Notas iniciais
Oiiiiiii, cheguei com mais um capítulo!!! Boa leitura pra vocês e até logo! ♥

A chuva estava forte, o mar muito agitado, a família Walker voltava de uma viagem feita a Europa, o grande navio da marinha inglesa rangia com as ondas fortes, dentro da cabine do capitão uma mulher abraçava uma garotinha, sua filha, que chorava desesperada. Seu pai estava lá fora, ajudando os homens a controlar o navio.

E então um raio cortou o céu, um tentáculo emergiu da água atingindo o mastro do navio, homens gritavam ordens, enquanto outros eram lançados ao mar pelas ondas.

— ELIZABETH — o Sr. Walker gritou assim que arrombou a porta da cabine. — VÁ, SAIA DAQUI, ALGUM MONSTRO ESTÁ PARA DESTRUIR O NAVIO, PEGUE VIOLET E FUJA!

A mulher agarrou o braço da menina e se pôs a correr para fora da cabine, assim que saíram um tentáculo gigante destruiu aquela parte do navio. Elizabeth correu e pegou um pedaço de madeira do navio quebrado, se virou para a menina que chorava, Elizabeth era uma mulher jovem e bonita, sua filha parecia muito com ela, tinham os mesmos olhos, e a mesma cor de cabelo, um castanho escuro.

Violet chorava, sua mãe se abaixou com muito sacrifício e lhe deu um abraço demorado afagou o cabelo da menina e lhe deu um beijo na testa.

— VIOLET, OLHA PRA MIM — a jovem gritou devido ao barulho do mar e do navio quebrando. — QUANDO CHEGAR A HORA VOCÊ DEVE PULAR NO MAR, NÃO FIQUE AQUI, O MONSTRO NÃO VAI TE VER, APENAS PULE ESTÁ BEM?

— E VOCÊ, MAMÁ? — Violet gritou de volta.

— VOU ESTAR LOGO ATRÁS DE VOCÊ, MI ÁNGEL.

A menina confirmou com a cabeça, ambas se rastejaram até a borda do navio, Violet deu uma ultima olhada para trás, pra ver seu pai, e o viu empunhando uma espada e fazendo cortes profundos nos tentáculos.

— VIOLET — sua mãe gritou. — AGORA!

E a garotinha pulou, toda desajeitada, a queda era alta e doeu quando atingiu a água. Rapidamente se agarrou no pedaço de madeira, que afundou e logo depois subiu novamente, conseguiu ficar em cima dele, sua mãe escolhera bem, cabia seu corpo perfeitamente em cima. E então Violet olhou para cima tentando localizar sua mãe.

A mulher arrumou um pedaço de madeira pra si e correu para pular, deu uma última olhada no marido e pulou, estava chegando perto da água quando um tentáculo lhe agarrou. Elizabeth sumiu na escuridão da noite.

Violet gritou até perder todas as forças e desmaiar.

Com um sobressalto, Violet caiu da cama. Levantou com a mão na cabeça, ouviu o bom e velho barulho dos marujos cantando suas cantigas de pirataria.

Calçou as botas, pegou sua adaga e chapéu e abriu a porta da cabine, os marujos andavam de um lado para o outro, dividiam uma garrafa de rum e dançavam com suas espadas.

— Velas ao vento, homens ao remo, navegando em alto mar— Hector cantava alto enquanto cuidava do leme, os marujos repetiam suas palavras.

— Muito rum pra nos alegrar— Violet cantou pegando a garrafa de rum e tomando um gole, devolveu a garrafa a um homem aleatório e subiu até o leme. — Ouro e tesouro é o que queremos, os ingleses afundar! Vamos seus vermes, cantem!

A tripulação se pôs a dançar ainda mais enquanto repetiam as palavras da capitã.

— Navegamos a noite inteira — Hector se virou pra capitã enquanto os homens no convés continuavam cantando. — Estamos a algumas horas do rei.

— Continuaremos nesse ritmo então, preciso dar um abraço no meu velho pai e comprar novos barris de rum! — disse gritando a última parte.

Os marujos deram vivas bem altos, Hector balançou a cabeça divertido e voltou a cantar.

