A Hospedeira 2 - Depois do fim

6 Capítulo 6 - Incrédula


Notas iniciais
Oiiii meus amores!!!! Estou aqui com mais um capítulo pra vocês!!

POV — Lua

Devo ter dormido por tempo demais. O sol que entrava pela pequena janela envidraçada batia em meu rosto fazendo-o arder. Virei o resto para o outro lado tirando-o do sol e abro os olhos, estava no mesmo quarto do dia anterior. Flores para o sol não estava mais comigo, mas deixara uma pequena bandeja na mesinha ao lado da cama. Me sentei com movimentos doloridos sobre o fino colchão na cama de metal, havia ficado deitada por tempo demais. Coloquei a bandeja sobre o colo e olhei seu conteúdo, pequenos biscoitos dourados em formato de estrelas com açúcar salpicado por cima e uma grande taça de suco num tom amareli-alaranjado que parecia ser feito com laranjas. Levei um dos biscoitos a boca mas seu leve cheiro de gengibre fez com que meu estômago se revirasse me causando enjoos. Voltei a bandeja para a mesinha e resolvi comer mais tarde quando meu estômago estivesse menos "nervoso".

Analisei o quarto mais detalhadamente que no dia anterior, era aconchegante e amistoso. Suas paredes tingidas num tom pastel de verde-azulado com pequenos quadrinhos vazios pendurados na parede oposta a janela, os pisos de cerâmica brancos enrradiavam aroma de lavanda. Me sentia bem naquele ambiente.

Algo remexia em minha cabeça, eu não sabia o que era, mas tinha uma forte presença que fazia com que meu corpo trabalhasse em prol de uma única família, a família de Peregrina. Minhas memórias ainda eram escuras e baças já que o paredão negro continuava erguido me impedindo de clareá-las. Queria que Peregrina estivesse aqui, talvez ela pudesse me ajudar a lembrar de tudo. A lembrar de todos. De todos aqueles por quem eu tinha necessidade de estar perto, eu, Raios da Lua sobre o gelo, precisava deles, eu. Peregrina não tinha influência nenhuma nisso.

Eu estou aqui.

Uma voz suave e doce ecoou em minha mente. Não eram palavras minhas. Isso fez com que os pelos de meus braços se arrepiassem.

— Quem é você? Onde está? Apareça! — sussurrei assustada. Eu podia falar alto, estava sozinha no quarto, mas não me permiti fazê-lo, alguém poderia ouvir ao passar pelos corredores e achar que estava ficando louca.

Sou eu. Sua hospedeira. Peregrina. Não se assuste, não quero fazer mal algum a você. — ela respondeu ainda com a voz suave.

— Peregrina? Você está morta. — a simples palavra me fez hesitar. — Esta sou eu agora! Este corpo é meu! — respondi afiada, ainda sussurrando.

Não!! Eu continuo viva. Este corpo é meu! Você não pode tirá-lo de mim! — ela respondeu mais alterada.

Antes que pudesse sussurrar outra resposta a ela ouvi passos vindo em direção ao quarto. A curandeira entrou seguida por um homem alto e bonito. Ele tinha cabelos em tom de loiro caramelado, seus olhos em cor verde intenso como esmeraldas com a pequena linha prateada ao redor das pupilas, os lábios vermelhos franzidos numa linha rígida o deixavam com o semblante enraivecido . Usava roupas negras compostas por uma camisa de mangas longas, calças de brim e sapatos sociais. Perto dele a curandeira parecia bem mais baixa, ela também era bonita, com seus cabelos castanho escuro num comprimento pouco abaixo dos ombros eram lisos, os olhos cor de mel esverdeados com a pequena linha prateada, lábios naturalmente rosados, seu rosto tinha o formato levemente arrendondado que a deixava com aparência mais jovem.

O homem bagunçou os cabelos num gesto que m pareceu totalmente automático, parecia nervoso. Meu coração deu um pulinho quando notei que me encarava. Cravei os olhos nos dele que retribuiu o olhar. A curandeira me dirigiu a palavra tirando-me do transe.

— Bom dia querida! Vejo que não tomou seu café da manhã! O bebê não deve ter deixado por causa dos enjoos!

— Bebê? — perguntei incrédula.

— Sim querida. — ela disse com expressão divertida.

— Mas como?

— Quando trouxeram sua hospedeira para cá ela estava grávida, mas acho que não sabia não é mesmo? É bem recente. Você está grávida Lua! — Flores para o sol disse com enorme soriso se formando nos lábios.

— Um bebê! — dissemos Peregrina e eu ao mesmo tempo.

— Sim, não é ótimo?

— Vou ter um filho! — Peregrina gritou de alegria, lágrimas se formando em meus olhos, deixei com que ela vivesse esse momento, eu devia isso a ela, afinal era o filho dela, não meu.

Flores para o sol sorriu ao ver nossa reação e se virou continuando os exames . O homem não disse nada o tempo todo que esteve ali, apenas se sentou numa cadeira e continuou me encarando.

Notas finais
Espero que estejam gostando. Comentários e sugestões são bem vindos. Obrigada por lerem.. Beijinhos!