A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
43 Capítulo 42
Notas iniciais
—Valeu por me trazer, Phil!
Ele tinha sido mais uma vez legal comigo e isso contava muito pra eu ir aceitando-o cada vez.
—Não tem de quê, Gil. Aproveita a festa pra se divertir com a sua namorada, viu?!
—Pode deixar.
Desci do carro e segui em direção à casa. O que encontrei ao estar lá dentro foi muita gente, música alta, bebida rolando solta. Gente dançando, bebendo e alguns casais se pegando ali na sala da casa. Eu não conseguia enxergar Sara no meio daquele povo todo.
—Perdido, gato?
Me virei pra encontrar uma loira muito bonita parada atrás de mim.
—Na verdade, eu tô procurando minha namorada.
—Ah, o gatinho tem dona é?! Que pena!... Olha... se não encontrar a tua namorada, eu tô aqui, viu?! Eu só me procurar na festa!
A garota piscou pra mim e deslizou a mão pelo meu peito, pra logo em seguida ir embora me deixando todo sem graça por conta do que disse e fez.
—Grissom?
Olhei para o lado para ver quem me chamava e vi que era May.
—Oi! — Saudei-a em um tom elevado de voz pra ela me ouvir direito já que o barulho ali estava alto.
—O que faz aqui? Sara disse que você não vinha.
—Pois é, mas mudei de ideia.
—Quem é esse cara, May?
Um sujeito forte surgido não sei de onde perguntou isso cheio de marra.
—É o namorado da Sara, amor. — A prima de Sara explicou ao sujeito que interrompeu nossa conversa e me encarava com cara de poucos amigos. Ao saber quem eu era, o cara logo suavizou sua expressão. Acho que ele pensou que eu fosse algum engraçadinho dando em cima da namorada dele. _Como sabia onde era a festa?
—Mandei um SMS pra sua irmã e ela me passou o endereço daqui. Onde é que tá a Sara? Eu não a encontro por aqui.
—Ih, ela tá no quintal com a Leslie, o Daniel e o Justin. Eles foram ainda pouco pra lá pegar um ar. Vai direto aqui que você chega lá.
—Valeu!
Agradeci e segui a direção que ela me apontou. Passei pela cozinha da casa e logo já chegava ao quintal. O lugar assim como a sala da casa também tava cheio de gente. Que ótimo May esqueceu de me avisar isso!
Ainda bem que não custou quase nada pra eu enxergar Sara, Leslie e apenas um dos caras mencionados por May. Cadê o outro? Esse outro devia ser bem o que tava grudado na Sara nas fotos. Pelo visto ele não estava ali. Menos mal!
Sara, Leslie e o sujeito que deduzi ser o namorado da prima da minha hóspede insuportável, já que Leslie estava sentada no colo dele, se encontravam do lado oposto ao que eu me encontrava, perto da cerca e do bar montado improvisadamente ali ao lado.
Dei a volta e fui em direção à eles, tomando o devido cuidado de não deixar que Sara me visse. Quando faltava pouco pra chegar nela, Leslie me viu e eu fiz sinal pra ela não esboçar qualquer reação pra Sara não se virar e ver que eu estava ali.
Caminhei o resto que faltava até Sara e logo me encontrava atrás dela.
—Quer dançar comigo? — Perguntei bem próximo do ouvido de Sara e ela imediatamente deu um pulo de susto da cadeira e se virou pra mim.
—Grissom??
—Oi!! — Sorri pra ela que parecia assustada e descrente de que eu estava ali.
—O que faz aqui? Você não ia ficar em casa?
—Sim. Mas lá em casa ficou muito chato então vim pra cá ficar com você.
Ela sorriu e logo eu ganhava um abraço seguido de um beijo dela.
Que bom que ela gostou de eu ter aparecido!
Resolvi não contar a verdadeira razão de estar ali e pagar de ciumento. Ela já me achava um filho ciumento e agora ganhar o rótulo de "namorado ciumento" já seria demais pra mim.
—Como sabia o endereço daqui se eu não te contei?
—Mandei um SMS pra Leslie e ela me passou o endereço.
—Você sabia que ele vinha e não me contou nada, Leslie?
—Não ia estragar a surpresa dele, Sara. E aí, Grissom?!
—Oi!
—Esse é o Daniel, meu namorado. Dan esse o Grissom, namorado da minha prima. — Leslie nos apresentou.
—Olá! — Nós trocamos um aperto de mão.
—Falta o Justin, mas esse foi ao banheiro. Depois você o conhece.
Assenti pra ela. Então era Justin o nome do possível sujeito que vi grudado com Sara nas fotos?
