A História da Grand Chase

17 O caminho para o Vale do Juramento


Notas iniciais
Peço desculpas pela demora a cada um que acompanha a fanfic, sei que ando demorando muito, não só pela faculdade mas porque eu realmente estava tendo alguns problemas em como continuar a história, estava me concentrando em outra e acabei deixando esta de lado. Vou procurar postar mais regularmente, andei pensando em algumas idéias e espero que elas fiquem legais aqui na história. Quanto ao tamanho dos capítulos, eu realmente não consigo colocar tudo o que quero em duas mil palavras(mesmo esse capítulo teria sido mais longo, mas resolvi colocar o restante no capítulo seguinte). Eu tenho uma forma de imaginar cada personagem(como todos têm) e espero estar acertando em representá-los aqui. Um capítulo logo depois da chegada do Uno, mas espero de verdade que gostem!

A breve canção se fez ouvir outra vez.

A letra e o ritmo eram simples, e terminava tão rápido quanto começava. Sempre começava da mesma maneira: uma pedra, um buraco ou uma fenda na rocha que apaixonava-se pelo pé de Arme e o puxava para si, então a garota tropeçava e seu pote roxo saía rolando pela terra. Elesis era a primeira a parar, e chamava-a de desastrada e imbecil. Arme protestava, esfregava a poeira das pernas e retrucava à espadachim. Ryan suspirava e dizia para ambas se acalmarem, e a fúria de Elesis voltava-se para ele. "Não pareço calma?", ela dizia, ou algo do tipo, e Arme aproveitava a oportunidade para escarnecer um comentário desdenhoso. Ambas voltavam a discutir outra vez, e por fim uma fechava a cara para a outra. Arme apanhava seu pote, recomeçavam a andar em silêncio. Os ombros dela começavam a se curvar lentamente pelo cansaço, ela diminuía o ritmo de caminhada, ficava para trás e então uma pedra, um buraco ou uma fenda aparecia na estrada, ela tropeçava e...

Estavam nisso havia dois dias; há quatro tinham deixado a Floresta Élfica. Dois dias atrás, os campos verdejantes e planíceis de grama deram lugar a um terreno árido, duro e pedregoso, cheio de poeira de rocha, caminhos íngremes e penhascos escarpados. A estrada — uma faixa rasa e estreita de dar dó — evitava a maior parte deles, mas às vezes uma colina surgia no meio do caminho e tinham que dar a volta. O caminho subia e descia, às vezes estava cheio de pedras, sempre duro e rígido, desolador, deserto e sem ninguém. Não viam nem mesmo construções humanas além da própria estrada, nem mesmo ruínas, nada que pudesse comprovar que não eram as quatro únicas pessoas do mundo que se aventuravam por aquele lugar.

Além disso havia o sol, uma estrela brilhante sempre quente, trazendo um calor que era quase insuportável. Elas iam para o norte, portanto o sol nunca ficava realmente na cara delas, mas sim de lado; tinham que caminhar com uma luz insistente no canto do olho, avançando enquanto o chão rochoso parecia esquentar, até o ponto em que Arme reclamou tanto que Lire sugeriu que caminhassem à noite e descansassem de dia. O calor tornava quase impossível dormir — os rochedos pelo caminho eram íngremes, mas só eram grandes o bastante para atrapalhar e não tinham cavernas. Não havia como se abrigarem, estendiam-se no chão e faziam o possível para descansar.

—É o Vale do Juramento — Elesis tinha dito certa vez — Ele separa os territórios de Serdin e Canaban por uma cadeia de montanhas. Devem ser aquelas lá na frente. Quando passarmos por elas, estaremos em Canaban.

A cadeia de montanhas estava longe; pelo menos uns dois dias de caminhada, os outros calcularam.

Quando anoitecia, pelo menos a maior parte do calor ia embora. Mas ficava mais difícil enxergar, e as pedras soltas e falhas no caminho tornavam-se mais numerosos. Não era só Arme, mas também Elesis e Ryan que tropeçavam, e às vezes Lire. No primeiro dia havia muitos joelhos ralados e palmas das mãos esfoladas. Talvez pudessem cair menos se prestassem mais atenção no caminho, mas isso atrasaria a viagem e Elesis insistia em se apressar.

—Cada minuto que gastamos olhando o chão é mais tempo que a Cazeaje tem pra atacar. São só arranhãozinhos de nada. Podemos sobreviver com eles.

