Notas iniciais
Muito bem, se vamos falar sobre a Grand Chase, vamos começar pela líder, a guerreira. As três são, de certa forma, guerreiras - mas comecemos por aquela que pode ser chamada de "guerreira" mais do que as outras. E de atrasada, também.

Elesis corria pelas ruelas da capital de Canaban, o coração batendo forte e com um medo que chegava a lhe doer o peito, numa sensação que não sentia desde a perda de seu pai há alguns anos. Desta vez, contudo, o medo não vinha na forma da Rainha das Trevas, de um monstro ou mesmo de um inimigo físico: era uma corrida contra o tempo.

Era noite, quando a maioria das casas e lojas já estavam fechadas, e ela estava muito longe do quartel onde se instalavam os Cavaleiros Vermelhos. Há apenas algumas horas atrás estivera na praça Kerudon, no meio de centenas de jovens ansiosos que assistiam e aplaudiam: era um campeonato não-oficial de espadachins, com lutas divididas em rounds de um contra um.

Torneios como aquele, embora não fossem tão bem vistos pelos chefes da cidade, eram diversão para a maioria dos jovens dali da capital. Era natural que esses jovens, sem idade ou sem conseguir entrar para algum clã de lutadores, quisesse criar as próprias organizações de luta. Naquele torneio em especial, os organizadores saíram pela capital à procura de jovens para participar e acabaram encontrando a garota, enquanto treinava. Raramente chamavam meninas, embora as guerreiras de Canaban lutassem tão bem quanto os homens, mas como era difícil encontrar alguém que gostasse de lutar até desmaiar, com o risco de ser descoberto pelos guardas e levar um bom puxão de orelha, resolveram chamá-la.

Era exatamente o tipo de coisa que a garota gostava.

Assim, às sete da tarde, Elesis chegou na praça marcada, fazendo uma de suas entradas triunfais — um soco na cara de um jovem organizador, que mudara de ideia sobre deixar uma garota entrar no torneio. Ela ainda daria mais surras naquele dia, desta vez desferidas com uma espada de madeira naqueles que tinham a má sorte de enfrentá-la.

Aconteceu que muitos relutavam, ou se sentiam confiantes demais, quando percebiam que sua oponente era uma menina. Houve uma época em que isso não acontecia — homens e mulheres eram julgados pela força e coragem, e não pelo simples fato de ser homem ou mulher. Mas com o tempo, cada vez menos garotas se interessavam pelo combate, e assim começou a se dizer que a luta era "uma coisa de homem". Bem, isso havia rendido alguns apelidos estranhos para Elesis, já que ela era uma exceção.

Mas enganava-se quem imaginava estar pegando uma luta fácil ao enfrentá-la. Pois Elesis não era apenas uma garota que gostava de lutar, e não só a filha de um dos mais valorosos guerreiros de Canaban; era a líder dos Cavaleiros Vermelhos, clã de guerreiros respeitado em várias partes de Vermecia. Não fora por herança que conquistara o posto: tinha aprendido a manejar a espada quase logo que aprendera a andar! E todos os dias, desde criança, treinara sem cessar em casa, até ter idade para se juntar aos Cavaleiros Vermelhos... Principalmente depois que seu pai, enviado em uma missão, jamais retornou. Havia um segundo motivo por trás dos seus treinamentos: tornar-se tão forte e capaz quanto seu pai para, um dia, sair para procurá-lo, como fizera a mãe.

Por esses motivos, dar conta de alguns jovens que se gabavam de saber levantar uma espada não era muito trabalho. Elesis derrubava um atrás do outro, e no final de trinta partidas, contou apenas duas derrotas — era excelente lutadora, mas às vezes lhe faltava controle e agia sem pensar. Dava certo na maioria das vezes, mas manter a calma era sempre algo bom — o que não a impediu de ser proclamada campeã e convidada para uma noite de comemoração com cerveja e danças, que ela recusou com educação. E foi somente então que ela se lembrou de algo que havia jurado não se esquecer.

