Notas iniciais
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Ali de frente a porta principal vários outros novatos esperavam as ordens de Salém (o maior entre os escritores aquele que tinha criado apenas um mundo, mas tão complexo que poderia ser dividido em milhares de outros, sua escrita tão detalhada que simplesmente fazia com que leitores virassem personagens ao terminar da quinta página), Kai sabia que iriam esperar o dia todo ali de frente a porta, ao redor não havia nada de especial a estrada parecia mais uma gruta a qual tinha outra porta menor a qual já conhecia, iria se aproveitar do tempinho para encontrar algum veterano qualquer um que o ajudasse a criar uma bom texto, estava decidido a ofertar primeiro antes de realizar a prova, não queria fracassar novamente, havia se preparado muito para aquele momento mas, por algum motivo na hora do exame suas ideias travavam e não conseguia criar nem mesmo algo simples ou o velho clichê, quando foi um cordão de ouro, foi declarado o melhor de sua província por dar personalidade a cada personagens até mesmo os de segundo plano, tinha um amor especial pela história individual, odiava drama preferia histórias de superação onde o herói aprende sem sofrer. Entretanto foi perdendo a facilidade de criação, seus personagens não mais surgiam e as histórias ficaram estagnadas, já havia tentado cinco vezes e a cada vez caindo de hierarquia cordão de ouro, prata, bronze, platina e aço o próximo seria o de escarlate a vergonha entre os escritores, o considerado “piores” aqueles que não eram dignos de criar mundos, trabalhando como co autores, apenas revisor (espécie de conselheiro que ajuda o autor a criar), ou como personagens de histórias em primeira pessoa, ele não desejava isso para si seria o mesmo de ser preso no paraíso sem hesitar entrou pela portinha descendo uma escada em caracol que deu saída para o pomar lá muitos veteranos estavam escrevendo suas histórias.

Verônica Ventura ou duplo V, estava em seu décimo livro, buscava um novo personagem que aceitasse viver histórias “fora dos padrões”, ela que ficará conhecida como “a marca do sangue”, seu primeiro livro e consequentemente primeiro mundo, era como o nome já indicava uma história cheia de dor e agonia, a autora buscava descrever ambientes melancólicos ao som de um piano e regados de mistérios.

Uma garota gordinha apaixonada pelo estilo gótico de ser, seus olhos de um cinza tempestade, cabelos negros e pele quase translúcida ,usava sua túnica negra com seu cordão amarrado a cintura, sentada embaixo de uma árvore próximo a escada da porta principal viu um jovem magro e ruivo, bem não era o que esperava queria alguém mais forte e com cara de mau o rapaz parecia ingênuo e a julgar pelo cordão um sem sorte teria de trabalhar muito no personagem começando por não se mostrar interessada em ajudar fingiu continuar a escrever enquanto observava o rapaz tentar a “sorte” estava claro que os demais cordões de ouro não o aceitariam, os de prata e bronze estavam com o senhor Salém trabalhando as técnicas de profundidade algo que iria demorar, os de aço não poderiam optar. O exame iria começar às 16h e eram 14h fazia um belo sol, céu sem nuvens, era lógico que o rapaz iria aceitar suas condições ninguém ali parecia inspirado a fazer um clichê nerd vs popular, médico e o monstro ou qualquer outra história onde existe um rapaz do perfil dele, escondendo sorrisos e abafando risadas Verônica vê o rapaz levar diversos tipos de não, o desculpe eu realmente não quero, o eu tenho dó mas não, o até que poderia se não fosse assim tão feinho, o não mesmo mas, o que a fez realmente ri foi o não com o olhar, a cena uma moça de túnica rosa (escritora de fluffy daqueles bem grudento), sentada na mesa ao lado de um escritor de ação ao verem o jovem olham juntos de forma a dizer nem vem, o ruivo faz cara de choro, mas suporta fechando com toda a força a mão e sai de perto,

Se passou mais de uma hora para que Kai resolvesse tentar a moça de preto, sábia pela túnica que era o seu oposto que odiaria as histórias e que certamente iria virar um “escravo”, a “marca de sangue” a autora que queria evitar, todavia respirou fundo disse a si mesmo é melhor do que ser um escarlate, pelo menos não seria condenado a ser uma simples sombra por trás de um autor qualquer.

