A História de Uma Semideusa - Crios

9 Eu Fico Presa no Templo de Gelo


Eu acordei em uma sela. Pelo menos era o que parecia. Estava em uma gruta com paredes escuras e na minha frente tinham barras de ferro. Os cantos do lugar eram escuros. Eu estava em pé no meio da escuridão. Em um dos cantos, eu ouvi um gemido. Procurei minha espada, até me dar conta de que ela não estava lá. Aproximei-me do lugar de onde viera o gemido, devagar. Até que encontrei, encostado na parede escura e cheia de poeira, um garoto.

Ele parecia ser no máximo, um ano mais velho do que eu. Usava uma calça jeans toda rasgada e suja, uma camiseta vermelha esfarrapada e também rasgada e um moletom verde escuro, também bastante esfarrapado e velho. Ele segurava um copo de metal com água e um prato, também de metal, com um pedaço de pão. Quando me aproximei, ele me olhou temeroso. Havia medo em seus olhos, mas também havia ódio.

– Olá?

– Oi. – respondeu o menino, com a voz fraca.

– Como é o seu nome?

– Holl.

– Eu me chamo Beky.

Sentei-me do lado de Holl. Ele me olhou e depois agiu como se eu não estivesse ali. Eu tenho que admitir: estava assustada. Não sabia onde estava, não sabia quem era aquele menino que dizia se chamar Holl, não sabia como viera parar ali, não sabia como sair dali e nem por que estava ali. Só sabia que estava frio e escuro e que eu estava com muito, muito medo. Ao perceber que eu estava tremendo, Holl partiu seu pedaço de pão em dois e me ofereceu uma fatia. Eu peguei o pão.

– Obrigada. – murmurei.

– Você parecia com fome. – ele respondeu.

– Sabe onde estamos?

– Em um calabouço no Templo de Gelo.

– O que é o Templo de Gelo?

– O reinado do titã Crios.

– Esse cara não estava no Tártaro?

– Não sei.

– Como saímos daqui?

– Não tem saída. Só se um dos gigantes hiperbóreos tirar você daqui, o que raramente acontece.

Depois desse comentário feliz, ficamos em total silêncio. Holl também me ofereceu um gole da sua água e eu aceitei. Acho que não era tão bom ser uma semideusa como eu esperava. Se eu não tivesse sangue divino, provavelmente estaria agora na minha casa almoçando um delicioso macarrão. Mas se eu não tivesse decidido enfrentar o monstro, ou se eu tivesse corrido para outro lugar que não a floresta, talvez agora eu estivesse tendo a minha aula de esgrima com Summy ou Vickie. Ou se o Mike não tivesse aparecido, eu poderia ter matado o monstro e voltado para o refeitório como heroína. Essa seria a melhor opção.

Um tempo depois, eu não aguentei mais de frio.

– Holl, você tem outro casaco? – perguntei.

– Sim. Tem o da outra garota que vivia aqui, Geny. Acho que está do outro lado da cela.

Eu me levantei e fui até o outro lado. De fato, lá tinha um casaco cumprido, estilo inglês retro. Eu o teria até achado fashion, se eu não estivesse em uma cela no palácio de um titã. Depois de aquecer meu corpo, voltei para o lado de Holl.

– O que aconteceu com ela? A garota que vivia aqui? – indaguei.

– Foi levada e eu nunca mais a vi. – Holl respondeu. – Ela era minha irmã.

– Sinto muito pela sua irmã. Como vocês vieram parar aqui?

– Sou um semideus. Provavelmente você também é, já que te trouxeram aqui. Eu estava com minha irmã e Bill, um sátiro, a caminho de um acampamento que Bill disse ser seguro para nós. No caminho, achamos dois gigantes hiperbóreos. Minha irmã matou um, mas o outro nos segurou e nos apertou. Depois aparecemos aqui dentro.

– Quem é o pai ou a mãe de vocês? Quer dizer, divino.

– Somos filhos de Hefesto.

– Conheci um irmão de vocês. O nome dele é Grus. Ele é um cara legal e fez uma espada pra mim. Ela se transformava em broche pra estar sempre comigo.

– Ainda bem que você não a perdeu.

– Perdi sim! Assim que eu cheguei aqui eu conferi!

– Então você tem dois broches em formato de espada?

– Não eu só tenho um, mas como eu disse, eu o perdi.

– E o que é então esse broche em formato de espada preso na sua camiseta?

Eu olhei para minha camisa, certa de que Holl havia passado tempo demais no escuro e agora estava ficando louco. Mas não. O broche em formato de espada que Grus fez pra mim ainda estava lá. Era a única coisa que brilhava naquele lugar escuro. Eu o tirei e fiquei encarando-o encantada. Mas como o broche aparecera ali? Será que era encantado para voltar sempre pra quem o usar? Apesar das minhas dúvidas, eu consegui ficar feliz. Pelo menos tinha a minha espada para usar. Holl olhava para mim e não para o meu broche, o que me fez levantar uma sobrancelha para ele. Surpreendentemente ele sorriu um sorriso leve e sem expressão, mas um sorriso. Eu sorri de volta.

– Já temos uma arma, agora como vamos sair daqui? – eu indaguei.

– Só tem uma entrada e saída: pela frente. – Holl me respondeu.

– Então temos que fazer com que nos levem.

– Impossível. Não tem como falar com ninguém daqui.

– Então como é que você come?

– Toda sexta feira eles trazem sete pães e sete garrafas de água.

– Quando eles vierem trazer, vamos dar um jeito de escapar!

– Parece um bom plano.

– Eu sei, muito obrigada!

– Eu fui irônico!

– Affs! Mas se nós não sabemos onde fica a saída, não sabemos nada, então teremos que improvisar!

– Eu tenho um mapa do templo. Que inclui as masmorras.

– Pegue. Vamos usa-lo.

Durante quatro dias, eu e Holl trabalhamos no mapa. Era sábado, então nos teríamos bastante tempo para nos prepararmos. Como não havia comida exclusiva pra mim ainda, eu e ele dividíamos os suprimentos. No quinto dia, porém, tivemos uma visita inesperada.

Notas finais
Quero reviews!!!!!!!!!!!!!