Naquela mesma manhã, enquanto treinava no quartel, um dos servos da Rainha mandou chamá-la, dizendo que comparecesse à corte duas horas depois do pôr do sol. Às oito horas, quando o sol se pôs, ela estava ocupada desarmando um oponente e acertando a espada na cara dele para lembrar-se de alguma coisa. Faltavam cinco minutos para as dez quando ela finalmente se lembrou da hora e correu, a toda velocidade, para o castelo.

Antes mesmo de começar a correr, sabia que estava irremediavelmente encrencada. A capital do reino de Canaban era grande e, por razões óbvias, a luta ocorrera numa área longe dos olhares das torres do castelo, de modo que seria impossível que chegasse em cinco minutos. Elesis era uma garota geniosa, orgulhosa e não gostava de ser obrigada a cumprir horários, mas não iria violar uma ordem vinda da própria corte do reino.

Quanto mais corria, mais lamentava sua imprudência, e — num ato irracional — amaldiçoava em pensamento os organizadores do campeonato. Mas logo a raiva arrefeceu e culpa voltou-se para ela mesma, acompanhada de um sentimento de desespero. Chegaria atrasada para um compromisso com algum nobre importante da corte real — ela, a líder dos Cavaleiros Vermelhos, perdendo o horário por causa de uma pequena disputa numa praça! Teria que pensar numa desculpa... Embora mentir desse jeito fosse contra sua natureza, ela não podia simplesmente aparecer no castelo depois da hora dizendo a verdade!

"Calma, Elesis. Maldita hora que fui aceitar... não importa mais, vamos, preciso correr, a Rainha vai mandar me matar... se meu pai estivesse aqui... vou ficar sem jantar..."

Os pensamentos atropelavam-se em sua mente quando atravessou o portão duplo do quartel dos Cavaleiros Vermelhos. Ainda estava longe do castelo, mas correu para apanhar a espada, a de verdade, que deixara em seu quarto. Iria trocar-se rapidamente, vestindo roupas mais decentes do que a camiseta e short vermelhos que usava, e os tênis velhos. Diria que atrasara-se porque tinha sido pega de surpresa com o compromisso, e que estava atrás de roupas bonitas — não era exatamente uma mentira e ela achou que faria sentido, já que, quando via alguém saindo do palácio de Canaban, era sempre alguém vestido com roupas caras e chiques que Elesis considerava como frescura, mas que agora usaria como desculpa pelo seu atraso — mas nem isso poderia fazer, porque quando chegou em seu quarto, viu a rainha Anyu sentada em sua cama ao lado de um homem em pé, que ela julgou ser alguém importante.

—Ah... Senhora... — Elesis atrapalhou-se, corando tanto quanto suas roupas vermelhas. Estava consciente de sua vestimenta curta, os cabelos ruivos desarrumados e a espada de madeira, sem falar que suava e provavelmente exalava um cheiro nada digno da presença real.

Ao contrário da rainha, impecável num traje de linho rosa que parecia simples, mas com costura de ouro e fecho de pérolas. O colarinho era aberto e esticado para fora como uma flor vermelha enfeitada de pedrinhas preciosas. Os cabelos loiros eram claros e vivos, escorrendo em ondas pelo vestido, combinando com a coroa de ouro e rubi que ostentava na cabeça. Elesis nunca a tinha visto pessoalmente, mas não havia dúvidas de quem era, e quando a mulher se levantou, viu que era também alta e imponente. Achou-a muito bonita, mais do que qualquer outra mulher que já tenha visto. "Faz sentido, já que o marido dela era o rei", pensou.

—Você deve ser Elesis — ela disse numa voz muito gentil e suave — É um prazer conhecê-la.

—Ah...

Anyu estendera a mão, e Elesis a apertou, hesitante. Parecia que estava sendo apresentada a uma vendedora de frutas, e não à respeitável rainha de Canaban! Esta pareceu perceber-lhe a estranheza, pois disse numa risadinha:

—Imagino que você, minha querida, não iria gostar de ficar sentada num trono, enquanto as pessoas chegam até você e te olham como se você tivesse cinquenta cabeças. Então por que eu deveria gostar? Sou a rainha, então acho que, se eu quiser, posso vir cumprimentá-la aqui, ora, quem ousaria me impedir? — acrescentou, com uma piscadela — Felizmente você passou por aqui antes de se dirigir ao castelo.

