A Infância de Inu Yasha
11 Capítulo 11: Ningen
Notas iniciais
Mais uma vez o hanyou é lançado com violência contra a parede, com a força do soco que lhe foi desferido pela segunda vez. No chão, ele alisa o rosto no local do golpe; doía, pois o humano o acertara com todas as forças. Quase deixou algumas lágrimas caírem, mas segurou firme, tinha que ser forte.
Takeda, não se dando por satisfeito, partiu novamente pra cima do hanyou, porém, um som vindo da direção da porta o faz parar e virar-se para a mesma. Parada à porta estava Akiko, estupefata com a cena que presenciou. Vendo o hanyou no chão e naquele estado, não restara dúvidas de que havia sido obra de seu marido, que certamente não gostara da surpresa de encontrar tal criatura que tanto detestava em sua própria casa.
A cesta de mantimentos que se encontrava na mão da mulher no momento que entrara na casa caíra ao chão, e a púbere muito chocada, leva as mãos à boca enquanto de seus olhos espantados começavam a brotar algumas lágrimas.
- O que está fazendo Takeda!? – ela grita em desespero.
Este espantou-se quando a viu, mas não se abalou por isso:
- Ele é uma hanyou!! Esse tempo todo nos enganou! – fala entre gritos nervosos – Você não sabe que esses monstros são piores que os youkais!?
- Ele é só uma criança!
- Mas quando crescer vai matar a todos nós! Não podemos prever como ele vai agir, uma vez que tem sangue assassino de youkai, e de humanos, que são capazes de tudo para conseguir o que querem!
- Olha o que está dizendo! Isso é loucura! – a mulher tenta inutilmente fazê-lo mudar de idéia.
Ignorando os apelos da mulher, Takeda pega sua lança e volta sua atenção ao hanyou, que até agora só presenciava a cena. O olha com desprezo:
- Monstros como você não merecem viver.- ele levanta a lança em sua direção.
- Não! – Akiko grita enquanto agarra o braço do marido – Pare com isso, esse não é o Takeda com quem eu me casei!
- Não me interrompa! – ele grita furioso, e empurra a mulher com violência contra a parede.
O hanyou não pode deixar de sentir profundo ódio pelo humano naquele momento. Bater em uma mulher frágil, por algum motivo, lhe parecia uma coisa desprezível e covarde de se fazer. Levantou-se do chão com determinação, ficou em posição de combate, com as garras preparadas para retalhar alguém. Já havia enfrentado um youkai (ou mais ou menos isso), não se deixaria vencer por um humano covarde.
Takeda ouviu um rosnado atrás de si, e se virou para encarar o hanyou que o olhava com fúria.
- Então, resolveu mostrar sua verdadeira natureza, hein? – disse sarcástico.
- Seu covarde! Por que não briga com alguém do seu tamanho!? – o hanyou grita nervoso.
- Tipo quem?! Você?! – ele debocha.
- Eu vou acabar com você! – o hanyou revida, entre dentes.
- Pode vir então, eu o exterminarei!!
O humano avança contra Inu Yasha com a lança em mãos. O hanyou desvia por centímetros, e com suas afiadas garras, faz um corte no braço de Takeda. Este último, fica com mais raiva ainda do meio-youkai; olhava para a ferida em seu braço, e depois para o hanyou, como que dizendo: “Você vai pagar por isso!!”. O outro também fitava o ferimento do adversário, isso lhe dava uma imensa satisfação, era como se estivesse fazendo justiça com as próprias mãos.
Mas antes que pudessem atacar novamente, uma figura masculina invade a pequena cabana de maneira ruidosa:
- Takeda!!! O vilarej.... – ele pára de falar quando vê a cena a sua frente.
- O que foi? – grita Takeda, bravo pela interrupção.
- O vilarejo... – o homem tenta falar, meio sem fôlego – Está sendo atacado!
- Como?! – responde perplexo.
- Bandidos! Estão saqueando e matando todo mundo! Precisamos de você!
Takeda assente com a cabeça. Antes de sair olha na direção do hanyou:
- Cuido de você depois. – ameaça antes de seguir o homem porta afora.
Inu Yasha sem dar atenção às palavras do homem, vira-se para Akiko:
- Você está bem? – lhe pergunta com preocupação, ao ver que a mulher só chorava.
- Des....desculpe! – ela tenta falar entre soluços.
