A História de Uma Semideusa - Crios
20 O Ínicio Da Batalha
Notas iniciais
Entrei no refeitório empurrando as portas, atrai muitos olhares curiosos, mas não me importei. Corri até a típica mesa do Sr. Terácio e encontrei-o sentado com uma garota dos cabelos lisos cor de chocolate e olhos verdes.
– Mary? – eu indaguei me aproximando.
– Beky! – ela exclamou, me abraçando.
– Como chegou aqui? – perguntei quando já estávamos sentadas na mesa.
– Sabe Lila e Brian? Então, o Brian é um sátiro e a Lila não fazia ideia de que estava namorando com ele, isso vai dar o mais babado na escola!
– Conversamos daqui a pouco, ok? Tenho assuntos de vida ou morte para resolver com o diretor.
– Assunto de vida ou morte? – perguntou o Sr. Terácio, erguendo uma sobrancelha.
– Senhor, — eu comecei. – lembra que eu te contei como descobri que Mike era “do mal”?
– Sim. Ele estava na fonte falando com alguém.
– Era um centauro e eu analisei as minhas memorias e descobri que é um dos dois centauros que guardam a entrada do acampamento.
– Impossível! Aron e Cassio são de extrema confiança! Eles jamais...
Fomos interrompidos por um estrondo lá fora. Alguma coisa se aproximava com passos pesados. Todo o refeitório ficou em silêncio. Alguns semideuses pegaram as armas e eu apertei meu broche para caso ocorresse alguma coisa. Estava acontecendo alguma coisa. Tinha algo gigante lá fora e estava se aproximando.
O barulho dos passos foi ficando mais distante, até que inaudível. Será que seja-lá-o-que-for estava indo para a floresta? Ou estava destruindo o acampamento? Independente do que fosse, teríamos que impedir. Será que a guerra chegara mais cedo?
Comecei a me esgueirar por entre os semideuses chocados para chegar à entrada. Ninguém estava fazendo nada. Eu fui para frente da porta e me virei. Estavam todos murmurando, muitos chocados. Tínhamos que fazer alguma coisa, não era possível que eles não percebessem!
– Ei! – gritei com toda força.
Todos se viraram pra mim.
– Tem alguma coisa... – eu comecei, mas os olhares assustados dos meus colegas me fizeram parar.
Ouvi um barulho atrás de mim. Primeiro pensei que tivesse alguma coisa errada comigo, mas depois percebi que os olhares estavam direcionados para algo acima de mim. Virei-me e vi uma enorme lâmina descendo na minha direção, um centauro a empunhava, me preparei para a morte que eu já sabia que ocorreria, fechei os olhos. Mas a dor não veio a morte não chegou, não aconteceu nada. Pensei que morrer fosse assim, mas não poderia ser. Ouvi o som de metal se chocando com metal e uma mão me empurrando para trás. Ouvi alguém gritar “Pelo Acampamento” e ouvi sons de uma batalha.
Abri os olhos lentamente. Eu não tinha morrido. Estava caída no chão no meio do refeitório. Summy enfrentava o centauro que havia tentado me matar, ele (Summy, não o centauro) segurava um escudo e percebi que tinha sido aquilo que salvara a minha vida. Ao meu redor, semideuses corriam a procura de armas, os que as tinham lutavam contra uma tropa de centauros.
Levantei-me e peguei minha espada. Pelo visto a luta final havia sido adiantada. Corri em direção à batalha. Foi então que eu agradeci mentalmente a Summy e a Vickie por terem sidos ótimos professores de esgrima. Eu manuseava a espada com facilidade, destruindo centauros rapidamente. Eu tristemente percebi que aqueles centauros eram muito diferentes dos pôneis de festa sobre os quais eu havia lido. Eles eram violentos e ferozes, eram selvagens. Era algo que dava medo, mas eu me mantive.
Fui salva algumas vezes por semideuses cujo nome eu não me lembrava, mas já havia os visto no acampamento. Eu não era muito experiente e era jovem também, então eu era bastante vulnerável, mas eu lutava bem, então estava indo parcialmente excelente. Estávamos dizimando os centauros, mas mais vinham da entrada do acampamento. Percebi que as minhas suspeitas sobre os centauros da entrada estavam corretas, pena que eu havia avisado tarde demais.
Corri em direção á floresta, a coisa que andava pesadamente tinha ido obviamente pra lá. No caminho John e Leae se juntaram a mim e corremos juntos naquela direção, acabando com alguns centauros no caminho. Entramos na floresta, esta estava escura e sombria, seria um ótimo cenário para um filme de terror. Tentei seguir as trilhas que eu havia passado com os filhos de Hermes, mas de noite era difícil ver alguma coisa como a árvore torta que eu sabia que dava para a casa, onde ficava o livro das profecias.
– Pra onde aquela coisa foi? – indagou Leae.
Olhei pra ela. Ela estava com um corte na bochecha e um ferimento no braço. Tinha uma marca de casco no pé descalço dela, mas ela não parecia se importar. Percebi como ela tinha mudado desde o dia em que saímos do colégio arrastadas pelos nossos sátiros. Agora ela tinha um ar corajoso e parecia mais confiante.
– Eu posso invocar um raio para iluminar o caminho. – disse John.
– Iria chamar muita atenção. – respondi. – Nós estamos caçando, não desejamos ser caçados.
Ele concordou com um aceno de cabeça. Seu cabelo encaracolado que uma vez tinha sido eleito o mais bonito da sala, estava agora chamuscado em vários pontos. Ele tinha vários pequenos cortes pelos braços e percebi que ele havia uma espada especial. Tipo a minha, que foi feita pra mim, percebi que a dele também. Afastei esse pensamento da cabeça, porque eu precisava focar. Espremi os olhos para conseguir enxergar alguma coisa e foi ai que eu vi a trilha de árvores quebradas.
– Pelo visto esse monstro não tem intenção de ser discreto. – eu falei.
Seguimos pela trilha. No caminho vimos diversas ninfas das árvores chorando por terem sido derrubadas por alguma coisa gigante. Tentamos perguntar a algumas o que era, mas todas das quais nos aproximamos começaram a nos atacar com gravetos restantes de sua fonte de vida. Senti uma extrema pena daquelas ninfas. Queria poder ter os poderes de Deméter para curar todas elas, mas infelizmente (ou felizmente?) eu não tinha sido dotada com esse dom.
Caminhamos por bastante tempo até chegarmos a uma enorme clareira. No centro estava uma enorme mansão. Ao lado da mansão estava o maior centauro do mundo, segurando o livro das profecias.
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