Já havia se passado uma semana desde a morte de Pavel. Conrad se sentia de luto e pouco falou por aqueles dias. Da casa de Pavel trouxe apenas o filhote de gato, que entregou a Elisa. Gaherd e Gabor estavam construindo um balanço em uma árvore antiga, que ficava perto da casa.

—Vai demorar muito? – Perguntava Elisa impaciente ao irmão.

—Não sei, mas se você ficar perguntando a todo o tempo isso eu não vou mais fazer.

Alguns minutos depois havia um amontoado de crianças em volta do balanço esperando sua vez. Exprimidos entre a tábua que servia de acento, estava Gabor, em pé, Gaherd sentado e Elisa em seu colo segurando o gato, se balançando desde a hora que ficou pronto.

—Não é que é forte mesmo? – Gabor estava surpreso com a capacidade deles.

—Eu falei.

Conrad ficou observando de longe e pensando que caso o gato fosse arremessado do balanço morreria. Pavel não deixou as explicações muito claras a respeito desse elixir. Pelo menos sabia que o rei havia bebido. Gaherd não gostava do rei, e se soubesse que ele agora é imortal, talvez desistisse desse sonho ridículo de lutar contra o pai. Pensou um pouco sobre o assunto e concluiu que era algo muito complexo para explicar a uma criança de 12 anos. Deixasse-o com seu sonho.

Dentro da pequena casa de ferreiro, Max suava devido ao calor das brasas. Taylor o observava da porta.

—Tem certeza que está fazendo certo? – Ela observava a estranha figura deformada que ele forjava.

—Foi assim que eu fiz da última vez.

—Acho que você deveria ter ficado com a sua espada antiga.

—Mas ela estava enferrujada e quebrada.

—Mais uma prova de que você não é um bom ferreiro. — Ela ria.

—Agora, mas com um pouco de prática eu vou conseguir.

Algum tempo depois o calor aumentou e Max tirou a camisa, o que deixou Taylor um pouco desconfortável.

—Que foi? — Perguntou debilmente Max.

—Nada...Eu estou com calor, vou ficar ali fora um pouco.

—Tá bem.-E deu de ombros.

Assim que saiu avistou Conrad sentado na sombra de uma árvore bem distante de todos. Resolveu sentar-se ao seu lado.

—Pensando na vida?

—Sim. Na verdade na morte. — Ele falava com um olhar fixo.

—Eu sei que não deve estar sendo fácil pra você.

—Não é a morte de Pavel me incomoda tanto. Ele era velho, e eu não quis admitir isso. Sofri em vão.

—Você não deveria se fechar tanto.

—Se eu me fosse mais fechado não sofreria, tento não me apegar às pessoas, mas não consigo.

Eles ficaram em silencio pensativos por muito tempo, até que Taylor falou:

—Sabe que estou pensando em incentivar o Gaherd a ir adiante com a ideia dele?

—De que? Lutar com o rei? — Conrad ficou horrorizado.

—É, ele é um péssimo rei e mais horrível ainda como pai.

—Meu pai está enterrado lá. — E apontou o lugar onde Pavel jazia.

—Acho que seria irresponsabilidade da sua parte. Vocês são umas crianças.

—Gaherd e Elisa são.

—Taylor, você tem 15 anos. O que pode fazer com essa idade? Casar-se?

—Quer que eu me case? E depois vá criar filhos e tudo acabe por isso mesmo?

—Não disse isso. Disse que com a sua idade não pode fazer muita coisa.

—Você só tem 17, nem é tanto assim... E agora vai continuar com o seus trabalhos?

—Não.

—Não? Trabalhou todo esse tempo à toa?

—Eu vou viajar.

—Sozinho?-Taylor bateu palmas. -Quem diria, o medroso cresceu!

—Não gosto que me chame assim. -Ele ficou bravo. -E sim vou sozinho, companhias só vão me atrapalhar.

—Ah fiquei tranquilo, eu não ia me convidar pra viajar com alguém tão mal humorado como você.

Voando bem alto, um dragão marrom passou por cima da fazenda.

—Deve ser bom voar. — Conrad estava encantado olhando para o céu.

