., aqueles chamados humanos. E claro, essa era uma diferença essencial à sua sobrevivência naquele meio hostil... Foi acordado de seus pensamentos por Myouga:

- Acho que aqui já está bom, Inu Yasha-sama.

O hanyou parou e fitou a pequena clareira circular onde se encontrava agora. Haviam diversas àrvores ao redor da área desmatada, e dentro dela, uma pedra de tamanho médio, não havia grama ou vegetação na pequena região da clareira. Não havia sinal de youkais ou outras criaturas perigosas por perto; apenas pequenas e coloridas libélulas planavam por entre as árvores, saudando os visitantes.

- Por que viemos até aqui? – perguntou ele à pulga.

- Acho que esse é um bom lugar para começarmos... – respondeu fitando o local.

- Começarmos com o quê? – o hanyou indagou curioso.

- Oras, o seu treinamento, o que mais seria?! – respondeu naturalmente – Eu pude notar ontem, que o senhor não sabe usar suas garras direito. Não se preocupe, eu o ajudarei nisso – explicou com ar de sábio.

- E o que uma pulga covarde entende de lutas?!

- Vou fingir que não ouvi isso! – diz Myouga, ofendido – Agora, vamos começar...Vá até aquela árvore ali – ele diz apontando.

O hanyou, contrariado, caminha até a árvore indicada pela pulga. A planta centenária era grande e imponente, sua copa ficava a muitos metros do chão, sendo que nenhum de seus galhos ficava a menos de quatro metros de altura, seu tronco era largo e maciço. Aquele imenso ‘ser’ deveria estar vivo desde épocas remotas, com certeza havia presenciado tudo que acontecera durante eras, para ‘ele’ os anos nada mais eram do que meros minutos, – não muito diferente de alguns youkais – se árvores pudessem falar, diriam como a ganância dos homens nunca mudou em qualquer época que fosse....os humanos sempre buscaram por seus desejos e ambições egoístas, travando guerras em prol de idealismos que provaram posteriormente serem apenas fruto de seus desejos e preconceitos....assim sempre foi, assim sempre será....

Agora, deixando filosofias de lado... Inu Yasha se aproximou da gigante árvore e a fitou de baixo a cima, até pousar os olhos no topo que se elevava a uma altura incalculável para o pequeno hanyou, ato que lhe deu uma certa sensação de vertigem e o fez voltar rapidamente seu olhar para o chão. Myouga percebeu o deslumbramento do hanyou:

- Quando o senhor puder subir nessa árvore em três pulos, aí sim saberá que está forte o bastante – ele disse como se fosse algo muito natural.

- Eu? Subir nessa árvore? – ele perguntava com incredibilidade; isso seria mesmo possível?

- Claro! Agora ainda não consegue, mas creio que um dia poderá sim. – ele fez uma pausa – Mas não estamos aqui para subir na árvore e sim para treinarmos em seu tronco. – concluiu por fim. – Comecemos então...

- O que quer que eu faça? – perguntava o impaciente hanyou.

- O senhor vai basicamente atacar a árvore como estava fazendo antes, mas vai tentar se concentrar num único ponto. Não adianta nada um ataque forte, porém impreciso.

O hanyou tomava posição para o ataque enquanto a pulga youkai lhe indicava a melhor maneira de se posicionar, como mirar melhor o ponto que queria atingir e como causar mais dano ao seu ‘oponente’ do que a si mesmo – a exemplo do que ele fizera com as próprias mãos no dia anterior. O pequeno até que aprendia depressa, apesar de detestar receber ordens, fazia como Myouga lhe dizia, e já apresentava melhoras em seu ataque.

Depois de sucessivos ataques à àrvore, esta apresentava alguns arranhões significativos, mas nada que prejudicasse a planta. Apesar do hanyou parecer ainda ter muita energia para gastar, Myouga lhe pediu que cessasse o ‘ataque’.

- Parar por quê? – ele parecia estar gostando de arranhar a pobre árvore.

- Lembra-se de como ficaram suas mãos ontem? Se continuar assim, vai acontecer o mesmo outra vez. Não é preciso treinar até ficar naquele estado. Assim só vai se desgastar ao invés de ficar mais forte. – dizem é sempre bom ouvir os mais velhos, então o hanyou assim fez.