No mesmo instante a tensão diminuiu e Elesis ficou mais ereta, mais aliviada. Percebeu que gostara de sua rainha, afinal de contas — sempre a imaginara como uma mulher forte, autoritária, intocável em seu séquito real — mas ali estava ela no quarto de uma aprendiz, como uma mulher comum, sem nem mesmo a guarda real para protegâ-la. Depois corrigiu o pensamento: a rainha estava, sim, cercada de protetores mais do que capazes de defendê-la, se necessário — porque os Cavaleiros Vermelhos são os melhores lutadores do reino!

Era evidente que o homem que estava ali, apesar das palavras da rainha, também não achava correta essa apresentação simples e informal, pois pigarreou discretamente, antes de dizer:

—Senhorita Elesis, Majestade, creio que as apresentações tenham sido feitas, talvez devamos dirigir-se à...

—Ah, por favor, Philemon — disse a rainha, novamente Elesis se surpreendeu por seu tom levemente impaciente e estalando a língua — Não temos tempo pra isso. Se vamos recrutá-la para a Grand Chase, ela não vai querer ficar ouvindo baboseiras!

—Eu... Sim, de fato, perdão, minha senhora — disse Philemon, claramente ofendido com aquela quebra de protocolo(mas quem era ele pra discordar da rainha?) e virou-se para Elesis, gentilmente: — Senhorita, a rainha gostaria de conversar em particular, então devo deixá-los. Se precisarem de mim, estarei do lado de fora. Com licença.

Ele fez uma mesura para sua senhora e saiu, fechando a porta levemente. Anyu fez um gesto para que Elesis se sentasse na cama e a menina obedeceu, relutante, depois sentou-se também. Olhou para a menina e revirou os olhos.

—Sabe, odeio quando meus servos acham que sou uma criança, e se sentem na obrigação de falar as coisas que eu gostaria de fazer como se eu fosse muda e não pudesse me expressar sozinha. Mas não ligue pro Philemon, é um bom servo, extremamente leal a quem eu confiaria a minha vida. E ele está certo, realmente preciso conversar com você.

Elesis não sabia o que responder, ficou olhando para seu quarto simples, de paredes de pedra lisa onde havia apenas a cama onde estava sentadas e um guarda-roupa num canto, além da roda com pedais que usava para amolar a espada junto com o suporte para guardá-la. Respirou fundo, sabendo que a rainha exigia uma resposta, e falou, respeitosamente:

—Majestade, se deseja falar comigo, estou à sua disposição em vossa presença para...

—Se isso foi uma tentativa de parecer formal, você é patética — ela riu, mas divertida, de modo que Elesis não se ofendeu. De repente caiu a ficha da garota: aquela mulher, embora fosse a soberana de todo o reino, não era uma deusa, mas uma mulher como qualquer outra(embora tivesse autoridade até para mandar matá-la, se quisesse). Elesis endireitou o corpo e sorriu.

—Desculpe, não sou boa com essas frescuras. Quer dizer... — hesitou, temendo ter ido longe demais, mas a rainha fez um gesto vago com a mão.

—Não tem problema. E sim, você é péssima com formalidades, o que é muito bom. É justamente um dos motivos pelo qual eu queria falar com você... E te fazer um oferta.

O tom dela era sério agora, e Elesis a olhava com atenção. Anyu se demorou um pouco e disse:

—Há alguns dias, recebi uma mensagem da rainha de Serdin, pedindo que eu selecionasse meu melhor guerreiro para uma missão e — seus olhos se arregalaram levemente — Menina, você nem imagina o trabalho que isso deu, no começo.

—Por quê? — Elesis perguntou sem entender — Temos muitos aqui, então...

—Mas é exatamente esse o problema! Cavaleiros Vermelhos, Defensores de Canaban, Defensores Brancos, Defen-Sores, Guarda Real de Canaban, Águias Douradas, Legião dos Tomates... Temos tantos clãs, tantos guerreiros que é muito difícil escolher um em particular! Foi quando pensei: Se Elscud estivesse aqui... E aí que eu lembrei e pensei: "Pelas Deusas, como sou idiota!"

