A História de Uma Semideusa - Crios
18 Fico Famosa Ou Quase Isso Entre Amigos
Notas iniciais
O primeiro a entrar foi Vector. Ele se sentou na cadeira e ficou me encarando por longos segundos, até que eu não aguentei mais e disse:
– Eu sinto muito por ter desmaiado em você. Deve ter dado um trabalhão pra descer aquelas escadas comigo.
– Você não está fora de forma. – ele falou com um sorriso. – O que dizia a profecia?
– Olha. Me desculpa, mas eu não quero falar sobre ela agora, está bem?
– Ok. Como você está se sentindo?
– Bem. Nada sobrenatural.
– Isso é bom. As pessoas acham que você ficou maluca.
– Por quê?
– Sara. Para afastar todos da enfermaria. Mas algumas pessoas não quiseram acreditar.
– Isso é bom. Sinal que eu tenho bons amigos.
– Eu sou um deles?
– Não. Você é meu melhor amigo.
– Gostei.
Rimos e depois Sara pediu pra ele sair. A próxima pessoa era Katie. Ela me olhou preocupada, mas eu sorri e ela fez o mesmo.
– Ainda tenho uma colega de quarto? – ela perguntou.
– Acho que de andar... – disse, brincando.
– Haha. Muito engraçado.
– Como vão as coisas?
– O assunto do momento é a sua profecia. Pelo visto uma filha de Afrodite, fofoqueira, ouviu sua conversa com Vector e saiu espalhando por ai que você ia ficar louca por causa do livro das profecias.
– O livro nem é assustador. A sala onde ele fica é incrível. Toda dourada.
– Pensei que era um sótão velho com um livro velho no meio.
– Pensei a mesma coisa.
Conversamos um pouco sobre bandas legais de rock e depois Sara disse que a próxima pessoa ia entrar. Era Vickie. Ela segurava um ursinho de pelúcia muito velho. Ela se sentou na borda da minha cama.
– Oi Beky! – ela exclamou.
– Oi Vickie. – respondi. – Como vai?
– Bem. E você?
– Vou bem também.
– Ouvi os outros dizerem que você tinha ficado louca.
– Boatos. Estou em perfeitas condições.
– Que legal! Amanhã então, vamos lutar e defender o acampamento!
– Você vai lutar também?
– Vou. Precisaremos de todos os soldados.
Ela falou com firmeza, mas percebi a voz dela falhou um pouco. Devia estar com medo. Só a ideia de uma criancinha de oito anos lutando contra um gigante hiperbóreo já era horrível. Ela ficou mexendo no seu ursinho e eu pensando que não queria ter vivido para ver crianças lutando pela vida. Depois Sara informou que eu ainda tinha muitas visitas e que não tínhamos o dia todo. Logo depois, veio Summy.
Não sei se já comentei, mas eu tenho uma quedinha por ele. Quem não tem? Afinal de contas, ele é muito bonito e legal e sinceramente, não se parece com um filho de Ares. Ele se sentou na cadeira e olhou para mim.
– Oi Summy. – cumprimentei.
– Oi Beky. – ele respondeu. – Você está bem?
– Sim, sim. Não fiquei louca.
– Isso é realmente bom. Quando vai voltar à ativa?
– Eu já estava ativa, mas desmaiei depois que uma sombra me atravessou.
– Você faz falta na esgrima.
O comentário me pegou de surpresa. Eu fazia falta? Eu não conseguia acreditar que tinha ouvido isso, mas eu não sou surda.
– Você não se parece com Ares. – comentei.
– Todos dizem isso. – ele admitiu.
– Se existisse um deus da paz, você seria filho dele.
– Existe. Não lembro o nome. Mas eu tenho certeza de que sou filho de Ares. Pode checar na minha identidade.
– Não, eu acredito.
Sara enfiou a cabeça para dentro e disse a coisa mais burra da vida dela:
– Eu sei que o climinha está bom, mas tem gente na fila.