—Deve mesmo.

Conrad pediu permissão a Olavo para sair, protendo compensar o trabalho perdido quando retornasse.

—E pra onde vai?- Perguntou o fazendeiro.

—Para Arandril.

—Ah Conrad me leva eu quero falar com o rei. — Gaherd puxava a camisa do irmão dizendo em voz baixa para tentar convencê-lo.

—Esqueça Gaherd, você ainda é muito criança para falar de qualquer assunto com o rei.

~~*~~

Estava amanhecendo quando chegou exausto em Arandril. Tantas semanas valeram a pena, não tinha uma lembrança confiável da vila e agora estava encantado com ela. Do alto do morro podia ver tudo, o Palácio de Adalegeo, as casas luxuosas dos nobres e ricos, a Grande Torre, o mercado de Dupratea, os soldados marchando e o cheiro de ventos novos. Ele sentiu que estava confiante, e se sentiu muito bem com isso. Havia muita empolgação dentro dele. Foi em direção ao castelo. Mas antes passou no mercado. Tinha algumas economias e com elas comprou alguns ingredientes para feitiços e poções. O mercado era perto da majestosa e imponente Grande Torre. Um caminho de árvores levavam até os portões da sede. Um muro protegia o prédio principal de 15 andares, construído em pedras maciças e brancas, com guardas reais vigiando a entrada e no alto. Só não era maior que o castelo. Sentiu uma imensa vontade de entrar ali, mas sabia que eles não iriam recebê-lo bem.

Foi em direção ao castelo. Não contou o motivo de estar ali para ninguém e concluiu que foi melhor assim, não haveria censura. Dias antes da morte de Pavel ele havia ouvido rumores de que o rei precisava de um feiticeiro e que não poderia ser membro da Grande Torre. Era a oportunidade ideal para conhecer a biblioteca do castelo. Além dos inumes livros ricos em conhecimento, poderia encontrar alguma pista do livros das fadas, já que Pavel não explicou o que aconteceu com ele depois de sua descoberta.

A princípio, não teve sua entrada autorizada, mas foi insistente e não saiu dali até ser recebido por alguém. Quando finalmente foi atendido, era um homem de aspecto familiar. PAREI AQUI!!!

Chamava por Harold. Depois de muitas horas de espera foi recebido por ele. Conrad tratou de colocar a capa de pele, mesmo fazendo calor.

—O que você quer moleque? É um menino não é? Ou é um velho.

—Sou um feiticeiro. — disse ele olhando para o chão.

—Quer dizer um aprendiz, pela voz. — Concluiu ele.

—Não. Sou formado.

—Na Grande Torre?

—Não. Um feiticeiro de lá me formou em sua casa.

Harold pensou que era exatamente isso o que o rei queria, era o único que havia aparecido em semanas. O rei já estava curado, mas ficaria feliz em ter um feiticeiro particular.

—Entre.

—Qual o seu nome?

Conrad congelou, que nome usar? Pensou em Pavel.

—Grania. Pavel de Grania.

—Senhor Grania, terá que me provar que é bom, por isso vamos para um teste.

Harold ia à frente e nunca virava para trás, então não viu problema em tirar a capa. Não se lembrava do castelo. A entrada era suntuosa e toda decorada com mármore preto e branco. Algumas cadeiras confortáveis estavam colocadas em alguns cantos. E em uma parede havia uma pintura gigante do rei, com mais de 3 metros que cobria toda a parede. A figura dele causou a Conrad repulsa. Os cabelos ruivos alaranjados e encaracolados lembravam os cabelos de Gaherd, porem os do irmão eram mais vermelhos; a barba curta, o rosto serio e o olhar pesado e frio provocaram uma vontade quase incontrolável de ir embora dali. Mas se segurou. Tinha que fazer isso por Pavel. Chegaram a uma sala com alguns instrumentos que lembravam os de Pavel, porém eram muito melhores. Conrad foi rápido e em menos de 30 minutos concluiu a poção que fazia as flores crescerem depressa e jogou o liquido no vaso que havia no canto perto da janela.

—Isso basta?- Falou ainda sem mostrar o rosto.