O hanyou não entendia o motivo dela lhe pedir desculpas. Estaria se desculpando pelo marido? Provavelmente. Ela se acalma um pouco, o que deixa o hanyou mais aliviado, parece que ela não estava ferida afinal...
[...]
Takeda e outros homens do vilarejo se armam e apresentam-se frente a frente com os bandidos. Estes, apenas olham de cima de seus cavalos, para os simples aldeões que lhes enfrentam, apenas pensando: “Que idiotas! Vindo aqui nos enfrentar, quando podiam ter fugido!”.
- Saiam agora do nosso vilarejo! – ordena Takeda, se pondo a frente dos outros.
- Uhu, que medo! – um dos bandidos caçoa.
- E vocês vão tentar nos impedir? – pergunta ainda outro.
- Não vou deixar vocês se aproximarem dessas casas! – desafia Takeda.
- Não temos tempo a perder com isso! – pronuncia o que parece ser o líder dos bandidos – Vocês! – aponta para alguns bandidos no seu lado esquerdo – Queimem as casas que não tiverem nada de valor! – olha para mais um grupo de bandidos – Saqueiem tudo!
- Não vou permitir! – grita Takeda, indo pra cima do líder, seguido pelos outros aldeões.
- Matem-nos! – o líder ordena aos bandidos remanescentes.
Estes retalhavam facilmente os aldeões com suas katanas. Não foi uma batalha, e sim um massacre...Em pouco tempo, todos o homens que ousaram enfrentar o bando, inclusive Takeda, estavam mortos. Os saqueadores passavam agora a invadir as casas, roubando o que de valor nelas havia, ou até mesmo alimentos, e depois matando seus moradores cruelmente.
- Não deixem ninguém vivo! – ordenava o líder dos bandidos.
De dentro da cabana podem ouvir-se os sons vindos de fora, sons de cascos de cavalos; fogo sendo ateado; pessoas gritando enquanto outras riam. O cheiro de fumaça começa a se espalhar no ar...Os sons cada vez mais perto de onde estavam...
Akiko se levanta e vai até a porta cautelosamente, saindo o suficiente para ver o que se passa do lado de fora. Ao ver que os bandidos se aproximavam de sua casa, desesperou-se, era tarde demais para fugir. Virou-se para o hanyou, que a fitava com curiosidade.
- Rápido! Esconda-se! – gritou ao hanyou.
Este não se mexeu do lugar, não entendendo o pedido. Ela o puxou para trás de algumas cestas de cereais num canto da cabana, colocando alguns objetos na frente para que não pudesse ser visto.
- Escute bem! Aconteça o que acontecer, não saia daí; está bem!? — ela lhe instrui.
- Mas...
- Sem mais! – ela lê repreende – Não saia daí até ter certeza de que eles já foram embora, não deixe eles te verem, entendeu?
O hanyou concorda com a cabeça, e Akiko termina de por mais alguns objetos na frente para camuflá-lo. Mal termina de fazê-lo, alguns bandidos invadem a casa. Parecem não notar o que Akiko estava fazendo, pois estavam ocupados demais revirando alguns objetos à procura de algo valioso. Esta, então se põe de pé, fingindo desentendimento:
- O...o que querem aqui? – ela lhes pergunta vacilante, como se não soubesse a resposta.
- Não tem nada de valor aqui! – um dos bandidos que vasculhavam a cabana disse a outro, ignorando a mulher.
- Então vamos logo, não temos o dia todo! – o outro responde.
- E essa mulher aqui? – um deles pergunta, notando Akiko.
- Ela poderia nos servir... – responde um, a olhando malicioso.
- Não temos tempo para isso! – o líder do grupo retruca – Matem-na! Nossas ordens são pra que não deixem ninguém vivo!
- Está bem, está bem! Mas vai ser um desperdício.
- Anda logo com isso, ainda tenho que pegar mais saquê, o meu acabou! – reclama um dos bandidos, entediado.
Através de uma fresta o hanyou podia ver tudo o que acontecia na cabana. Os bandidos não haviam notado que ele estava lá, como previa Akiko. Um deles puxa a mulher pelo braço a jogando no chão, logo em seguida desembainhou sua espada e apontou para ela. Inu Yasha fez menção de sair para ajudá-la, mas ela olhou na direção dele através da fresta e discretamente negou com a cabeça, para que ele continuasse escondido; ele assim fez.