Não sei quem corou mais: eu ou Summy. Depois que ele saiu, Leae e John entraram. Eles estavam andando bastante tempo juntos. Imaginei se não estavam tendo alguma coisa...
– Oi. – disse John se sentando na cadeira.
– E ai? – disse Leae se sentando na beirada da cama.
– Como vão? – perguntei.
– Bem. – respondeu John.
– Vocês estão animados para irem pra casa?
– Não vamos mais. – respondeu Leae. – Decidimos ficar e lutar.
Todos os meus amigos iriam lutar para salvar o acampamento e eu estava chorando porque iria morrer. Provavelmente meus amigos morreriam também Que tipo de heroína eu era?
Conversamos alguma coisa vaga e depois Sara avisou que a próxima visita iria entrar. Peter entrou. Nós não éramos muito amigos, só tínhamos conversado algumas vezes. Ele só perguntou se eu estava bem e depois saiu apressado. Depois Grus entrou.
– Como vai? – ele perguntou, se sentando na cadeira.
– Bem. – respondi.
– Isso é ótimo. Pelo menos você não ficou doida.
– Graças aos deuses!
– Hum, sabe, aquele menino, Holl eu acho, ele me parece familiar...
– Isso é porque vocês são meio-irmãos.
– Ele é filho de Hefesto?
– Sem duvidas.
– Sabe o sobrenome dele?
– Não, por quê?
– Eu acho que conheço a irmã dele.
Depois de falarmos sobre os dois, tentando descobrir se eram mesmos irmão, Sara entrou no cortinado.
– Sai Grus. – ela disse. – Agora é a minha vez de falar com ela.
Grus levantou a mão e saiu do quarto. Sara se sentou na cadeira e Mandy também entrou, se sentando na beirada da cama.
– E então? – falaram as duas ao mesmo tempo.
– Hum... – eu murmurei. – Então o que?
– O que tem dentro da casa? – exclamou Sara.
– Como vocês sabem da existência da casa?
– Acha que nunca fomos lá? – indagou Mandy.
– Já vasculhamos cada centímetro desse acampamento. – admitiu Sara. – Até embaixo do bloco.
– Embaixo do bloco?
– Não mude se assunto! – disse Mandy.
– Não conseguimos entrar na casa. – falou decepcionada, Sara. – Alguma magia poderosa só deixa as pessoas autorizadas entrarem.
– Se tivéssemos uma filha de Hecate para ajudar... – murmurou Mandy.
– Mas queremos saber o que tem lá dentro! – apressou-se Sara.
– Quando eu entrei, senti um arrepio frio. É assustador e parece filme de terror.
– Adoro esse gênero. – disse Mandy.
– Cala a boca! – exclamou Sara.
– Tem uma escada estreita. – continuei. – Parecia que eu estava subindo até o céu. Demorou uma hora para chegar ao topo, sem paradas.
– Alguma magia. – resmungou Sara.
– Coisa do Sr. Terácio. – falou Mandy. – Aquele filho de Hecate se tornou um grande dominador da magia antiga...
– Ele é filho de Hecate? – indaguei.
– Não mude de assunto! – exclamaram as duas.
– Está bem, calma! No topo tem uma sala toda dourada, cheia de livros. No centro, em cima de um pedestal, está um livro com capa velha, mas os detalhes dourados visíveis.
– Coisa de Apolo. – falou Mandy. – Ele e o dourado...
– É bem provável, ele é o deus das profecias. – falei.
– Continue. – incentivou Sara.
– Depois disso eu disse para o livro se abrir e ele abriu na página onde estava escrita a minha profecia. – conclui.
– Que é? – perguntou Mandy.
Eu hesitei.
– Vamos. – disse Sara. – Diga logo.
Para o meu alivio, elas foram interrompidas, porque o líder do patrono de Hermes queria saber por que elas duas não estavam no treino de arco e flecha. Elas resmungaram, mas seguiram ele, se despedindo com acenos.
– Tchau! – eu gritei.
Levantei-me e decidi ir para o meu treino de esgrima.
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