A Ilha
12 Clima nada tropical

Taehyung seguia à frente, emburrado. Não queria que Yoongi tivesse vindo, ainda mais com o pé machucado, mas o baixinho era teimoso como uma mula.
Irritado ou não, ia abrindo caminho com cuidado, empurrando galhos e afastando folhas para que Yoongi não tivesse dificuldades. O gesto fez Yoongi rir baixinho. Por mais que resmungasse, Taehyung não conseguia evitar de cuidar dele, mesmo que nunca admitisse isso em voz alta.
— Ele não deve ter ido tão longe — comentou Yoongi, atento aos arredores.
— Tem pegadas aqui — disse Taehyung, se agachando para analisá-las. O olhar brilhou com satisfação. — Acha mesmo que conseguiria fugir sem deixar rastros?
Mas o que ele não sabia é que Jimin tinha feito aquilo de propósito. Pegadas falsas, como num jogo de esconde-esconde. Eles estavam seguindo na direção errada.
Continuaram a trilha em silêncio. Taehyung sempre lançava olhares rápidos para trás, conferindo se Yoongi estava bem, mesmo sem dizer uma palavra.
— Quer descansar um pouco? — perguntou, tentando soar indiferente.
— Não, estou bem — Yoongi respondeu com um sorriso. — Podemos continuar, quero voltar antes do anoitecer.
Taehyung assentiu e tirou a garrafinha da mochila.
— Beba um pouco de água — disse, estendendo-a.
— Obrigado — Yoongi respondeu, pegando a garrafa.
No instante em que seus dedos se tocaram, uma faísca invisível percorreu Taehyung. Ele recuou como se tivesse levado um choque, e a garrafa escapou de suas mãos, caindo no chão com um baque seco.
Yoongi, sem entender, abaixou-se para pegá-la de volta.
Taehyung virou o rosto, fingindo observar uma árvore qualquer. Sentia as bochechas queimando. Não era a primeira vez que aquele toque acidental fazia seu coração acelerar.
Yoongi bebeu um gole de água e, com um leve sorriso, tocou o braço de Taehyung com delicadeza.
— Bebe um pouco também, Tae.
Taehyung pegou a garrafa sem dizer nada, evitando seu olhar. Deu um gole rápido.
— Isso foi um beijo indireto — Yoongi comentou com uma risadinha sapeca.
Taehyung engasgou no mesmo instante.
— B-beijo indireto?
— É — Yoongi respondeu, divertido — Eu bebi primeiro, aí você bebeu logo em seguida. Sua boca tocou onde a minha tocou.
— Que b-bobagem... — resmungou Taehyung, mas seu coração estava batendo tão rápido que quase fez um barulho alto. Como se não bastasse, o beijo que ele tanto tentava esquecer voltou vívido à mente. Sem perceber, seus olhos foram parar na boca de Yoongi. E, num pânico súbito, ele sacudiu a cabeça e murmurou para si mesmo: “Ele é homem. Ele é homem.”
Yoongi riu alto do desespero mal disfarçado de Taehyung.
Ele entendia. Entendia bem demais o medo que Taehyung tinha. Conhecia sua família, seus valores, e lembrava dos tempos em que ainda eram só amigos, quando Yoongi era presença constante na casa dos Kim e os pais de Taehyung o tratavam como um segundo filho. Claro, isso só era possível porque acreditavam que nada mais havia entre eles.
Yoongi sabia que se aquele beijo viesse à tona, tudo mudaria. Por isso, nunca forçava nada. Não fazia cobranças. Queria que Taehyung viesse até ele por vontade própria, no tempo dele.
— Vamos, amigo... — disse com um sorriso leve, passando a mão suavemente nas costas de Taehyung. — Vamos procurar aquele bundudo fugitivo.
Taehyung se afastou como se tivesse levado um choque. Enfiou a garrafinha na mochila e saiu andando na frente, apressado.
— V-vamos logo — disse, a voz embargada tentando soar firme.
Yoongi ficou parado por um segundo, observando o amigo fugir dele como o diabo foge da cruz.
Mas o sorriso no rosto de Yoongi dizia tudo: ele não desistiria fácil.