Era verdade, mas até ela já estava uma pilha de nervos. Sabiam desde o começo que a tarefa da Grand Chase não seria fácil, mas até agora só tinham passado por estradas macias que cruzavam matagais, bosques e planaltos, onde era fresco e tranquilo para caminhar. Ali era tão marrom e sem graça que causava tristeza e Ryan era quem menos gostava. Um lugar sem verde e sem pássaros cantando e fazendo ninhos nas árvores era um lugar morto, ele dizia. E realmente o máximo que viram de um ser vivo foi um escorpião morto perto da estrada.

Enquanto Ryan era quem mais se sentia desconfortável, Arme era quem mais exprimia esse fato. Ela tinha um pesado pote de alquimia para carregar, e não queria arrastá-lo no chão com medo de estragar. Não reclamava disso, porém — Elesis, na frente, carregava um conjunto de botas, luvas, peitoral, ombreiras e braceletes feitos de aço, além da espada na cintura. Não se atreveria a reclamar de um pote pesado quando a outra não parecia ter problemas vestida com todo aquele metal. Mas sentia falta de uma cama confortável, de comida quente(vinham comendo frutas murchas que conseguiram na floresta) e de água limpa. A única água que conseguiam vinha de poços rasos que se acumulavam das chuvas, e sempre vinha com um gosto amargo de terra e quente do sol. Acima de tudo, queria um banho. Sentia-se tão suja de terra e suor que quase mergulhou numa das poças, mas sabia que isso só pioraria as coisas.

Na segunda noite, marchavam em um passo lento, em um torpor que se resumia a colocar um pé na frente do outro, um ritmo que só mudava quando topavam com alguma pedra. O céu noturno era cheio de estrelas, mas erguer a cabeça para olhá-las significava gastar forças, e precisavam manter os olhos no chão para ver onde pisavam. Em alguns pontos a estrada era cortada por rachaduras que poderiam torcer a perna de alguém ou pior, se não tivessem cuidado. Formavam um quarteto deprimido, coberto de poeira e cansados.

À frente havia rochas e cadeias de montanhas de rochas, sem vegetação, só pedra, para trás e para os lados também. Não era possível que Vermecia tivesse um lugar assim bem no meio dela. Como não havia ninguém por perto, parecia um ótimo lugar para esconder um exército, mas era como se nem mesmo os servos da rainha da escuridão quisessem ficar ali. O dia chegou, elas pararam para descansar e comer, conversando e tentando distrair-se do calor. Quando o sol se pôs, sentiam-se mais vigorosos e fortes, mas não demorou até o cansaço voltar a dominar. Passaram-se horas desde que Arme reclamava pela última vez. O tédio, a exaustão e a monotonia tomaram conta do grupo. Andavam olhando para o chão, espreguiçando-se, chutando pedras distraidamente. Parecia que estavam ali há anos.

—Alto aí! Quem vem lá?

A voz cortou o mundo, forte e segura depois de tanto tempo em que tudo o que tinham ouvido era lamentos resmungados e cansados. Ergueram as cabeças e não viram nada. Não era uma alucinação, pois os quatro tinham ouvido, se enrijeceram de repente e pararam. Elesis gritou de volta e uma mão acenou, uma fogo surgindo no meio da noite.

O cavaleiro estava a alguns metros na frente deles, segurando um tocha. Enquanto Elesis, Ryan, Lire e Arme estavam cansados e desanimados, ele estava forte e erguido. O uniforme era azul, ricamente confeccionado, botas, calças e um peitoral de aço azulado. Símbolos e detalhes dourados enriqueciam o azul. Usava uma espada na bainha, e atrás dele uma capa caía até os tornozelos, sem vento para agitá-la. O rosto era jovem e liso, destemido, confiante, mas o olhar era amistoso.

—Somos viajantes — Elesis disse a mentira que tinham ensaiado — Procuramos trabalho. Há um amigo do meu tio em Canaban, e achamos que ele talvez pudesse nos oferecer emprego. Quem quer saber?

—Eu sou Erudon, comandante da Guarda Real de Canaban. Aproximem-se — ele baixou a tocha — Sei que deve ter sido uma viagem dura. Temos comida, e algumas barracas sobrando. Venham conosco, e nós os escoltaremos até a cidade.

—Não temos dinheiro — Elesis respondeu — Ficaríamos felizes se nos deixasse seguir sozinhas, obrigada.

Erudou abriu um sorriso.

—Não há por que se preocupar. Se seu tio conhecia Canaban, talvez você reconheça nosso símbolo — ele levou a tocha para mais perto do peito para iluminá-lo. Ali estava bordado um símbolo em tecido de ouro. Enquanto olhavam, ele deu um passo para o lado e revelou um acampamento à distância, que antes seu corpo escondia. A maior parte das barracas estava escondida atrás de uma rocha, mas na luz incerta eram capazes de ver um alto estandarte, uma bandeira com o mesmo símbolo que havia no peito do homem.

