A Ilha do Sherdacé (Hastorn)
9 Capítulo 8
Mais de seis meses haviam se passado, era verão. Os dias agradáveis de Hastorn haviam chegado, as crianças aproveitavam cada folga para brincarem. Taylor e Max passavam muito tempo juntos, Olavo e Nanael perceberam, mas como era algo inocente, simplesmente ignoravam. Gaherd e Gabor passavam o tempo brincando de serem soldados do rei. Gaherd se imaginava derrotando o rei, enquanto Gabor via aquilo apenas como uma brincadeira. Somente Conrad se sentia perdido.
Era um dia de folga e Nanael e Taylor conversavam na cozinha enquanto observavam tudo lá fora através da janela. Conrad estava encostado na parede da casa com umas folhas e um lápis. Da janela viam-no tentando desenhar um casal de pássaros da arvore a frente, mas ele só conseguir uns poucos rabiscos que em nada pareciam a cena da frente. Depois ele amassou e começou a escrever coisas difíceis de ler aquela distancia. Depois de parecer frustrado mais uma vez rasgou todos os rascunhos, juntou tudo, entrou na casa e jogou todos os papeis usados na lareira. Depois saiu furioso.
—Seu irmão precisa se encontrar. — Disse Nanael temperando um pedaço de carneiro.
—Mas ele não sabe fazer nada. Você mesma viu.
—Ele é diferente, quem sabe do que ele não é capaz?
—Eu até queria acreditar, mas acho difícil, ele tem medo de tudo. Até entendo, afinal ele foi quem ficou mais tempo pres... – E de repente sua voz foi sumindo, eles haviam combinado de não falar nada sobre o passado.
—Preso?
—Eu quis dizer perdido.
—Ah.
Taylor agradeceu por ela não ter dado importância a fala dela, até por que sua explicação não fez o menor sentido.
No dia seguinte Conrad terminou o trabalho mais cedo e decidiu andar por ai. Um homem fazia muita força para carregar lenha e quando o viu começou a gritar.
—Você! Você menino! Venha aqui!- gritou o velho.
—O que foi?-Falou ele de longe.
—Poderia me ajudar?
O homem não tinha uma aparência agradável. Todos os dentes estavam amarelados e alguns podres, cabelos cinzentos em pé e algumas verrugas pelo rosto. Sentiu além de nojo. Medo. E se fosse um louco que o prendesse para fazer experimentos? Ele já havia escutado historias desse tipo.
—Vamos logo, eu não mordo. — e fez um gesto com a cabeça, chamando- o.
Ele continuava imóvel, se perguntando se ele realmente não mordia.
—Certo. – disse a contragosto o velho- Eu lhe dou uma moeda de prata.
Pensou em Nanael e Olavo. Ele era uma despesa a mais. Esse dinheiro iria ajudar. Então foi ajudar o homem.
—Me de aqui. — Falou segurando todos os pedaços de lenha. Ficou surpreso ao descobrir que já possuía certa força devido ao trabalho braçal das lavouras de Olavo.
A casa do homem não ficava muito longe da dele, era possível avista-la sem fazer grandes esforços. Era simples, mas razoavelmente grande. Na sala, havia uma mesa e duas cadeiras arranhadas e sem cor definida, uma lareira acessa e na parede da mesma, prateleiras repletas de livros de todas as cores e tamanhos.
—Pode deixar ali. –falou o velho apontando para um canto.
—Quantos livros. — Comentou ele.
—Gosta de ler?- perguntou o velho.
—Não sei.
—Como assim não sabe? Sabe ler pelo menos?
—Sim... Mais ou menos. Posso tentar ler algum?- falou pegando um livro de capa azul na prateleira.
—NÃO!
—O que foi?
—Não pode chegar pegando qualquer livro. Tome seu dinheiro e vá embora.
—Não vou poder ler?
—Está mesmo interessado?- Perguntou o homem surpreso.
—Sim.
—Volte aqui amanhã e veremos. — disse com um sorriso que pareceu ser simpático.
Assim que chegou em casa Conrad foi direto mostrar todo orgulhoso o dinheiro para Olavo.