Andaram por mais uma hora, mas os rastros de Jimin haviam sumido por completo. Taehyung finalmente percebeu que tinha sido enganado outra vez.
Por mais que quisesse jogar tudo pro alto e deixar Jimin se virar, a preocupação falava mais alto. Ele era um prisioneiro, sim, mas também era alguém vulnerável vagando sozinho numa floresta desconhecida. O que trazia algum alívio era saber que aquele tipo de ambiente era como um lar para Jimin. Ele já havia explorado muitas florestas. Sabia se virar. Sabia sobreviver. Só precisava torcer para que nenhuma criatura estranha cruzasse o caminho dele.
Perdido nesses pensamentos, Taehyung se virou bruscamente e assustou Yoongi, que tropeçou em uma raiz mal posicionada no chão.
— Cuidado! — Taehyung reagiu rápido, puxando Yoongi antes que ele caísse no chão de terra.
E então o mundo parou por um segundo.
Yoongi estava com os braços ao redor do pescoço de Taehyung, o rosto a centímetros do dele. Taehyung o segurava pela cintura. Era ridículo o quanto aquilo parecia uma cena de romance clichê.
Mas nada ali era engraçado para ele. Taehyung não conseguia desviar os olhos. O olhar de Yoongi era calmo. Quente. Quase um convite.
Taehyung sentia o cheiro dele. O calor do corpo. O toque firme das mãos em seu pescoço. Estava preso ali, como uma mariposa girando em volta da luz, hipnotizado.
E quando seus olhos caíram na boca de Yoongi, foi como levar um soco no peito. Lembrou do gosto, da maciez, da confusão. Engoliu em seco, não por sede, mas por desejo. Queria beijá-lo de novo. Queria sentir de novo.
Mas a voz da sua criação veio em um sussurro cruel:
“Isso é errado.”
“Isso é anormal.”
“Você não pode querer isso.”
Taehyung travou. Ficou ali, no meio da própria guerra interna, dividido entre o que queria e o que aprendeu que deveria evitar. O coração batia alto, os dedos tremiam contra a roupa de Yoongi, e seu rosto estava quente de vergonha, medo e desejo.
Yoongi ainda não tinha se afastado. E não dizia nada. Estava apenas esperando.
Quando pensou em se afastar, Yoongi o segurou com firmeza, mas sem violência e, num impulso que parecia tão inevitável quanto a gravidade, puxou sua cabeça para mais perto. Seus lábios se encontraram de novo.
Yoongi o beijou. E, mais uma vez, Taehyung cedeu. O mundo desapareceu.
Não havia floresta.
Não havia ilha.
Não havia regras, nem medo, nem passado.
A mente de Taehyung se esvaziou, como se o beijo apagasse tudo o que o prendia. Ele só sentia, e o que sentia era bom demais para ser negado. Os lábios de Yoongi eram suaves e quentes, molhados e urgentes. O toque, o cheiro, o encaixe. Tudo nele era tão familiar e tão novo ao mesmo tempo. Como se o corpo de Yoongi tivesse sido feito sob medida para caber no seu.
Por alguns segundos, Taehyung esqueceu de quem era. Ou melhor: lembrou do que poderia ser.
Porque ali, naquela entrega, não importava se Yoongi era homem. Não importava se ele próprio era gay ou não. Importava apenas o desejo. O calor. A paz momentânea. A certeza de que aquele beijo era certo no coração, mesmo que o mundo inteiro gritasse que era errado.
Mas foi justamente essa palavra que se infiltrou, sussurrando venenosa:
Errado.
Como se fosse cortado por uma lâmina fria, o corpo de Taehyung estremeceu e, sem pensar, ele se afastou bruscamente.
Virou de costas, respirando com dificuldade, os lábios ainda trêmulos, o coração descompassado.
— Tae... — Yoongi chamou baixinho, quase um sopro.
Taehyung não respondeu. Fechou os olhos, tentando sufocar a avalanche de sentimentos que o engolia. Sentia vontade de chorar, de gritar, de se esconder, e ao mesmo tempo, queria voltar para os braços de Yoongi, beijá-lo até o mundo acabar.
Mas ficou parado.
Preso entre dois abismos.
— Tae… — Yoongi tocou de leve seu ombro, com dedos hesitantes.
