A História de um Dragão Chamado Spike
59 As Pôneis Six Rumo ao Sul - Bomb 5 de 5
Notas iniciais
Os exércitos dividiram-se em dois blocos com a fila de trens ao centro que ia a velocidade reduzida, nos céus esquadrilhas de Wonderbolts iam e vinham patrulhando os arredores de forma a avistar possíveis emboscadas.
A frente de todos ia princesa Celestia com Luna a seu lado, ambas trajando armaduras de guerra, logo a seguir as pôneis six com seus Elementos presos aos pescoços. A marcha era um pouco tensa apesar do dia claro, pelo caminho era possível observar marcas isoladas da batalha, árvores parcialmente queimadas ou quebradas, círculos de grama queimada com restos de cinzas e algumas crateras indicando impactos de objetos grandes, realmente foi uma sorte nenhum desses choques ter danificado a ferrovia, uma das crateras terminava a um pouco mais de um metro dos trilhos.
Pinkie Pie ia sempre saltitando aparentemente tranquila, quando Applejack lembrou-se que a Fazenda de Rochas da família Pie ficava próxima a divisa com as Bad Lands, será que ela não estaria preocupada? Quando a família Apple os visitou, ela se lembrava das diversas cavernas de mineração que havia em sua região.
— Não se preocupe Applejack, lá na fazenda as cavernas tem espaço para abrigar todo o povo de Dodge City e Appleloosa tranquilamente. – disse Pinkie Pie como se seu sensor sobrenatural estivesse adivinhando o que se passava na cabeça da amiga.
Fluttershy colhia informações dos poucos animais que ainda estavam por ali, elas preferiram se abrigar a correr o perigo de ser atingidos numa fuga desesperada. Elas contavam das diversas brigas entre dragões e criaturas de sombras, mas o que a assustou mais era o fato de que alguns dragões ficaram tão feridos que tiveram que ser carregados para algum lugar ignorado, a cratera formada próxima de trilho, era de um dragão que havia sido derrubado dos céus, se não tivesse recebido ajuda dos companheiros... Pelo menos, o relato indicara que ele estava consciente quando fora carregado, porém suas asas haviam recebido grandes danos.
Fluttershy traduzia simultaneamente as histórias dos animais às outras, ao terminar de ouvir o relato pediu aos pequeninos para procurarem abrigo, e logo depois mordeu os lábios de preocupação.
— Oxe eu nunca pensei que um dragão pudesse ser ferido. – disse Applejack ela olha para trás relembrando que o buraco era de pelo menos de um dragão de porte mediano.
A preocupação com Spike aumentara.
— Não temam pelo pequeno Spike, nessa batalha estar junto de Éfeso é o local mais seguro de todos. – disse Celestia.
Talvez, mas um dragão tão grande assim provavelmente estaria na frente de batalha, será que há algum oponente capaz de derruba-lo? A cratera que ficara para trás não era nem metade de seu tamanho.
Rainbow Dash notou a inquietação de Fluttershy, ela olhava para o céu e depois para o caminho, parecia perdida em pensamentos a jovem wonderbolt imaginava que aquela preocupação toda talvez não fosse só com o pequeno Spike.
— Calma garota ele está bem, pelo que eu vi o cara sabe lutar. – comentou Rainbow Dash levando sutilmente a amiga a se afastar das demais.
— Ah! Eu sei, a princesa Celestia falou que ele está com o Éfeso então está tudo bem...
— Eu estava falando do outro cara...
— De quem você está falando? – perguntou olhando para o lado.
— Do Blue, o grandão que você não tirava os olhos.
— Para com isso Rainbow Dash... Ele é um dragão.
— Para com isso nada! Eu vi seu olhar para ele ontem e é o mesmo daquela primeira vez na visita que ele fez quando estava na nossa forma, na época do festival em Ponyville, lembra? Além do mais ele é fortão e ainda tem a cor mais irada de todas: azul. – falou dando uma risada – Olha Fluttershy em outros tempos eu até diria para você tomar cuidado em relação a ele, mas nunca vi você olhando assim para alguém desde que nos conhecemos e apesar de tudo que ele fez se infiltrando entre nós o carinha parece ser legal.
— Mas somos tão diferentes...
— Ele é um dragão que pode virar um pégaso sua boba.
Isso realmente mexia com os pensamentos da jovem, ele era um dragão, mas podia virar um pégaso.
— Como é que é? Você está gostando de um dragão? Que absurdo! – intrometeu-se Discord.
— A não enche ô chatonildo, isso é papo de garotas. E de onde você veio?
— Eu estava logo ali, não tenho culpa que uma de minhas orelhas estava aqui. – falou pegando uma pequena orelha com asinhas que as estava acompanhando – Ouvir as fofocas do front me ajuda a passar o tempo. Mas voltado ao assunto Fluttershy, não se meta com os dragões eles são egoístas, egocêntricos e irritantes...
— Você está descrevendo os dragões, ou lendo seu currículo? – provocou Rainbow Dash.
—Rá... Rá... Rá... – Discord desdenhou com uma risada lenta – Virou piadista também? Mas te garanto que eles se importam mais com um punhado de pedras do que qualquer outra coisa, sempre olhando para os outros com seus narizes flamejantes empinados como se fossem os donos do mundo, e dane-se todo o resto.
— Ele não é assim! – falou num tom surpreendentemente irritado batendo com os pés no chão Fluttershy fechou o semblante do seu rosto e continuou a caminhada acelerando o passo.
Rainbow Dash e Discord pararam e se entreolharam ainda surpresos pela reação da jovem.
— Tudo bem, mas quem avisa amigo é. Depois não venha reclamar. – completou Discord.
