A História de Uma Filha de Deméter
1 Quem é Melinda Wright?
Notas iniciais
Espero que gostem, amores ♥
-COM LICENÇA! SAI DA FRENTE!!
A cada passo apressado que eu dava, mais ninfas, sátiros e deuses distraídos ficavam confusos, derrubavam suas coisas e alguns até chegavam a cair no chão. Muitos gritavam pragas em grego antigo, por ter suas coisas espalhadas no chão do pátio principal no Olimpo. A maioria, é claro, dizia sempre...
-PESTINHA! VOCÊ VAI VER!
Com esse comentário, tive que olhar para trás. Quer dizer, eu sou conhecida como a pestinha do Olimpo, mas eu queria saber quem tinha dito. Antes que pudesse ver alguma coisa, eu bati de frente contra algo... ou alguém.
Ah, espera eu não me apresentei! E nem disse o porque de eu estar correndo como uma doida pelo Olimpo. Ok, lá vamos nós para mais uma grande explicação...
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Meu nome é Melinda. Melinda Wright, na verdade, e geralmente me chamam de Mel. Atualmente, tenho 13 anos. Minha aparência: cabelos cor de mel e lisos (repicados), olhos âmbar (um pouco castanhos) que vão em degradê para o verde, pele bronzeada, magra e não sou muito alta.
Até os meus 4 anos, eu morei no Havaí com meu pai. Ele é -ou melhor, era- um hippie, daqueles que ama a natureza e tudo mais. Ele dava aula de Filosofia em uma escola perto da praia, e me ensinou desde pequena que a natureza é muito importante. Até que um dia, quando eu tinha 5 anos, ele resolveu se mudar para New York, só para ficar um tempinho e depois voltar... mas não voltou. Ele acabou conhecendo uma mulher, diretora de uma empresa (nada ecológica...) e acabou se apaixonando. Só posso dizer: eca. E ai, ele voltou a dar aulas de Filosofia, mas desta vez em uma escola mais respeitada e que não tinha tanto apreço pela natureza. Começou a usar ternos (por pedido de minha madrasta) e os dois acabaram se casando. Ele teve mais uma filha, uma chata, vivia grudada naquele Iphone. Enquanto eu, era a esquecida. Minha madrasta me odeia, pra falar a verdade. Me sentia sozinha, eu queria uma mãe, mas ele nunca me contou nada sobre a minha. Um dia (quando eu tinha uns 8 anos) tomei coragem e perguntei:
- Pai... o senhor disse, uma vez que mamãe mora em New York. Sabe onde é a casa dela?
- Ela disse que morava no 600º andar do Empire State uma vez, mas é impossível. O edifício só tem 102 andares, e também não há como morar lá. É um ponto turístico.
- E... qual o nome dela?
- Olha mocinha, se você está pensando em ir até o Empire State e perguntar sobre sua mãe, desista. Você tem apenas 8 anos e não vai andar sozinha por New York.
-Não vou, papai. Eu só... só queria saber sobre ela. O nome, onde mora, o que faz... ela é minha mãe, e não sei de nada.
- Tudo bem... ela se chama Deméter. Não sei seu sobrenome, mas ela se chama Deméter.
Fiquei pensativa durante algum tempo com aquele nome. A voz do meu pai dizia o nome dela a todo momento em minha mente. Um dia, ainda com 8 anos, tomei coragem e fugi de casa. Peguei dinheiro (da bolsa da minha madrasta, óbvio) e fui de táxi até o Empire State Building. Fui até o porteiro, e disse:
-600º andar, por favor.
- Sinto muito, garotinha, esse andar não existe.
- Minha mãe mora lá! O nome dela é Deméter.
- Deméter... sério? Qual seu nome?
- Melinda Wright.
- Ah... tudo bem, olha só: pegue isso e insira no elevador. Mas vá sozinha, ninguém mais pode estar lá dentro com você.
Fiquei assustada, óbvio. Até hoje não entendi porque ele me entregou o bilhete tão fácil assim. Mas, eu fui até o elevador, e cheguei até o 600º andar. E nossa, era lindo. Colunas gregas pra todo lado, criaturas estranhas, metade humanas e metade bodes. Algumas pareciam fadas, e se transformavam e árvores. E tinha aqueles que eram iguais a humanos, mas só a sua presença irradiava poder. Andei por lá, as criaturas abrindo caminho, como se eu fosse uma coisa esquisita (mais esquisita que elas). Até que um homem de cabelos castanhos, que estava vestido como um carteiro, veio até mim e disse:
- Hey, quem é você?
- Melinda Wright... e você?
- Hermes. Hãn... o que faz aqui, Melinda Wright?
- Vim procurar minha mãe.
- Espera! Deixa eu adivinhar: Afrodite?
-Não...
- Atena?
- Também não. — e ele disse uma porção de nomes de deusas gregas.
- Tudo bem, quem é sua mãe, afinal?
- Ela se chama Deméter.
-Uma... uma cria de Deméter? Tão raras... já devia ter imaginado, você tem os olhos dela. E você tem uma aparência um tanto...
- Hippie. Todos na escola me chamam assim. — Hermes riu
- Vou te levar até a sua mãe. Vamos.
Hermes me levou até uma casa muito bonita, com um jardim enorme. As paredes do lado de fora tinham plantas, e no telhado também. Nas janelas, havia vasos com cravos, rosas, margaridas e todos os tipos de flores. Havia um caminho até a porta, de pedras, e dos dois lados havia lavandas. Era lindo, a minha casa dos sonhos. Só de pensar que minha mãe morava ali eu ficava cada vez mais feliz.
