A História dos Selvagens - Parte 2 - Raiva
23 Fernando: A sede dos revolucionários
_Uau!_ Disse Felipe, quando contei toda a história meus amigos. _Isso é... incrível.
Eu não me sentia nada incrível. Deixei de fora as visões que tive antes de “ativar” o poder. Era perturbador demais pensar naquilo pra mim. Pensar em tudo, num retrospecto... tornava a missão bem mais assustadora.
_Isso não é nada incrível, Felipe!_ Disse Letícia, um tanto irritada. _Fernando mesmo disse que é um poder incrível, mas difícil de controlar. Se ele se descontrolar...
Ela não terminou a frase, porque sua voz falhou. A experiência a havia aterrorizado, quase tanto quanto aterrorizou a mim. Era difícil ver ela assim. Ok, eu sei, eu tenho falado muito dela ultimamente. Mas, caramba, era bem mais fácil conversar com ela do que falar com Felipe. E também, sei lá, eu me sentia meio culpado com ela, eu acho. Desde a nossa fuga do Governo, ela estava agindo de um modo distante, e eu sentia como se a culpa fosse minha (E talvez fosse mesmo).
_Vai dar tudo certo._ Prometi. _Eu não vou me descontrolar, vou aprender a controlar isso.
Felipe olhou pra mim de um jeito engraçado, e começou a andar na frente. Quando ele se afastou o suficiente, Letícia se aproximou e disse de modo que só eu conseguisse ouvir:
_Fico feliz por estar vivo.
Eu sorri.
_Você já disse isso duas vezes hoje.
Ela riu.
_Acho que daqui em diante vai virar hábito.
Eu ri junto com ela.
_Fico feliz por estar viva, também.
O rosto dela se iluminou. Ela sorriu e tomou a frente, se virou pra mim, e me abraçou. Eu senti meu rosto esquentar e um sorriso muito idiota aparecendo.
_Ei, vocês dois._ Disse Felipe. _Vamos rápido com isso.
Letícia riu. Pude ver que o rosto dela também estava ligeiramente vermelho. Ela correu na frente, para alcançar o irmão. Felipe me esperou, com uma sobrancelha erguida. Ele me olhava de um jeito engraçado, com uma sobrancelha erguida. Mandei meu melhor olhar de “cale a boca” e segui em frente. Era bom ver que os dois estavam bem. Prometi a mim mesmo que não deixaria que nada acontecesse a eles.
O resto da viagem foi silenciosa. Vimos o a sede dos Revolucionários, que realmente parecia uma base militar. O prédio era alto, cheio de buracos, simulando janelas, mas sem o vidro. A área do lado de fora era o suficiente para treinar um exército. O prédio era cercado por uma cerca de metal. Havia um portão, que estava sendo guardado por três guardas. Nos aproximamos.
_Ahn, queremos entrar._ Tentei.
Os guardas se limitaram a nos olhar.
_Ninguém pode entrar sem a permissão do líder._ Falou um deles.
Eu e meus amigos nos entreolhamos.
_Então nos deixe falar com o seu líder.
Os guardas riram e não responderam. Letícia, então desafiou:
_Ou nos deixam entrar, ou a gente entra a força.
Os guardas olharam pra ela, com olhares de desdém.
_Querem nos desafiar?
Eu puxei a espada, Letícia puxou a adaga e Felipe puxou a arma.
Os guardas puxaram suas espadas e atacaram. Eu e meus amigos lutamos como demônios. Não pude prestar muita atenção neles, mas eu desviava, atacava, defendia, tudo num milésimo de segundo. Desejei que o meu poder estivesse ativo, mas nada aconteceu. Passaram cinco minutos, até que uma voz exclamou:
_Parem!
Eu e meus amigos tínhamos as nossas armas apontadas para as caras dos soldados. As espadas deles estavam caídas no chão. Como Felipe havia ganhado com uma pistola um combate corpo a corpo contra uma espada, eu jamais saberia.
Olhei para a fonte da voz. Era um cara, de mais ou menos 16, com cabelos loiros e olhos verdes. Ele olhou pra mim com um olhar soturno.
_Desculpe pelo mal entendido._ O garoto falou, e por um momento, pensei que ele fosse o líder. _O nosso líder que conhecer vocês. Por favor, me sigam.
Ele entrou no prédio, e os guardas se afastaram para que nós pudéssemos passar. Eu e meus amigos nos entreolhamos.
_Armadilha?_ Perguntou Letícia.
_Só tem um jeito de descobrir._ Respondeu Felipe, então olhou pra mim.
Eu dei de ombros.
_Temos alguma coisa perder? Estamos aqui... vamos acabar logo com isso.
E juntos, eu e meus amigos entramos no prédio dos revolucionários.
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