A Imperatriz e A Princesa
8 O meu amor
Notas iniciais
A noite cai e Amarílis e Charlote estavam dormindo até que Charlote acorda assustada com um barulho na parte de baixo da casa, Charlote tenta acordar Amarílis que resmunga, mas logo levanta.
― Amor tem alguém lá em baixo. ― Charlote fala se levantando da cama.
― Deve ser um dos meninos eles devem ter acabado de chegar. ― Amarílis comenta
segurando o braço de Charlote.
POV Amarílis on
Eu nunca imaginei que eu poderia ter uma tarde tão perfeita com ela, e eu queria fazer uma surpresa pra ela e eu vou aproveitar que eu trouxe o meu violão e vou tocar pra ela, mas eu tenho que lembrar onde eu enfiei o anel que era da Bisa Antônia, que eu acho que tá dentro da mochila ou no carro, mas eu ainda tenho que achar, só que não agora, porque eu vou aproveitar mais um pouco minha Charlie.
Eu não sabia mais sonhar
Eu preferia só ficar, sozinha nessa estrada
Eu esquecia quem sou eu
Eu refletia como o breu, antes da sua chegada
Você me trouxe o porquê
Me fez sorrir por merecer
Me deu seu horizonte e a ponte pra acessar
O brilho desse sol em mim e a coisa toda de ruim
Se foi.
Acordo antes de você só pra ver o teu sorriso
Quando abre os olhos e me vê.
Pronto, o dia já se iluminou
Razões pra ir em frente eu tenho aos milhões
E no café ao meio dia
Você prepara o que eu queria
Um beijo acompanhado de ontem
Do corpo que eu maltratei de tanto te querer bem.
Inacreditável, eu me sinto confortável ao lado seu
É que eu não sabia que a vida me traria o que jamais me deu.
Minha boca não consegue mais, desgrudar da tua pele
Da sua saliência, dos seus sais
De tudo que emana aqui
Quando o amor a gente faz e nunca é demais
Ah se eu pudesse descobrir de onde vem o seu poder
Onde mora o seu mistério, o seu remédio
Prescrito pra me absorver do mundo que ficou
Pra trás
Eu nunca fui amada assim
Perto de você me sinto "clean", me vejo enamorada
O teu carinho o teu cuidar, teu jeito de me reparar
Mesmo que eu esteja nada
Não importa o tempo que passou
Eu quero desfrutar do que ainda me resta, o que me espera?
Há tanto pra recuperar
Há tanto pra contar de nós.
Eu prendo Charlie contra a porta outra vez, e ficamos ali até o ar ser necessário para as duas e quando ouvimos a voz de Daniel, eu visto o roupão, e desço as escadas de mãos dadas com Charlie, e quando chegamos à parte inferior da casa me deparo com Dani e Heitor conversando.
― Amor eu não falei que era só os menino. ― Falo abraçando Charlie por trás.
― Que horas vocês chegaram? ― Charlie pergunta preocupada.
― Tem um tempinho, a gente chegou e tomou banho, e depois ficamos no quarto um tempo. ― Heitor responde e Charlie começa a ficar vermelha.
Pelo jeito não foi só a gente que teve uma tarde boa, por que pela cara e pelas roupas dos dois, eu pensei que nunca mais eu veria o Daniel de cuequinha box.
― Dani vem aqui na cozinha comigo rapidinho. ― Eu falo e vejo Dani indo para a cozinha.
Eu começo a seguir Dani que vai me levando para a cozinha e quando chegamos lá ele encosta na bancada e me pergunta o que estava acontecendo, ele estava assustado com a reação de Charlie ao ver que eles já estavam em casa.
― Pelo sorriso besta da Charlie vocês tiveram uma tarde muito boa juntas. ― Dani comenta dando um sorrisinho sínico.
― E pelo que eu vi vocês também tiveram uma tarde muito boa, serio Dani eu nunca pensei que ia te ver só de cuecas de novo. ― Falo dando um sorriso sínico.
― Mas me diz uma coisa vocês ouviram alguma coisa? ― Perguntei curiosa.
― Se com ouvir alguma coisa você quer dizer ouvir vocês quase derrubando a casa, sim agente ouviu. ― Dani responde olhando com uma cara de quem estava achando muita graça da situação.
― Pela cara de vocês duas dava pra perceber a quilômetros que a tarde foi ótima agora é melhor a gente voltar antes que a Charlie tente enfiar a cara em uma almofada. ― Dani comenta.
Nós voltamos para a sala, e ele se senta no sofá ao lado de Heitor que me olha sem entender nada, eu me aproximo de Charlie e a puxo pra que ela se levantasse do sofá.
― Amor vamos vestir uma roupa. ― Eu falo e subo as escada de mãos dadas com Charlie.
POV Amarílis off
As duas meninas sobem as escadas de mãos dadas, deixando Daniel e Heitor a sós na sala.
POV Daniel on
Eu não sabia como eu iria contar pra ele o que tinha acontecido com elas dentro daquele quarto mais eu sabia que tinha sido alguma coisa muito boa pra ela tá com aquela cara de idiota que ela sempre fazia quando conseguia alguma coisa que ela queria.