- Já me sinto mais forte! – gabou-se olhando a si mesmo.

- É mesmo..!? – Myouga não parecia nem um pouco surpreso pela atitude ‘humilde’ do hanyou – Tente levantar essa pedra aqui, então. – a pulga desafiou.

O hanyou fitou a rocha arredondada, de mais ou menos setenta centímetros de altura, parecia bem firme ao solo, e alguns musgos cresciam em sua superfície. Nada que abalasse a confiança do ‘grande hanyou Inu Yasha’, com certeza ele conseguia erguer aquela pedra, e ainda riria da cara de Myouga depois. E lá foi ele na primeira tentativa:

- Feh! Vai ser moleza!

Colocou cada mão em um lado da pedra, ficando quase abraçado a ela, pois esta tinha quase a mesma largura de seus dois braços abertos. Em seguida veio o esforço, ele fez uma força tremenda para cima, na tentativa de levantar a pedra do lugar onde repousava a, seguramente, vários anos. O hanyou achava que nunca havia se esforçado tanto na vida, porém todo seu esforço foi em vão, a pedra não moveu um centímetro do lugar, continuava ali, solenemente parada: como uma rocha deve ser.

- Parece que ainda não está forte o bastante, não? – teimou em caçoar a pulga.

- Feh! É só eu treinar um pouco mais e consigo levantá-la num instante! – parece que a derrota nem sempre traz humildade.

- Quando o senhor tiver concluído seu treinamento, não vai precisar levantá-la, poderá parti-la em inúmeros pedacinhos. – disse a pulga, mas depois ficou pensando se não exagerara...

- Sério mesmo? – perguntava o hanyou todo animado.

- Creio que sim...

- Você não sabe não é..? – pergunta desconfiado, perdendo um pouco da animação inicial.

- Quem quer consegue, Inu Yasha-sama! Agora, vamos deixar a conversa pra depois e continuar com o treinamento! – desde quando aquela pulga tinha ficado tão mandona?

- Mas foi você quem disse pra parar! – disse confuso.

- Sim, mas agora o senhor não vai atacar a àrvore, o senhor vai correr! – explicou calmamente.

- Correr?! – o hanyou entendia menos ainda.

- Isso mesmo! Para treinar sua agilidade, para que possa fugir dos youkais fortes. – disse risonho.

- Você entende bastante de fugir, não é? – o hanyou disse cínico.

- Er....Vamos logo antes que anoiteça, huh! – a pulga desviou do assunto.

- E eu vou correr pra onde? – infelizmente, inteligência e perspicácia é um dom de poucos.

- Pra qualquer lugar Inu Yasha-sama! Apenas corra! – explica com impaciência a pulga.

[...]

Ao final daquela tarde, o hanyou já havia percorrido uma boa parte daquela região da floresta, sempre correndo com a máxima velocidade que conseguia até então (apesar de duvidar da veracidade daquele treinamento). Myouga vez por outra fazia um comentário infeliz que deixava o hanyou um tanto...’descontente’:

- Ainda está muito lento Inu Yasha-sama! – a pulga dizia com ares de sono, enquanto pegava carona no ombro do meio-youkai.

- Por que você não corre no meu lugar?! – ele respondia exasperado.

- Por que é o senhor que tem que treinar e não eu. – ele respondia simplesmente.

- Não sei se ficar correndo que nem um idiota por aí pode ser chamado de treinamento! – ele respondia nervoso.

- Ora! Eu estou tentando ajudá-lo, mas se não quiser posso ir embora e deixá-lo aí fazendo o que quiser! – respondeu o minúsculo youkai, se sentindo ofendido.

- Tudo bem, eu faço esse seu treinamento. – respondeu o hanyou ainda descontente.

- Faça tudo que eu mandar então – a pulga já se sentia a dona da razão.

Inu Yasha emburrou a cara e acelerou o passo, derrubando a pulga ao chão:

- Ei! – ele gritava inutilmente ao hanyou, que já estava bem mais a frente – Pelo menos ele ficou um pouco mais rápido.. – se consolava enquanto levantava o minúsculo corpo do chão, pensando que esse era mesmo o jeito do pequeno meio-youkai e talvez nunca fosse mudar....E pensou também em como o alcançaria uma vez que o tinha perdido de vista – “Vai ser difícil...!”