A Ilha da Sereia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
As ondas batiam violentamente nas rochas e corais que cercavam nas areias finas e brancas daquela paradisíaca ilha à qual os marinheiros da Señora, uma leve e ágil nau rumavam . Uma tempestade havia se formado nas últimas horas, e o vento castigava a rosto comum aos espanhóis do jovem Julián, um adolescente buscando riquezas e uma vida melhor para sua família, e sua namorada secreta, Carmelita. Só de pensar nos cabelos loiros cacheados, a pele salpicada de sardas e os lábios vermelhos, Julián se distraiu do movimento furioso do mar, e um jato de água salgada e fria jorrou sobre ele.
Desperto, correu para ajudar os colegas a ajeitar o barco. Horas de exaustão se abatiam na tripulação, e uma terrível onda, de mais de 6 metros, varreu o barco. A sensação de sufocamento que Julián sentia era tão cruel e devastadora, e tudo o que ele podia fazer era esperar que aquilo acabasse. Era tão ruim ser jogado para lá e para cá como a uma folha ao vento.
Por fim acabou. Não do jeito que ele imaginava: ele apenas perdera a consciência, mas Julián era arrastado perigosamente em direção às pedras, sempre no último momento conseguindo escapar.
Depois de quase morrer, Julián tinha ido parar na ilha tão cobiçada, que tinha a promessa de riquezas. A areia sujava suas roupas. Ele tossiu, vomitou e sentiu uma enorme fraqueza. Quando viu os coqueiros dourados e as flores brilhates como diamantes, se localizou. Era Esmeralda del Oeste.
O jovem marinheiro se arrastou para a sombra de um coqueiro. Lá se sentiu revigorado. Quando descansou o suficiente, ele se levantou e, em passos cambaleantes, adentrou a preciosa floresta.
“Água,” murmurou, “água.”
Como que se a ilha tivesse lido seus pensamentos, logo avistou uma lagoa cristalina, com fundo de pedras...preciosas. Rubis, esmeraldas, safiras, topázios. Extasiado, correu até ela e deu longos goles. Parecia o néctar dos deuses, levemente adocicado e delicioso. Ele tirou a camisa rasgada e mergulhou. A água parecia massageá-lo, e pequenos peixes com olhos também feitos de jóias fizeram cócegas nos seus pés
Subitamente, uma movimentação na água chamou-lhe a atenção. Uma figura esbelta e curvilínea surgiu das profundezas, com charme e balançado sedutores.
Cabelos negros e uma pele delicadamente bronzeada deixavam a figura ainda mais atraente. Ela tinha um olhar voraz e provocativo, e suas íris mudavam de cor conforme ela se movimentava. Mas o mais interessante e peculiar era a cauda esverdeada e sinuosa, coberta por escamas que remetiam à esmeraldas. Ela estava nua, os seios cobertos por casuais mechas negras.
Maravilhado, momentaneamente esqueceu-se das desventuras pelas quais havia passado.
A mulher-peixe, com uma voz um pouco baixa, disse, de um jeito sexy e com leve sotaque:
“Bem-vindo à minha ilha, marujo.” Os olhos da sereia faíscaram. Ela nadou suavemente, rebolando um pouco. Se aproximou de Julián e tocou o rosto recém lavado do jovem. Carmelita era uma bela moça, sim, mas não se comparava àquela figura misteriosa.
“O-olá.” Julián falou, trêmulo. Ela era tão bela... “Quem é você?”
“Meu nome há muito se perdeu no tempo. Me chame do que quiser.”
“Posso chamá-la de...Esmeralda?”
“Do que quiser, meu rei.” Hipnotizado pela sereia, fitava. A moça mergulhou e voltou com uma tiara de ouro adornada com diamantes, e pôs na cabeça de Julián, entre os cabelos loiros bagunçados.
A sereia ia e voltava trazendo frutas maravilhosas e afrodisíacas, tratos para o garoto e até uma capa de folhas.
Ela se sentou ao lado dele, e inclinou o rosto ferozmente bonito. Eles se beijaram, e então o feitiço estava selado, e feito. Num ritmo apaixonado aos olhos de Julián. Ele nunca esqueceria aquele dia, o dia em que estava sujeito ao feitiço da sereia. Apesar disso, tiveram momentos de prazer no paraíso de Pedra del Oeste. Era uma experiência que poucos tinha a oportunidade de ter, e a raridade da coisa era o que a tornava especial para ele.
Os dias se passavam e Julián lembrava-se cada vez menos de Carmelita e o resto do mundo e dava cada vez mais valor à companhia da sedutora Esmeralda. Ela mimava Julián lhe dava tudo o que , poderia oferecer: jóias, frutas, diversão. Ele ficou na Ilha por semanas. Até que o feitiço agiu. Naquela noite de lua cheia, casualmente sentada numa enorme safira, Esmeralda penteava os longos cabelos. Ele nadou, como no primeiro dia, extasiado, até a sua musa. Sentando-se ao lado dela, se inclinou para beijá-la, mas ela desviou pela primeira vez o rosto.
Esmeralda ergueu a face de seu consorte, e dando um sorriso cruel e exibindo novos dentes afiados e branquíssimos, mordeu o pescoço dele.
“Seu idiota” ela sibilou, “são todos iguais, deixam tudo por alguns momentos de diversão e luxo. Merecem a morte.”
E mordia-o, perfurando a carne macia curada pela águas místicas da Ilha. Ela o devorou, apenas nesse momento que ela sentia prazer. Pegou o crânio do destroçado Julián e fincou-o na safira, que havia se formado a partir dos crânios dos iludidos homens que se apaixonavam por Esmeralda.
E esse era o fim de todos que iam parar na Ilha, que mais tarde deixou de ser chamada de Pedra del Oeste para ganhar um nomes mais apropriado: Ilha da Sereia.
Não importa o quanto mascarassem, contassem as belezas que lá haviam: encontrá-la significava perdição.
E nada mais.
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