A História de Karin
22 A Prática da Persistência
Notas iniciais
Soul Society
A borboleta infernal esvoaçou até à Quarta Divisão, pousando no ombro da capitã Unohana, que, com a experiência adquirida pelos anos de trabalho, escutou serenamente e atentamente a mensagem enviada pela Kurosaki. Após a borboleta esvaecer, a tenente fica intigrada com a expressão austera da sua capitã.
— Isane.
— Hai taicho…
— Mande uma equipa de resgate rastrear as reaitsus de Kurosaki Karin, Madarame Ikkaku e Yumichika Ayaegawa.
A tenente Isane apercebeu-se de seu corpo a enrijecer, perante o tom impassível e cortante da capitã. Nervosamente, ela questiona a shinigami curiosa com um deterinado facto.
— Mas a recruta do décimo esquadrão não deveria estar em repouso absoluto no esquadrão?
— Desobedeceu às ordens superiores, abarcando numa luta contra o capitão Hitsugaya. Agora Isane cumpra o que ordenei, eles podem estar gravemente feridos.
— Haii, perdão Capitã! Irei providenciar o que me pediu imediatamente.
Enquanto a tenente sumiu utilizando o shunpo, não querendo perder um segundo a mais sequer, Unohana encarava os relatórios alinhados em sua secretária; absorta com as consequências para a Kurosaki. Desobedecer um capitão era grave, socorrer um zombie ajudando dessa forma os quincy era profundamente sério. Obviamente, como médica, ela acreditava numa recuperação para os shinigamis que se converteram, porém até a solução ser descoberta nada poderiam fazer por eles.
Unohana escondeu alguns papéis em suas gavetas. Não seria necessário incomodar o Capitão Comandante com algo irrelevante... Mesmo colocando em risco seu sobretudo, ela não iria informar Yamamoto do sucedido, não seria ela a denunciar uma jovem que sucumbiu aos impulsos da paixão.
Uma equipa médica auxiliou apressadamente os três shinigamis com os primeiros socorros, estabilizando o estado de ambos. Assim que finalizaram os primeiros tratamentos se dirigiram para o esquadrão médico, para prosseguirem com os curativos. Contudo sem atrair a atenção de terceiros, uma vez que a capitã fora expressamente compreensível em sua ordem: “era necessário discrição”. E nenhum de seus subordinados ousava questioná-la.
O tenente Kira dirigia-se ao compartimento de Momo, obviamente ocorrente de todos os acontecimentos. Ele ainda não abandonara o Quarto Esquadrão, já que pretendia assistir à recuperação da tenente Hinamori, como tal vai ouvindo o que acontece pelos corredores caóticos daquele esquadrão. Estava preocupado com o estado de saúde de Ikkaku que de todos era o mais crítico. Após chegar à porta da divisão da tenente, ele expulsa o ar preso em seus pulmões e com eles todas as suas aflições, não querendo transmitir sua tormenta a Momo que também se encontrava débil. Bate à porta cauteloso e depois de ter a autorização da tenente ele adentra pela divisão.
— O que aconteceu? Oiço muita movimentação nos corredores...
Kira frustrado suspirou longamente, era perceptível que ela perceberia algo de estranho. Momo ao encarar a expressão do loiro, começou a ficar ainda mais preocupada, certa de que algo de grave aconteceu.
— Onegai, não me esconda nada Kira-kun...
O tenente realmente ainda cogitou em omitir ou até mesmo mentir para a morena, mas sob essa súplica acompanhada daquele olhar achocolatado súplice não teve coragem para o fazer.
— O Capitão Hitugaya apareceu de novo.
A tenente ficou pálida com essa notícia. Levou uma mão até à testa, pela forte tontura que a atingiu.
— Feriu alguém?
— Sim, três shinigamis. O terceiro oficial Ikkaku, o quinto oficial Yumichika e...
Hinamori olhou impaciente para o loiro que pensou seriamente se deveria continuar... Abaixou os ombros e prosseguiu.
— E a Kurosaki-san.
— Nani? E ela está bem?
Kira ficou um tanto abismado por esta de facto ter demonstrado preocupação com a Kurosaki, ainda por cima não tentando omitir isso. Um sorriso nasceu na face do loiro, satisfeito com as melhorias da tenente.
