A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Até que era bem divertido andar de gôndola por aqueles canais. Eu e Sara estávamos adorando aquilo.
—Sabe que depois de hoje vou mudar meus planos de viagem de 18 anos?
—Como assim? Do que tá faltando?
Eu olhei com curiosidade pra Sara que estava sentada ao meu lado. Ela então, me explicou:
—Meus pais me prometeram que quando eu fizer 18, eles vão me dar de presente uma viagem para o lugar que eu quiser. Eu já tinha decidido ir para o Havaí...
—Havaí?? Por que pra lá?
—Pra surfar.
—Ah, vai dizer que sabe surfar?
Essa era boa! Ela não tinha cara de surfista nem aqui e nem na China!
—Se eu tô dizendo que vou pra surfar, é porque eu sei!
—Sério?
—Sim!
Eu a encarava com desconfiança. Não estava ainda levando fé nessa história.
—Quem te ensinou?
—Meu irmão mais velho. Só que eu não quero falar dele.
—Por que?
—Porque ele morreu na minha frente! — Ela respondeu em um tom frio e desviando o olhar de mim e olhando pra frente.
Quando ela disse tais palavras, eu fiquei meio sem ação. Então era por isso, que até então, eu nunca tinha ouvido-a mencionar irmão algum. Aquela tinha sido a primeira vez que ela dizia que tinha um. Eu até pensava que ela fosse filha única como eu.
Senti curiosidade de saber do quê seu irmão morreu, mas pelo que ela disse antes, eu deduzi que não seria uma boa tentar saber isso.
—Sinto muito pelo seu irmão e por você!
Ela apenas assentiu sem me olhar. Resolvi mudar de assunto.
—E pra qual lugar pretende ir depois de hoje?
Questionei, retornando ao nosso assunto inicial. Se ela não queria falar no irmão, eu respeitaria.
Sara voltou a me encarar e sua expressão se suavizou, e um sorriso tornou a surgir em seu rosto. E eu gostei disso, ela combinava mais com um sorriso no rosto do quê com aquela expressão de segundos atrás quando mencionou sobre o irmão falecido.
Ela, então, me contou com empolgação que seu destino agora seria a Itália. Tinha visto tanta coisa legal e bonita ali que fizeram despertar seu interesse em conhecer aquele país.
—Boa viagem pra lá então.
—Vou te mandar altas fotos de lá, quatro olhos. — Ela bateu de leve seu ombro no meu.
—Ok!
Sorri e ela também.
—E você, pra qual lugar gostaria de viajar se pudesse?
Puxa! Havia muitos lugares. Cada um por uma razão diferente.
—Não sei. Há tanto lugar legal pra ir.
—Ah, mas deve ter um em especial que você gostaria de ir, ora. Diz aí, qual.
—Hum... — Eu pensei por uns segundos tentando me decidir por qual. _Grécia! Mais precisamente, a Ilha de Creta.
—Por que esse lugar mais precisamente?
—Porque é um lugar muito bonito. Olha só...
Peguei meu celular do bolso da calça e mostrei pra Sara algumas imagens que baixei da internet da Ilha de Creta e seus pontos turísticos, os quais eu gostaria de conhecer. Era um lugar mais lindo que o outro.
—Nossa é bonito mesmo lá.
—É. Um dia ainda vou conhecer esse lugar.
—Olha se quiser uma companhia divertida, estamos aí.
—Tá se convidando, é isso mesmo?
—Claro! E você ainda terá que pagar minha passagem.
—Mais que cara de pau!
Ela caiu na risada.
—E Deus me livre de você ir me acompanhando. Iria me atazanar a viagem toda.
—Ia ser divertido isso.
—Pra você!
—Exatamente!
Nós dois acabamos por cair na risada juntos.
—Uau! Que rajada fria que deu agora.
Sara reclamou se encolhendo. Eu não senti nada porque estava todo empacotado, mas ela que estava com aquele vestido só podia sentir frio mesmo.
—Toma! — Comecei a tirar o meu blazer e estendi a ela.
—Nossa, ele sabe ser cavalheiro!
—Vai ficar de zoação então vai passar frio. — Disse fingidamente sério.
—Não! Foi mal! Me dá aqui isso.
Ela tomou o blazer da minha mão rapidamente e vestiu-o.
—Valeu por isso!
—De nada!
—Agora que tá sem o blazer seria bom tirar essa gravata, porque não tá combinando esse seu visual.
Sem esperar pela minha resposta, Sara foi desfazendo o nó da gravata e tirou-a de mim, guardando a peça no bolso externo do meu blazer que agora ela usava. Depois, ela ainda desabotou dois botões da minha camisa e arrumou-a melhor.
—Agora ficou mais... harmonioso!
—Bonito, você quer dizer.
—Não!
—Acho que sim!
—Pois acha errado. E a propósito, acabei de lembrar que alguém aqui me deve uma resposta.
—Não sei do quê está falando. — Desconversei.
Maldita hora que fui achar de brincar a esse respeito com ela. Agora, Sara vinha com essa pra cima de mim.
—Sabe sim. Não se faz de desentendido não! O que você quis dizer com aquele 'diferente'?
—Nada, Sara!
Será que esse passeio de gôndola ainda vai demorar muito pra terminar?
—Não é uma resposta satisfatória essa. Diz a verdade, quatro olhos.
—Que verdade, meu Deus!
Eu não ia contar aquilo. Não mesmo!
—Se você não disser... eu te jogo dessa gôndola pra dentro do canal.
Eu arregalei os olhos assustado com essa sua ameaça.
—Você não faria isso... faria? — Questionei meio temeroso e engolindo em seco.