Elesis ficou calada. Muitos anos atrás, Canaban havia entrado numa guerra junto com outros guerreiros, mas nenhum deles retornou. O que a rainha dizia fazia sentido: Se Elscud estivesse ali, poderia facilmente ser escolhido, mas ele já tinha sido escolhido.

—Eu lembrava vagamente de ele ter um filho — continuou Anyu, sorrindo enquanto se recordava — E devo te pedir desculpas por isso, porque você é uma menina, de fato, e não um garoto, como eu imaginava.

Elesis sentiu o rosto arder outra vez — Ouvia coisas parecidas de outras pessoas, mas da rainha?

—Procurei saber mais e descobri que, de fato, a filha dele era líder dos Cavaleiros Vermelhos — continuou — Ah, aquele Elscud. Deve ter feito você treinar duro até depois de cansar, quando era pequena.

—Foi assim que desenvolvi o gosto pela luta — Elesis respondeu animada, mas Anyu sacudiu a cabeça.

—Não, minha querida, acho que você já nasceu com isso. Os Sieghart carregam uma história de honra e vitórias, desde o Sieghart das antigas lendas... Por falar nisso, semana que vem seria aniversário dele. Enfim, eu não sei como não pude pensar em você antes, e peço que me perdoe.

—O que a rainha de Serdin quer comigo?

—Com a jovem mais guerreira que eu pudesse encontrar em Canaban — corrigiu a rainha com um sorriso, que inevitavelmente fez Elesis encher-se de orgulho — Como você sabe, e melhor do que qualquer um, seu pai foi enviado para encontrar e derrotar a Rainha das Trevas. Achávamos que, se tivessem sido bem-sucedidos, os monstros teriam parado de vagar por aí.

Ela fez uma pausa e continuou:

—Mas a rainha de Serdin me disse na mensagem que o número de monstros aumentou, e que já atacaram pequenas vilas e cidades. Tomaram algumas partes do território e já não se pode mais caminhar por alguns lugares sozinho. Tudo isso acontecendo de repente, e havia algo mais, uma marca inconfundível nos ataques e nos poderes dos monstros, que só podia se chegar a uma conclusão.

—A Rainha das Trevas, Cazeaje — deduziu Elesis, fazendo uma careta ao pronunciar o nome odiado.

—Sim, e os motivos são óbvios: ela está voltando, e está começando com estes ataques menores. Provaram que os monstros possuem a própria marca da Rainha das Trevas, e que não há tempo a perder. Por isso, a rainha de Serdin... Mas que droga, "rainha" pra cá, "rainha" pra lá... Quer criar um grupo para sair por Vermecia, para acabar com estes monstros que estão enchendo o saco.

—E a senhora quer que eu vá? — Elesis se assustou, mal acreditando no que ela dizia.

—Ora, por que não? Eu poderia mandar alguém mais adulto, mais experiente em batalhas reais, mas se Cazeaje resolver nos atacar, não posso deixar a cidade desprotegida. Você é uma guerreira valorosa, a líder dos Cavaleiros Vermelhos, quem melhor para escolher? É jovem, com toda a flexibilidade da idade, e os pensamentos ainda novos. Na verdade — ela sorriu — Acho que não vai ser mais do que um treinamento pra você, se for mesmo a filha de Elscud. Com isso, você vai experimentar o combate de verdade, ao mesmo tempo em que livra nossas terras dos monstros... E quem sabe um dia, com a paz sendo mantida por aqui, nós podemos formar um exército para encontrar Cazeaje de uma vez por todas.

Foi quando Elesis percebeu que não era a única que queria Cazeaje destruída não só porque isso salvaria o reino, mas por causa de um ente querido. Lembrou-se se de que o rei de Canaban era o marido da mulher sentada ao seu lado, e que ela provavelmente chorara pela sua perda da mesma forma que ela mesma chorava secretamente por seu pai. Havia outras pessoas que perderam familiares para Cazeaje, mas eram todos homens treinados e que já haviam aprendido a lidar com a perda, ou então eram mulheres que não eram tão bons com a espada quanto ela. Mas Elesis... Ela jamais se conformaria com o acontecido. Elesis era provavelmente a pessoa que mais teria vontade, dentre todos de Canaban, de enfrentar os monstros de Cazeaje. E, enquanto a rainha Anyu tinha a certeza de que seu marido estava morto, pelo menos Elesis ainda tinha esperanças de que seu pai ainda estava vivo, lutando, sobrevivendo de alguma forma — talvez esperando que alguém o libertasse, enquanto ela se lamentava por não se considerar boa o bastante.