— Haii. Não teve grandes ferimentos, desmaiou apenas pelo cansaço.
Momo suspirou aliviada, despertando o reparo do loiro. Esta não admitiu mas ficou feliz por a Karin não estar machucada. Porém sua tranquilidade fora trespassada com outra dúvida, quando pela janela se deparou com o pôr-do-sol.
— Ele foi capturado?
— Iee, conseguiu escapar.
— Ele algum dia voltará ao normal?
O tenente não conseguiu responder a essa pergunta, ele não tinha resposta para tal. Porém mesmo que a tivesse, o que o impediu de responder foi o seu desgosto perante o desejo dela voltar a vê-lo. Pensou em sair da divisão, refugiando-se noutro local, mas seus pensamentos são interrompidos quando ela voltou a pronunciar-se.
— Tenho saudades... Dos tempos em que eu era a irmã mais velha do Shirou-chan. Tudo era tão diferente...
Kira sentiu-se animado pelo comentário dela, esquecendo a sua tentativa de fuga do quarto de Momo. Mesmo ele não comentando, percebeu o que ela tentava transmitir: desde que Hinamori acreditava que amava Hitsugaya, toda a sua vida tornou-se num caos baseado em ilusões e desgostos amorosos. Ela queria tranquilidade para sua vida, queria retomar à normalidade de antigamente. Como se estivesse a seguir em frente depois de uma rejeição.
— Kira-kun quando terei alta?
— Amanhã, Hinamori-san.
— Estará aqui para me acompanhar ao meu esquadrão?
Automaticamente, o tenente ruborizou drasticamente enquanto Hinamori disfarçava seu constrangimento com as madeixas soltas de seu cabelo castanho. Ela sorria timidamente para ele, aumentando as esperanças do shinigami: a esperança de que aquilo fosse um indício do começo de uma nova vida. Nunca se sentiu tão bem por persistir em seu sentimento, por batalhar pela tenente de coque. Iria conseguir que esta reconhecesse o seu valor, e pudesse assim valorizar seus sentimentos.
— Claro, Hinamori-san.
Karin sentia-se flutuar no tempo em que despertava de seu sono lentamente, encarando pensativamente o tecto. Por um momento, viu a mudança em Toushirou, por um segundo ele voltou à normalidade. Então era possível ele recuperar totalmente. A Kurosaki riu abertamente com esse pensamento, afinal ela precisava crer nisso, porque essa era a única forma de manter a fé de que conseguiria ajudar seu capitão. Recusava-se a desistir, principalmente agora com essa certeza! Iria persistir, continuaria a lutar pelo Toushirou.
A Kurosaki ergueu sua mão, detectando requisitos de cristais nesta. Requisitos de Hyourinmaru.
— Toushirou… Onegai, não desista.
Sem saber, Karin desejou o mesmo que Momo. Queriam que suas vidas voltassem ao normal, que na Sociedade das Almas voltasse a reinar a paz… E principalmente que seus corações encontrassem por fim o amor.
Como se a morena lançasse uma súplica pelo vento… Toushirou, no seu esconderijo, a escuta. Recompondo suas energias para prosseguir o combate interno com o hollow que o tentava dominar.
O branco é a junção de todas as cores do espectro de cores. Porém basta um simplório erro nessa junção e o branco se converte em negro arrepiante. O branco ofusca nossa visão, o preto nos cega; ambos confundem nossos sentidos impiedosamente..
"A comparação entre luz e sombra é igualmente válida. A luz não existe sem sombra, por mais ínfima que seja. A sombra, do mesmo modo, pode consumir a luz. E quando misturadas, o que resulta? Luz e sombra. Branco e preto. Afinal, todos possuem ambos os lados... Que vão do claro mais intenso ao escuro mais profundo."
Seriam os hollows na realidade o lado obscuro dos shinigamis? Seriam as almas condenadas na realidade um fragmento dos ceifadores de almas? Será que o hollows agora finalmente retomaram para seus verdadeiros corpos? Ou seria uma artimanha dos quincys para enganar os shinigamis?
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