A Imortal

3 Sonho?


Após o episódio de Tasha decidi voltar para casa, e se houvesse alguma consequência a encararia depois. Estava chocada e não conseguia parar de pensar no momento em que seu braço se quebrou. Não importa o quanto pensasse, não surgia se quer uma explicação plausível para esse episódio.

Me deitei na cama e conversava com meu grupo de amigos, decidi contar para eles o que aconteceu, e assim como eu nenhum dos dois chegou à conclusão alguma, no máximo supomos que o braço dela já estava machucado, mas sabia que não, eu o ouvi quebrar. Os dois perceberam a quão culpada eu estava e decidiram mudar de assunto. Estava conversando com eles enquanto esperava minha mãe chegar para contar o ocorrido.

Eu corria, corria rápido demais. Estava escuro, mas eu enxergava cada pequeno detalhe, inclusive a pessoa que corria ao meu lado.

—Mais rápido- mandou ele, o garoto dos olhos negros- se estivesse em uma perseguição, não teria chance alguma. Aprenda a usar a velocidade que possui.

Não entendia o que ele falava. Eu já estava tão rápido, como aceleraria mais? Afinal, por que corria com esse garoto?

Parei bruscamente, e ele também.

—Sai do meu sonho- ordenei, confusa.

—Não é um sonho- ele suspirou, impaciente- você precisa ser treinada, mesmo que inconsciente.

—Oi? Treinada pra quê?

—Ora essa- ele cruzou os braços- Você é imortal, como acha que vai fugir dos Caçadores.

—Você é louco?

—Eu? E você, como você explica aquele braço quebrado?

Como ele sabia sobre isso?

—Eu vi vocês duas.

Estava lendo mentes? Claro, isso é um sonho. Sonho.

—Há uma explicação- me defendi- ainda não descobri. Mas tem alguma totalmente normal e plausível.

—Acebei de te dar a explicação, imortal.

—Quem é você?

—Kylor Sworn.-ele suspirou e continuou- acorda Carrie, olha a hora!

Me assustei, pois aquela voz era da minha mãe.

Dei um pulo na cama, assustando minha mãe que estava praticamente colada em mim.

—O que foi isso?

—Desculpa- percebi que estava suada- pesadelo.

—Tudo bem- ela me olhou desconfiada- Você tem que lidar com esse despertador, consigo ouvir na casa inteira e ainda assim você não acorda.

Eu dei um sorriso amarelo e ela saiu do quaro pedindo para me apressar.

Vesti qualquer roupa e sai apressada, não preocupada se me atrasaria ou não. Queria encontrar uma pessoa em particular, mesmo que me assustasse, ele talvez me responderia sobre o sonho. Ou não. Que tipo de delírio estava passando?

—Posso pegar o carro hoje? — perguntei à minha mãe assim que desci.

—Pode, tô com o da empresa- fui ao chaveiro pegar as chaves- não vai comer?

—Sem fome.

Dei um beijo nela e saí apressada, só quando já estava no carro me lembrei de Tasha, fiz uma nota mental de conversar com a minha mãe depois, torcendo para que não houvesse problema algum na escola, apesar de achar improvável.

Quando cheguei olhei em volta procurando por ele, mas nada.

—Ei, por que você não me atendeu? — Annie chegou ao meu lado, estava focada procurando por ele que nem a vi se aproximando- te liguei várias vezes, até mandei mensagens.

—Foi mal, dormi cedo. Acho que deixei meu celular em casa também. -nem mesmo me lembrei disso com toda essa história. Não sabia poque estava tão incomoda com um sonho- o que aconteceu?

—Minha irmã decidiu comemorar o aniversário dela aqui na cidade mesmo, para nossa alegria- a irmã dela, Aline, fazia parte da panelinha dos populares, era uma das melhores amigas da Tasha e suas festas eram surreais de boas- você está convidada, contando que use vestido.

—Tá legal.

—E eu quem vou escolher.

—Nem pensar! A última vez que escolheu meu vestido eu fiquei pinicando a festa inteira, aquele salto eu tenho certeza que tinha uns 50cm mega desconfortável.

—Não exagera Carrie- ela revirou os olhos- se você não gostar é só trocar.

—Nossa, dá pra ouvir você lá de fora amor. — disse Louis se aproximando e colocando o braço em volta de Luna, e olhando pra mim- Vai forçar a Carrie nos vestidos? Meus sentimentos amiga, ela tá fazendo o mesmo comigo.

A única justificativa para Louis ter uma namorada é que ele passou mais de uma década tentando convencer a Annie e a venceu no cansaço.

—Ela te obrigou a usar vestido também?

—Pior, ela vai escolher meu terno...

—Como isso é pior? — Annie levantou uma sobrancelha.

Foi quando o vi, com aquela cara fechada usual.

—Vejo vocês depois.

Disse já saindo e sem esperar a resposta dos meus amigos.

—Ei- me aproximei dele, apontando de uma maneira acusatória- para aí.

—Não me mexi- ele deu um sorrido de lado- do que precisa, Carrie?

Parei. O que perguntaria a ele? Me recusava a deixar essa ideia maluca de imortal sair dos meus lábios.

—Qual seu nome?

Foi essa a pergunta que decidi fazer, e meu corpo inteiro tremeu quando ele respondeu:

—Kylor Sworn.