— Somos piratas, todos contentes, saqueando navios ingleses.

— Briga pra nos alegrar! — a tripulação cantou.

— Um marujo jamais nos deixará, sem antes na prancha caminhar— Violet imitou um maestro sacudindo sua adaga enquanto guiava seu coral.

— E essa noite haverá — os marujos continuaram — boa música e rum para nos divertir!

Os homens caíram na gargalhada.

Violet se encostou na borda do navio, levantou o rosto em direção ao sol, sua pele morena contrastava com seu cabelo azul.

Os homens continuavam cantando músicas aleatórias, Violet começou a andar pelo navio, caminhou entre eles, ora trocando conversa, ora dando ordens, foi nesse ritmo até chegar na proa, puxou as barras da calça e se sentou no chão observando o horizonte.

Violet procurou não pensar muito no seu sonho, sempre tivera sonhos assim e sempre foram intensos desse jeito. Passou a observar o esqueleto preso no seu navio, tinha uns dez metros, todo de madeira, carregava três esqueletos pequenos nas costas, e lembrou de como havia conquistado ele.

Há mais ou menos três anos Violet estava num porto na Inglaterra, seus marujos estavam em algum lugar gastando todo o ouro que haviam faturado com rum e mulheres, e ela estava ali, olhando seu velho pedaço de madeira descascado, precisavam de um navio novo. Um boato de que o pirata, August Lestrange estava no cais chegou ao seu ouvido, como a notícia que ele tinha um navio novo. Não demorou muito pra ela achar o navio, com velas negras. Haviam rumores de que o navio era do destemido Davy Jones, claro, Violet riu quando ouviu isso, ela já estivera cara a cara com o terror dos piratas, e seu navio não se igualava a nenhum no mundo todo.

Na mesma noite Violet se encontrou com August, apostou seu navio que vencia uma luta de espada do melhor marujo do homem, ele como qualquer outro subestimou a força da mulher, acabou com seu melhor marujo morto. Rendido, entregou o navio pra bela moça, e ela ainda conquistou uma pequena parceria.

Batizou o navio de Embarcador da Morte, e um mês depois Violet afundou três navios reais na mesma semana, fazendo jus ao nome.

Ainda sentada na proa do navio sorriu ao se lembrar de sua melhor conquista do mundo. A moça era diferente de qualquer pirata existente, usava todas as formas de armas possíveis, de canhão a sedução, corajosa e pronta pra ação, e o seu forte era improvisar, ela adorava improvisar, tanto que já fugiu das garras do rei e seu exército cinco vezes.

— Está tudo bem, capitã? — Hector se aproximou a passos leves.

Era por isso que ele era seu braço direito, era loucura uma mulher confiar a vida a um homem, ainda mais quando este era pirata, mas os dois se conhecem desde pequenos, e quando Violet ganhou seu título Hector foi o primeiro homem a aceitar por os pés num navio conduzido por uma mulher.

— Estive pensando Hector — Violet passou a encarar o mar. — Qual o homem vivo que já viu o Kraken?

Hector se permitiu sentar ao lado da moça, sua camisa rasgada estava amarrada na calça, o homem gostava de sentir a brisa do mar e o calor do sol sobre sua pele. Violet não podia negar que seu marujo tem um corpo bem avantajado e um rosto digno do trono, mas ela não assumiria isso pra ninguém.

— O único sobrevivente de todos os sete mares a avistar o Kraken foi o Arquiduque Elior Walker.

Violet manteve a expressão tranquila no rosto, mas dentro de sua cabeça ela sorria divertida. Elior Walker não foi o único sobrevivente naquela noite, mas não disse nada. Nenhum de seus marujos sabiam que ela era filha do Arquiduque, quem sabia disso era Marcus, e com certeza seu braço direito, mas fora os dois, nem mesmo o Sr. Walker suspeita que sua filha é agora a pirata mais procurada pelos ingleses.

— Capitã — um homem barbudo se aproximou — estamos chegando.

— Eu sempre me surpreendo com a velocidade deste navio — Violet comentou.

— Você possui um dos navios mais veloz dos sete mares — o homem continuou. — Não deveria estar surpresa.

