A History of Clowns
1 A Strange Family. - Prólogo.
Notas iniciais
Aquela era uma família estranha de se observar.
Usavam sempre as mesmas roupas, acordavam sempre o mesmo horário, mas apenas dois membros da família tinham sempre a mesma rotina. Os integrantes da família eram três: Ofélia, Donald e Cornigam. Sempre foram eles três desde que qualquer vizinho pudesse se lembrar. Eram uma família e, ao mesmo tempo... Pareciam tão diferentes, isolados em seus mundos.
Ofélia era lavadeira de roupas, sempre saia cedo em busca de trabalho. Era uma mulher de fibra, sustentou a família, dava um jeito de trazer nem que fosse um pão pra casa até nos piores dias. A vida era difícil. Nem que fosse um único pão para dividir entre os três, mas ela sempre trazia algo. Ofélia também era uma mulher difícil em todos os sentidos da palavra. O que aconteceu em sua vida, ninguém sabe, pois ela sempre fora uma mulher muito calada. Até com os próprios filhos. Mas a verdade é que você não conseguia decidir se tinha pena dela ou raiva dela.
Donald e Cornigam sempre foram crianças adoradas, exibiam uma simpatia gostosa de se ver e queridas por toda a vizinhança. Eles tinham um charme no olhar que sempre cativava as outras pessoas e fazia com que, de um modo ou de outro, todos cedessem às suas vontades. Mas havia um problema.
Donald era sempre tido como o carinhoso, doce e alegre, sempre ajudava a mãe e se dedicava aos estudos. “Um excelente aluno!” ao professores diziam “Irá se tornar um homem honrado” os vizinhos comentavam. Aos 17 anos, Donald decidiu que queria ser cozinheiro. Trabalhava meio período em um restaurante da cidade, lavando pratos, e durante a noite saia pelas ruas vestido de palhaço – um macacão amarelo e peruca vermelha – e vendia os sanduíches que ele mesmo fazia. Muitos diziam que eram bons, outros diziam que era horrível de comer, mas de um modo ou de outro, ele sempre voltava sem nenhum sanduíche e muitos trocados. Ele tinha medo de que nunca passasse de um vendedor de sanduíche de carrinho, por isso guardava boa parte do dinheiro para abrir uma lanchonete dali dois anos. Esse era o plano. Donald era um homem muito articulado e organizado. Fazia planos e os executava muito bem. Ele era um garoto prodígio.
Cornigam era o oposto do irmão. Sempre indo mal na escola – não por não saber o assunto, mas por não achar aquilo fosse relevante em sua vida de algum modo –, levando suspensão por brigar com os colegas e discutir com os professores. Ele era um rapaz que sempre chamava atenção por algum modo, muitas vezes um modo terrível. Aos 13 anos, durante a noite, ele enforcou o gato da vizinha porque o bichano vivia miando na janela de seu quarto. Mas ninguém nunca soube disso, porque no dia seguinte o garoto chorou pela morte do gato e disse que o culpado merecia a morte. Cornigam era um jovem carismático e sabia disso. Se seus olhos não fizessem as pessoas cederem aos seus encantos, com certeza sua lábia conseguia esse feito. Conseguia entrar nas festas de graça; fazia as pessoas caírem em suas mentiras, seus truques; conseguia qualquer droga para os colegas – ele nunca usou nenhuma, nem jamais usaria. Tinha uma lista de princípios particulares sobre o homem e a dependência, mas não se importava se as pessoas queriam definhar seus cérebros. – Cornigam era um garoto inteligente, mas não usava sua inteligência da melhor forma, ou pelo menos, não usava sua inteligência da maneira convencionalmente correta. Ele era um garoto peculiar, sem planos, com uma mente hábil vivia sua vida um dia de cada vez. Cornigam era um agente do caos.
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