— Com licença meu nome é Kai e…

— e ?

— Acredito que posso ser útil para a sua história... De alguma forma... Venho propor um acordo, eu a ajudarei por um ano em troca irá ajudar a criar um texto por uma hora.

— está assim tão desesperado (respondeu com o olhar fixo no livro negro em suas mãos).

— Sim estou, desejo mais que tudo ser um escritor (ele se abaixa e olhando nos olhos de Veronica continua), Por favor Verônica não sou um fã seu porém, sei que precisa de um personagem.

— reconheceu, que fofo! (fazendo descaso), não estou interessada.

— Seu primeiro livro a Marca de sangue possui um excelente personagem, não compreendi o motivo de tê-lo matado no final, outros leitores ficaram um pouco revoltados com isso até hoje, antes de embarcar fiz uma breve pesquisa, está atrasada com o décimo mundo e ainda não deu “vida” a nenhum de seus mundos são apenas dimensões.

ela se levantou. Passou a mão pela túnica se limpando da terra, olhou no rosto do rapaz e disse um “tem razão” desinteressado digno de um Oscar.

— Dois anos !

— três e irá aceitar qualquer história.

— só se eu poder evitar a minha própria morte, sem ressuscitação, sem torturas ou qualquer outra forma de sofrer (disse enumerando com os dedos cada item).

Verônica parou um pouco e pensou se realmente estava assim tão desesperada por um personagem, o rapaz era sim ingênuo e sonhador, porém tinha um olhar aquele olhar dizia que não iria acertar qualquer coisa nem iria se sujeitar a suas vontades mesmo que aceitasse naquele momento.

— Bem prazer em conhecê-lo Kai (disse continuando a caminhar, sua tática causou o efeito certo no rapaz que se ajoelhou e implorou).

—Verônica, eu realmente quero ser como você um escritor, só acredito que pega pesado em seus dramas, isso afasta seus leitores e seus personagens sofrem por nada só para satisfazer seus desejos (a moça o observa ), parece que não tem amor por eles (era claro que Verônica amava seus personagens, ela só gostava do tipo de escrita do amor impossível aquele que o casal troca a vida pela eternidade juntos, um significado muito mais forte para ela), por favor (disse já chorando), sabe que precisa de um coautor…

— Será o personagem em primeira pessoa, irá escolher os caminhos mas, o resto serei eu a escrever, três anos e será livre.

— aceito

ela estendeu a mão para kai que fechou o contrato com um aperto de mãos, Verônica então disse as palavras de selamento de Elo personagem e autor.

A partir de agora somos autor e personagem

celebraremos neste ato simples nossa união

do início ao final, eu como autora darei os caminhos

e Kai como personagem escolherá o que achar melhor

Eu autora darei desafios, amores amizades e qualquer item ou condições

O personagem tem o livre arbítrio para escolher

O livro negro brilhou

— Pronto, agora vamos ao seu texto...

Verônica ajudou Kai com o texto e por fim disse:

—Toda a vez que eu começar a escrever neste livro irá viver as histórias por isso, já o aviso escrevo somente a noite no horário das 00:00 as 04:00 e posso escrever também as 15:00 até as 18:00 mas, são raros os momentos de inspiração nesse horário.

— Claro, vou oferecer meu texto agora, obrigado

—Não quer tentar fazer a prova?

—Acho melhor não (ele disse triste)

— sabe que será banido se não for aceito (ela disse sentindo algo pelo rapaz)

— Eu sei mesmo assim quero tentar.

ela se despede com um aceno de cabeça e ele retribui com um sorriso, com passos firmes volta para o porta principal, lá ler o texto …

Notas finais
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