— Guarde essas bajulações para o Kraken, Edmundo — Violet sorriu sob a sombra do chapéu. — Mande os homens ficarem em seus postos quando chegarmos lá, o rei não fará nada enquanto estiver seguindo a reunião, mas não confie em seus guardas.

— E Marcus? — Hector disse.

O sorriso desapareceu do rosto da capitã.

— Não sei o porque do rei enviar ele, mas te garanto que não é um pedido de paz.

Violet se levantou e caminhou até sua cabine, entrou no local e pegou sua espada e um saco de moedas de ouro, saiu da cabine e se deparou com Hector, parado bem em frente a porta.

— O que foi?

— Eu vou com você — Hector lhe lançou um olhar profundo.

— Não, você vai ficar aqui, preciso que alguém coloque ordem no navio enquanto eu estiver fora — relutante ele concordou com a cabeça. — Muito bem, atenção suas aberrações marinhas — Violet começou a gritar. — Se eu não voltar até o pôr do sol vocês podem saquear a cidade — a tripulação soltou um rugido de aprovação. — Mandarei alguém vir trazer o rum, não sejam grosseiros e deixem os entregadores viver. Até logo, vermes.

Caminhou até o barco a remo e subiu nele afrouxando as cordas. O barco deslizou rápido até atingir a água, Violet deu um suspiro pesado e se pôs a remar, voltou a se lembrar do sonho e a simples ideia de rever o arquiduque fez seu corpo se arrepiar.

Passou dez minutos remando e então desembarcou no cais, caminhou até um bar próximo e comprou cinco barris de rum, infelizmente seu dinheiro não dava para comprar mais, saiu do bar e começou a andar pelas ruas movimentadas da Inglaterra.

Violet recebia olhares reprovador de várias damas que passavam com suas criadas logo atrás carregando os pesados vestidos no braço, a pirata sorria para todas enquanto as cumprimentava com um aceno de cabeça, ela simplesmente adorava quando as mulheres lhe olhava com desgosto e desconforto. Alguns brutamontes riam quando ela passava, e a moça sorria de volta, se eles soubessem quem ela era não estariam nas rua agora.

A caminhada até o palácio foi longa, parara algumas vezes para apostar nos jogos de dados que alguns homens desesperados por dinheiro jogavam, Violet ganhou todas as apostas e seu bolso voltou a se encher de moedas. Quando chegou nos portões do palácio os guardas causaram um alvoroço, havia flechas e armas de fogo apontada para a pirata, ela fez uma brave reverência enquanto ria alto, pelo visto as mulheres da cidade não eram as únicas que reprovavam sua forma de vestir.

Com um rangido enorme os portões se abriram, um homem baixo e magro saiu do castelo, este deveria ser o criado pessoal do rei, olhou Violet da cabeça aos pés e contorceu os lábios em reprovação.

— Vossa majestade lhe espera, por favor senhorita me acompanhe.

Violet sorriu divertida e caminhou até os portões, os guardas ainda apontavam as armas pra ela, a moça virou pra eles e mostrou a língua enquanto os portões se fechavam.

— Antes de se encontrar com vossa majestade nós vamos lhe arrumar — o homem disse enquanto caminhavam pelo longo corredor do castelo.

— Arrumar? — Violet desviou os olhos dos quadros da parede para olhar o homem ao seu lado.

— Você não espera ver o rei nesses trajes enquanto é a convidada dele, espera? — ele parou de caminhar e lhe encarou raivoso.

— Porque dispensou os guardas? — Violet olhou em volta. — É tolo o bastante para não ter medo de mim?

— Eu sou o menor do seus problemas, derrubar um velho fraco é fácil, passar pelos milhares de guardas reais é outra história — ele recomeçou a andar. — Agora vamos, o rei está impaciente pela sua demora e não queremos nos atrasar mais.

Violet bufou indignada e se pôs a caminhar novamente enquanto pensava na melhor maneira de matar aquele homem.

Notas finais
caso queira ouvir a música do capítulo, é essa aqui: https://www.youtube.com/watch?v=YpUZSo_CVxM
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.