—Por enquanto. — Harold sorriu, mesmo que discretamente. – E chamou uma arrumadeira para leva-lo para o quarto.

—Aqui senhor Grania. Vai ficar instalado nos aposentos da biblioteca. E lhe mostrou o quarto. Era simples, mas confortável.

—Obrigada.

—Em poucos minutos traremos as coisas para o banho.

Assim que a arrumadeira saiu, ele se jogou na cama e pensou que teve muita sorte em estar justamente dentro do lugar que procurava. Saiu do quarto de foi dar uma olhada nos livros. Mas se decepcionou. Era um lugar relativamente pequeno e pelo que via, só havia livros recentes, o mais antigo que encontrou tinha pouco mais de 20 anos. Quando as mulheres chegaram carregando a bacia e a água quente ele perguntou:

—Essa é a única biblioteca do castelo?

—Que eu conheça sim. Tem algum problema?

—Não...

—Bem, talvez ele esteja falando daquela biblioteca.- Cochichou uma das camareiras.

—Não se pode falar dela. – Disse outra moça censurando a colega.

—Não ligo, eu falo mesmo...Há alguns anos... Na verdade há algumas décadas fecharam a biblioteca que havia aqui por que ocorreu um acidente.

—Que acidente?

—Não pode falar disso!

—Psiu... Um dragão entrou lá, ninguém sabe como. Era uma espécie diferente de tudo... Pelo menos é o que dizem, ai trancaram o lugar para ver se o bicho morria. Depois fizeram essa biblioteca aqui, pra disfarçar.

—E sabem onde ela fica?

—Ela foi trancada há mais de 30 anos. Nem éramos nascidas. Mas se quer mesmo saber, o sr. Soan pode saber, ele trabalha aqui há mais de 40 anos. Ele leva lenha pras lareiras, se na biblioteca antiga tinha uma lareira ele deve saber.

—Onde ele está?

—Ai vem ele.

Com muito esforço ele convenceu o velho a dizer sobre a biblioteca. Ele parecia ter medo só de lembrar do lugar.

—Ah, fui eu quem tive o infeliz encontro com a fera.

—Então o dragão existe mesmo? – Perguntou ainda descrente.

—Estou dizendo que sim. Eu mesmo vi, ninguém me falou.

—E pode me dizer onde fica?

—Não tem medo jovem?

—Não. Até por que acho que ele já deve estar morto depois de todos esses anos.

—Pois eu levo para provar que sei. Venha. Mas não conte a ninguém que fui eu.

—Fique tranquilo.

A noite, Soan o levou até uma parte abandonada do castelo. Passando por um corredor aberto onde as trepadeiras tomaram conta.

—Aqui. — E apontou para uma parede repleta de trepadeiras com o lampião. Dá pra ver que foi construída as pressas. E mostrava os defeitos da parede.

—Tem como quebrar?

—Você está louco? Eu vou é embora. Sabe como voltar depois?

—Eu me viro.

—Pois boa sorte. — E saiu o velho corcunda correndo desengonçadamente.

