A História que L. J. Smith Não Contou
27 Capítulo XXVII - Dor [Versão Aprimorada]
Notas iniciais
10 de janeiro de 1864
Giuseppe Salvatore estava em seu escritório bebendo mais uma taça do vinho que Giuliana o presenteou, quando um empregado lhe traz uma carta. Ao ler o conteúdo, dramaticamente o senhor Salvatore derruba a taça no chão, quebrando-a e derramando o vinho no carpete:
Mister Salvatore,
O senhor não deve me conhecer, mas já deve ter ouvido falar em meu nome por minha cara amiga Giuliana Salvatore. Como é de seu conhecimento ela veio passar alguns dias aqui na Geórgia comigo, mas ouve um incidente trágico.
Ontem 07 de janeiro de 1864, fui provar um vestido numa modista da cidade próxima da fazenda, houve um problema na carruagem e fiquei retida na estrada até tarde da noite. Quando o problema foi resolvido fomos para casa eu e minha criada Emily, que me acompanha a todos os lugares.
Chegamos na propriedade e vimos o desastre, a casa ardia em chamas, todos que estavam dentro faleceram, a senhorita Giuliana e meus pais os senhor e senhora Pierce. Por uma obra do destino e com certeza com um dedo de Deus, por pouco eu e Emily teríamos morrido também.
No dia seguinte o xerife da cidade após conter o fogo que consumiu toda a mansão averiguou e concluiu que o incêndio foi causado pelos escravos da família que se revoltaram e queriam vingar-se de meus pais.
Sinto muito ter que informar esse desastre a família de minha amiga. Estou sofrendo por perder meus pais e uma de minhas melhores amigas, meus pêsames.
Não sei nem como estou conseguindo escrever está carta, agora não tenho nem para onde ir. Acho que eu e Emily iremos para a sarjeta.
Minhas Humildes Condolências,
Miss Katherine Pierce
Depois de ler a carta Giuseppe foi correndo contar aos filhos e escreveu uma carta para o pai da moça.
A pior reação de todos diante da morte de Giuliana foi a de Damon, nem o pai dela sofreu tanto.
Ao ouvir a notícia, ele saiu correndo da sala de estar muito desnorteado, uma dor imensa e inexplicável vinha de dentro de seu peito, parecia que seu coração tinha sido arrancado bruscamente.
Ele queria gritar e chorar, pois se sentia culpado, achava que se ele tivesse admitido seus sentimentos isso não teria acontecido.
Damon se jogou na grama do jardim e viu um machado esquecido, pegou o instrumento e foi na direção do esconderijo dos dois.
Violentamente ele começou a descontar a raiva de si nas flores amarelas. Damon destruiu todas as flores e a beleza do campo. Depois soltou o machado e foi na direção da floresta, começou a procurar a árvore onde ele quase beijou Giuliana, quando encontrou recostou-se em seu tronco, sentou-se entre as raízes e começou a chorar.
- Por quê? Deus, por que você a tirou de mim? Eu já estava pronto para amá-la! Ele gritava para o nada. E tudo o que acontecia era seu eco retornando. – Malditos escravos!
Horas depois ele se trancou em seu quarto e ficou por lá dias. Quando resolveu sair foi para se alistar no exército dos Confederados, ele abandonou a causa abolicionista definitivamente, ia se juntar com os outros escravistas como vingança aos cativos que mataram a única mulher que até agora tinha conseguido entrar no coração dele.
Mesmo assim ele entrou em estado de negação, queria esquecer e fingia que Giuliana um dia foi tão importante em sua vida. Damon prometeu para si mesmo que nunca mais se apaixonaria, mas ele não esperava conhecer a senhorita Katherine Pierce.
25 de março de 1864
Após o enterro e depois de se acostumar um pouco com a perda da família, Giuseppe resolve escrever uma carta para a pobre senhorita Pierce, uma órfã desamparada e sozinha no mundo.
Cara Miss Pierce,
Sinto também pela sua perda e sabendo da sua desgraça e desamparo, faço-lhe um convite e recuso um não como resposta, adoraria hospedá-la em minha casa para que possa organizar sua vida pelo tempo que for necessário. Espero que perdoe minha demora em respondê-la, mas a morte de minha sobrinha com certeza não foi nada fácil para nossa família.
Atenciosamente,
Mr. Giuseppe Salvatore
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