— Não encosta em mim — Taehyung cortou, seco, se afastando como se o toque queimasse.
Yoongi recuou, confuso, ferido.
— Me desculpa… é que… a gente se beijou e…
— Yoongi. — Taehyung o interrompeu, ainda de costas, a voz dura, mas embargada — Isso foi um erro. Não fale sobre isso. Não aconteceu e não vai acontecer de novo.
— Tae… não foi um erro. Foi real. Foi bonito. A gente tá sozinho nessa ilha, somos solteiros… eu quis, você também quis…
— EU NÃO QUIS! — gritou, e sua voz ecoou entre as árvores. — Eu vou me casar com uma mulher, vou ter filhos. Uma família normal! Eu não sou gay.
A última frase saiu num sussurro, quase suplicante. Não para Yoongi, para si mesmo.
Yoongi ficou em silêncio por um instante. Então murmurou com amargura:
— Uma família normal… certo.
Ele não insistiu. Apenas respirou fundo, como se engolisse o próprio coração.
— Tudo bem, Taehyung. Vamos esquecer.
Mas Taehyung não conseguia. Ficou ali, parado, com a raiva latejando no peito, as mãos trêmulas. Se odiava por ter gostado. Odiava Yoongi por ter despertado algo que ele lutou tanto para reprimir. Odiava o próprio corpo por desejar. Odiava o mundo por fazer isso parecer errado.
Mas, mais do que tudo, odiava o fato de que, no fundo, ele queria sim. Queria Yoongi. Queria poder construir a tal “família perfeita” com ele. E isso o destruía por dentro.
…
Hoseok notou o clima estranho entre Taehyung e Yoongi. No geral, Taehyung era sempre carrancudo e evitava qualquer conversa direta com Yoongi, mal olhava para ele. Mas, ainda assim, estava sempre cuidando dele discretamente, achando que ninguém percebia. Colocava Yoongi num pedestal sem perceber.
Naquela noite, porém, algo estava diferente. O ar entre eles estava mais denso. Mesmo Yoongi, que costumava estar sempre sorridente, animado e disposto a ajudar, estava de mau humor. Desde que voltaram da floresta, após a busca frustrada pelo fugitivo Park Jimin, os dois pareciam ainda mais distantes, ou próximos demais de uma forma desconfortável.
— Olá, ruivo bonito — Jin apareceu com um sorriso galante e se sentou ao lado de Hoseok. — Você vem sempre aqui?
— Só quando você está — Hoseok entrou na brincadeira, rindo.
Jin sorriu e acariciou o braço dele com carinho.
— Como você está, Hobi? Está bem? O Adam tem se aproximado de você?
— Estou bem. Desde que o Mingi enfrentou ele, não veio mais falar comigo. Claro que ainda me lança aqueles olhares nada amigáveis.
— Não se preocupe, ele não vai ter coragem de se meter como você de novo. E o Mingi?
— Foi tomar banho, já deve estar voltando.
— Hum… vocês estão se dando bem, hein? — Jin soltou um sorrisinho malicioso.
— Ele é só meu amigo, Jin. E, convenhamos… ele é super culto e inteligente. Eu… o máximo de cultura que tenho são memes do Twitter.
— Que também é cultura — Jin rebateu, rindo. — Além disso, Mingi gosta de você. Viu como ele partiu pra cima do Adam? Foi por você.
— Jin, para de criar fanfics aí dentro dessa sua cabeça. O Mingi faria isso por qualquer um.
— Mas e aqueles olhares e sorrisos bobos? Eles são só pra você — disse Jin, com um brilho de satisfação no olhar.
— Você gosta dessas coisas, né?
— Sou noventa e nove por cento médico e sério… mas aquele um por cento… é fujoshi assumido.
Hoseok soltou uma gargalhada, balançando a cabeça, e por um breve instante esqueceu os pesos que carregava.
— Obrigado por me ajudar, Jin.
— Somos amigos de queda de avião agora — Jin sorriu. — Isso é especial, é pra vida toda.
Ele deu uma risada leve, respirou fundo para sentir o ar puro da noite e, num gesto sereno, segurou a mão de Hoseok.