—Bom, vou aproveitar que seu namorado já chegou, Sarita, pra ir dançar com o meu. Vem, amor. Vamos!
A prima de Sara e o tal Daniel saíram em direção à pista de dança montada sobre a piscina e nos deixaram sozinhos.
—Eu ainda não consigo acreditar que esteja aqui na minha frente. Como veio?
—Numa nave espacial.
—Debochado. — Ela me insultou e me golpeou no peito. Já tinha virado hábito isso dela me bater.
—Phil me trouxe! — Contei, rindo e circundando meus braços em torno de sua cintura.
—Hum... Que legal!... Você tá mesmo tentando ser amigo dele.
—É o jeito né? Se você não pode com o inimigo junte-se à ele.
—Mas o Phil não é seu inimigo.
—Eu sei. Foi só uma brincadeira.
—Ah, sim!... Ei! Espera aí... você tá sem os óculos.
—Você não reparou nisso só agora, reparou?
—Sim!
Ela riu e eu acabei rindo junto com ela.
—Eu não quis vir com eles então pus as lentes.
—Tá bonito, quatro olhos!
Eu não pude deixar de me surpreender com seu elogio
—Meu Deus! Eu acho que vai chover canivete essa noite. Você me elogiando? É isso mesmo?!
—Não seja palhaço, quatro olhos! — Novamente ganhei dela um leve socou no peito, que me fez sorrir.
—Sabe que eu já até passei a gostar de te ouvir me chamar por esse apelido ridículo que me pôs?
—Ah é?!
—É! — Assenti e lhe beijei demoradamente.
—O convite pra dançar ainda tá de pé?
—Eu sou péssimo dançando, Sara.
—Se ele não quiser dançar com você, eu topo, Sara!
Um sujeito se pronunciou aparecendo do nada ali perto da gente e ao olhar pra ele descobri que era o mesmo da foto. O sujeito ainda exibia um sorrisinho que não gostei nada.
—Eu não falei que não ia dançar com ela. — Rebati no mesmo instante em que pus meus olhos naquele cara.
—Mas também não falou o contrário.
—Quem é você hein?
Logicamente que eu sabia quem ele era, mas perguntei só por perguntar mesmo.
—Grissom, esse é o sem noção do Justin. Ele é amigo do Rogers, o namorado da May e do Daniel. — Sara se adiantou em responder. _Justin, esse é o Grissom, meu namorado.
Gostei de ouví-la me apresentar para aquele cara como seu namorado.
—Ah, então é por causa dele que você tava fugindo de mim e me evitando?
Fugindo?
Foi isso mesmo que eu ouvi?
Então esse cara já deve ter dado em cima dela.
— Justin vai ver as horas no relógio de Londres, vai! Grissom vem dançar comigo.
Sara saiu me levando pela mão em direção a pista de dança e com isso, eu não tive a menor chance de dizer qualquer coisa aquele imbecil.
—O que aquele cara disse...
—Ele é um idiota! Grudou em mim feito carrapato. E ainda fica me enchendo o saco o tempo todo.
—Sara tá tudo bem? A gente notou que tava rolando algo entre vocês e o Justin.
—Vai ficar tudo bem quando esse seu amigo imbecil largar do meu pé, Daniel. Já falei inúmeras vezes pra ele me deixar em paz, mas acho que ele não entende nosso idioma.
—Se quiser eu dou uma chamada séria nele, Sara.
—É um favor que me faz, Daniel.
—Vamos lá com ele, Leslie.
Os dois seguiram de volta para onde estávamos, pra falar com o tal Justin que não tirava os olhos de Sara.
—Esse cara deu em cima de você?
Claro que eu já imaginava a resposta daquilo, mas precisava ter certeza de que estava certo e principalmente, saber se Sara teria coragem de confirmar isso pra mim.
—Eu não dei trela pra ele.
—Não foi isso o que eu perguntei, Sara.
—Ele deu, ok? Mas eu não dei confiança. Cortei as intenções dele assim que percebi quais eram.
—Se é assim então por que ele saiu nas fotos junto com você?
—Porque ele é um enxerido. Chato. Sem noção! E se meteu na hora que íamos bater as fotos. Agora esquece esse idiota e dança comigo. Vai!
—Impossível esquecer esse cara. Ele não tira os olhos da gente, ou melhor, de você.
—Dá pra você dançar?
Eu tava parado que nem um poste e não tirava os olhos do tal Justin.
—Já disse que sou péssimo nisso.
—Se você não começar a dançar agora, quatro olhos, eu de raiva vou tirar aquele carrapato pra dançar comigo.
No mesmo instante, eu olhei pra Sara. Ela só podia tá brincando comigo!
