A Imperatriz

5 Capítulo 5 - Sonho de aniversário


Notas iniciais
Galera, eu sei que eu passei muito tempo sem postar. Até acho que perdi todos os meus leitores com todo esse tempo sem escrever. Mas eu to querendo voltar aos poucos... Minha vida meio que deu uma reviravolta ano passado daí não tive como ter tempo para me dedicar a fanfic. Bem, espero que eu recupere meus leitores que eu vi que mandaram comentários super SUPER inspiradores. Por causa de vocês eu não desisti de vez. Só tenho a agradecer

Pela primeira vez depois de tantas noites, eu não sonhei e nem revivi o acidente que tirou a vida dos meus pais. E sim, com o rosto pálido e rígido de James.
O sonho foi um grande borrão, mas eu pude distinguir ele por entre as sombras que impediam minha visão de se ajustar. Uma luz azulada ao longe parecia iluminar o contorno do seu corpo, porém algo no ar tornava o lugar gélido e assombrado. Afinal onde eu estava? Tudo ao redor se encontrava obscuro e a única luminosidade irrompia do corpo imóvel de James. E então algo ardente dentro de mim pareceu despertar abruptamente, percorrendo e incendiando todo meu organismo em sua trajetória, e tudo virou claridade.

— Lise — Um grito arrepiante soou distante.

Meus olhos se abriram e reconheceram o teto branco do meu quarto. Minha respiração ofegante buscava desesperadamente por mais oxigênio. Meu coração acelerava precipitado no meu peito. Sentei na cama acariciando minha nuca molhada, suor escorria por todo meu corpo e minha blusa praticamente grudava nas minhas costas.

Tateei minha cama procurando pelo meu celular perdido entre as cobertas, meus dedos se encontraram com um metal sólido. O celular parecia gelo puro na palma da minha mão. Ou meu quarto se transformou em um freezer ou meu corpo estava em chamas e eu não me dei conta disso ainda.

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O sonho com James e a sensação de calor ainda se encontrava vívido na minha mente enquanto eu descia as escadas para tomar um copo de café e enfrentar mais um longo e exaustivo dia na Aston. Provavelmente ele vai está na aula e só de pensar em encontrar com ele depois do que aconteceu ontem á noite já me deixava agitada. Meus pensamentos pausaram assim que prestei um pouco mais de atenção em Layla e na mesa de jantar.


— Feliz aniversário, Lis.

A mesa se encontrava farta de comidas de todos os tipos. Pães variados, presuntos, doces, bacon, ovos e caixas de diferentes sucos. Um banquete para apenas duas pessoas e uma delas nem se quer consegue concluir uma refeição completa.
E quem se esquece do próprio aniversário, Elise?

— Obrigada, mesmo — Sentei ao lado dela e segurei sua mão.

Layla engoliu em seco e o seu sorriso vacilou um pouco. Ela está tentando.

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17 anos. Não há nada especial em ter 17 anos.

Você só está envelhecendo. Nada a mais e nada a menos do que isso. Eu sei que é um pensamento mórbido, mas perdi alguns interesses na minha vida no dia em que também perdi meus pais. Como por exemplo, minha vaidade. Eu sei que as pessoas me conheciam por ser uma garota tão viva, com um extremo alto estima e que também adorava o trabalho de modelo que tinha. Eu era popular por tudo isso, mas ao mesmo tempo julgada por alguns. Eu não os culpo. Eu era um pouco excêntrica, vaidosa e superficial em relação a bens materiais. Gostava de ser desejada e observada.
Nunca pensei o quão rápido uma pessoa poderia mudar, se transformar e perder interesse em tantas coisas que antes pareciam tão importantes em sua vida mas simplesmente perdeu coisas incomparavelmente mais essenciais do que todo o resto. E o problema de toda essa popularidade em uma cidade quase pequena é que todo mundo sabe quem você já foi, quem você é e alguns até tentam descobrir quem você será. As pessoas acham que te conhecem apenas pelo simples motivo de saber quem você é.
Zac sempre disse nas suas tentativas de consolo que apesar de toda essa minha súbita mudança, meu interior permaneceu intacto. E foi isso que verdadeiramente construiu a nossa amizade. E para ele e Amy, isso foi o que verdadeiramente importou.