― Amare tu sai che a Charlote tá bene? ― A voz de Heitor me tira de meus devaneios.
― Ela tá muito bem, só que tá morrendo de vergonha de nós dois. ― Respondo com um tom brincalham quando falo de Charlie e é quando eu me lembro que não tinha comentado com ele nada sobre o que tinha acontecido com Juan a um ano atrás.
― Mas eu preciso te contar uma coisa muito seria agora. ― Eu falo sentindo um nó gigante se formar em minha garganta aquele assunto era muito pesado ainda.
― Pode parlare mio anjo. ― Ele fala e olha pra mim como se me desse força pra contar tudo de uma vez.
Quando eu vou começar a falar eu vejo Amarílis e Charlote descerem as escadas, elas já estavam vestidas, graças a Deus, mas quando elas chegam à sala, Amarílis se senta ao meu lado como se quisesse me dar uma força para contar tudo aquilo.
― Heitor há dois anos eu perdi uma pessoa muito importante pra mim, ou melhor, pra nós. ― Me calo e tento encontrar forças para continuar quando de repente Amarílis começa a falar.
― Eu conheço o Daniel há muitos anos, e eu acabei namorando com a irmã dele, e ele namorou com o meu melhor amigo e o pai dele acabou com essas duas pessoas preciosas das nossas vidas, a mais ou menos três anos, nós perdemos a Chiara, ela morreu nos meus braços depois de ser apunhalada pelo pai dele... ― Vejo que as lagrimas começavam a escorrer pelo rosto da minha amiga.
― Um ano depois de perder a minha irmã, nós perdemos o Juan, eu me lembro daquele maldito dia com se fosse ontem, eu tava em casa quando a Amarílis chegou lá mais branca que uma folha de papel, ela me contou que alguns homens do meu pai, tinham levado o Juan, nós saímos procurando ele por todo lado e depois de dois dias, eu encontrei ele todo machucado, ele ainda estava vivo, eu não sabia o que fazer ele tava muito machucado, eles torturaram o Juan, e ele só conseguia me fala que me amava que sempre que eu ouvisse Bethânia e Vercilo eu me lembraria dele, eu sabia no fundo do meu coração que aquele malditos idiotas e cachorrinhos do meu pai tinham xingado ele dos piores nomes possíveis, mas ele antes dele morre ele falou mais uma vez que me amava. ― Eu falei sentindo as lagrimas escorrerem livres pelo meu rosto.
Eu não resisto e começo a cantar e sinto que Amarílis começa a cantar comigo ainda tímida, ela também sentia muita falta do Juan, ele era como um irmão para ela.
Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta p'ró nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
E a distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe...
E a dor é tão perto
Eu senti meu peito se partir em mil, mas de repente Heitor segura minha mão e enxuga as lagrimas que corriam pelo meu rosto, ele olha no fundo dos meus olhos e me abraça, aquilo tudo ainda era muito doloroso pra mim.
― Amore mio eu não sai como dire questo, ma io te amo. ― Ele olhou no fundo dos meus olhos eu foi tudo o que precisava ouvir naquele momento.
E nesse clima de romance eu vi a Charlie se levantar e se sentar no colo de Amarílis, ela começa a olhar para Amarílis, que com certeza estava quase morrendo ali. Ela pra olhando para Amarílis e começa a cantar no ouvido de Amarílis.
― Flor você não trouxe o violão? ― Pergunto e ela me olha com uma cara de que tinha estragado a surpresa dela.
― Trouxe tá lá na caçamba da caminhonete. ― Amarílis fala e eu me levanto para pegar o violão.
Depois de alguns minutos eu volto com o violão e entrego para Amarílis que começa a tocar alguns
acordes e logo reconheço a musica, ela olha para Charlie e começa a cantar.
De repente fico rindo à toa sem saber por que
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não
Mas o seu jeito de me olhar, a fala mansa meio rouca
Foi me deixando quase louca já não podia mais pensar
Eu me dei toda para você
De repente fico rindo à toa sem saber por que
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não
E meio louca de prazer lembro teu corpo no espelho
E vem o cheiro de amor, eu te sinto tão presente...
Volte logo meu amor
Ela olha pra Charlie que começa a beijar Amarílis, e eu faço uma cara de nojo e ela me olha com uma cara de quem iria aprontar alguma coisa, ela olha para Amarílis que começa a tocar Chico Buarque.
POV Daniel off
Alguma coisa estava para acontecer e Amarílis sabia que iria rir muito da situação.
POV Amarílis on
Eu simplesmente comecei a tocar eu queria ver o que iria acontecer e eu queria ver aquela briguinha de comadres.
Charlie:
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Os dois:
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Dani:
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
Charlie:
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Os dois:
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Eu confesso que estava me segurando para não rir e eles estavam discutindo pra ver quem era quem tinha o melhor namorado e eu confesso que estava me sentindo ótima com toda aquela briguinha.
POV Amarílis
Fale com o autor