—Quer pagar pra vê?
A louca me agarrou pela gola da camisa e fez menção de me empurrar.
Eu ia ter que contar, ou do contrário, aquela louca ia ter coragem mesmo de me jogar no canal.
—Ok... eu conto! Mas me larga. — Pedi e fui atendido no mesmo instante. Agora, eu tava ferrado. Teria que falar e aturar a zoação dela quando soubesse daquilo. _Eu quis dizer...
—Quis dizer...?
—Que você ficou bonita... muito bonita arrumada assim!
Pronto, contei e fechei os olhos esperando pra começar a zoação, mas... ela não veio.
Tornei a abrir os olhos e encontrei uma Sara pasma me encarando. Acho que ela não esperava por aquilo e nem eu por aquela sua reação. Eu achei que ela fosse começar a rir e debochar de mim, mas não foi bem assim.
—Você tá falando sério ou tá zoando com a minha cara?
—Sim!
—Sim???
—Não!!
—Não??
—"Sim" pra falando sério. E "Não" pra te zoando. — Expliquei. _Afinal de contas, quem costuma fazer zoação com alguém aqui... é você e comigo!
Ficou um silêncio entre a gente depois disso. E nós permanecemos encarando-nos por segundos até que meu celular tocou quebrando o silêncio que se instalara.
—Oi, mãe! — Atendi sem tirar os olhos de Sara. _Estamos andando de gôndola. Ah, vocês também?... Tá, ok!... Acho que já tá terminando o nosso também. A gente encontra vocês lá. Beijos.
—O que a sua mãe queria?
—Saber onde estávamos. E avisar que assim que terminar o passeio é pra encontrarmos com ela e o Phil lá onde desembarcarmos da gôndola. Eles também estão passeando em uma.
Sara apenas assentiu e desviou o olhar de mim para o canal.
—Não vai me zoar pelo que eu disse?
—Não!
O restante do passeio permanecemos calado. Chegamos no nosso destino final poucos minutos depois e lá já encontramos minha mãe e Phil a nossa espera.
—E aí, gostaram do passeio?
—Sim! — Sara e eu respondemos juntamente a pergunta de Phil.
—Acho que essa é a primeira vez que vejo vocês concordarem em algo. — Minha mãe comentou.
Sara e eu trocamos um rápido olhar e deixamos escapar sem querer, um discreto e tímido sorriso juntos.
...
—O que você achou do Phillip, Gil?
Estávamos voltando pra casa quando minha mãe me indagou a esse respeito.
—Ah, mãe...
Eu não queria dar o braço a torcer tão facilmente. O fato dele fazer bem a minha mãe — muito bem diga-se de passagem — era um ponto mais que favorável pra dele, mas eu ainda vou por garantia ficar no aguardo de como isso ainda vai prosseguir. Então, por isso apenas disse que ele me pareceu ser alguém agradável.
—Então ele está aprovado por você como namorado da sua mãe?
Pelo retrovisor lancei um olhar a Sara. Depois, olhei pra minha mãe que dirigia e esta nem me olhou.
—Ela não precisa da minha aprovação. Se ela gosta dele, então que vá em frente. Só quero que ela seja feliz e se esse Phillip cumpre esse 'requisito' básico, então tá perfeito. Eu fico feliz por ela!
Após eu ter dito isso, minha mãe me olhou de relance e piscou pra mim sorrindo. Não estava sendo nada fácil digerir com facilidade aquela situação toda, mas por ela eu estava tentando e posso dizer, que estava meio que conseguindo a duras penas, mas estava.
—Que fofo seu filho, tia Beth! Nem parece o ciumento que eu conheço. Que progresso, quatro olhos!
—E você não perde a oportunidade de me zoar não é?!
—Faz parte da nossa... convivência!
—Vocês dois ainda vai dar namoro essa... convivência toda!
Minha mãe comentou com um sorriso sarcástico. Ela tava aprendendo isso com a Sara? Só pode!
Sara e eu apenas nos encaramos pelo retrovisor novamente e juntos tratamos de negar veementemente aquele comentário que ela fez.
—Será que não mesmo?!
—Não! — Reafirmamos juntos.
—Além do mais, eu tenho namorada e a Sara tá com o Nick, não é isso? — Olhei pra Sara acomodada no banco de trás.
—Exatamente!
—Ok, então, garotos!
Minha mãe sorriu e não contestou mais.
Chegamos em casa pouco tempo depois. Minha mãe disse que ia subir e dormir, pois cedo teria que trabalhar. Sara foi a cozinha beber água e eu resolvi segui-la.
—Sabe que foi até divertido nós dois fazendo tour pelo Venetian? Eu gostei.
—Eu devo admitir que gostei também. Principalmente, a parte em que filmei você dançando toscamente a Tarantela.
—Ok! Já entendi que vai ficar me achincalhando com isso, não é?
—Um pouco. — Ri. _Mas agora falando sério... foi divertido a gente... juntos sem 'brigar'!
Bem que podia ser assim sempre. Mas seria pedir demais isso!
—Foi mesmo, quatro olhos! — Ela socou meu braço antes de passa por mim após ter depositado o copo na pia.
—Sara! — Chamei-a quando ela já estava pra chegar a porta.
—Oi!
—Sei que disse que não queria falar disso, mas... como seu irmão se chamava?
Senti curiosidade em saber aquilo.
—Sean!
—Faz tempo que ele faleceu?
—Mais de um ano. Mas eu não gosto de falar disso.
—Por que?
—Porque não me faz bem. Boa noite!
Ela saiu sem me dar brecha pra lhe fazer mais qualquer outra pergunta que fosse.
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