A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
26 Capítulo 25
—Não mesmo!
Neguei. Mas sabe quando você diz algo e não tem total convicção disso? Pois é, esse era o caso. Mas acho que Heather não notou isso.
Eu tinha consciência de que Sara e eu éramos diferentes demais, como dois pólos opostos, portanto, não tínhamos nada a ver. Todavia, o que eu não tinha era tanta CERTEZA se realmente a gente nada tinha a ver. Às vezes até parecia que tínhamos! E em outras não!
—Ontem, enquanto observava vocês dois se falando parados aqui na porta da sua casa, eu percebi o quanto vocês parecem mais entrosados e mais próximos.
—Acho que você está viajando legal!
Desconversei, pois sabia lá no fundo que isso que Heather acabava de dizer, tinha um pouco de verdade. Eu mesmo sentia essa proximidade toda e esse entrosamento. Inclusive, a gente já não brigava tanto e até já se entendia mais.
Entretanto, não quis admitir a Heather isso pra não dá mais margem para a imaginação dela. Estava mais do que claro que ela se encontrava com ciúmes de Sara, e eu não ia endossar mais isso.
—Tomara que sim mesmo!
Ela me murmurou antes de tomar meus lábios e me beijar demoradamente.
—Me desculpa!
—Pelo quê?
—Por essa cena toda que acabei de fazer.
—Tudo bem, Heather. Vamos esquecer isso, pode ser?
Ela assentiu e mais uma vez me beijou, mas dessa vez não foi demoradamente.
—Quer sair comigo à tarde? — Propus. Com certeza, Sara ia sair mesmo com Nick e eu não ia ficar sozinho em casa. Então por isso, decidi chamar a Heather pra sair. _A gente pode ir a praça ou se você quiser ir à outro lugar, a gente vai.
—Por mim tá ótimo a praça.
—Que horas dá pra você ir?
—Depois das cinco. A minha mãe chega do trabalho esse horário e assim meu irmão fica com ela.
—As cinco e meia então, eu te busco na sua casa.
—Minha casa é tão longe, né?
—Bastante!
Sorrimos ambos.
—E o jantar ontem, como foi? Você nem me mandou mensagem ou ligou contando.
Caramba! Eu tinha esquecido disso. Me peguei vendo as fotos de ontem com Sara que nem lembrei que havia dito que ligaria pela manhã pra Heather.
—Desculpa por isso. Mas o jantar foi bom. O tal Phillip parece ser uma boa pessoa.
—Que bom!
—Deu pra eu perceber o quanto ele faz bem a minha mãe e isso, é o que importa pra mim ainda que... me custe aceitar que minha tenha alguém.
—Você vai superar isso. Vai ver!
...
Estávamos almoçando em silêncio, pois desde a visita de Heather que o clima entre Sara e eu ficou estranho. Parecíamos até dois desconhecidos à mesa. De repente, ouvimos barulho da porta da frente ser aberta e a voz da minha mãe chamar pela gente.
—Na cozinha! — Gritei pra ela. Segundos depois, ela aparecia ali. _Veio almoçar em casa, mãe?
—Não, querido! Vim rápido buscar um documento. O rapaz que faz isso pra mim não estava na galeria então tive que vir rápido.
—Aproveita que está aqui e almoça com a gente então, tia Beth.
—Bem que eu gostaria, querida. Mas preciso mesmo voltar logo com o documento que vim buscar. Já volto! Vou só no quarto buscar o que esqueci.
Ela foi e retornou poucos minutos depois.
—Meninos, eu já tô indo.
—Tia Beth antes que vá, eu quero lhe dizer que o Nick me chamou pra dar uma volta mais tarde. Tudo bem, eu ir?
—Desde que as nove esteja aqui.
—Muito antes disso já estarei de volta. A gente vai só tomar sorvete no fim da tarde.
—Ok, então.
—Eu também vou sair mais tarde com a Heather, mãe. — Aproveitei o embalo e informei logo a minha mãe aquilo.
Ela olhou pra mim e depois pra Sara de uma maneira estranha que eu não soube bem definir.
—Certo! Divirtam-se e cuidado. Preciso ir agora.
—Tchau!
Sara e eu dissemos juntamente antes de minha mãe sair da cozinha. Depois que ela se foi, nós nos olhamos por um instante e voltamos a comer novamente.
—Você e Nick parecem estar dando certo, né?!
Comentei despretensiosamente e sem olhar pra Sara. Mas podia sentir o olhar dela pousar sobre mim assim que falei aquilo.
—Pois é! Que nem você e a ruiva!
Tão logo, ela disse isso, eu a encarei com uma das sobrancelhas arqueadas.
—Gosta dele? Porque o meu amigo, eu tenho certeza que gosta de você. Nunca o vi tão ligado em uma garota como o vejo com você.
—Tá preocupado se eu vou ferir os sentimentos do seu amigo?
—Não! E quer saber? Eu nem devia ter perguntado isso!
Me arrependi amargamente de ter feito aquela pergunta. Que ideia minha querer saber daquilo!
