A História de Uma Filha de Deméter
3 O Começo das Férias de Verão
Notas iniciais
E lá estava eu. Cheguei as 7h30 da manhã, que é o horário em que os semideuses acordam normalmente.
Eu tinha pegado todas as minhas coisas, vesti uma calça jeans rasgada, a camiseta do acampamento, coturnos marrons, arrumei meu cabelo em uma trança com margaridas presas nela, e uma tiara com flores vermelhas. Eu usava um colar com o símbolo da paz e várias pulseiras coloridas. É, eu estava parecendo uma hippie, como sempre.
Eu e minha mãe entramos no acampamento, e fomos direto para a casa grande. Não vimos nenhum semideus, mas com certeza teriam ter achado estranho, pois ela usava um longo vestido verde escuro e havia uma tiara de folhas e trigo em seu cabelo castanho.
Fomos até a casa, que era azul e feita de madeira, e tinha dois andares. Na varanda estava Dioniso e alguns sátiros jogando pinochle, e Quíron do lado de fora, andando de um lado para o outro. Quando nos avistou, disse:
–Ah, vocês chegaram! Estava preocupado que viessem depois das oito horas. Os semideuses iriam ver você, Deméter, e iam pedir para que seu pai ou mãe viesse também. Ia ser uma confusão.
– Com certeza, Quíron. Viemos mais cedo, como nos pediu.
– Ótimo. Eles estão fazendo a inspeção do chalé, e logo depois vão tomar café da manhã. Então dá tempo de explicar tudo. -ele se dirigiu até mim, apertou minha mão e disse- Então você é Melinda Wright.
– Acho que sim, né.
– Muito prazer, Quíron. E aquele é...
– Tio D!! -eu gritei e fui na direção dele, dando um abraço, que o deixou confuso.
– Ahn... tudo bem, criança, tudo bem. Oi.
Quíron e minha mãe começaram a rir, e me levaram para dentro da casa. Depois eles me explicaram um monte de coisas, me deram o horário das atividades e um mapa do acampamento, e que eu deveria ir até o chalé de Deméter para colocar minhas coisas lá.
E foi o que fiz, pelo mapa eu fui até a área dos chalés, e não pude deixar de notar que semideuses corriam de um lado para o outro, desesperados. "A inspeção de chalé", pensei, "Quem sabe meus irmãos precisam de ajuda". E no exato momento em que eu olhei atentamente para um dos chalés, soube que era o de Deméter.
O telhado era coberto por grama, e havia árvores no seu lado esquerdo. No direito, um jardim com muitas flores e verduras. Nas janelas haviam rosas e margaridas, e nas paredes verdes claras cresciam trepadeiras. Era incrível, e lembrava o templo da minha mãe.
Quando entrei, os todos os semideuses que estavam lá dentro olharam pra mim. Não consegui falar nada a não ser:
– Ahn... é... aqui é o chalé... — dei uma checada no mapa, mas não consegui ver nada sobre o número do chalé- ...seis?
– Não, aqui é o quatro. O seis é ali do lado -uma garota magra de cabelos castanhos apontou para a minha direita- E... os filhos de Atena não gostam muito de atrasos. Se eu fosse você eu correria para ajudar na limpeza do chalé.
– Ah, espera, Atena? -eu murmurei
– Sim, chalé seis, Atena. Você é novata, certo?
– Sim...
– Seu sátiro não mostrou o acampamento para você?
– Não tenho sátiro.
– Meus deuses, ela veio sozinha! Legal! — exclamou animadamente uma outra menina, mais alta que a primeira, e esta tinha cabelos verdes. Sim, verdes, e usava uma tiara com flores brancas.
– Olive, quieta. -ela disse para a menina de cabelos verdes- Você não parece ser filha de Atena. Já foi reclamada?
– Olha, eu nem sei o que é ser reclamada, mas eu sou filha de Deméter.
– Porque procura o chalé 6, então?
– O de Deméter não é o 6?
– É o 4, garotinha. De qualquer forma, seja bem vinda! Sou Katie Gardner, conselheira do chalé.
– Prazer, ahn... Melinda Wright. Mas vocês... me chamem de Mel.
Depois disso tudo, eles me receberam muito bem. Digamos que o chalé de Deméter não é um lugar onde tenha muita gente, são oito semideuses: Katie e Miranda Gardner (as irmãs por parte de pai e mãe, e Miranda era a mais velha, com 17, e Katie com 15), Olive Julles (15 anos, a animada garota dos cabelos verdes), Ryan Williams (veio de New Jersey, 16 anos, cabelos castanhos e pele morena), Josh Adams (17 anos, cabelos castanhos avermelhados e muito alto), Daisy Harper (loira, baixinha, 16 anos), Victor Cohen (magricela e meio atrapalhado, 17 anos) e eu (a caçula). Ah, e não vou esquecer de mencionar que todos nós temos os olhos iguais aos da mamãe.
Após terem arrumado uma cama para mim, eles me contaram sobre várias coisas que acontecem no acampamento, como: "das 8h as 9h é a inspeção do chalé e café da manhã" ou "cuidado com os filhos de Hermes, eles já encheram nosso chalé de coelhos", o que ouve resmungos pela parte das irmãs Gardner, que disseram que alguns filhos de Hermes não são tão ruins.
Depois de falarem sobre várias coisas, e de contarem sobre o que aconteceu com cada um antes de vir para o acampamento, perguntaram sobre mim.
– E você, Mel, como chegou aqui? — Katie sorriu para mim
– Bem eu... é uma longa história. Mas para resumir, eu vivo no Olimpo.
Todos arregalaram os olhos.
– Sério? Tipo... com a mamãe?
– Sim, eu fui abandonada pelo meu pai. Pra falar a verdade eu fugi de casa e procurei ela, que acabou cuidando de mim.
– Legal... e como é a mamãe? — Olive perguntou animada.
– Ah, ela é muito bonita. Acho que é a deusa mais incrível do Olimpo. E... ela tem os olhos iguaizinhos aos nossos. E os cookies integrais que ela faz são deliciosos. Mas o cereal parece vômito de unicórnio.
Ficamos um tempão nisso, conversando sobre nossa mãe. Eu tinha certeza que naquele momento, ela estava no Olimpo observando a gente, e sorrindo.
Quando olhei para meu relógio, vi que já eram 9h25.
– Já é 9h25... o que temos que fazer agora?
Katie Gardner pulou da cadeira e gritou:
– ATRASADOS PRA AULA DE GREGO ANTIGO. CORRAM, GENTE!
E lá se foi o chalé de Deméter, correndo para a aula de grego antigo.
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