Elesis hesitou.

—É a Guarda Real sim — murmurou para seus companheiros — Erudon é um nome famoso em Canaban. Ele pode ser de confiança, mas se pararmos aqui, vamos nos demorar.

Mas se continuassem, talvez não tivessem forças para continuar e caíssem de exaustão no meio do caminho. E isso também iria atrasá-las.

Os quatro se aproximaram do homem. Lire o examinava com mais atenção. Ele não parecia inamistoso — os maiores traidores nunca pareciam, mas aquele cavaleiro tinha um ar tão nobre que parecia impossível não confiar nele. Havia algo em Erudon que a arqueira simpatizava. Podia sentir seu espírito, e simplesmente não havia maldade nele. Então, antes que mudasse de idéia, chegou mais perto.

—Senhor Comandante, sou Lire Eryuell. Nós somos a Grand Chase, criada pelas rainhas para... — esqueceu a palavra; era um péssimo momento para seu conhecimento do idioma falhar — ...escanear o continente e derrotar os exércitos de Cazeaje, e precisamos de ajuda. Não sabemos para onde ir — confessou.

Elesis a olhou como se estivesse louca, mas o homem fixou o olhar nela.

—Grand Chase... Vocês? — e quando a arqueira lhe mostrou a insígnia que Lothos lhe dera exclamou, surpreso: — São vocês! Você é a filha de Elscud — sorriu para Elesis — É uma honra finalmente conhecê-la. A todas vocês, embora eu não soubesse que vocês eram quatro.

—Sou o novo membro — Ryan lhe disse — Somos agora dois humanos e dois elfos, dois garotos e duas garotas... é brincadeira, Elesis.

—Disseram que não sabem para onde ir — o cavaleiro coçou o queixo — Na verdade... Bom, haverá tempo para discutirmos sobre isso depois que vocês comerem. Imagino que devem estar muito cansados. Como eu disse, temos comida, e colchões ótimos também.

—É muita gentileza, Erudon — Elesis agradeceu.

—É apenas meu dever como cavaleiro — ele acenou com a cabeça e sorriu — Erudon é meu sobrenome. Para vocês, sou Ronan.

Ele as conduziu até o acampamento. Meia dúzia de barracas tinha sido montada ao redor de uma fogueira, onde homens assavam salsichas. O cheiro de comida era bem-vindo, e os cumprimentos ruidosos dos homens também.

—Companheiros, temos aqui alguns viajantes — Ronan anunciou para eles — Caminharam uma longa distância e merecem um belo descanso. Iremos escoltá-los até Canaban como convidados de honra.

Os oito homens em volta da fogueira grunhiram respeitosamente, mostrando que entenderam. Os quatro entenderam a deixa — fingiram que eram mesmo viajantes cansados e deixaram-se levar pelos homens, enquanto Ronan os deixou para ir falar com os outros guardas que estavam dentro das barracas. Alguns homens levaram o grupo para uma barraca redonda sem teto, com uma bacia cheia de água para tomar banho. Uma a uma tiraram a sujeira do corpo, e Ryan foi por último. Os guardas lhes ofereceram túnicas simples de couro fervido para dormirem, enquanto suas roupas eram lavadas. Serviram-lhes salsichas e carne de cobra do deserto, que descobriram que não era nada mal.

—É normal que a Guarda Real faça isso? — Elesis perguntou a Ronan quando ficaram sozinhos numa das barracas — Estão limpando nossas roupas e cozinhando.

—A Guarda Real foi criada para servir — Ronan respondeu — É isso o que fazemos. E quem você acha que lava nossas roupas, faz nossa comida e prepara nossas barracas quando estamos em missão? — ele riu.

—Vocês dariam ótimas empregadas — Arme comentou alegremente — Então, Ronan, disse que poderia nos ajudar sobre pra onde devemos ir.

O homem se sentou. Era pouco mais velho do que Elesis, alto e forte, vestido de armadura mesmo quando estavam na barraca. À luz da lamparina que havia numa mesa, seus cabelos eram tão azuis quanto suas roupas. Ficou de pernas cruzadas e estendeu um mapa de Vermecia entre eles.

—Há tumulto e coisas estranhas sendo vistas em algums regiões — ele apontou um lugar acima de Canaban — Descobrimos muitas coisas em patrulhas. Vilarejos inteiros foram abandonados por aqui, dizem que há um monstro com dentes de lobo e chifres de touro que ataca todas as noites. O Pântano Esquecido... Sempre foi meio assustador, mas agora estão dizendo que realmente coisas estranhas lá. Nas ruínas da velha cidade abandonada também.

