A História dos TeMaS
12 Vasto de Mensione, A Família Nobre - parte 2
– Você tem uma reunião com a corte hoje, filho. Levante e vá se arrumar e ir para a sala de reunião.
Minha mãe já dizia o que eu tinha que fazer sem nem mesmo me acordar antes. Acordei no meio de suas palavras e soube que queria reunião, pois ela falava da sala de reunião.
– Eu já vou levantar, só um minuto.
A reunião de hoje era sobre como toda a corte deveria tratar com a população de Mensione em relação à guerra e as crianças. Desde pequeno a criança é conscientizada da periculosidade que há atualmente no nosso reino por causa da guerra e tem o pensamento de "eu protegerei meus pais", e em vez de aproveitar a infância, se vê na obrigação de treinar desde cedo em preparo à guerra. Como nosso reino desde algum tempo está buscando a paz entre as famílias, já se consegue enxergar que não nascemos para sermos ferramentas de guerra.
Minha cama é encostada na parede da direita do quarto, no meio do teto está o lustre mais enfeitado que já vi, é muito chamativo. À esquerda do quarto fica meu guarda-roupa, abaixo fica uma grande janela da parte de trás do castelo e acima fica a porta de entrada e saída do meu quarto. Fico disposto a negar qualquer coisa quando acabo de acordar para não precisar levantar da cama antes de eu realmente estar com vontade de levantar.
Recebi um beijo na testa dado pela minha mãe, ela saiu do quarto, abri os olhos com preguiça e me sentei na cama. Aos poucos me levantei; dobrei a coberta, arrumei a cama e fui para a reunião. Só o que me fazia aparentar desarrumado na reunião é o meu chinelo de pelo, mas duvidaria que um membro da corte tocasse nesse detalhe comigo. Desci as escadas que dá no nível central do castelo, onde está a sala de reunião; adentrei-a e sentei em meu lugar.
– O senhor Vasto é o último membro a chegar, podemos agora iniciar a reunião. — Disse um dos agentes. — Como nosso objetivo é trazer a paz neste planeta, acabar com a guerra e rebeliões entre as famílias da espécie TeMaS e outras, é também de grande importância erradicar o pensamento agressivo das crianças de nosso reino. Infelizmente para podermos trazer a paz precisamos da guerra e dela sairmos como a maior potência para ganharmos respeito das famílias restantes e finalmente propor a paz. É necessário conscientizar agora as crianças de que a segurança não vem da guerra e sim da paz para que haja êxito na vontade de nosso reino.
– Desenhos animados pode ser uma boa opção para expandir essa ideia. Mas não podemos nos centrar somente nas crianças, já que boa parte do seu conhecimento de guerra surge a partir de seus pais. Seria também recomendado um tipo de auxílio para os pais quanto aos cuidados para o desenvolvimento mental sadio da criança. — Falou outro membro da reunião.
Eu achei boa a ideia e provavelmente irão pedir a minha opinião neste caso. É melhor eu já dá-la de uma vez.
– Vivenciar situações em que é viável a paz, ao contrário da guerra, para ter segurança, é um método que será mais profundo às crianças. Seria fácil fazê-lo como dinâmica em momentos livres na sala de aula das escolas. — Eu mesmo duvidei do que estava dizendo, mas percebi que os agentes estavam interessados em minhas palavras. Ou todos estavam loucos e eu também, ou eu disse algo bom.
Outras ideias foram desenroladas até que finalmente acabou a reunião. Ao sair da sala fui parado pelo meu pai.
– Como foi, Vasto?
Meus pais ficam orgulhosos facilmente quando faço coisas formais.
– Bem, fui indicado a ir hoje com um amigo meu a um acampamento de noite com 20 crianças.
– Ótimo, espero que saia tudo bem. Se tiver um bom desempenho eu jogarei vídeo-game contigo amanhã.
– Se for jogo de luta com certeza nunca vencerei. — Sorri.
– Nunca desista, meu filho, nunca desista. Agora tenho que fazer algumas coisas. Até depois.
Depois de meu pai sair, desci as escadas e fui à saída do castelo. Vejo o meu amiguinho Eduardo, um Pomper, correndo em minha direção com um sorriso no rosto.
– Vasto, Vasto! Eu finalmente consegui subir em uma árvore, foi tão difícil e incrível... difícil e incrível!
Ri sem querer, pois sempre foi muito engraçado o jeito dele de repetir as últimas palavras que diz. Cada Pomper tem um jeito diferente e engraçado de conversar.
– Isso me deixa feliz, você está ficando cada vez mais forte. Já disse para os seus pais?
