A Imperatriz
7 Capítulo 7 - Estrela de seis pontas
Notas iniciais
— O que você está fazendo aqui, James? —Uma voz rouca e demoníaca ressoa no meio da escuridão.
— Me pergunto o mesmo sobre você, Luke. Agora virou passatempo dos Centenários provocar acidentes de madrugada? — James responde em tom de deboche.
Ouço passos em minha direção, porém tudo estava negro. Nem um ponto de luz se quer para me localizar.
—Os centenários consideram essa raça uma ameaça para os imperadores, James. E eu fui designado para missão de executar todos eles — A voz gutural parecia se movimentar por dentro de mim, passeando pelo meu organismo e queimando por onde passava.
—Já que mencionou os imperadores, há centenas deles não muito longe e eles estão á caminho. Se você gosta de ter sua cabeça grudada ao corpo é bom se apressar —James disse, e por um momento pude jurar que senti ele sorrir.
—Ah, mas a missão não está completa. A garota está viva, ouço cada batida do seu coração impuro e indefeso — A voz soava cada vez mais faminta e próxima de mim.
E então, um som estrondoso seguida de uma luz vermelha eclodiu, senti pedaços de vidros cortando meus braços e todo o ar dos meus pulmões escaparam por enquanto que a escuridão me engolia.
Meus olhos se abriram e o rosto preocupado da Amy logo surgiu no meu campo de visão.
—Ela acordou! Oh meu Deus, Lise —Amy guinchou, segurando meu braço forte.
A chama interna já não se encontrava em lugar algum e dessa vez o ar que passava pelas minhas vias respiratórias agora tinha uma sensação refrescante. Olhei ao redor, e vi outras camas e paredes brancas decoradas de painéis com instruções de primeiros socorros. Estava na enfermaria, e não na estrada em que perdi meus pais. Empurrei todas as palavras do meu sonho como "Centenários" e "Imperadores" para fora da minha mente. Não posso lidar com isso agora. Não posso lidar com o fato de que cada vez fico mais certa que James estava, ou ao menos sabe o motivo do acidente ter ocorrido.
Tento focar no que estava na realidade, agora nesse momento na Aston. No fato de estar sã e salva após ser praticamente queimada viva.
Meu olhar se volta para a figura parada no fundo da enfermaria com os olhos alarmados e fixados em mim. Todas as lembranças do almoxarifados, do fogo me queimando internamente e James me segurando em seus braços retornaram a minha cabeça.
—Amy, como fui parar aqui? —Perguntei desconfiadamente ainda com o olhar pregado em James.
—Você não se lembra de nada, não é? Lise, cara... Você teve uma convulsão muito louca por causa de uma febre, sei lá. Sam me contou tudo, mas você parecia tão bem quando nos falamos que... —Amy falava ligeiro, soando preocupada em cada palavra que saia da sua boca.
—Amy! Ei! — Eu a interrompi —Quem me trouxe aqui? Quem me encontrou e onde?
Amy deu um passo para trás e olhou onde James estava, parado como uma estátua sem nenhum indício que iria abrir a boca tão cedo.
—Por sorte James tava no corredor onde você teve a convulsão e te trouxe imediatamente para cá. Mas felizmente, sua convulsão foi rápida e sua temperatura começou a baixar — Ela agora sorria, e pude notar algo minimamente malicioso nesse sorriso.
Corredor? Sério, James? Conte-me mais sobre esse pequena mentira, aproveite e conte-me mais sobre as grandes. As que envolvem meus pais, por exemplo. Pensei.
E como pode Amy diante da seriedade dessa situação, ainda insinuar uma paquera nessas circunstancias desastrosas. Uma pontada de raiva surgiu, mas eu a repreendi. Amy não tem culpa de nada, no entanto, não posso falar o mesmo do indivíduo com cara de bunda lá trás.
James com seu pálido e rígido rosto r costumeiro parecia camuflado entre as paredes brancas da enfermaria, mas cabelos negros como aquele impediam facilmente uma camuflagem satisfatória.
— Muita sorte, de fato — Disse, mas suponho que Amy não detectou a minha ironia pois seu sorriso alargou-se ainda mais.
Suspirei internamente e uma ideia, então, veio a mente. Fiz sinal com a mão para Amy se aproximar mais e ela o fez.
— Acho que preciso agradecer o meu herói á sós, não acha? — Sussurrei no ouvido dela, forçando uma malícia que eu não usava há anos.
Amy abafou uma risada, piscou para mim e se retirou da enfermaria. Antes mesmo da porta fechar, eu já estava de pé andando em direção a James com os punhos cerrados. Ele sorria abertamente, como se isso fosse uma apresentação de circo ensaiada exclusivamente para ele.
— Realmente eu mereço um belo de um "obrigado" — Ele disse com os braços levemente abertos.
Levantei um dos meus punhos cerrados, e antes mesmo de pensar eles já se encontravam desferindo um murro na mandíbula de James. Esperei sentir a dor no meu punho esquerdo, mas tudo que veio foi uma sensação de adrenalina e um desejo desferir mais murros e chutes.
Fúria. Senti meu corpo todo arder e ofegar em fúria, embora dessa vez, nada doía. James limpou o sangue que escorria do canto da sua boca, e um som esquisito mas ainda assim, musical escapou-se dele. Ele me olhou com seus olhos azuis piscina e seus dentes brancos a amostra. Ele estava...
Rindo?
— Suponho que você se sente bem melhor agora —Sua voz soava tranquila, como se ele recebesse socos femininos com certa frequência.
Respirei fundo tentando acalmar o monstro sedento por sangue que rugia dentro de mim. Eu não sei o que está acontecendo. Uma parte de mim quer surtar e a outra está tão confortável com a toda situação que é como se ela nascesse para se sentir assim.
— O que você fez comigo, James? — Perguntei me aproximando cada vez mais dele consciente da minha expressão animalesca o encarando — Você me deve explicações.
Primeiro pensei que ele estava fitando meu corpo por enquanto que eu encurtava a distância entre a gente, mas seu olhar fixava-se em um ponto certo do meu ombro.
Cessei meu passos, olhei em direção ao meu ombro e a blusa estava manchada de sangue naquela região. Eu senti a respiração forte de James por enquanto que sua mão segurava o tecido da minha blusa puxando suavemente o tecido para baixo expondo meu ombro nu.
Porém não estava tão nu como esperava.
A imagem de uma estrela de 6 pontas se encontrava tatuada na minha pele como uma cicatriz.
— Você não faz ideia de quantas explicações eu te devo.
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