O bandido, num rápido golpe, finca a katana no estômago da mulher, que geme baixo. Ela solta outro gemido quando a espada é puxada do ferimento bruscamente. O homem limpa a espada, sem pressa, e a devolve à sua bainha. Os bandidos deixam a cabana, indiferentes ao sofrimento da mulher; rindo e conversando entre eles.
Assim que eles se afastam da casa, Inu Yasha sai de seu esconderijo e vai socorrer a mulher ferida. Esta estava já envolta numa poça de sangue, e segurava o ferimento como se pudesse parar o sangramento, alguns poucos gemidos que soltava vez por outra, se davam à dor lancinante que estava sentindo. O hanyou começou a desesperar-se, não sabia o que fazer, o forte cheiro de sangue o atingia em cheio, o deixando atordoado.
- Eu...vou chamar alguém! – foi a única coisa em que conseguiu pensar no momento.
- Não.... – ela diz com voz muito fraca, segurando seu braço para que não partisse – Não adianta mais....
- Mas... – o desespero aumentava ao ver que nada podia fazer para salvar a vida de alguém que morria bem na sua frente.
- Você... me lembra meu filho.... – ela diz docemente com o pouco de forças que lhe resta.
O hanyou permanecia ajoelhado à sua frente ainda sem saber o que fazer... Akiko não sentia mais dor...não sentia medo...apenas sentia seu corpo ficando cada vez mais frio devido à perda de sangue... O líquido precioso saía de suas veias agora em menor quantidade....o chão à sua volta assim como suas roupas, manchados do mais vivo vermelho... Sua respiração ia ficando fraca... sua visão começou a embaçar...
Ela, em seu último ato, toca com a mão delicadamente o rosto do hanyou a sua frente, o olhando com a mesma ternura de uma mãe para com seu filho:
- Não se preocupe....eu me juntarei a meu filho agora.... – sua voz sai rouca e baixa – Cuide-se bem....
Inu Yasha fica sem reação, com as orelhas baixas, ele só a escuta... Mas, quando ela pára de falar...seu coração também pára de bater, seus olhos perdem o brilho e sua respiração cessa; o braço, antes acariciando a face do hanyou, cai molemente no chão. Ele então a sacode algumas vezes, como se ela fosse acordar com isso:
- Hei, acorda! Vamos, não faça isso comigo! – mas ele já sabia que nada podia ser feito, ela estava morta.
O hanyou então soca o chão com raiva. Mais uma vez....mais uma vez, alguém havia morrido em sua presença e ele nada pôde fazer. Sentia-se verdadeiramente um inútil.
- Maldição! – grita enquanto soca o chão – Eu sempre estou sendo salvo por alguém, e não consigo salvar uma pessoa sequer!
Então, as imagens daqueles humanos lhe vieram à mente... Desde sempre, essas pessoas o viam como monstro, como uma criatura que não merecia viver.... Mas os reais monstros eram aqueles que matavam seus semelhantes por simples divertimento, por dinheiro.... Ele lembrou-se nesse momento de tudo que havia passado com os humanos: O pai de sua amiga Haru o chamando de monstro... As crianças humanas ignorando-o a mando de seus pais, que assim lhes ensinavam o preconceito desde de pequenas.... Os aldeões de seu antigo vilarejo querendo matá-lo por ter se defendido...e depois o culparem pela morte de sua própria mãe....... Takeda agindo de forma brutal, achando que estava fazendo a coisa certa.... Os bandidos matando friamente todos no vilarejo......
Um ódio muito grande começou a tomar conta de si.... Ódio dos humanos? Talvez... Mas principalmente frustração por não conseguir nem se defender sozinho contra eles ou contra qualquer youkai... Decidido, se levantou do chão e saiu da cabana...
O que viu, foram apenas destroços do que outrora fora um vilarejo... Agora as casas jaziam queimadas e destruídas.... corpos por todos os lados.... corpos de velhos, mulheres e crianças...ninguém foi poupado. O cheiro de fumaça e sangue era muito forte naquele local... cheiro de morte...
Aquilo não melhorou nem um pouco o conceito do hanyou sobre os humanos.... Tratou de sair logo daquele lugar fétido. Foi novamente para a floresta, sua nova e permanente moradia...
Notas finais
Agora Inu Yasha pegou um certo desprezo pelos humanos. O que acontecerá daqui pra frente? Se tornará ele forte? Conseguirá cumprir seu objetivo?
Continuem acompanhando
Se deixarem reviews eu agradeço muito.
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