— Por Celestia, você não sabe quando ficar quieto não? – reclamou Rainbow Dash – Fique sabendo que ela, sei lá o porquê, te considera um grande amigo, mas não se iluda que isso irá evoluir para algo mais, se você não tomar cuidado até a amizade que você conquistou pode ficar a perigo. – completou a pégaso numa voz mais baixa.
— Eu sei exatamente quais são meus sentimentos, ô crina colorida, e é exatamente por isso que tenho que tentar abrir seus os olhos, dragões não são confiáveis, duvido muito que aquele dragão dará a sua “joia do coração” a ela.
— Joia do coração? Tá falando do quê criatura? — Perguntou Rainbow Dash. Fluttershy tinha se afastado, mas voltou a escutar a conversa nesse momento.
— Vocês não sabem? Ah. Como saberiam? É quando um dragão lapida uma pedra com todo o esmero e a guarda cuidadosamente, dar uma joia dessas significa entregar seu coração, sua vida a outro ser. Ele viverá para fazer esse outro ser feliz. Meio piegas não?
Fluttershy imediatamente lembrou-se da primeira vez* que encontrara Blue, tudo bem que aquela pedra não era lapidada, mas nessa hora muita coisa passou por sua cabeça.
— O que você disse? – era Rarity que se aproximara deles para ver o que estava acontecendo e escutara o final da conversa.
Nessa hora caiu a ficha na cabeça de Fluttershy e Rainbow Dash, “Joia do Coração”, “lapidar com esmero”... O rubi de fogo! Ambas sabiam que Spike arrastava uma asa por Rarity, mas aquilo era uma coincidência e tanto! Não teria como o Spike ter feito aquilo de forma consciente, pois ele não conhecia as tradições dos dragões, mas e se fora inconscientemente?
Rarity congelou por alguns instantes, ela guardava aquele rubi com tanto carinho, sabia que era um presente de coração, mas não imaginava que aquilo poderia representar literalmente o coração. Ao tentar questionar Discord...
— Ai caramba! — falou Discord e sumindo no ar, quatro vultos passaram voando sobre toda a coluna dos pôneis, deram a volta e pousaram na frente das tropas, eram dragões, um adulto (crista verde) e três que pareciam mais jovens (uma fêmea cobre, um verde e um híbrido com suas asas com plumas e pelagem em algumas partes do corpo), todos trajando suas armaduras, que possuíam algumas marcas de batalha.
Era impossível para as pôneis six olharem para aquele dragão e não lembrarem do Spike, e imaginarem o quão grande ele poderá ficar.
— Princesa Celestia eu presumo? Desculpe-me o tom rude, mas que raio significa isso tudo? – falou num tom que misturava surpresa e irritação.
— Eu desculpo o tom rude, mas isso não dispensa as apresentações acredito, eu sou sim a princesa Celestia governante de Canterlot, dos pôneis terrestres, dos pégasos e unicórnios, venho auxiliada de outros povos de Equestria no intuito de participar dos fatos que definirão o destino do mundo que compartilhamos.
O dragão ficou meio atordoado com a imponência e altivez da alicórnio, mas ainda assim não deu o braço a torcer.
— Me perdoe senhora, ó governanta dos pôneis, me chamo Baltus, 8° esquadrão do 15° exército do rei sob comando de lorde Hiperion, aprecio a coragem de vocês, mas ainda assim recomendo fortemente que retorne com suas tropas e protejam sua terra natal.
— Nós agradecemos sua recomendação, mas estamos próximos de nosso objetivo agora, e não gostaríamos de perder a viajem. Tem algo mais a dizer? Ou cada um de nós pode retomar seu caminho?
O dragão tinha bons motivos para ficar irado com aquela resposta atravessada, mas independente de sua opinião sobre a “utilidade” das outras raças no mundo ele ainda estava perante a realeza, algo que no seu íntimo respeitava com todas as forças. Ele observava a grande coluna de povos unidos, pôneis, grifos, iaques e os recém modificados changgelings, nunca vira tantos seres reunidos, um certo sentimento de admiração com a cena surgiu em seu coração, não era sua missão impedir a passagem dessas criaturas para qualquer lugar que quisessem ir, e sim caçar grupos de inimigos que por ventura tentassem furar o bloqueio dos dragões, ou orquestrassem algum ataque pela retaguarda.
— Que seja vossa alteza. – fez uma reverência da forma mais respeitosa possível – Mas rogo que siga meu aviso. Continue seu caminho pelos trilhos via Appleloosa, a trilha norte está bloqueada ao aproximar-se das cordilheiras ao oeste das Bad Lands você avistará uma rocha chamada Face do Dragão com o caminho que as cortará para leste, lá você encontrará mais de meus irmãos. O que verá talvez a faça mudar de ideia. E se depois disso você quiser continuar sua marcha ao sul... – ele se aproxima respeitosamente e fala para que só os mais próximos possam ouvir – Bem, poderá ser o seu funeral, mas a decisão é sua. Que bons ventos a levem. – afastou-se fazendo outra reverência – Pelotão! Continuemos nossa missão! — E os quatro levantaram voo rumo leste.
Discord aparece diminuto, estava escondido debaixo da crina de Fluttershy.
— Eles já foram?
— Já. — respondeu Fluttershy.
Enquanto isso, Rarity ficara quieta, nem prestara atenção a conversa entre Celestia e Baltus, outras coisas preenchiam sua mente.
Celestia não mudou o semblante em momento algum, somente Luna e Twilight ouviram a advertência final de Baltus, mas apenas aguardaram a próxima ordem.
— Pelos trilhos até as cordilheiras! – gritou Celestia e assim prosseguiram.
(*) ver Capítulo 2 – “O Espião” com o primeiro encontro entre Fluttershy e Blue.
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