Se Conrad acreditasse que realmente havia um dragão ali, jamais teria tentado entrar. Dragões matavam sem dó nem piedade. Puxou as trepadeiras de modo que não se rompessem, achou uns tijolos soltos e quebrou o resto com algumas pedras que achou no chão. Era um muro bem frágil para quem estava tentando aprisionar um dragão. Entrou xingando em pensamentos o velho medroso que fugiu levando a lanterna. Ele não tinha medo do escuro, aprendeu a não ter quando foi jogado nas masmorras. A luz da lua, mesmo que fraca serviu como ajuda para ver a entrada da biblioteca, porém era possível ver o abandono, estava repleta de teias de aranha e pó. Tentou ir mais a fundo, mas estava escuro demais. Era completamente inútil tentar enxergar sem lanterna. Foi embora e no outro dia logo cedo queria aproveitar para explorar o local, mas Harold não permitiu. Ficou fingindo qualquer feitiço no laboratório até anoitecer, só então voltou à biblioteca, dessa vez munido com um lampião. Penetrou até as parte mais fundas do lugar, onde apenas algumas frestas de luz noturna conseguiam ultrapassar. Havia um completo silencio, exceto pelo fato de uma respiração pesada em um lugar incerto. Um arrepio lhe percorreu a espinha, tentou iluminar tudo ao seu redor para ter certeza de estar seguro, mas então pisou em algo estranho. Pulou para trás caindo e por pouco não quebra o lampião. A respiração pesada vinha daquele mostro. Colocou a luz no chão com cuidado e se aproximou. Era enorme e... Branco? Não existiam dragões brancos, a não ser que fosse albino, nunca ouviu falar de algo assim, mas se animais poderiam ser, por que dragões também não? Era inacreditavelmente manso, ele poderia ter cuspido fogo ou levantado suas asas, mas não o fez. Com cautela pegou o lampião e passou ao redor do animal tentando entender toda a sua estrutura. Era Enorme, porém magro e parecia fraco. Era um milagre ele ter sobrevivido todos esses anos, isso explicava o porquê do dragão tê-lo atacado. E explicava também o fato de aparentemente todos os livros estarem intactos. Não havia ratos, ele se alimentava dele. “Perfeito” pensou. Ele protegeu esse lugar todos esses anos involuntariamente. Ele riu. Era a coisa mais absurda que já ouviu: um dragão dentro de uma biblioteca.

Passaram-se poucos dias, mas ele já havia conseguido encontrar uma boa quantidade de livros raros, alguns dos mais novos tinham 1.500 anos. Eram os melhores livros de magia. Havia livros enormes os quais teve que se limitar a escolher alguns feitiços e copia-los em uma folha. Outros menores escondeu em seu quarto, enrolados na capa para que ninguém os visse. Ele passava as noites na biblioteca lendo, copiando e caçando ratos e entregando a Hyok, nome que deu ao dragão. Alguns dias bastaram para perceber que ele não poderia ser da espécie vermelha, pois não tinha asas grandes, e mesmo que fosse suas asas eram atrofiadas e seus pés também. O que fez Conrad criar a teoria de que ele provavelmente caiu do ninho, ou do seu primeiro voo; machucou as asas e se abrigou na biblioteca, tentou sair mas foi trancado pelas pessoas, ele cresceu e o teto não era alto o suficiente, seus pés acabaram deformados. De vez em quando ele furtava da cozinha um bom pedaço de carne fresca e outros alimentos. Uma vez estava lendo quando começou a sentir um cheiro de fumaça, pensou que fosse seu lampião, mas percebeu que vinham das narinas de Hyok, que em um espirro queimou em segundos uma pilha de tabuas a sua frente.

—Um dragão negro. Ou no caso branco. – Disse ele e se aproximou do dragão, tocando sua cabeça, depois descendo até seu nariz que estava frio. — Eu podia jurar que isso queimava por dentro. — Disse ao animal.

Dois dias depois decidiu que não havia nada mais pra fazer ali. Sentira falta de Hyok, mas ele sabia se virar, sobreviveu 30 anos. Se mudou definitivamente para a casa de Pavel.

—Tem certeza disso Conrad? – Perguntou Olavo.

—Absoluta Senhor, e de agora em diante vou me dedicar estritamente ao trabalho de poções. Mas não se preocupe, uma parte do dinheiro que ganhar na venda, será destinada a vocês.

—Não precisa Conrad, não morando mais em minha casa, não ha nenhuma despesa a cobrir.

—Pelos meus irmãos que ficam.

—Por que você vai embora Conrad?- Perguntava Elisa abraçada em suas pernas.

—Eu não vou embora, vou apenas morar em outra casa. Está vendo?- E apontou para o oeste onde ao longe se podia ver a humilde casa que um dia foi de Pavel.

Enquanto organizava a casa, colocando os novos livros velhos nas prateleiras percebeu que Pavel havia lhe deixado muitas duvidas a respeito do elixir. Ele segura o frasco. Fica pensando por vários minutos em Pavel, sentia muita saudade, mas não valia a pena chorar. Nesse momento ele se descuida e deixa o frasco cair e se quebrar no chão.