O caminho para Aston foi estranhamente quente. É inverno e as pessoas que caminham nas ruas de Sheffield estão excessivamente agasalhadas e se protegendo do presuposto frio avassalador. Mas hoje, em especial, está tão quente que até agora pareceu uma péssima ideia ter saído de casa de casaco mas pelo visto nenhum cidadão por aqui percebeu o calor de hoje.
No segundo dia de aula na Aston, os estudantes pareciam está menos animados do que estavam no primeiro. Acho que o clima frio afeta um pouco o ânimo ou só o fato de ir para o colégio já é suficientemente depressivo para alguns. Tipo eu.

A porta da minha sala ainda se encontrava aberta, sinal de que o professor ainda não tinha chegado e sinal também que eu cheguei cedo. Mal começou o dia e meu aniversário já estava cheio de surpresas. Respirei fundo antes de passar pelo vão da porta e mal tive tempo de olhar ao redor e dois braços apareceram no meu campo de visão me embalando em um abraço.

— Parabéns, Lisona!!! Amy grita no pé do meu ouvido e sua voz ecoou na sala de aula e possivelmente pelos corredores a fora.

—Tá. Agora vamos —Ela segura minha mão e vai em direção ao corredor, mas o efeito de me carregar não surtiu efeito porque eu firmei meus pés no chão e franzi a sobrancelha para ela.

— Vamos para aonde, M? — Fiz cara de assustada em resposta a cara de super animação que ela estava fazendo.


É justamente essa super animação dela que leva ao caminho da encrenca, coisa que Amy nunca se importou em evitar.

— Sei lá, qualquer pub. Beber. Não importa! — Ela diz animada, sem se importar que a sala estava silenciosa e a voz dela era o único som soando no local Você realmente não pretende ficar aqui comemorando seus gloriosos 17 anos de vida ouvindo um velho bigodudo falar sobre a queda da bastilha ou a queda do muro de berlim né? A única queda que eu pretendo ouvir hoje é a sua depois de encher a cara. Agora, vamos.

Não consegui não rir alto. Amy puxa meu braço mas novamente não surtiu o efeito que esperava. Meus pés continuavam firmes no chão. Finalmente tive coragem de olhar ao redor e fiquei aliviada por perceber que na sala não haviam tantas pessoas assim. Porém o sentimento de alivio não durou segundos até meu olhar pousar numa cadeira distante localizada estrategicamente no final da sala. E o seu dono me encarava sem disfarçar seu desconforto assim que nossos olhos se encontraram.

James se ajustou na cadeira, mas não teve coragem de mudar a direção do olhar. Mas eu... eu sou fraca. Meu olhar se voltou para Amy e soltei um longo suspiro.

— Não posso, M... Perdi as contas de quantas aulas eu já faltei de um ano para cá, se eu quiser entrar numa universidade eu preciso fazer milagres na minha frequência escolar — Eu disse, soltando meu braço e andando em direção a minha cadeira.

— Verdade... Então depois da aula ou hoje a noite, não sei. Mas por favor, vamos sair! — Ela disse sentando na mesa da sua carteira postada atrás da minha.

Eu já imaginava que não teria nenhuma maneira de escapar de Amy e Zac hoje. Não vou perder meu tempo lutando contra isso. E lá no fundo, eu nem quero lutar.

— Hoje eu serei sua — Falei para Amy sorrindo genuinamente, e o rosto dela praticamente acendeu.

— Garota, você ainda não aprendeu? — Ela se ergueu e me puxou para um abraço apertado, esfregando o punho no topo da minha cabeça — Você já é minha sempre.

Notas finais
Eu quero que vocês conheçam mais um pouco a Lise porque eu sei que ela tava um pouquinho sem sal. Mas creio que as coisas estão no caminho de evoluir. Evoluir MUITO. E a partir do próximo capítulo vai começar a ter mais ação. Eu sei que tá um pouco parado, mas é normal pq ta no começo. Enfim, comentem se gostaram ou o que não gostaram. Eu amo críticas (construtivas).