Levantei da mesa e rumei pra pia a fim de lavar meu prato.
—Por que quer saber se eu gosto do seu amigo?
Ouvi-a questionar-me depois de um breve instante de silêncio.
Ótimo! O que vou dizer? Se nem mesmo eu sabia a razão pela qual quis saber daquilo. A pergunta simplesmente surgiu de súbito em minha mente e sem pensar duas vezes, eu a fiz. E, agora, já estava completamente arrependido de tê-la feito.
—Curiosidade!
Foi a única resposta cabível que me ocorreu no momento dizê-la.
E acho que Sara acreditou nela, pois não me questionou mais.
Ela terminou de almoçar e nós arrumamos a cozinha juntos. Depois cada um foi para o seu quarto.
Jogado na cama peguei o celular e liguei para Catherine. Precisava me distrair e conversar com minha amiga era sempre uma ótima distração.
—Gil!! E aí?
—Nossa quanta empolgação ao atender.
—É que você nem sabe. Minha irmã nos enganou e chegou hoje de manhã aqui. Era pra ela chegar depois de amanhã, mas ela fez surpresa e chegou hoje.
Pudia sentir a alegria de Cath ao falar. Fazia um tempo que ela não via a irmã e era mais do que justificada essa sua empolgação e alegria.
—Nossa que legal, Cath! E a sua sobrinha?
—É a coisa mais linda, Gil!
Ela se derreteu toda ao me contar. Cath ainda não conhecia pessoalmente a sobrinha, somente por fotos que ela e a tia Lilly acompanhavam o crescimento da menina que estava pra completar dois anos de idade.
—Que tia mais babona! Cuidado pra não afogar a menina com a sua baba, viu?
—Que engraçado, Gilbert!... E a quê devo a honra da sua ligação?
—Você pediu pra eu te ligar contando sobre o jantar ontem.
—Verdade! Conta tudo em detalhes. Você não bancou o filho ciumento e desagradável, não é?
—Vontade não faltou pra isso.
—Credo!
—Brincadeira!
—Ah, bom! Conta então como foi.
Relatei tudo em detalhes como ela me pediu. Desde a minha primeira impressão ao ver Phillip, passando pela conversa que troquei com ele durante o jantar, à inda ao cassino pra satisfazer a vontade de Sara e por fim a parte em que minha hóspede e eu passeamos juntos e sozinhos pelo Venetian.
—Quer dizer que andou de gôndola com ela? Isso é um passeio bem romântico, sabia? Warrick e eu fizemos um desses.
—Ela expressou vontade de andar de gôndola e eu propus da gente ir. Não começa a ver coisas onde não tem, Catherine!
—E que coisas seriam essas? Eu não falei nada de 'coisas'.
—Não falou, mas eu te conheço e sei que sua cabeça já está 'maquinando' essas coisas.
Ela tinha uma mente muito fértil. Bastava uma coisinha de nada pra ela criar logo um coisa gigantesca. E ver algo que não existe!
—Vocês não brigaram durante o tempo que estiveram juntos?
—Não! A gente até que se divertiu juntos.
—Nossa que milagre ou seria progresso?
—Progresso!!
—E em casa, como está a sua relação com ela?
—Onde você quer chegar com essa pergunta?
Se eu soubesse que seria sabatinado assim nem teria contado aquilo.
—Quero saber se vocês ainda brigam muito ora?
—Não tanto como no começo. A gente tem se entendido mais ultimamente.
—Você já gosta dela?
—Catherine!!
—O que??
—Chega de tantas perguntas.
Resolvi pôr fim naquele interrogatório todo.
—Deixa eu fazer só mais uma? Juro que é a última!
Eu suspirei. Tinha até medo do que viria agora, mas ainda assim , conssenti que ela me fizesse essa última pergunta.
—Vai, Catherine, pergunta!
—Você contou a Heather sobre esse seu passeio com Sara?
Depois da cena de ciúmes dela, eu não pensei duas vezes em lhe omitir aquilo.
—Não!
—Por que?
—Você pediu pra fazer uma pergunta apenas, com essa já são duas, então... essa questão fica sem resposta.
—Chato!
—Catherine desce aqui!
Escutei ao fundo a voz da tia Lilly gritar pela filha.
—Gil tenho que desligar e ver o que a mamãe quer.
—Tá bom. Vai lá. Beijo!
—Outro. Bye!
Assim que a ligação foi encerrada, eu coloquei o celular sobre o criado-mudo. Depois me acomodando na cama com as mãos sob a nuca, eu fiquei encarando o teto do quarto.
"Você já gosta dela?"
A pergunta de Catherine veio em minha mente.
Eu meio que já havia aprendido a gostar dela e seu jeito implicante. Sara tinha seus defeitos e não eram poucos, mas eu já conseguia enxergar qualidades nela também e até raras coisas em comum comigo. E isso, de certa forma, me fazia deixar a ira por ela de lado e passar a gostar um pouco daquela insuportável.
Ela quando queria sabia ser alguém agradável!
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