—Onde conseguiu isso?
—Ajudei um velho a carregar lenha.
—Bom trabalho. – E deu um tapinha nas costas dele. Que de tão magrelo que era, se sacudiu todo.
—Ele vai me deixar ler algum livro dele. — Disse maravilhado. — Uma pena que todos aqui não possam aprender a ler. Eu sei ler algumas coisas, ensinei Gaherd e Taylor algumas palavras. Talvez possa ensinar aos outros.
—Muito bom seu entusiasmo, mas não se preocupe. Eu também sei ler e já ensinei todos aqui. O que lamento é não termos livros.
—Ah... – Ele achou estranho um mero fazendeiro saber ler e escrever, mas não quis comentar nada.
—Sabe, poderia usar esse dinheiro para comprar um livro no mercado. Que acha da ideia?
—Não é melhor comprar comida?
—Isso é um dinheiro extra, não vai fazer falta. Amanhã de manhã pode ir ao mercado e escolher um livro. –E lhe devolveu a moeda.
—Muito obrigado. – Ele segurou a moeda feliz.
—Mas não vá gastar em besteiras. Se eu souber que não comprou um livro...
—Não, não. Pode deixar.
Havia chovido na noite passada e as calçadas imundas do mercado do Sul, estavam escorregadias. Com alguma dificuldade chegou à uma rua mais agradável, onde haviam vendedores de flores e roupas, não era muito habitada pelos moradores simples, por que ali não se vendia o essencial. Entrou na única livraria da rua. Havia cheiro de papel e tinta fresca e velha, e cheiro do couro usado nas capas. Um homem de cabelos grisalhos e barba curta, estava sentado atrás do balcão escrevendo, mas quando percebeu sua presença parou.
—O que quer aqui menino? Não tenho nada pra você. Vá.
—Eu quero comprar um livro.
—Comprar? — Os olhos dele brilharam.
—É.
—Que raridade... –Falou ele saindo do balcão e indo ao seu encontro. — Por favor, me perdoe, minha loja não é das mais procuradas do mercado, não estou acostumado com clientes tão jovens.
—Eu queria um livro.
—Isso eu sei, mas que tipo de livro?
—Não sei.
—Gosta de ciências? Esse livro aqui é cheio de nomes de plantas e a utilidade delas...
—Não...
—E esse? Pra quem gosta de matemática, repleto de todas as formulas já inventadas...
—Também não.
—Hum... — Ele coçou o queixo procurando algo nas prateleiras.
—E esse aqui?- O vendedor lhe estendeu um livro de capa marrom.
—É sobre contos.
—Historias?
—Sim, as historias que as fadas contam para as crianças privilegiadas antes de dormir... — Ele olhou para Conrad certificando-se de que estava interessado. – Dizem que essas crianças são as únicas que tem o dom de entrar na floresta dos Sonhos sem serem amaldiçoadas...
—Isso é verdade?
—Mas é claro, e veja, foi escrito diretamente pelas mãos da fada Rainha.
—Isso é mentira.
—É verdade meu jovem, você não faz ideia de quanto esse livro é precioso.- E acariciava a capa.
—Se é verdade, então deve ser muito caro, não tenho dinheiro.
—Pois lhe faço um ótimo preço.
—Quanto?
—10,00 Litus.
—Só tenho Lt$ 5,00. – E estendeu a moeda de prata que havia ganhado do velho.
O homem pensou um pouco e por fim disse:
—Pois está feito. Pode levar. Vou embrulhar para você.
Conrad voltou pra casa satisfeito com o embrulho embaixo do braço, depois pensou que o vendedor mentiu e que esse livro na era escrito pelas mãos das fadas e sim por ele mesmo, sentiu arrependimento, poderia ter comprado comida ao invés daquela coisa inútil.
—Conrad, o que é isso ai? – Perguntou Elisa curiosa puxando o braço do irmão.
—É um livro.
—De que?
—De contos de fadas.
—Conta uma historia pra mim?
—Não, estou ocupado.
—Ah, por favor. — Ela implorava.
—Não posso, tenho que trabalhar agora.