—Eu aceito — disse, erguendo-se de súbito, quase numa posição de sentido — Diga-me por onde começar, e acabarei com todos os monstros. Se eu puder começar hoje mesmo...

Mas a rainha sorriu-lhe, rindo baixinho:

—Ah, minha querida, mas você não vai sozinha. Afinal, você ainda tem quinze anos, não poderia mandá-la assim, visto que certamente não foi mais longe do que a saída dos muros daqui de Canaban! Você não conhece o reino e precisa de instrução. Vai ter uma companheira, uma importante comandante da guarda de Serdin que por coincidência está aqui em missão. Ela a levará até nosso reino vizinho, já que é Serdin que está sofrendo mais ataques dos monstros.

—Porque estão todos com medo de atacar Canaban — disse a menina, e a rainha riu divertida.

No fim ela disse que precisava voltar para seus afazeres, e que não se sentia nem um pouco surpresa por Elesis ter aceitado a missão. Despediu-se da menina com um beijo na testa, que ela teria recusado se fosse de qualquer outra pessoa que estivesse na cidade. A rainha retirou-se com Philemon, pedindo que evitasse espalhar a notícia — podia haver espiões de Cazeaje, afinal, e quanto menos pessoas soubessem, melhor seria. Foi um dos motivos pelo qual Anyu, embora tenha querido visitar Elesis pessoalmente, decidira encontrar-se com ela no quartel, para evitar serem descobertos.

Claro que ocultar completamente as cosias seria impossível, pois mal Philemon e a rainha deixaram o quartel, parecia que todo o contingente dos Cavaleiros Vermelhos estava à porta do quarto dela.

—A rainha, Elesis, a rainha! O que queria?

—Veio aqui pessoalmente parabenizar nosso clã, não foi? Eu sabia, Elesis, você é a melhor...

—Você está encrencada? Disseram que bateu num assessor da corte real de novo...

—Saiam daqui! — ela gritou, ríspida, e bateu a porta na cara deles. Não tinha intenção de ser indelicada, mas a menção à briga com a assessor da rainha... Bem, felizmente, a soberana deveria ter estado ocupada naquela ocasião, pois nada mencionou a respeito. Elesis nem tomou banho, apagou a luz do quarto e nem sequer trocara de roupa.

Deitada em sua cama — a mesma onde a soberana de reu reino havia se sentado! — encarava o teto enquando pensava na sua missão. Como líder dos Cavaleiros Vermelhos, o que fazia era treinar e supervisionar treinos e torneios entre seus membros, e agora, finalmente recebia uma missão, a chance de usar suas habilidades para o bem de verdade.

Não sentia medo, nem o menor receio de embarcar na aventura, é claro. Apenas uma vez, sentiu uma tristeza: pensou que, se seu pai estivesse ali, estaria orgulhoso dela. Ao mesmo tempo, seria ele quem seria enviado na missão e ela teria ficado em casa. Ou teria seu pai convidado-a para ir junto, dando-lhe a chance de participar da Grand Chase ao lado dele? De repente ela se imaginava ao lado do pai, o maior guerreiro de Canaban vivo(pois ela não queria pensar de outra maneira), enfrentando hordas de monstros dia após dia, garantindo a paz no reino e vendo o sorriso de aprovação nos olhos dele, ao mesmo tempo em que fazia alguma piadinha sobre a habilidade da filha.

Elesis engoliu em seco, olhou sem ver o teto por longos momentos. mas não chorou. Finalmente, o cansaço da luta daquela tarde superou a expectativa da Grand Chase e ela adormeceu, um sono profundo e com sonhos confusos dos quais ela não se lembraria depois.