—Sempre quis conhecer a cidade abandonada — confessou Elesis — Mas o Pântano fica antes. Podemos ir lá primeiro.

—Todos esses lugares que o Ronan marcou ficam no norte — Lire ajuntou. Ronan assentiu.

—Vocês começaram a missão faz quase um mês, e todo esse tempo têm estado no sul. Sei que alguns monstros foram derrotados, como a Wendy na Torre Sombria e o Gorgos. Ouvi dizer que também foram muito bem lutando contra a Rainha Harpia.

—É verdade — Elesis comentou efusivamente. Nenhuma das três queria falar sobre a Rainha Harpia.

—Eu e minha tropa estamos indo investigar o castelo do Gaikoz. Fica uma ilha próxima do norte, isolada e fácil de se esconder. A rainha mandou que eu fosse até lá investigar um possível monstro, mas... — ele deu um sorriso — Agora acho que sei o verdadeiro motivo. Ela podeachar que Cazeaje está lá, e quer lançar um ataque surpresa contra ela. Vocês estavam agindo no sul, então Cazeaje não esperaria ser atacada se estivesse no castelo.

Elesis, Lire e Arme assentiram. Vermecia era um continente grande, fervilhando de vida no sul com suas florestas, praias e campos abundantes. As terras dominadas por Serdin eram as mais férteis e habitadas. Canaban, do outro lado, ficara com a parte mais selvagem. O norte de Vermecia era montanhoso, cheio de pântanos e manguais e muito menos habitado. Parte disso se devia a uma lenda sobre um país maligno que existia bem ao norte de Vermecia e que mandava navios furtivamente para sequestrar vilarejos, embora essa fosse mais uma história de criança. Se alguém quisesse esconder um grande exército, o melhor lugar para fazê-lo seria no norte, nas partes mais remotas do reino de Canaban.

—Então a busca termina onde começou — Elesis ergueu um punho — A Grand Chase começou em Canaban, e vai terminar nas terras de Canaban também.

—Não foi em Canaban que a Grand Chase começou — Arme protestou.

—Foi sim, ora...

—Não foi não! Em Canaban, você era uma menina chamada pela rainha. A Grand Chase só começou quando você foi pra Serdin e nos conhecemos. Aí nós saímos, e então a missão começou de verdade.

Elesis estava pronta para retrucar, mas pensou melhor e apenas revirou os olhos. Disse para Ronan:

—Queremos seguir viagem o quanto antes. O Pântano Esquecido pode ser uma boa idéia, mas e esses vilarejos com o touro com dentes de urso? Se eles ficam mais perto, melhor irmos lá primeiro. Por onde você acha que devemos começar?

—Bom — Ronan mordeu o lábio — Nenhum deles. Acontece que tem um outro lugar onde há coisas estranhas acontecendo, não vão precisar andar muito.

Ele parou para fazer um suspense. Esperou que a pergunta viesse; veio de Ryan.

—Onde? — ele quis saber.

—Aqui — Ronan respondeu.

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O sol da manhã era quente e seco, iluminando as nuvens de poeira que os pés lançavam ao ar quando andavam. Dois quilômetros longe do acampamento, indo na direção de Canaban, Ronan lhes mostrou a criatura caída no chão.

Era maior que um elefante, e deitada era tão comprida quanto um. O corpo musculoso era duro como pedra, dois braços com mãos humanas e uma cabeça careca com olhos amarelos. A boca sorridente tinha uma língua grande e gorda. Parecia-se com um humano grande demais, mas em vez de pernas, tinha o que parecia ser um grande pião pontudo. Em pé, o pião devia representar metade do tamanho da criatura.

Lire olhou a coisa morta com repulsa. Arme aproximou-se mais, fascinada com a novidade.

—É um drillmon! — exclamou, animada. Elesis franziu a testa.

—O que são drillmons?

—São drillmons! Aquele programa onde as crianças têm criaturas mágicas que lutam em batalhas. Tem o Fogomon, o Aquamon, Mestromon...E tem o Drillmon! Eles têm essa coisa que parece uma furadeira.

—Isso não é um drillmon! — a espadachim retrucou irritada.

—Não, o drillmons têm listras laranja e têm chifres. Esse é um... drillmon misturado com judomon.

Elesis suspirou, voltando-se para Ronan.

—Você, na Guarda Real, já teve uma situação como essa em que queria simplesmente sumir?