Elisa baixou a cabeça e ele viu que escorriam lagrimas do rostinho dela, ela começou a soluçar.
—Ah tudo bem, tudo bem, vem aqui. Mas só uma. — Sentou-se no chão e puxou a irmã para seu colo.
—“Era uma vez...”.
A tarde, depois de terminar o serviço foi para a casa do velho, ele abriu a porta surpreso.
—Não pensei que viesse realmente.
—Por quê?
—Não importa, acho que ontem não nos apresentamos. Meu nome é Pavel.
—Meu nome é Conrad. — E estendeu a mão como Olavo o havia ensinado.
—Bem, Conrad, vamos começar. Isso é um livro de historias de cavaleiros. -e lhe entregou um livro de capa vermelha e amarela.
—Mas eu pensei que iria me ensinar a fazer isso. – E apontou para o balcão repleto de instrumentos estranhos e líquidos borbulhantes e coloridos. -O que é isso? — ele apontou para um dos frascos.
—Nada.
—Mas parece ser interessante. – Ele olhava tudo com curiosidade.
—Não toque em nada.
—Pode deixar.
—Acha isso mesmo interessante?
—Muito, mesmo sem saber o que é.
—Estou fazendo algumas poções.
—De cura?
—Também, mas a maioria é para meus feitiços.
—É um feiticeiro?
—Não posso ser chamado assim, já que não estou na Grande Torre.
—Ah.
—Gostaria de aprender mesmo, ou apenas lhe chamou a atenção por que é colorido?
—Acho que os dois. –Disse ele dando de ombros.
Todo o tempo livre de Conrad era investido na cabana de Pavel, até que ele passou a ganhar dinheiro com a venda de suas próprias poções.
—Você é bom nisso. -Elogiou Pavel enquanto o aprendiz moía ervas delicadamente.
—Obrigado. –Conrad sorriu.
—Seu pai deve ter orgulho de você. — Nesse momento Conrad parou de moer.
—O que foi?
—Nada. — Ele se lembrou das palavras do pai o chamando de covarde e inútil e percebeu o quão cruel o rei era. Nessa época era quase um bebê, não podia ser tratado daquele jeito; desejou com todas as forças que Pavel fosse seu pai.
Passado algum tempo, ele praticamente não saia da casa de Pavel, tendo direito a uma cama perto da lareira, instalada especialmente para ele quando fosse preciso terminar uma poção. Conrad começou a se espelhar em Pavel. Tudo o que ele fazia era pensando em agradar, cada feitiço com sucesso era um orgulho pra ele.
—Nunca tive filhos sabe Conrad? Mas eu o considero como se fosse.
—Obrigado. – Conrad se sentiu emocionado, ele era importante para alguém, se sentiu importante.
—Quando eu morrer, o que não está longe, você pode ficar com tudo o que esta aqui.
—Não fale isso, está ótimo. – Um aperto no coração, ficaria muito triste se Pavel morresse, era como se fosse o pai que desejava ter. Olavo era bom, mas tinha que dividir o tempo entre todas as outras crianças e jovens que cuidava, Pavel era apenas seu professor e de mais ninguém.
Na casa Elisa havia aprendido a ler com Olavo e em menos de um mês já havia lido todo o livro de Conrad.
—Como assim já terminou de ler?
—Você não é muito jovem pra isso?
—Papai me ensinou. – Se sentiu estranho. Elisa se considerava filha deles, por que ele também não podia se sentir assim? Membro da família? Mas talvez fosse melhor assim, ela nunca teria que se preocupar com o péssimo pai que a gerou, ou até mesmo a mãe provavelmente morta. Durante todo o pensamento dele, Elisa estava correndo atrás de uma borboleta que se não estivesse voando ele diria estar morta.
—Mas oque você está fazendo?
—Brincando com minha amiga.
—Tem tantas crianças aqui, por que brincar logo com esse bicho feio e asqueroso?
—Não fale assim dela! As outras crianças são todos meninos e eles só querem brincar de exercito e dizem que isso não é coisa de menina.