Após alguns minutos de desespero ele sai da cabana com medo de quebrar o resto da casa pela raiva, começou a andar sem direção até se deparar com uma floresta muito densa. Atordoado foi entrando sem prestar atenção.

—Pare agora mesmo. — Uma lança pontuda foi colocada em sua garganta por um anão.

—O que foi ai?- Perguntou uma outra voz vindo de longe.

—Um humano.

—Vamos mata-lo ou amaldiçoa-lo?

—Estou na dúvida. — E se olharam com cumplicidade.

—Ele não parece mal. — Disse o primeiro que parecia olhar por dentro de Conrad.

—Está tudo tão confuso.

—Isso me da dor de cabeça. -Disse o outro apertando a cabeça com as duas mãos.

—Vamos leva-lo à rainha.

Foram entrando cada vez mais na densa floresta que como mágica, começou a ficar clara e menos sombria. Entraram em uma clareira. Um trono gigante de Galhos e folhas se formava diante de seus olhos. Num piscar de olhos uma mulher de uma totalmente beleza diferente estava sentada ali. A Rainha das Fadas.

—Conrad?

—Ah? — Disse ele atordoado. Nenhuma magia da Grande Torre se assemelhava aquilo.

—Sente-se. — Um tronco surgiu e ele se sentou em frente à rainha. Árvores balançavam com o vento, borboletas brincavam entre si, ninfas cochichavam e riam confidentes.

—O que está fazendo aqui?

—Eu... Eu não sei.

—Você está confuso.

—Sim. É a única coisa que tenho certeza.

Ela riu.

—Sabe onde está?

—Na verdade não.

—Na Floresta dos Mil Sonhos.

—Pensei que fosse um lugar amaldiçoado. É o que a Grande Torre diz.

—Não é. Apenas não é um lugar para humanos.

—O que fazia antes que lhe deixou tão atordoado?

Então ele contou sobre o elixir e sobre Pavel. As folhas do trono da Rainha murcharam até ficarem secas e cinzentas.

—Ele não tinha o direito de se apossar de minhas escrituras. — Censurou ela.

—Ele não foi o primeiro. Malquerô o Grande Mago o roubou pela primeira vez.

—Roubada por um humano. Nunca me perdoarei por isso. Mas é verdade que ele utilizou de magia negra para entrar aqui. O que me preocupa por que ela só deveria ser usada pelos habitantes das cavernas.

—Tem cavernas aqui?

—Esse lugar é maior que os quatro reinos juntos. Eu fui rápida para proteger os verdadeiros donos desse lugar. E protegi esse bom pedaço da floresta. Todos vivem aqui, exceto os dragões.

—São um problema para nós.

—Se eu os protegesse aqui dentro já não haveria ilha para ninguém. Eles assustam intrusos.

—Controlam toda a magia que temos lá fora?

—Os Deuses pelos quais vocês rezam estão todos aqui. Eles ensinaram aos humanos como lidar com ela.

Ele estava encantado com tudo daquele bosque e seria um sonho conhecer o resto. Mas lembrou que precisava pedir uma favor para a rainha. Tomou coragem por um tempo, decidiu as palavras e falou:

—Não posso ter acesso a formula do elixir eterno? Eu preciso dela.

—Não, não pode. — Ela estava horrorizada com a pergunta.

—Lá fora tem um rei cruel e nós precisamos tira-lo do trono. Ele bebeu o elixir, se eu conseguir a fórmula só assim terei o possível antídoto.

—Seu amigo Pavel escreveu em algum lugar. Ache e faça errado para fazer certo.

—Como assim? Uso ingredientes diferentes? Ponho na ordem errada? Explique-me.

—Já disse demais. Pode ir agora.

E quando percebeu estava na entrada da floresta. Tocou em seu corpo para ter certeza que estava inteiro.

Voltou para casa confuso, pensando na conversa com a fada rainha. Daquele dia em diante dedicou todo o seu tempo a procurar o papel que continha as anotações. Seria um trabalho detalhado e cansativo. A cabana não era grande, muito pelo contrario, mas continha uma quantia enorme de livros. Não existiam paredes visíveis, apenas prateleiras intermináveis de livros.