A História de Uma Semideusa - Crios
1 Eu Tenho Um Sonho Estranho
Meu nome é Beky Darlins.
Eu tenho 11 anos e sou baiana. Moro com minha mãe e meus avós em um apartamento perto da praia. Tenho uma vida extremamente normal. Estudo pela manhã e faço esporte e inglês, à tarde. Mas é claro, eu odeio minha vida mesmo assim. Desde pequena eu leio muito. Pode-se considerar que eu sou uma leitora compulsiva, quando começo a ler um livro, só descanso quando chego à última página.
No dia das crianças minha mãe me deu uma coleção de livros chamada Percy Jackson e os Olimpianos. Eu já estava obcecada por mitologia, pois eu já havia lido a serie que seria a próxima depois dessa, Heróis do Olimpo. Em cada pagina que eu lia, eu me identificava mais. Invadia o livro e me sentia como cada personagem. Depois disso, meu maior sonho foi ser uma semideusa. Não conseguia tirar essa hipótese da minha cabeça, e quase como lendo meus pensamentos, o clima mudou drasticamente.
Caiu em um dia, a quantidade de chuva prevista para um mês inteiro. Houve relâmpagos, o transito ficou mais impossível do que já era, ouvi no noticiário que caíram relâmpagos no sul. Isso só pode ser coisa dos deuses, pensei. Cheguei ao colégio e contei a minha ideia a minha colega Mary, com a qual compartilhava meu sonho e ela também havia imaginado a mesma coisa. Infelizmente, aquele foi só mais um dia normal, pra uma garota normal que tinha uma vida normal. Mas a noite não. Naquela noite eu tive um sonho que superava todos os sonhos estranhos que alguém pode ter. Foi assim:
Eu, Mary, um colega chamado John e um colega chamado Vector estávamos na lanchonete que fica ao lado do nosso colégio, chamada Meat e Great. Um garçom comum estava nos atendendo, mas havia algo diferente no modo como ele nos olhava, como um predador olhando para a sua presa. Era exatamente isso. O garçom sofreu uma metamorfose instantânea e em questão de segundos eu me encontrava em frente a uma mosca gigante. Tão grande quanto um carro, ela mal cabia na lanchonete.
– Venham comigo! – Vector gritou. Não era mais Vector! Quer dizer, da cintura pra cima continuava sendo ele, mas onde deveriam estar suas pernas estavam pernas de bode e onde deveriam estar os pés estavam cascos.
Mesmo com a estranheza da situação nós o seguimos. Demos a volta pelo monstro, que a pesar dos olhos enormes não tinha uma visão muito boa e disparamos em direção ao colégio. Olhei para trás na esperança que a mosca gigante tivesse ficado presa na lanchonete, mas como sempre eu estava errada. Ela voava na nossa cola a toda velocidade, e uma mosca voa bem rápido. Não paramos um só instante, a placa da lanchonete agora dizia M at e G at. Subimos as escadas, e como estas eram muito pequenas, conseguimos atrasar o monstro, o que nos deu tempo para respirar.
– Quando chegarmos lá em cima estaremos encurralados! – Mary lembrou.
– Não. Tem uma entrada para o acampamento lá. – Vector respondeu.
– Que acampamento? – perguntei.
– Não tenho tempo para explicar, mas Mary não poderá entrar lá.
– Por quê? – John perguntou.
Mas ele acabou ficando sem respostas. Naquele momento a mosca gigante conseguiu quebrar as bordas da parede e vinha furiosa em nossa direção. Disparamos-nos a correr de novo, ganhando um pouco de vantagem em relação a ela, entramos na quadra de vôlei, que não tinha saída, a não ser uma pequena porta de manutenção no alto da grade, mas precisaríamos de muito mais tempo para escala-la...
– Atrás do tatame! – exclamei.
Encostado em uma das paredes da quadra estava um tatame azul de ginastica. Poderíamos facilmente nos esconder ali, mas o monstro não se enganaria tão fácil, só daria tempo para subirmos a grade. Mesmo assim corremos naquela direção e nos escondemos ali atrás.
– Vamos um de cada vez. – John sugeriu.
– E eu? – Mary perguntou.
– O monstro vai embora se pensar que também formos. – respondeu Vector. – Ele não irá te notar quando subirmos.
– Vá à frente. – eu disse.
Vector passou pelo monstro silenciosamente e como um bode montanhês escalou grade e chegou até lá em cima. Ele fez um sinal para prosseguirmos. John foi o próximo, ele subiu a grade com um pouco de dificuldade, mas logo estava lá em cima. Era a minha vez. Só um pequeno obstáculo para o meu sonho, pensei. Subi a grade, quase caindo lá pelo meio e Vector me ajudou a levantar quando cheguei lá em cima. Ele pegou uma chave e girou na maçaneta...
Eu acordei.
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