—Mas ela é uma borboleta feia. — Era uma borboleta de cor cinzenta e asas com alguns furos, como se estivesse morta, porém ela voava como se acabasse se sair do casulo. – Pode ter alguma doença.
—Ela não tem, eu sei.
—Como?
—No livro, dizia que dentro da floresta dos Mil Sonhos, no bosque há um monte delas e são amigas das fadas.
—Não é de verdade as historias desse livro.
—São sim, eu tenho certeza que são.
—Fadas não perdem tempo escrevendo historias para as crianças, elas estão ocupadas cuidando de suas vidas.
Ele percebeu que ela não o ouvia mais, estava deitada no chão conversando com a borboleta.
—Conrad. — Disse ela sem tirar os olhos do inseto- Faça um pedido.
—Por quê?
—Faça um pedido, rápido.
—Tá bom, eu quero que sejamos ricos.
—Não, isso não pode, tem que ser um pedido pequeno.
Ele pensou, olhou para seus pés e sentiu as botas apertadas e furadas.
—Quero um par de botas que sejam do meu tamanho.
Ela ria e conversava com o inseto.
—Pode demorar, mas ela falou que vão chegar. –disse virando-se para ele.
No final da noite, Olavo chega mais tarde, por que havia ido ao mercado e achou botas por um bom preço. Não serviam em ninguém, apenas em Conrad.
—Viu? Foi à borboleta. — Sussurrou Elisa no ouvido de Conrad.
—Mas não são botas novas.
—Você pediu botas, não botas novas.
—O que vocês estão cochichando?- perguntou Taylor.
—Nada. — Disse Conrad piscando para Elisa que riu.
~~*~~
Era final da tarde quando os quatro colhiam frutas:
—Segure firme essa cesta Taylor.
—Por eu sempre tenho que segurar a cesta?
—Por que é difícil subir usando saias. Segura ai. – E jogou uma penca de maçãs.
—Isso é perigo Gaherd, tome cuidado. – Encostado em uma árvore Conrad estudava algumas poções.
—Que garoto chato, pare de ter medo de tudo. – Reclamou Gaherd. – Agora é pra você Lisa.
—Que vocês estão fazendo? — Chegou Max acompanhado de Gabor.
—Não tá vendo? Colhendo maçãs. — Gritou Gaherd de cima da árvore.
—Quer ajuda?
—Pode ser.
De longe eles veem um homem montado a cavalo se aproximando da pequena fazenda. Ele se aproxima do grupo.
—Boa tarde, eu gostaria de Falar com o Barão de Burton.
Todos ficam sem reação.
—Ele está lá cortando lenha. – Aponta Max.
—Seu pai é um nobre? — Pergunta Gabor.
—É por quê?
—Nunca soube disso em todos esses anos. -Conclui ele surpreso.
—Então por que ele trabalha? Por que nós trabalhamos?
—Por que ele tem pena dos pobres e resolveu que deveria ajudar. Vendeu nosso baronato por esse pedaço de terra. — disse com despereço.- Pelo menos isso. Algo no nome dele que um dia será meu. – Max falava com magoa e um pouco de raiva.
Todos olhavam atônitos para ele.
—Já pensou? Eu reconhecidamente um nobre? Nem o titulo de barão vale alguma coisa. -Ele falava com os pensamentos distantes.
—Isso explica muita coisa. — Concluiu Conrad. — Conrad viu pelo caminho muitas casas de camponeses e elas não se assemelhavam em nada com a casa de Olavo. Ele ser um barão, mesmo que falido, proporcionava a ele certo status.
Olavo parou para descansar um pouco e viu de longe um homem andando dentro das suas terras. Depois ele falou com algumas crianças e elas apontaram para ele. Ele não esperou o homem chegar até ele, se encontraram na metade do caminho.
—Boa tarde Barão de Burton.
—Como sabe do meu titulo?
—Uma conversa aqui e outra ali e se acaba sabendo da vida de todo mundo.
—O que quer aqui?
—Fazer uma proposta. Soube que está com problemas financeiros.
—Não sou o único.
