– E essa garota que você me falou... – disse o centauro. – Parece que ela tem bastante sangue divino. Ela pode ser útil.

– Como conseguiremos captura-la? – Mike indagou. – Tem muita gente em cima dela, agora que ela é novata.

– Você me disse que ela ficou com uma quedinha por você. Use isso contra ela. Consiga ficar sozinho com ela e depois, use o amuleto para captura-la.

– Muito bem. Farei isso. Mas não se apresse, precisarei de tempo.

– O chefe não tem tempo! Quero a garota até daqui a dez dias!

– Claro senhor.

A imagem na fonte se desfez. Eu estava chocada! Primeiro, porque eu tinha quase certeza de que a garota sobre a qual eles estavam falando era eu. Segundo, porque eles queriam me capturar para usar meus poderes. Terceiro, porque eu tinha a sensação que tudo isso era por uma causa ruim! Ao meu lado, Katie estava com a respiração pesada. Mike passou por nós, mas não nos viu. Ele seguiu em direção à floresta.

Assim que ele saiu de vista, eu e Katie nos levantamos.

– Ai meus deuses! – ela exclamou. – Isso é muito mal!

– Eu sei! – eu disse. – Precisamos informar ao Sr. Terácio!

– Sem provas? Não vai dar certo.

– Precisamos tentar!

– O único jeito, é você evitar o máximo que conseguir ficar sozinha com ele.

– Ok.

– Agora, vamos logo pra arena.

– Ok.

Nós duas caminhamos até a arena. Dessa vez, não ouve conversa, o clima estava tenso. Chegamos bem na hora que o líder do patrono de Ares convocava todos para decidirem as duplas. Ele era alto e magrelo. Tinha o cabelo castanho escuro meio bagunçado e olhos negros que me lembravam uma tempestade. Assim que nos aproximamos, Katie sorriu (coisa que até agora não a tinha visto fazer) e se dirigiu a ele.

– Oi Summy!

– Oi Kat! – ele respondeu.

– Trouxe uma semideusa nova pra você treinar! Acha que da conta?

– Claro!

Katie fez um gesto para que eu me aproximasse.

– Essa é Beky.

– Olá. – eu disse.

– Oi Beky! Eu sou o Summy! Prazer conhece-la!

– Bem! Eu tenho umas coisas pra resolver! Posso deixa-la com você? – Katie indagou.

– Sim! Claro! – ele respondeu.

– Até mais tarde Beky!

– Tchau Kat! – eu respondi com uma piscadela.

Depois que Katie já estava fora de vista, Summy fez um sinal para eu segui-lo. Paramos no meio da arena.

– Essa é Beky. Alguém se oferece pra fazer dupla com ela hoje? – ele exclamou.

Ninguém manifestou o menor interesse no que ele disse. Então uma garota um pouco mais nova que eu se adiantou a frente e disse:

– Eu me ofereço!

– Muito bem então. Hoje iremos treinar o golpe 75. Quero vocês repetindo tudo 100 vezes de cada um. Quando acabarem, estão liberados.

Ele desceu do pedestal em direção a um garoto que devia ter uns 15 anos e sumiram no meio da multidão. A garota que se oferecera pra fazer dupla comigo se aproximou.

– Sou Vickie. Vem, vamos arranjar um canto para treinarmos.

Segui-a até um canto da arena. Posicionamos-nos uma em frente à outra.

– Acho que está querendo saber o que é o golpe 75, estou certa?

– Sim.

– Você tem uma espada?

– Não.

– Isso será um problema... Espere aqui um minuto.

Ela saiu pelos campos do local. Estava gostando bastante dali. Quase fui capaz de esquecer a conversa que eu e Katie havíamos ouvido, mas não consegui, porque meus sentidos entraram em ação assim que Mike se aproximou. Ele usava um casaco por cima da camisa do acampamento. Ele parou da minha frente. Fiz questão de observar se não estávamos sozinhos, claro que não. Estávamos no meio de uma multidão de filhos de Ares lutando.

– Olá Beky. – ele disse. – Fazendo esgrima com os filhos de Ares, ou veio parar aqui por mero acidente?

– Esgrima. – respondi secamente.

– E onde estaria sua dupla?

– Bem aqui! – respondeu uma voz atrás dele.

Vickie estava parada do lado de um garoto alto e forte, não tinha menos de 16 anos. Mike se virou surpreso, resmungou alguma coisa e saiu batendo o pé. O garoto fortão deu um sorriso de desdém e se aproximou.

– Beky, esse aqui é o Grus, filho de Hefesto. Ele é muito bom com armas. – Vickie apresentou.

– Olá Grus. – eu disse.

– Olá. – o grandão respondeu.

– Bem! Acho que ele é a pessoa ideal para fazer uma espada para você!

– Seria ótimo, mas nós não temos que treinar hoje?

– Temos, mas como uma guerreira luta sem a sua própria espada?

– Mas o que eu vou usar no treino?

– Uma espada comum do arsenal.

– Ok.

– Vou pegar uma, enquanto isso, você e o Grus decidem como será a sua espada.

Assim que ela saiu, o silencio dominou o local. Aquela garota sabia mesmo como colocar som. O Grus estava construindo alguma coisa com suas mãos enormes. Quando ele acabou, guardou no bolso e virou sua atenção para mim. Ele me analisou e depois fez algumas anotações em um bloquinho.

– Você prefere ouro, bronze ou prata celestial? – ele perguntou ainda escrevendo.

– Bronze. – respondi.

– Com disfarce mágico?

– O que seria um disfarce magico?

– Tipo... Quando você não estivesse a usando, ela se transformaria em um objeto comum.

– Ah! Claro! Ótimo!

– Acho que já sei como vou fazê-la. Assim que acabar, posso procura-la. Custam cinco reais.

– Pensei que usassem dracmas!

– E em que vamos usar os dracmas quando estivermos fora do acampamento?

– Mensagem de Íris?

– Isso é pros desatualizados. Eu uso celular.

– Ok então. Tenho que pagar agora? Por que eu ainda não estou com a minha mochila, que é onde se encontra o dinheiro.

– Quando eu entregar a arma, você me paga.

Ele saiu caminhando pesadamente em direção a uma pequena porta de metal, que eu supus que fosse a entrada para as forjas. Poucos segundos depois, Vickie voltou segurando uma simples espada de ferro.

– Vou ensina-la o golpe 75. – ela disse me entregando a espada.

Ela sacou sua espada. Era longa e feita de ouro. Ela brilhava diante da luz cortante do sol, e sua lamina se apresentava tão ameaçadora que eu tive que me segurar para não sair correndo. Ela brandiu sua espada e eu saquei a minha. Começamos um duelo.

Notas finais
Comentem! Preciso de inspiração!