— Hobi, nós vamos te proteger. Aqui e quando sairmos daqui também. Você pode se mudar com sua mãe para um lugar mais seguro. Eu posso te ajudar a arrumar outro emprego, um recomeço. Faço o que for preciso pra te tirar desse relacionamento abusivo. Você não precisa mais viver com medo.
— Obrigado, Jin… isso significa muito pra mim — respondeu Hoseok com a voz embargada. — Só espero que a gente consiga sair daqui. A cada dia que passa, parece que nossa antiga vida vira só um borrão. Já vai fazer uma semana, e nenhum sinal de resgate. A gente nem sabe onde está.
— Ei — Jin apertou a mão dele — Não perca a esperança. Nós vamos sobreviver a isso. Vamos achar um jeito de voltar pra casa. Eu prometo.
— Vou tentar pensar positivo — Hoseok forçou um sorriso. Não que acreditasse de verdade, mas não queria desanimar Jin e os outros.
O sorriso, porém, desapareceu assim que Adam apareceu.
— Precisamos conversar — disse ele, com frieza.
— Não tenho nada pra falar com você — Hoseok respondeu, tentando não recuar.
— Tem sim. Eu paguei por você. Você é meu.
Jin se levantou num pulo, a expressão endurecida.
— Ele não é seu. Nem de ninguém. Vá pro seu canto, Adam, e deixe Hoseok em paz. Não precisamos de mais discórdias aqui.
— E quem é você pra falar por ele? — Adam retrucou, se aproximando.
— Sou amigo dele. Por quê? Vai fazer o quê? — Jin cruzou os braços e estufou o peito, firme. Se tinha uma coisa que o deixava fora de si era macho escroto achando que tinha posse sobre alguém.
— Vai me peitar? — Adam riu com escárnio. — Sério mesmo?
— Vou sim. Acha que eu tenho medo de você?
— Deveria!
Adam ergueu o punho para socar Jin, ele fechou os olhos mas o golpe não veio. Quando Jin abriu os olhos, Namjoon segurava firmemente o braço de Adam, o olhar duro como pedra.
— Você realmente cogitou a ideia de encostar no meu marido? — disse Namjoon, com a voz grave e os olhos ardendo de raiva.
— Não se mete nisso, seu babaca — rosnou Adam, tentando se soltar, mas Namjoon era mais forte e estava movido pela fúria.
Num movimento rápido, Namjoon torceu o braço de Adam e o empurrou com força contra o chão.
— Some daqui. Se ousar encostar no meu marido ou em qualquer outra pessoa de novo, eu mesmo vou torcer seu pescoço, seu piloto de merda.
Adam se levantou cambaleando, assustado. Já era a segunda vez que apanhava de forma vergonhosa, e dessa vez, diante de testemunhas. Saiu correndo com o rabo entre as pernas.
Namjoon se virou para Jin, o olhar suavizado, a respiração ainda acelerada.
— Jin… — chamou, um pouco tímido — Você... está bem?
— Estou sim. Obrigado — Jin respondeu, com um sorrisinho contido.
"Ele acabou de me defender? Ele… ele se importa?" — pensou Jin, sentindo uma onda de calor subir até seu rosto. Era como se voltasse no tempo, à época em que se conheceram. Como adolescentes apaixonados de novo.
— Se precisar de qualquer coisa... me chama, tá? Estou ali perto.
Namjoon se afastou rápido, com as orelhas coradas. Hoseok caiu na gargalhada.
— Tá rindo de quê? — Jin perguntou, emburrado.
— Vocês são mesmo casados?
— Há dez anos, tá?
— O jeitinho que ele te olhou parecia um garotinho apaixonado. Fofo demais.
— Você acha mesmo? — Jin sentiu as bochechas queimarem. Sentia-se ridículo, um homem feito, envergonhado do próprio marido.
— Acho. Mas por que isso te surpreende?
— Antes de tudo isso acontecer, a gente não estava bem. Quase não conversávamos mais.
— Mas eu ouvi que vocês estavam numa viagem de lua de mel, comemorando dez anos de casamento. Isso me parece bom.
— Nem tudo é o que parece — Jin suspirou. — Bom... já que você me contou sua história, acho justo te contar a minha. Afinal, temos tempo de sobra nessa ilha maluca.