—Exatamente, porém não são todos que tem esse tipo de problema, por exemplo, eu. E além do mais esse seu problema financeiro vem desde que sua família foi arrancada do trono. Há 83 gerações. Se quer eram do povo de Tristan.
—Minha família foi muito bem recebida quando chegaram a esta ilha. E nunca foi discriminado por não descender do seu líder.
—Ah, mas eu não quis ofender. Apenas estou relembrando os fatos. Afinal de contas quem pode culpar que o pobre rei Lox não tivesse filhos e que estimasse muito os Burtons a ponto de permitir que no leito de morte entregasse Hastorn para seu parente....Que infelizmente foi um péssimo rei.
—Isso realmente não lhe diz respeito.
—Pode até ser, mas não se pode negar o fiasco que foi. De todas as casas reais a casa de Burton ter sido a única a durar apenas uma geração.
—Acredito que o senhor não tenha vindo até aqui para falar sobre minha família. Diga logo o que quer.
—Quero comprar suas crianças.
—Acho que não entendi.
—Preciso de mão de obra na minha fazenda, mas nenhum homem aceita trabalhar pelo preço que eu pago.
—E quer crianças fazendo trabalho de homem ganhando migalhas? Saia já das minhas terras.
—Escute Barão...
—Sr. Burton. — Ele corrigiu.
—Que seja, Sr. Burton, pense que teria uma grande economia.
—Já disse que não estou interessado.
—Não? Por que não?
—Tenho meus valores.
—Valores? Não vai me enganar. Pode até iludir seu filho sua esposa e essas pestes que cria, parecendo ser um homem bom, mas jamais diga que tem valores, por que ninguém com valores venderia uma menina de quatro anos sabendo que ela seria revendida depois. E você sabe muito bem pra que.
—Isso é mentira.
—Mentira? Sabia que no Beco do Cobre, Em Panvas tem vende-se dezenas de jovens virgens todos os dias.
—E o que eu tenho a ver com isso?
—Sabe por que a Grande torre é contra essa pratica?
—Não faço ideia.
—Por que eles precisam delas na primavera. Assim que nascem os feiticeiros. No festival da primavera na floresta sagrada. Todas as crianças nascidas ali são sagradas. Mas se as virgens forem compradas não tem serventia.
—E por que preciso saber disso?
—Lá eles aceitam jovens para criarem. Claro que nunca terão um cargo alto, mas são sempre bem vindos. Todos sabem disso, mesmo assim preferiu vende-la.
—Eu nunca vendi nenhuma virgem. Aryane era só uma criança. E como tal era virgem, mas não acho que alguém se interessaria por ela nesse sentido.
—Mas vendeu, como se ela fosse uma mercadoria.
—Eu me arrependo todos os dias por isso e a compraria de volta se pudesse.
—E revenderia pelo dobro. Não seja hipócrita.
—Estou falando a verdade.
—Se você diz... Mas vamos aos negócios, vi como seus “filhos” trabalham, eles me parecem fortes. E preciso de mão de obra em minha fazenda.
—Eu os crio por pena, não por negócios.
—Ah sei sim. Recebe todo o tipo de criança. Mas as faz trabalharem assim fica mais fácil de ganhar dinheiro, pois não tem que contratar gente de fora.
—Não sei por que perdi tanto tempo com você. Vá embora.
—Pago uma moeda de ouro por cabeça.
—Isso não é um mercado de boi. Já falei para sair.
—Muito bem, uma moeda de ouro e uma de prata.
—Não!
—Sr. Burton, o senhor sabe fazer negocio. -Disse o homem com cinismo. — Duas moedas e negocio fechado.
—Qual é o seu problema?
—Pense na proposta. Seria um belo dinheiro e depois pode pegar mais meninos para criar. Quem sabe não voltamos a fazer negocio?
Olavo dessa vez não falou nada. O comprador viu que ele dessa vez havia certo interesse.
—Pense; em algumas trocas voltaria a ser rico, nunca mais trabalhar. Estou lhe oferecendo uma pequena fortuna, e se fizermos esse negocio por mais algumas vezes terá cada vez mais dinheiro... Pense e em algumas semanas voltarei.
Fale com o autor