– Claro! Eu até subi em uma árvore na frente deles... na frente deles! — Ele até deu um pequeno pulo em suas últimas palavras repetidas, acabei rindo novamente.
– Eu também quero ver. Você pode ficar comigo hoje o dia todo? Como é final de semana quero aproveitar até de noite.
– Posso sim, minha mamãe me deixa brincar o dia todo, só que tenho que voltar para casa antes de dar 6:00PM, é o que ela sempre diz... ela sempre diz!
– Certo!
Fomos tomar sorvete, depois fomos ao parque, escorregamos, balançamos, pulamos e tudo. Coloquei ele sobre minha nuca e fui pular de casa em casa, eu sabia que isso era demais para ele. Avistamos de longe uma floresta bem bonita. Estávamos dispostos a nos aventurar nela, mas já deu a hora de eu voltar ao castelo e me preparar para ir ao acampamento.
– Temos que voltar, Eduardo.
– Tá bom, vamos voltar... vamos voltar!
Voltei pulando de casa em casa com meu melhor amigo em minhas costas até chegar ao meu castelo. Fui direto até o meu pai.
– Pai, avise à mãe do Eduardo que ele vai comigo hoje a um acampamento. — Disse apressado e fui ao meu quarto me arrumar. Meu amigo foi junto. O meio de contato à distância que utilizamos é o Maxy. Esse objeto é de metal, seu formato é triangular, cada palavra dita perto dele cria ondas de ar que é emitido até alcançar outro Maxy, este por sua vez traduz as ondas de ar recebidas e as expulsa em voz. Para conversar ou deixar mensagem a alguém pelo Maxy, os donos dele devem bater a parte de baixo desse objeto um contra o outro e dizerem uma senha, e quando quiser contato deve-se dizer essa senha para que um Maxy se conecte a outro.
A mensagem de voz mandada por Maxy é traduzida e falada imediatamente pelo outro Maxy e se não for respondida este Maxy entende que seu dono não está em casa e memoriza a mensagem recebida. Quando a porta da casa abre, o ar expulso por ela é recebido pelo Maxy e ele entende que alguém chegou, imediatamente repete a mensagem que tinha recebido.
Um Maxy tem uma consciência mecânica. Um TeMaS tem a capacidade de usar sua própria existência para criar um Maxy, criar sua consciência e sua funcionalidade. Depois apenas basta recarregá-lo dando a própria existência para ele, mas isso só é necessário uma vez na vida.
– Então eu também vou? Com certeza vai ser muito legal... muito legal!
– Somos quase inseparáveis, hehehe. — Já estava arrumado e esperava por meu amigo.
– Estou pronto... estou pronto! — Dizia ele, com uma roupinha bonitinha.
Descemos para a saída do castelo, vimos as 20 crianças que iriam conosco para o acampamento.
– Pronto, crianças? Já estamos saindo. — Falei.
– Estamos prontos! — Disseram todas elas.
O coordenador delas ficou no castelo e comecei a levá-las para o local do acampamento.
– Olha que bonitinho esse bichinho. — Disse uma garotinha e pegou o Eduardo no colo. Ele tem 69 cm, praticamente metade do tamanho dessa garotinha. Todas as crianças aqui tinham mais ou menos 10 anos.
– Ei, quem mandou você me pegar no colo?... me pegar no colo! — Disse o Eduardo.
A frente eu vi a Emile caminhando, e então me desconcentrei por completo do Eduardo e da garotinha.
– Oi, Emy.
– Vas. Aonde você vai com essas crianças? Não venha me dizer que quem comandava o trafico de crianças era você. Por que fez isso? Sempre acreditei na sua honra.
– Não! Eu não faço essas coisas, acredite em mim. — Fiquei sem reação.
– Eu estou brincando — ela riu -, adorei ver sua reação, eu deveria ter tirado foto do seu rosto.
– Suas brincadeiras só são legais para você. — Ainda estava meio sem graça. — Se você não tiver algum compromisso importante, venha comigo para um acampamento com essas crianças.
– Eu não tenho. Um acampamento? Já que você é péssimo em cuidar dos outros, eu vou te ajudar nessa. — Ela riu de mim.
– Hoje você está inspirada para brincadeiras contra mim, hein. — Encaro a Emy, e ela mostra a língua para mim.
Voltamos a caminhar de novo. Na reunião foi dito para eu escolher um lugar de meu agrado para o acampamento, e eu com certeza vou fazer naquela floresta que eu e Eduardo não pudemos entrar mais cedo.
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