— Me conta, me conta! — Hoseok se ajeitou, animado como uma criança prestes a ouvir um conto antes de dormir.
…
Mingi se aproximou sorridente ao ver Jin e Hoseok rindo alto. Gostava de ver Hoseok mais leve, finalmente conseguindo relaxar agora que não precisava se preocupar com o piloto idiota.
— Cheguei! — anunciou com um sorriso largo.
— O assunto chegou — brincou Jin, arqueando uma sobrancelha.
— Hum… estavam falando de mim? — Mingi perguntou, entrando na onda.
— Estávamos! — Jin respondeu antes que Hoseok pudesse abrir a boca.
— Estávamos?! — Hoseok o encarou incrédulo.
— Claro. Você disse pra mim que ia pedir pra ele dormir com você, já que está com medo de dormir sozinho — Jin segurou o riso, tentando parecer sério.
— Quando foi que eu disse isso, Jin? — Hoseok sibilou, fulminando o amigo com o olhar.
— Ainda agorinha. Mingi, ele é tímido, então não vai te pedir isso direto.
Mingi riu da situação, olhando Hoseok com um brilho divertido nos olhos.
— Sem problemas. Eu durmo com ele. Inclusive, ia perguntar isso mesmo — falou de forma casual, mas com um fundo de carinho sincero.
— Ótimo. Cuide bem dele. Eu vou lá com o Nam — Jin se levantou, satisfeito com seu trabalho de cupido improvisado. — Boa noite, queridos.
— Boa noite, Jin — os dois responderam em uníssono.
Mingi se sentou ao lado de Hoseok e o olhou de canto, tímido. Hoseok também se sentia um pouco constrangido. Achava engraçado aquilo, logo ele, que aprendera a apagar a timidez em função do trabalho, agora se sentia adolescente de novo.
— Tudo bem? — Mingi perguntou, só para quebrar o silêncio.
— Tudo ótimo. E você?
— Bem também. Eu posso dormir aqui com você? Assim o Adam não aparece pra te importunar.
— Por mim tudo bem — respondeu Hoseok com um sorriso discreto.
Mingi abriu a entrada da cabana improvisada feita com folhas de bananeira e o chamou com um aceno de cabeça. Hoseok entrou e se sentou ao lado dele.
— Pode deitar a cabeça no meu colo, se quiser. É mais confortável.
— Não vai te incomodar?
— De forma alguma. Não estou com sono ainda, vou ler um pouco.
— O que vai ler?
— O Mundo Perdido. Combina com a situação, não acha?
— Sobre o que é?
— Um grupo de cientistas que vai pra uma floresta inóspita atrás de dinossauros.
Hoseok riu com gosto.
— Será que tem dinossauros aqui?
— Acho improvável, mas… considerando que essa ilha não existe em mapa nenhum, não duvido mais de nada.
— Vai ver estamos numa outra dimensão — disse Hoseok, pensativo.
Dessa vez foi Mingi quem riu.
— Não vou excluir nenhuma possibilidade.
— Eu sei do que tô falando — Hoseok riu junto, e então completou, um pouco mais hesitante — Mingi… seria muito incômodo se eu pedisse pra você ler em voz alta?
— Claro que não. Não sabia que se interessava por dinossauros.
— Eu me interesso por…
"Você." — pensou Hoseok, mas não disse. Só deu um sorriso torto e concluiu:
— …livros. E esse parece interessante.
— E é mesmo — disse Mingi, ajeitando-se e encostando as costas no tronco da árvore. Ele abriu o livro com cuidado, posicionando-o à luz da tocha acesa ali perto, e começou a ler.
Hoseok repousou a cabeça no colo de Mingi, os olhos fixos em seu rosto, sem prestar tanta atenção nas palavras. À luz da tocha e da lua, Mingi parecia ainda mais bonito. Tinha um jeito calmo e seguro que fazia Hoseok querer ficar ali para sempre.
Do outro lado do acampamento, Adam observava a cena. Seus olhos queimavam de ódio. Acreditava que Hoseok era dele, e aquele maldito Mingi estava o roubando. Mas não por muito tempo. Ele daria um jeito. Hoseok precisava lembrar a quem ele pertencia.
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