Ronan, sempre franco, deu de ombros e disse:

—Uma vez, enquanto corria atrás de um porco, caí na lama e os aldeões me ofereceram uma camisa estampada com tigrinhos. Coloridos, com um arco-íris em volta. Eu aguentei e sobrevivi. É mais do que se pode dizer do nosso drillmon.

—Vocês viram mais deles? —Lire perguntou.

Ronan sacudiu a cabeça.

—Achamos esse morto e fomos pra longe, pois poderia haver muitos mais. Eu nunca tinha visto algo assim antes. Estávamos cansados, e investigaríamos o assunto pela manhã, embora isso fosse atrasar nossa viagem até o castelo do Gaikoz. Mas já que vocês estão aqui... Talvez possam investigar isso.

Elesis assentiu.

—Deixe esse problema com a gente. Vão ao castelo de Gaikoz, talvez nos encontramos lá quando terminarmos aqui.

—Então eu confio essa missão a vocês. Que os deuses estejam convosco — ele pôs a mão no coração. Tocou o punho da espada com a outra, e foi como se os raios de sol os tocavam tivessem se tornado azuis. Arme olhou a palma das mãos, maravilhada, sentindo a magia. Quando Ronan terminou, havia um sorriso em seus lábios.

—Pra dar um pouco de sorte. Espero que você consiga o emprego com seu tio — acenou para Elesis, sorrindo, e deu meia-volta para se encontrar com os demais membros da Guarda. Ele logo desapareceu atrás de uma rocha e ficaram sozinhas de novo.

—Certo — Elesis tomou a frente — Esse monstro é apenas um, pode haver centenas como ele por aqui. Vamos ficar juntas e procurar pela origem disso tudo.

Lire, contudo, tinha um plano melhor. Como eram quatro, cada um podia ir em uma direção e seguir reto, voltando pelo mesmo caminho quando encontrassem alguma coisa. Havia risco de encontrarem monstros; o deserto era muito aberto, entretanto, e não haveria como alguém surpreendê-las. Seguiram essa idéia; separaram-se e começaram a caminhar, mais uma vez, pelo deserto pedregoso.

Como tinham que procurar, não podiam esperar chegar a noite, mais fresca, e tinham que aturar o intenso calor que fazia. Combinaram de todas voltarem quando achassem algo ou quando surgisse o primeiro sinal de que o sol estava se pondo.

Arme andava com dificuldade, carregando o pote de alquimia enquanto se desviava das pedras. Tropeçou uma vez, e depois disso passou a andar olhando para o chão. Vários minutos depois, lembrou-se de que precisava procurar algo e voltou a olhar para cima. Ela era quem ditava o ritmo dos seus passos, e não havia ninguém para reclamar de seu avanço lento. Sentiu-se melhor assim.

Longe dali, na direção oposta à que ela ia, Ryan se movia relutantemente. Arrependera-se de ter entrado naquele lugar, de ter posto os pés naquele deserto maldito. Sempre soubera que poderia chegar a hora de lutar contra monstros, mas agora que vira um a realidade veio sobre ele como um porrete. Ele poderia morrer, ali, no solo duro onde seu corpo jamais voltaria à terra. Não havia árvores para confortá-lo, nem criaturinhas, nada vivo. Nem mesmo o drillmon estava vivo, ele pensou com sarcasmo.

Mais de duas horas depois de começar a andar, encontrou um longo cânion que cortava a terra para a direita, estendendo-se naquela direção como uma longa rachadura na terra. A visão lhe deu certo alívio. Era o fim do caminho, o que significava que teria que voltar. Talvez as garotas tivessem achado alguma coisa.

Continuou seguindo mesmo assim, para ver o que havia lá embaixo. O cânion era um penhasco alto, começando em algum lugar à esquerda e indo para direita até se perder de vista. Ryan estava quase alcançando a borda. Era maior do que parecia. Lá embaixo, o deserto se estendia. Era como se ele estivesse em um degrau muito grande e muito alto, e o verdadeiro deserto fosse lá embaixo.


Olhou lá embaixo, e o que viu o fez olhar de novo. Havia poeira ali, muita poeira, movida por centenas de pés em movimento, embora as coisas que estivessem ali não tivessem pés. As criaturas eram brancas e se moviam para lá e para cá, carregando coisas pesadas. Os piões giravam enquanto elas se moviam. Desalentado, viu algo brilhando pelo canto do olho à direita. Reconheceu a armadura prateada de Elesis, um pontinho bem longe refletindo a luz do sol em algum lugar na borda do cânion, a quilômetros de onde ele estava. Ela também tinha visto.