—Você não faria isso.
—Eu ia detestar mesmo fazer isso, mas se você não dançar comigo é o que vou fazer só de raiva de você.
Meu Deus que garota mais geniosa, eu fui arranjar. Tô ferrado com ela!
—Ok! Eu danço. Não precisa ficar me chantageando.
Nós então começamos a dançar as músicas agitadas que tocavam. Ficamos na pista dançando por não sei quantas músicas e sabe que foi bom? Divertido, na verdade! Descobri que Sara era tão ruim quanto eu dançando. Confesso que me diverti a beça só de vê-la dançando de um jeito maluco e tão desengonçado quanto o meu.
Ela parecia não se importar a mínima se estava bancando a ridícula, simplesmente, dançava e se divertia daquilo tudo. E contagiado por esse seu jeito, eu me deixei levar e resolvi curtir o momento ao seu lado.
Em determinado momento enquanto dançávamos e pulávamos ao som de "Can't Stop The Feeling", enxerguei a loira que falou comigo logo que cheguei a casa, dançando com umas amigas e ao me ver, a garota acenou toda sorridente pra mim.
—Você conhece aquela garota?
—Não. Mas ela falou comigo quando cheguei aqui. — Expliquei enquanto por educação acenava de volta pra loira.
—Falou o quê, se vocês nem se conhecem? — Sara me questionou, parando de dançar na hora e cruzando os braços enquanto me encarava de um jeito que parecia uma assassina em série.
Eu não pude evitar de deixar escapar um sorriso ao ver a forma como ela me fitava. Sara tava com ciúmes de mim? Era isso mesmo?
—Acho que ela quis ser só simpatia. — Inventei.
Eu não me atrevi a contar o que a loira me disse de verdade e nem o que me fez, pois algo me dizia que isso não seria legal pra mim.
—E eu sou a fada do dente, Grissom!
Não pude deixar de soltar uma gargalhada ao ouvir isso.
—Qual é a graça, posso saber?
—É impressão minha ou alguém aqui tá com ciúmes? — Eu abracei Sara.
—Que ciúmes o quê?! Não viaja!... Eu só tô achando muito estranho ela ter falado com você se nem te conhece.
Se eu mentia pessimamente, ela também era a mesma coisa.
—Conta outra, Sara. Você tá com ciúmes.
—Claro que não!
—Tá sim! — Provoquei.
—Não tô.
Ela negaria o quanto fosse, mas estava na cara que era ciúmes aquilo.
—Ok, então. — Resolvi não insistir mais naquela provocação. _Mas só pra você saber... ela não faz o meu tipo.
—Ah, é?! E qual o seu tipo então?
—Você!
Vi um sorriso escapar dos lábios dela ao dar-lhe aquela resposta. Ela gostou do que ouviu.
—Se você tivesse respondido outra coisa, eu arrebentaria a sua cara!
Ela me ameaçou fazendo-me sorrir e lhe dar um beijo logo em seguida.
Como fui demorar tanto pra me apaixonar por essa garota?
Dançamos mais duas músicas e Sara sempre de olho na loira que nem tava olhando mais pra mim. Depois resolvemos dar uma parada e retornamos pra onde Leslie e Daniel estavam. O tal Justin não estava ali com eles. Eu achei bom!
Ficamos os quatro ali conversando até que May e Rogers, o namorado dela, se juntaram à nós.
Os dois namorados das primas de Sara pareciam gente boa. Daniel era mais sério e um pouco na dele, tinha 23 anos e estava no último semestre de Engenharia Eletrônica. Já o Rogers era o oposto do amigo. Falante e um tanto marrento, ele tinha 22 anos e cursava Fisioterapia.
Eu me identifiquei mais com Daniel por conta do jeito dele que era meio parecido com o meu e também pelo fato dele curtir baseball e torcer pro mesmo time que eu.
—Vocês são dois sofredores por torcer pra esse time.
Rogers nos disse em zoação assim que soube que eu torcia pro mesmo time do amigo dele. A risada foi geral na mesa.
O tal de Justin não vi mais dar as caras por ali. Não faço ideia do que Daniel disse à ele, só sei que o sujeito tomou "chá de sumiço" desde a chamada que recebeu do amigo. Eu achei muito bom isso.
Assim a noite pra mim não podia ter transcorrido melhor. Aproveitei bem a festa com Sara. Dançamos mais algumas vezes, namoramos, conversamos. E acabei bebendo com Daniel e Rogers, que já tinham virado meus mais novos amigos. E como e quando saímos da festa, eu não faço ideia, pois depois da quinta cerveja eu já deixei de "processar" informações no meu cérebro.
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