Hermes bateu na porta, e uma mulher muito bonita atendeu. Muito mais bonita que a minha madrasta, e que qualquer outra mulher que eu tinha visto. Os olhos dela eram iguais aos meus, como Hermes havia dito, uma cor âmbar, que perto da pupila ficava verde. Ela tinha cabelos castanhos bem escuros, e sua pele era morena. Era magra, mas não tinha o corpo de modelo (como o de outras deusas). Estava usando um vestido branco, e um avental verde com flores por cima.
- Hermes? O que faz... -antes que ela pudesse terminar a frase, ela me viu, e me deu um abraço apertado.
- Mãe...? — só consegui dizer isso
- Sim, querida, sou eu. Como você está linda... como chegou até aqui?
- É uma longo história.
- Venha entre, me conte tudo. Acabei de fazer cookies, acho que você vai gostar. Ah e... entre também, Hermes.
Enfim, contei toda a história para ela. Desde como eu cheguei em New York, até estar no Empire State Building. Implorei para não voltar para a casa do meu pai, ela aceitou. Mas ai nós duas tivemos que implorar para Zeus, que depois que nós o incomodamos bastante (e depois da mamãe jurar que não ia obrigar nenhum olimpiano a comer cereal) ele aceitou, e eu moro aqui desde então. O quarto de hospedes do templo de Deméter virou meu quarto, e o jardim dos fundos também virou o "jardim da Mel" (que é como eu e mamãe chamamos).
Eu amo muito Deméter. Ela é a melhor mãe de todas, e também a melhor deusa, por mais que eu seja amiga dos outros olimpianos e deuses menores (principalmente de Hermes). Ela é muito amorosa e dedicada, não só comigo, mas também a Perséfone (que ela deixa um tanto claro que é a sua preferida...). Mas mamãe só tem um defeito, que é...
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- Melina Wright, como já o seu cereal!
Isso mesmo. Cereais.
- Mas mãe, esses coloridos são horríveis!
- Não me venha com desculpas mocinha, você está muito magra. Coma logo os cereais!
Mamãe estava tentando fazer eu engolir aqueles Froot Loops, e sério, aquilo é horrível. A granola até que é muito boa, e os sucrilhos também, mas parece que pegaram casca de árvore, cortaram em bolinhas, tingiram de colorido e botaram açúcar, e depois chamaram de cereal.
- Não vou comer essa coisa! Parece cocô de unicórnio! — Deméter ergueu uma sobrancelha.
- Melinda... — disse firme
- Deméter... -eu a imitei
Em um segundo depois, ela veio em minha direção, provavelmente para me segurar. E eu, é claro, saí correndo do templo, passando direto pelo pátio principal, onde ficam os sátiros, as ninfas, as náiades e o resto do pessoal. Eu sai atropelando todo mundo, e é aqui que estava o início da nossa história:
-COM LICENÇA! SAI DA FRENTE!!
Onde eu tinha parado depois disso... ah, é! Eu bati em algo. Ou melhor, alguém, e nós dois caímos no chão.
- Di immortales, Mel! -Hermes disse em um tom de voz assustado e confuso- Mas o que ouve?
- Mamãe! Ela está me obrigando a comer cereal colorido de novo!
- Ai, droga. Vem, vamos.
- Para o seu templo?
- Não, lá ela vai nos achar. A gente vai pra outro lugar.
Hermes correu, e eu fui atrás dele, muito cansada. Ele corre rápido demais, principalmente com aqueles tênis de corrida, parece que deixam ele mais rápido ainda. Entramos no palácio principal do Olimpo, e passamos por vários corredores, até chegar na biblioteca. Entramos lá discretamente (mentira, batemos a porta com toda a força e entramos desesperados como se não houvesse amanhã) e sentamos no chão para descansar.
- Aqui ela não vai nos achar — eu disse, ofegante.
- Com certeza — Hermes respondeu
- Quem não vai achar vocês? — perguntou uma voz feminina, e por um momento levamos um susto (achamos que era Deméter) mas a voz era diferente.
De trás de uma estante, saiu uma mulher de cabelos negros e cheios de cachos, a pele muito clara e olhos cinza tempestade. Usava um vestido vermelho longo, e segurava alguns livros.
- Oi, tia Atena.
- Oi, Melinda. E... oi Hermes. Se escondendo de Deméter, aposto.
- Como sabe que... -Hermes começou a falar, mas foi interrompido.
- Ela estava obrigando a Mel a comer Froot Loops? Não é porque sou a deusa da sabedoria, mas sim porque isso já aconteceu antes. Mel me contou.
- O clichê de sempre: mamãe e seus cereais. Ou deveria chamar de cereal killer? Aquele negócio é tão ruim que parece que vieram do Tártaro pra me assombrar.
Atena e Hermes riram.
- Acho que é melhor a gente esperar aqui, por um tempinho, até a velha dos cereais se acalmar — disse Hermes
Ficamos na biblioteca por um tempo. Atena sentou em uma poltrona e ficou lendo um livro, Hermes deitou em um sofá e dormiu, enquanto eu passava pelas prateleiras analisando cada um dos exemplares. Não parava quieta um segundo, aquele lugar era tão grande que não dava pra escolher apenas um livro. Subi ao mezanino, que na minha opinião era a parte mais legal: tinha uma ponte que ligava as duas partes, mesmo que ele desse a volta na biblioteca, havia como chegar mais rápido atravessando a ponte. O legal era sentar nela, onde tinha uma vista panorâmica da biblioteca inteira. Tenho que admitir: Annabeth Chase fez um ótimo trabalho como arquiteta.
A biblioteca estava toda em silêncio, quando de repente...
Notas finais
Não se esqueçam de comentar e favoritar. Preciso saber se estão gostando. Se não comentarem, não posto.
Beijinhos, seus lindos!
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