A Incrível Capitã "Pepper Nose" Yennipher
1 Fugindo de Casa
Notas iniciais
—Rápido, pega uma roupa e a jóia da sua mãe, logo os guardas estarão aqui- Falou Sir. Slepphenir adentrando no quarto de Yennipher.
—Mas papi, você disse que hoje eu poderia escolher a história! – retrucou Yennipher aparentemente sem entender o desespero do pai.
—Vamos, filha, papai vai cuidar de você. Já pegou uma roupa? Lá fora está frio...
E então, após pegarem um casaco e a jóia, Sir Slepphenir correu com Yennipher no colo enquanto a mansão começava a arder em chamas. Ele correu para dentro do bosque que ficava logo atrás da casa.
—Papi, pra onde estamos indo? É muito longe?- A pequena Yennipher pergunta a seu pai, afobado e quase sem fôlego, enquanto passa por várias raízes entranhadas na terra do bosque.
—Sim, filinha, é bem longe... Estamos indo pra um lugar em que eles não possam nos encontrar... Papai estragou tudo, filha, eu vou fazer de tudo pra te proteger!-
Sir Slepphenir era um nobre em sua cidade, não atoa que foi agraciado pelo duque com a possibilidade de ir viver na Hohl Harrenhaus. Sir Slepphenir era um homem frio, de traços finos e cabelo cinzento desde seus anos de juventude. Conheceu sua mulher na adolescência, quando fez trabalhos para o antigo Duque, indicado pelo seu pai. Frio mas de bom coração, Sir Slepphenir se apaixonou por uma graciosa artesã , de longos cabelos dourados como o sol de Luxon, alguns anos como governante na mansão do duque lhes deram muito tempo para conviver, até que veio a pequena Yennipher, nascida como bastarda, mas desde bebê muito bonita e charmosa, encantava a todos nobres com sua sagacidade e graciosidade.
Sir Slepphenir tinha encontros casuais com sua esposa para acompanhar o crescimento da pequena Yennipher mas após contrair a doença do gelo, sua esposa pediu que ele cuidasse de Yennipher como se fosse sua filha legítima. Como ele poderia recusar? Aquela pequena criança, linda, e com os olhos e cabelos da mãe... Mas mesmo assim, era uma bastarda, na visão dos nobres ela serviria como uma mera cortesã.
—Papi? Ouviu isso? – Yennipher acorda seu pai de seu devaneio após escutar um estrondo vindo de sua antiga casa.
—É filinha, agora não temos mais volta, vai ficar tudo bem, eu quero que você saiba que eu te amo muito, mas agora vamos ter que mudar de vida...-
—Tudo bem papi, eu não ligo, eu só... – Diz Yenni, bocejando – estou cansada.
—Certo, filha, deita aqui, papai te leva. – Diz Sir Slepphenir já aninhando Yenni no seu colo com todo aquele pano, uma vez que estava começando a nevar.
Sir. Slepphenir caminhou a noite toda bosque a dentro, até que chegou ao outro lado dele, um descampado, já coberto com uma fina camada de neve, a noite não estava muito escura, com uma bela lua cheia que o fez lembrar de sua falecida esposa.
Caminhou por mais alguns metros até achar uma pequena cavidade, onde estariam cobertos da neve, ele deitou, aninou Yenni e deitou junto a ela. Assim dormiram, a noite fria no sul do continente era drástica, mas ao menos com aquela neve, mesmo fina, ele sabia que os guardas iriam esperar o raiar do dia para procurarem por ele.
No dia seguinte, pouco depois do sol nascer, a pequena Yenni acorda seu pai com um cutucão assustada:
—Papi!- Ela resmunga falando baixo – Papi olha ali, papi! – Ela aponta para um animal de quadrupede que estava farejando algo próximo ao bosque, ele era um animal muito vistoso, com pelo branco como a neve fresca, somente os olhos se destacavam no campo nevado, olhos escuros como a noite e algo em seu focinho...
—É um lobo, filha, fica quietinha que ele não vai nos fazer mal – Diz Sir Slepphenir baixando a cabeça de Yenni. – Filha aquele bichinho pode nos encontrar aqui e se ele estiver com fome ele vai nos machucar, então vamos ficar quietinhos para que ele vá embora, sim?- E assenta com a cabeça olhando para a pequena Yenni, que parecia curiosa com o bicho.
—Tá bom, papi... Mas eu tô com fome-
—Papai vai conseguir comida assim que o Senhor Lobo for embora, tá bom?-
Então, não demorou muito e o lobo farejou algo para dentro do bosque, deixando eles sozinhos. Sir Slepphenir então levantou devagar, observando envolta para ver se estava seguro e só conseguiu ver a coluna de fumaça que se levantava do outro lado do bosque.
—Vem, filha, vamos procurar alguma coisa pra comer.- Falou ele otimista estendendo a mão para Yenni.
Yennipher levanta com seu rosto parcialmente coberto de neve, já com as suas bochechas e nariz vermelhinhos.
—Ha ha ha ha ha, Filha, você parece uma pimentinha! Vem, vamos por ali, talvez tenha uns arbustos com frutinhas que possamos comer. — Diz Sir Slepphenir limpando o rosto de Yenni.
Andando alguns quilômetros por dia vamos chegar a algum vilarejo logo, mas Yenni vai sofrer um pouco, ela está acostumada a comer muito... Duvido que achemos uma boa quantidade de comida. -Reflete consigo.
—Papi, olha aqui – Yenni desperta novamente Sir Slepphenir de seu devaneio – O senhor Lobo está querendo comer conosco! – Diz ela apontando para o Lobo cor de neve que surge do arbusto que estava se aproximando.
O lobo olha fixamente nos olhos castanhos de Yenni e seu pai fica desesperado, o lobo está muito perto e claramente nos viu! Até que o senhor lobo se aproxima de Yenni com um ramo de Blueberries na boca.
—Olha papi, o senhor lobo está nos oferecendo comida! – Diz yenni pegando algumas blueberries do ramo do senhor lobo.
—Filha, vem até aqui com o papai, por favor...- Diz Sir Slepphenir embasbacado com a cena, sua filha sendo alimentada por um lobo selvagem!
—Mas papi, não podemos fazer essa desfeita com o senhor lobo... Ele ofereceu a comida dele!- Diz Yenni fazendo um cafuné no lobo enquanto sua boca ficava suja de blueberrie.
—Fillha, você realmente é igual a sua mãe – fala Sir Slepphenir baixinho, como se estivesse falando consigo mesmo. – Igualzinha...
—O que foi, papi? Você não vem comer?
—Vou sim, filha, guarda um pouco pra mim!
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